Arquivo de abril, 2012

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Foto: Angelo Pastorelo para editorial de moda da grife Polo Wear.

“Insensato Coração”, Henrique Taborda, personagem de Ricardo Pereira (seguro e espontâneo na interpretação), declarou-se apaixonado por Marina (Paolla Oliveira), após esta chegar de passeio de barco, cujo intuito era o de se aproximar de empresário para realizar negócio profissional. Henrique soube o tempo inteiro ser galanteador, “jogar” com a sedução, esperar o momento certo de conquistar em definitivo a jovem. Teve a devida paciência com a neta de Vitória (Nathalia Timberg). Lançou charme até não poder mais. E quando a bela moça estava tomada por euforia, e de alguma forma, desprevenida, é beijada por quem a assediava. E justo no instante em que Pedro (Eriberto Leão), presente no local, dispunha-se a recuperar o grande amor. Na verdade, conhecemos dois lados de Henrique, na obra de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Este que lhes relatei, e o que nos é mostrado quando na condição de executivo de confiança de Horácio Cortez (Herson Capri). No segundo caso, acompanha a frieza, o cálculo e a objetividade de quem lhe é superior. Resta-nos agora saber como o imbróglio afetivo envolvendo Henrique, Marina e Pedro será resolvido. E quanto a Ricardo Pereira? Ricardo nasceu em Lisboa, frequentou o Curso de Psicologia na Universidade Lusófona, apresentou programa de TV na SIC sobre a ficção promovida no Brasil, em particular os folhetins e seriados, e integrou o elenco de inúmeras peças e filmes em seu país natal. Cabe a ele a prerrogativa de ser o primeiro protagonista de origem lusitana de uma telenovela brasileira, “Como uma Onda” (2004/2005), de Walther Negrão. Além disso, vivera psicólogo em “Prova de Amor”, na Rede Record. Atuara em “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi, e “Negócio da China”, de Miguel Falabella. Até ser escalado para ser o Henrique do folhetim atual, passara por “Toma Lá Dá Cá” e “A Vida Alheia”. Já está confirmado para a próxima produção de Miguel Falabella, “Aquele Beijo”. Se Ricardo “descobriu” o Brasil, esperemos que continue a descobrir tantas outras coisas que esta terra possa lhe oferecer na arte que escolhera.


Foto: Fabrizia Granatieri/CARAS ONLINE

O relacionamento de Bibi (Maria Clara Gueiros) e Patrick (Leandro Lima), no folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, sempre causou-nos impressão pelo inusitado, pelo aspecto demasiadamente liberal do romance. Ambos não eram casados. Exigência de Patrick, que já almejava lograr com possível separação tudo o que houvesse sido produzido e/ou ganho pelos dois durante a união estável. Ao saber desta tomada de decisão do rapaz que conhecera em despedida de solteira saindo de dentro de um bolo trajando apenas tapa-sexo, a prima de Marina (Paolla Oliveira) logo tratou de não colocar qualquer bem que fosse no nome dela a partir da data do início da relação. E durante essa “união” para lá de esquisita, Bibi ia “fazendo das suas”. Nenhum homem que exibisse rosto bonito e físico “trabalhado” escapava-lhe. Garçom, frequentador de hotel… Enquanto isso, Patrick em casa. E Bibi falando mal dele, questionando-se o porquê de ainda estarem juntos. O engraçado acontecia quando a personagem de Maria Clara “intimava” o namorado a nadar mais, pois o peitoral não estava a contento. E Leandro Lima possui corpo cuidado! Até que um dia, não sei se “da caça ou do caçador”, a mulher com tendências ninfomaníacas fragra o jovem aos beijos com Andressa (Nathália Rodrigues), a ex-amante de Cortez (Herson Capri). Fim de caso. E início de peleja judicial. Patrick pensa que possui direitos. Não possui. O que lhe restou foi uma carona dada pela ex-namorada. Bem, falemos agora de Leandro Lima. Leandro é natural de João Pessoa, Paraíba, e começou a trabalhar como modelo bastante cedo. Almejava atuar na televisão. Cursou a Oficina de Atores da Rede Globo, e a partir daí participou de algumas produções da emissora, como “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, “Caras & Bocas”, de Walcyr Carrasco, “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, a minissérie “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”, de Maria Adelaide Amaral, e “Passione”, de Silvio de Abreu. Por sinal, a interpretação nesta obra impeliu o diretor Daniel Berlinsky a convidar Leandro para personificar Patrick. Detalhe: Leandro Lima fora testado antes para ser Roni, papel que coube a Leonardo Miggiorin. Como modelo, integra o “cast” da Ten Model Management. No presente momento, faz parte da campanha da grife francesa IKKS, e será capa e terá editorial a ele dedicado na revista JUNIOR. Sua intenção é conciliar as duas profissões. Torçamos para que Leandro Lima mantenha o sucesso tanto em uma quanto em outra.

“O Rio de Estácio”

Publicado: 26/04/2012 em Poema

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Foto: site skyscrapercity

A minha homenagem à Cidade do Rio de Janeiro:

Estácio fundou

Sebastião abençoou

São Sebastião

Flechado foi

Assim como o Rio

Tem problema, não

O santo é adorado

A cidade também

Confundiram a baía com rio

No mês de janeiro

Podia ser em fevereiro

Fevereiro que é a “cara” do Rio

Não nos importa que seja baía ou rio

O que vale é que a água banha o pão

O Pão de Açúcar

O sal molhando o doce

Temos o verde na pedra

A pedra não reclama

Tampouco o verde

Há lugar “pra” todo mundo

Temos a “Princesinha do Mar”

Areias, areias, areias…

O Cristo a nos olhar

Parece sério

Só parece

Ele nos observa

Toma conta de nós

Ninguém nunca o viu zangado

Ele está sorrindo

Podem reparar

E o carioca?

Dizem tanto do carioca…

Mas todos amam os cariocas

O carioca da praia

O de terno da Rio Branco

E até o que à toa fica

Quem neste vasto mundo de Drummond

Não se deixaria resistir pelo charme do fraseado

Do gingado deste ser chamado…

Como é mesmo o nome?

CARIOCA!

Paulo Ruch

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Foto: Paulo Otero/site Glamurama Joyce Pascowitch

Tenho o dever de lhes confessar: sempre admirei Vera Fischer. Desde os tempos em que fora Sula, em “Sinal de Alerta”, de Dias Gomes e Walter George Durst, novela das 22h da Rede Globo. No elenco, havia o grande Paulo Gracindo, e a trama era crítica à poluição ambiental. E eu apenas um “petit” que se deixou encantar pela beleza da ex-Miss Brasil de 1969. Vera com sua determinação, conseguiu provar ao público que não possuía somente como atributo lindeza inconteste. Isto se corroborou em seus seguintes trabalhos, tanto na TV, quanto no teatro e no cinema. Aliás, gostaria de ressaltar que a estreia da atriz na emissora citada se deu em “Espelho Mágico”, novela de Lauro César Muniz, que lançou mão da metalinguagem ao abordar o mundo da televisão, e que trabalhara com Janete Clair, em “Coração Alado”. Posso destacar a obra de Gilberto Braga (com “takes” gravados em Londres), “Brilhante”, na qual interpretava Luiza. A direção solicitou ao mestre Tom Jobim, que compusesse música-tema homônima para a abertura da produção. No entanto, Vera cortou os cabelos bem curtos, e com permanente. Só que Tom compusera pensando em Vera Fischer de madeixas longas. Em 1987, foi a inesquecível Jocasta “minha deusa” de Tony Carrado (Nuno Leal Maia), em “Mandala”, folhetim inspirado na peça clássica de Sófocles, “Édipo Rei”. Integrou minisséries de inegável relevância, como “Riacho Doce”, “Desejo” (faria depois um espetáculo teatral com mesmo nome) e “Agosto”. Apostou no potencial cômico em “Perigosas Peruas”, ao lado de Mário Gomes e Silvia Pfeifer. Em “O Rei do Gado”, teve bom desempenho na primeira fase. Já em “Laços de Família”, emocionou como Helena, uma mãe abnegada. No cinema, esteve sob a direção de Sérgio Rezende, Cacá Diegues, Walter Hugo Khouri, Arnaldo Jabor e Braz Chediak. No teatro, Vera não fez por menos: “Macbeth”, de William Shakespeare; “Gata em Teto de Zinco Quente” (contracenou com Ítalo Rossi; assisti, e gostei), de Tennessee Williams; e “A Primeira Noite de Um Homem” (inspiração no livro de Charles Webb e no longa-metragem de Mike Nichols). Agora, escrevi, escrevi, e não lhes contei o motivo do título. Serei breve. Festa em boate, vislumbro Vera com a habitual exuberância (ela havia estado em Londres recentemente), e lhe disse: – Você sabia que Londres estava mais bonita esses dias? No que Vera indagou: – Por quê? Por que eu estava lá? Asseverei: – Claro! E numa outra ocasião, brinquei com a atriz ao vê-la de novo: – Puxa, Vera, você nem me avisou que vinha. É claro que fiz isto com todo o respeito e carinho que nutro pela intérprete. Sendo assim, garanto-lhes: Vera Fischer é amável, atenciosa, e sempre disposta a dar um sorriso. Tony Carrado estava certo: Vera é uma deusa.

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Foto: Roberto Nemanis/Divulgação SBT

Marília Gabriela mais uma vez conseguiu arrancar de uma entrevistada declarações que talvez outro profissional não tão hábil conseguisse. E assim aconteceu com a modelo e empresária Luiza Brunet. Falou-se de tudo um pouco: carnaval, moda, casamento, filhos, solidão, análise… Sobre o carnaval, Luiza, que desfila há anos, confessou-se tímida para sambar nos ensaios de escola de samba. O que já não ocorre quando está à frente da bateria, atrás do mestre-sala e da porta-bandeira, fazendo as vezes de “Rainha de Bateria”, sendo observada por milhares de pessoas. Disse sentir algo semelhante à condição de “majestade” mesmo. Confessou que prefere se mostrar comportada, “protegida”, no que tange à fantasia. Marília se lembrou que junto com ela apenas Luma de Oliveira e Monique Evans marcaram fortemente sua memória ao se exibirem na Avenida. Quanto à nudez, a bonita morena que estava com maquiagem suave, cabelos cortados à altura do ombro com capricho (seu sonho quando criança era ser cabeleireira), blusa branca comprida dobrada nos braços e jeans, asseverou não possuir qualquer tipo de problema. E que os ensaios fotográficos que realizara, inclusive com Terry Richardson, e os que até hoje são feitos, assim foram com bastante naturalidade. Característica que, provável, venha das raízes pantaneiras, indígenas. No que diz respeito à moda, fora modelo exclusiva da famosa marca de jeans Dijon. Trabalhou para Azzedine Alïa e Guy Laroche. Os primeiros passos nos desfiles carnavalescos se configuraram como forma saudável de exposição à época. Sobre os filhos, mora com um deles, e se contenta com o fato da filha modelo, Yasmin Brunet, saber administrar a carreira em Nova York. Considera seus casamentos bem-sucedidos, a despeito de estar solteira no momento. Aprecia ser dona de casa, e revela que poderá um dia fazer análise. Volta e meia se vê vítima de boatos, mas que sabe lidar com os mesmos. Enfrenta possível solidão com atividade, ocupação. Não esconde que deveria ter investido com mais afinco na profissão de atriz. Não descarta um retorno. Confirmou à jornalista que lida de modo tranquilo com a maturidade, e que se cuida porque vê importância nisto, não somente pela estética. Enfim, pelo que pude perceber, Luiza Brunet é resolvida, franca, encara as circunstâncias atuais com serenidade, e se permite sonhar. Todo ser humano deve sonhar. Por que bela mulher como Luiza Brunet não deveria?

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Foto: Divulgação/TV Globo

O ano era 1993. O autor, Antonio Calmon. Os diretores, Ricardo Waddington e Ary Coslov. A história focava no mundo da moda (representado por concurso de modelos cuja vencedora receberia prêmio em dólares, e direito a possível carreira internacional da Agência Sex Appeal). Os proprietários da mesma eram interpretados por Walmor Chagas (Edgar) e Cleyde Yáconis (Cecília). Os escrúpulos passavam longe da dupla. Aproveitando, curiosidade: Walmor fora casado com a irmã de Cleyde, a notória Cacilda Becker. Voltando à minissérie. Como disse no título deste texto, houve fato interessante no que concerne à escalação do elenco feminino. Algumas das jovens artistas, como Luana Piovani, Camila Pitanga, Danielle Winits e Carolina Dieckmann firmaram-se como atrizes de uma nova geração. Isto não é muito comum de acontecer. Porém, com “Sex Appeal” aconteceu. Foi a estreia também de Nico Puig (o boxeador Tony), Felipe Folgosi (Julio, irmão de Tony), que era dependente químico, Ariel Borghi (filho de Esther Góes, que participou da produção, e Renato Borghi), Renata Lima e Claudia Rangel, dentre outros. Lembremos ainda de Lui Mendes. Além de tratar do universo “fashion”, o enredo continha elementos de “thriller” inseridos no personagem de Dennis Carvalho. Elizabeth Savalla, como Margarida, era a mãe protetora de Angel (Luana Piovani), que possuía amigo que fazia as vezes de pai, Caio (homossexual bem composto por Otávio Augusto). Mario Gomes deu vida a Artur, detetive que investigava quem perseguia a filha de Margarida, no caso, o sujeito personificado por Dennis Carvalho. E a certa hora, Artur envolve-se com Margarida. Enfim, esta obra do gênero, ao meu ver, fora um acerto. Soube ser leve ao abordar o universo mencionado, sem no entanto abrir mão de questões importantes para a sociedade, como o homossexualismo e a juventude vítima de seus vícios. Ainda por cima, somaram-se a isso boas doses de suspense.

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Foto: Divulgação/TV Globo

Pai herói. Filho anti-herói. Conversa franca entre ambos. Não, com Léo (Gabriel Braga Nunes), em “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, nada é franco. Nem adianta, Raul (Antonio Fagundes). Tentar é perda de tempo. O rapaz está se recuperando de soco e coronhada que ele mesmo pediu para simular assalto. E com o dinheiro da venda do carro “roubado”, pagar dívidas. Por sinal, o que não faltam na vida de Léo são dívidas: a principal delas é a com ele próprio. O empresário diz desconhecer onde foi que errou para o filho ter se tornado o que é. Raul, você não errou em nada. Sim, Wanda (Natália do Vale) o mimou, protegeu-o em demasia, mas não a ponto de tê-lo transformado no que é. Seu olhar azul é frio, distante, sem emoção. Ele debocha. É cínico. Mente como respira. Engraçado que atrás de si havia quadro que me remete a “pop art”, no qual lia-se “Love You Live”. Parece piada. Léo viver o amor… Insensibilidade. Esta é a sua “arte”. Agora, não podemos negar que é intenso, determinado na prática de ignóbeis atos. O pai fala que o ama. Não acredita. O pai comunica-lhe que vai chamar Dimas (Bruno Gradim) para refazer os curativos. Léo solta um “idiota”. Léo, se há coisa a qual seu pai não pode ser chamado é idiota. Já em outra cena, Wanda, a mulher que afirma só ter os filhos na vida, vai informar ao ex-marido que não admitirá que lhe tire um dos filhos. Chegara ao absurdo de proclamar que não cederia(!) um deles. Wanda não está nada bem. Após ouvir uma série de acusações contra aquele a quem sempre acobertara, esbofeteia o pai herói. Deve ter doído. Porém, doerá muito mais nela quando souber quem na verdade é o “monstro”.