Arquivo de julho, 2012

Fashion Rio Outono Inverno 2011 - Píer Mauá

Stand da Vogue Brasil no Fashion Rio.
Foto: Paulo Ruch

“Max é o máximo do mínimo”

Publicado: 17/07/2012 em Cinema, Teatro, TV

Foto: Divulgação/TV Globo

Em 1988, estreava na televisão brasileira uma das mais importantes novelas já feitas, “Vale Tudo”, cuja autoria coube a Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. E no elenco, havia um núcleo de jovens atores formado por Marcello Novaes, Renata Castro Barbosa, Edson Fieschi, Flávia Monteiro e Fábio Villa Verde. Os personagens de Marcello e Edson frequentavam um clube, e praticavam natação. André, papel de Marcello, tornou-se amigo de Tiago (Fábio Villa Verde), o que gerou a desconfiança preconceituosa do pai do último, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), pois o filho não tinha namorada, era sensível, apreciava música clássica e de ler boa literatura. Acabou que Fernanda (Flávia Monteiro), que antes namorava André, passou a namorar Tiago. A partir daí, o intérprete garotão Marcello, que cursou O Tablado, no Rio de Janeiro, iniciou uma bem-sucedida trajetória na TV, emendando inúmeros folhetins (sobre os quais falaremos depois), até chegar ao Max de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Aliás, o seu jeito tipicamente carioca não o atrapalhou na diversificação dos papéis para os quais fora escalado, que vão do escrachado, passando pelo caipira, e tangendo o histórico. Hoje somos brindados quase que todos os dias com excelentes cenas de Marcello Novaes como o golpista das 21h. O ator que ostenta ótima forma física personifica um malandro que não costuma acertar na execução de suas tramoias. Os telespectadores mais benevolentes poderiam justificar as faltas de ética e escrúpulos, e a inacreditável megalomania à infância dura que tivera, e ao pai amoral que possui, Nilo (José de Abreu). Mas aí cairíamos naquela velha questão sociológica de que o homem é um produto do meio. O fato é que Max é uma pessoa que não tem o caráter ilibado. Não fosse assim, não teria sido o parceiro de tantos anos de uma das vilãs mais abjetas já vistas na teledramaturgia, Carminha (Adriana Esteves). Para os norte-americanos, Max seria tachado de “loser”, ou seja, um perdedor. Perdedor para eles não é aquele que perde sempre, mas o que mesmo tendo a oportunidade de vencer, de alguma maneira desperdiça a chance por vontade própria, e perde. Um exemplo disso em “Avenida Brasil”: Max recebe R$100.000,00 de Nina (Débora Falabella), um dinheiro que não lhe pertence, e ao invés de usá-los num investimento seguro, numa aplicação financeira, ou qualquer coisa que garantisse o seu futuro, decide dar-lhes como sinal na compra de um iate avaliado em R$500.000,00 (e ainda sequer recebera os R$400.000,00 que faltam para pagar a embarcação!). E para comprovarmos a sua fama de mau golpista, citemos que nada recebera dos R$50.000,00 da venda da casa de Genésio (Tony Ramos), o forjado sequestro de Carmen Lucia em que tudo deu errado, e a atrapalhada tentativa de arrombamento do cofre do então cunhado Tufão (Murilo Benício). Agora, no que concerne à carreira de Marcello, após a estreia em “Vale Tudo”, vieram as novelas “Top Model”, “Rainha da Sucata”, como Geraldo, “uma das filhinhas da mamãe”, “Deus nos Acuda” (em que refez Geraldo), “Quatro por Quatro”, obra na qual estourou ao lado da Babalu de Letícia Spiller, como o mecânico Raí, “Vira-Lata”, “Zazá”, “Andando nas Nuvens”, “Uga Uga”, “O Clone”, “Chocolate com Pimenta”, “América”, “Sete Pecados”, “Três Irmãs” e “Cama de Gato”. Trabalhou em diversos especiais e seriados. Integrou as minisséries “Chiquinha Gonzaga”, em que fora o marido da compositora na primeira fase da história, o rígido Jacinto Ribeiro do Amaral, “A Casa das Sete Mulheres” e “Dercy de Verdade”. Esteve em três fases de “Malhação”. No cinema, atuou no longa-metragem de Rosane Svartman, “Desenrola”. E no teatro, estivera no musical “Rock Horror Show”. E para terminar este texto, voltemos a Max. Não sei quantas vezes pilotará o seu iate ainda não quitado. Deixemos que ele se sinta o máximo. Afinal, não podemos nos esquecer de que Max é o máximo do mínimo.

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Foto: Divulgação/TV Globo

Na semana passada, uma atriz muito querida do público, Natália Lage, foi entrevistada por Jô Soares, em seu talk show. A intérprete de Niterói, cuja primeira novela foi na Rede Globo, “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz, como Regina, filha dos personagens de José Wilker e Lucinha Lins, foi falar sobre sua atual peça, “JT – Um Conto de Fadas Punk”. A artista que mantém cabelos platinados, e trajava um cardigã preto vazado sobre uma também vazada blusa verde, junto a calças e escarpins escuros, após Jô ter mostrado o programa do espetáculo, conta-nos do que ele se trata. Mas antes o apresentador afirma que a história baseada em acontecimentos reais é tão famosa que rendeu até capítulo da série “Law & Order”. Natália então narra o que de fato ocorreu. Nos anos 2000, apareceu nos Estados Unidos um jovem escritor, JT LeRoy, que lançara um livro autobiográfico. E neste, relatava a infância difícil que tivera, morando nas ruas, envolvendo-se com drogas, tendo uma mãe que era prostituta… Com o lançamento do livro, segundo a artista, JT conseguiu por meio da literatura uma espécie de redenção, passou a ser reconhecido, badalado e famoso. Tempos depois, foi descoberto que JT LeRoy não existia, era um personagem, e quem na verdade escrevia os livros era Laura Albert, uma ex-cantora punk, que já trabalhara com disque-sexo. Entretanto, quem servia como figura pública era sua cunhada, Savannah Knoop, uma garçonete (papel de Natália). Savannah é homossexual, e JT, quem interpretava, também. Assim, para Natália, o desafio foi este: uma menina gay se fazendo passar por um menino gay. Savannah manteve a história com a imprensa por algum tempo. Houve a necessidade das aparições públicas (palestras, entrevistas…), e a cunhada foi incumbida desta missão, devidamente produzida com chapéu, peruca e óculos escuros. Como um dos elementos da trama é o disque-sexo, Débora Duboc, também atriz do elenco, emite sua opinião a respeito, e diz que Laura Albert (seu papel) afirmou em entrevista que muito do personagem que criara adveio das suas experiências no disque-sexo, por ter ouvido o que as pessoas tinham a lhe dizer. Laura, como curiosidade, fazia-se passar por mulheres de diferentes faixas etárias. Jô pergunta a Natália se teve dificuldades em criar o papel. Ela responde que no começo “ficou meio perdida de como começar a construção do personagem”, até que decidiu seguir o caminho de vivenciar o incômodo de algo que seria muito distante para uma pessoa. Afora, o “fascínio de estar ali, vivendo uma experiência louquíssima”. Natália assevera ainda que a função do espetáculo é mostrar como Laura Albert conseguiu agregar as pessoas em torno desta história tão insólita. Confirma que Savannah, com o passar dos anos, começou a se sentir confortável com o papel que desempenhava, a ponto de em certas ocasiões tirar o chapéu e os óculos. Tanto que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora da peça, Luciana Pessanha, e que participou do projeto com Natália desde o início, numa entrevista com JT, este já estava completamete relaxado, sem os disfarces que antes o acompanhavam. Quanto à ficha técnica da peça a direção é de Paulo José e Susana Ribeiro. E no elenco, além de Natália e Débora, estão Nina Morena, Hossen Minussi e Roberto Souza. Agora, fotos da peça são exibidas no telão. Jô indaga a Natália sobre a voz que usa. Ela respondeu que dá um tom mais grave, hesitante, “como alguém que ‘tá’ com medo de falar”. Em uma das fotos, aparece uma cena de briga que decorreu entre Asia Argento (Nina Moreno que a faz), filha do cineasta Dario Argento. Asia foi o pivô da briga entre Savannah e Laura. Asia Argento chegou a participar de um filme que se baseou no primeiro livro de JT, “Maldito Coração”. A entrevista está se aproximando do final, e um VT da novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi, em que Natália contracena com Mário Gomes é posto para que vejamos uma das passagens de sua precoce carreira. E assim ficamos sabendo um pouco mais desta extraordinária história irreal que nos fizeram crer que era real contada por uma atriz de real talento, Natália Lage.