Arquivo de março, 2012

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Foto: Divulgação/TV Globo

É mesmo Marisa? Claro, Paulo, é Marisa. Esqueceu-se de que é atriz? São os “ossos do ofício”. Ou ofícios da arte, como bem quiserem. Confesso que estranho é, pois é uma de nossas rainhas, não da “sucata”, mas da exuberância. Ao isto fazer, junta-se a John Travolta, Eddie Murphy e Gwyneth Paltrow. Não é “vexame” algum, afinal, ser gorda não é vexame. A atriz cantora há tempos em palco da “terra da garoa”, ou “terra da não mais garoa”, estando em casa, quer dizer, no palco, fora achada por um certo Silvio de Abreu. Silvio que abriu suas portas. Não “as portas da percepção” de Aldous Huxley, mas as portas do sucesso. Divertida foi como a moça do museu apaixonada por personagem de Fagundes. Fez-nos rir, sem nos cobrar nada. Generosa. Tive prazer de vê-la em peça de Albee, “Três Mulheres Altas”. Por coincidência, eram todas “altas” em talento: Orth, Segall e Timberg. Atuara em “Fica Comigo Esta Noite”. Retrucamos: não deixe de ficar com a gente. Quando há trabalho seu, há a emergência de sua interpretação admirar.

“Odete Roitman”

Publicado: 30/03/2012 em TV

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Foto/Divulgação TV Globo

Sim, Odete Roitman é uma das melhores personagens já construídas até hoje na teledramaturgia nacional. Falava o que pensava, doesse a quem doesse. Talvez por suas opiniões tão cruentas e magnífica interpretação de Beatriz Segall jamais nos esquecemos desta mulher muito especial da ficção. Houve cenas dela impactantes, como a primeira, na qual se via somente seus lábios tecendo proposições capazes de ferir a autoestima de qualquer cidadão brasileiro. Isto deveria ser mudado? Não, pois reacendia discussões sobre o país que habitamos. Houve momento em particular, que poderia até ser clichê, mas que sempre nos marca, e nos causa tensão: Fernanda (Flávia Monteiro), namorada de Thiago (Fábio Villaverde) é convidada para jantar na casa de Roitman. A moça simples não consegue se portar à mesa “comme il fault”. O incômodo em nós é inevitável. A matriarca se apraz. Triste? Sim. Porém, quantos já por isso não devem ter passado? Com “Vale Tudo”, o Brasil mostrou a sua cara, e soubemos “quem paga pra gente ficar assim”.

“Cesar Cielo”

Publicado: 30/03/2012 em TV

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Foto/Divulgação

Quase alvorecer, estava eu na cama tentando cair em sono. Disse tentando. Caí? De modo algum. Veio-me “insight”. Por que não assistir à entrevista de Cesar Cielo a Marília Gabriela que tanto tenho postergado em fazê-lo? Cumpri o citado “insight” acima mencionado. Arrependimento não existiu. Sou avesso a ter ídolos. Mas admiro muitos. E Cesar está dentre aqueles por quem sinto admiração. Por que ele é campeão? Sim, tampouco face a isso, mas devido a tudo o que o levou a sê-lo. O “e” de seu Cielo não é aberto, o que poderia nos permitir comparar Cielo com o amarelo dos ouros que ganhara. Com o que combinaríamos o “e” fechado com a condição de atleta que possui? Fácil. Cielo combina com esmero. Esmero de suas braçadas que “dançam” nas águas. Desvelo também. Desvelo com o qual se dedica desde menino a levar vida de “peixe”. Um “peixe de olhos azuis”. Marília lhe faz perguntas ajuizadas como é próprio da profissional que é. O esportista, com seu jeito garoto, garoto alto com 23 anos, responde ao que é inquirido, enfrentando a propalada timidez que o acompanha. E cujo isolamento nas piscinas contribui. Porém, importa-nos nada que este brasileiro com “B” maiúsculo seja tímido. Isto é pequeno diante da suprema extroversão que impinge ao esporte que pratica. Está sempre pronto a dar um sorriso. Este gesto vale, perdão Cielo, do que o mais alto lugar do pódio. O filho de mãe formada em Educação Física e pai pediatra diz que seu sonho é atingir os objetivos que ainda lhe faltam. Como é jovem demais, compreendemos, a despeito de já o considerarmos um grande. Entretanto, sonhos existem para serem respeitados. E respeitaremos os de Cesar Cielo, o “peixe de olhos azuis”.

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 Foto: Divulgação/GNT

Ao fitar as fotos de Cauã Reymond e Mayana Moura não logro escapar de uma questão objeto de celeuma que teve seu início num dia, está no meio, e que provavelmente não obterá o fim: a transição de modelos para a televisão. É vezeiro e não devemos ignorar. No caso de Mayana Moura e Cauã, ambos se destacaram de forma proveitosa em “Passione”, e folhetins posteriores, como é o caso também de Rodrigo Hilbert. E foi o “début” de Mayana em novelas! Há os que caem nas graças do público, e aqueles que esta condição não atingem. Alguns no veículo ficam, e outros têm passagens fugazes. O preconceito tanto por parte dos telespectadores quanto de profissionais de TV pode ser contrariado com a evolução clara dos que se firmaram como intérpretes, independente das formações primeiras, como por exemplo Alinne Moraes e Ana Paula Arósio (que resolveu se afastar do ramo). Citemos certos ex-representantes da “catwalk” que migraram para a telinha (há os que desfilam de modo esporádico): Rodrigo Hilbert (que conquista enorme e unânime sucesso de público e crítica com o programa que se destaca pelas despretensão e espontaneidade – raro de se ver – “Tempero de Família”, no qual coloca em prática e com inconteste habilidade receitas de suas avó e mãe, que está sendo exibido pela GNT), Reynaldo Gianecchini, Betty Lago, Mila Moreira, Ricardo Tozzi, Victor Pecoraro, Vitor Fasano…. Para mim se houver talento não importam suas origens.

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Foto/Divulgação TV Globo

Vilão. São apenas cinco letras que fazem toda a diferença em uma novela. E como fazem. Muitos já abrilhantaram, por agora alguns abrilhantam, e virão outros. Os atores ficam na expectativa de ganhar um papel com esses contornos, pois se bem feito for, cairá nas graças do público. Werner Schünemann em “Passione” foi um belo exemplo em folhetim que ainda está no ar. Vamos então relembrarmos de personagens cujo cerne era a vilania, e que nos marcaram? Que tal irmos direto para 1976/1977? Quem era o grande malvado destes anos? Rubens de Falco. Sim, o próprio, que ficara famoso mundialmente com as suas iniquidades contra Isaura (Lucélia Santos), de “Escrava Isaura”. Nome? Leôncio. Em 1977/1978 coube a Edwin Luisi interpretar aquele que tirou a vida de Salomão Ayala (Dionísio Azevedo), em “O Astro”. 1978/1979. Uma mulher. Ótima atriz. Como se chama? Joana Fomm. Ela era Yolanda Pratini em “Dancin’ Days”. Como Júlia Matos (Sônia Braga) sofreu em suas mãos.. E tem mais: Flora (Patrícia Pillar), Perpétua (novamente Joana Fomm), Maria de Fátima (Glória Pires), Laurinha Figueroa (Glória Menezes) e… Odete Roitman (Beatriz Segall)!!!

“Larissa Maciel”

Publicado: 30/03/2012 em TV

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Foto: Fabio Miranda

Ainda sob o pujante impacto de uma “sublevação” deflagrada por mim mesmo contra próprio relógio biológico, deparo-me com Larissa Maciel, mulher bela com olhos da cor do… Não, não cairei na armadilha da rima rasa. Aqueles possuem matiz inclassificável. Por momento fugidio, a despeito da gaúcha bem representar a Felícia de “Passione”, ouço quase como murmúrios aos pés de ouvidos meus cantiga francesa dos enamorados: “Ne me quitte pas / Il faut oublier / Tout peut s’ oublier / Qui s’enfuit déjà…”. Ao citar a doída música imortalizada na voz de Maysa, não quero com isso dizer que Larissa é atriz de um papel só. Muito pelo contrário. Na novela de Silvio de Abreu, “Passione”, tem nos mostrado o quanto é talentosa, pois migrara de um extremo a outro. A exuberância e temperamento forte da grande cantora deram lugares às simplicidade e delicadeza da atual personagem. Este motivo não se configurara para ela como intransponível desafio. Silvio quis que houvesse “desabrochamento”. Flores desabrocham fácil.

“Anos Dourados”

Publicado: 29/03/2012 em TV

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Foto/Divulgação TV Globo

Vendo fotos de Felipe Camargo, impossível é para mim não me transportar para os idos de 1986. Quando a minissérie era anunciada na TV, não me entusiasmei de pronto. Mas resolvi lhe assistir. Mal sabia eu que estava passando a acompanhar uma das melhores obras neste formato feitas até hoje, e uma das mais brilhantes histórias de Gilberto Braga. Quase nada me escapa da memória. A abertura na qual se via o Instituto de Educação na Tijuca, Rio de Janeiro, ora em “P & B, ora colorido, ao som da bela música de Tom Jobim, em que se destacavam os leves toques nas teclas de um piano. Era a estreia de Felipe. De cara, seria filho do grande Milton Moraes, e da estrela Betty Faria. Seus pais eram desquitados. Sim, eram os anos 50. Os dourados anos 50. Houve ainda a presença de honoráveis artistas, como José Lewgoy, Cláudio Corrêa e Castro, Yara Amaral e Norma Geraldy. Antonio Calloni fazia o divertido Claudionor. Taumaturgo Ferreira, o impagável Urubu. Isabela Garcia… Dourados foram os dias que vi “Anos Dourados”.