Arquivo de agosto, 2012

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Foto: Divulgação/TV Globo

Certa vez, fui assistir a uma peça de um dos mais celebrados dramaturgos contemporâneos, o americano David Mamet. Chamava-se “Perversidade Sexual em Chicago”, e no elenco estavam José Mayer, Eliane Giardini, Paulo Betti e Vera Fajardo. Logo pensei como uma atriz como Eliane poderia ser desconhecida do grande público ao ostentar tamanho talento. Tempos depois, o diretor Luiz Fernando Carvalho, conhecido por apostar em novos rostos na TV, escalou a intérprete para viver a Dona Patroa, na segunda fase de “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa, em 1993, na Rede Globo. Porém, antes disso, Eliane já havia feito trabalhos na televisão. Eliane Giardini prosseguiu sua carreira, tornando-se assim uma das artistas mais respeitadas e requisitadas da atualidade. No momento, podemos nos deleitar com a sua presença cênica em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Muricy, a matriarca do núcleo central do folhetim. Trata-se de uma família abastada devido aos feitos como jogador de futebol de Tufão (Murilo Benício), seu filho. Eliane, como disse no título deste texto, lembra-me uma personagem “felliniana”. Bonita e voluptuosa como algumas atrizes escolhidas por Federico Fellini para protagonizarem seus filmes. Madura e sensual (basta olhar os vestidos justos e decotados que usa), longos cabelos provocativos, olhos verdes faiscantes, e um sorriso que nos cativa. Como as personagens de Fellini, fala alto ou baixo dependendo das circunstâncias. É engraçada ou séria de acordo com a ocasião, também. Nos capítulos passados, Muricy se viu em desconcertante situação e suas consequências envolvendo um espinheiro. Forma um ótimo par com Adauto (Juliano Cazarré), mas diverte da mesma forma quando está com Leleco (Marcos Caruso). É uma mãe agregadora, cuja intuição funcionou com Nina (Débora Falabella), ao achar que a moça tinha intenções diversas, contudo nunca funcionou com a nora Carminha (Adriana Esteves). Quanto à trajetória desta intérprete que nasceu em Sorocaba, SP, formou-se na Escola de Teatro da USP. Depois de algumas participações em “Ninho da Serpente” e “O Campeão”, na Rede Bandeirantes, além de outras produções, estreia na Rede Globo na minissérie de Gloria Perez, “Desejo”, como Lucinda. Seguiram-se as novelas “Felicidade”, de Manoel Carlos, e a já citada “Renascer”. Esteve em muitas histórias no formato de minissérie, como “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, de Leopoldo Serran baseado em folhetim de Nelson Rodrigues; “Hilda Furacão”, de Gloria Perez inspirada em romance de Roberto Drummond; “Os Maias”, de Maria Adelaide Amaral, baseada em livro de Eça de Queiroz; “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que interpretou Tarsila do Amaral; “A Casa das Sete Mulheres”, de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão baseados na obra de Letícia Wierzchowski, e “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que personificou Tarsila do Amaral novamente (veio a montar um espetáculo sobre a pintora modernista), e “Capitu”, com roteiro de Euclydes Marinho e texto final de Luiz Fernando Carvalho inspirado no romance de Machado de Assis, “Dom Casmurro”. Esteve em um sem número de novelas, como “Explode Coração”, de Gloria Perez, “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, “Andando nas Nuvens”, de Euclydes Marinho, “O Clone”, de Gloria Perez (ganhou o Prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista dos Críticos de Arte, pela Nazira), “América”, de Gloria Perez (fez enorme sucesso ao ter como par romântico o ator Murilo Rosa), “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil, além de várias outras produções de diferentes gêneros. No cinema, podemos destacar “O Amor Está no Ar”, de Amylton de Almeida, com o qual recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral, “Olga”, de Jayme Monjardim, dentre outros. No teatro, citemos “O Processo”, de Kafka, “A Vida é Sonho”, de Calderón de la Barca, “O Amigo da Onça”, de Chico Caruso, “Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Souza, “Com a Pulga Atrás da Orelha”, de George Feydeau, “A Fera na Selva”, de Henry James, “Querida Mamãe”, de Maria Adelaide Amaral, “A Dama do Cerrado”, de Mauro Rasi e “Memória da Água”, de Felipe Hirsch. Recebeu os prêmios Qualidade Brasil por “A Casa das Sete Mulheres” e “América”, incluindo outras láureas. Voltando a Muricy, esperemos que se recupere logo do que os espinhos lhe causaram. Isso que dá trair Dadauto com história de procissão só para mulheres. Dadauto é esperto. Logo, logo descobrirá que no meio dos espinhos pode haver um Leleco.

Em primeiro plano, detalhe da saia de uma das dançarinas da Quadrilha da Paróquia Nossa Senhora das Dores e São Judas Tadeu, Jockey Club da Gávea, RJ

Foto: Paulo Ruch

Um momento da apresentação da Quadrilha da Paróquia Nossa Senhora das Dores e São Judas Tadeu, no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, Jockey Club da Gávea, RJ

Foto: Paulo Ruch

Evolução da Quadrilha da Paróquia Nossa Senhora das Dores e São Judas Tadeu, no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, Jockey Club da Gávea, RJ

Foto: Paulo Ruch

A dança dos casais da Quadrilha da Paróquia Nossa Senhora das Dores e São Judas Tadeu, no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, Jockey Club da Gávea, RJ

Foto: Paulo Ruch

“Os Esportistas nas Novelas”

Publicado: 22/08/2012 em TV

Foto: Divulgação/TV Globo

Não muito raro aparecem nas novelas personagens que são praticantes de esportes. Além de ser um diferencial na história, este elemento traz um aspecto de emoção ao que está sendo contado. E por que não uma certa leveza também, porquanto a prática esportiva induz-nos logo a associar a uma vida mais saudável. Outrossim, porque o brasileiro em geral é um apreciador dos esportes. Principalmente o futebol, é claro. Comecemos com “Véu de Noiva”, de Janete Clair, em que Cláudio Marzo (Marcelo) era um piloto de automobilismo. O mesmo Cláudio foi Duda, um jogador de futebol no clássico de Janete Clair, “Irmãos Coragem”. Já em “Brilhante”, de Gilberto Braga, Nádia Lippi (Vânia) e Rômulo Arantes (Osmar) eram nadadores. Aliás, Rômulo foi nadador profissional, e participou das Olimpíadas de Munique (1972), Montreal (1976) e Moscou (1980). Em “Pão Pão, Beijo Beijo”, de Walther Negrão, Paulo Guarnieri (Daniel) fazia um piloto de kart. Em 1983, no grande sucesso de Silvio de Abreu, “Guerra dos Sexos”, José Mayer personificava o boxeador Ulisses, papel este que caberá a Eriberto Leão no “remake” da novela que irá ao ar, após “Cheias de Charme”. Na produção de Gilberto Braga, “Água Viva”, sobre a qual comentei há pouco tempo, o windsurf era o esporte da moda, e no enredo Marcos (Fábio Jr.) não dispensava a prática. E o mesmo autor, no ano passado, colocou os atores Jonatas Faro (Rafa) e Giovanna Lancellotti (Cecília) como adeptos do wakeboard, em “Insensato Coração”. No ano de 1984, na novela de Carlos Lombardi “Vereda Tropical”, uma das tramas centrais envolvia um time de futebol do qual faziam parte Mário Gomes (Luca) e Nuno Leal Maia (Bertazzo). No mesmo ano, no horário nobre, era exibida a produção de Gloria Perez e Aguinaldo Silva, “Partido Alto”, na qual os atores Kadu Moliterno e André di Biase (surfistas na vida real) eram aventureiros que iam a lugares paradisíacos para surfar. A dupla deu tão certo que no ano seguinte surgia a série “Armação Ilimitada”, em que Kadu (Juba) e André (Lula) faziam vários esportes radicais. A atração caiu nas graças do público de imediato, pois misturava romance, aventura e humor. Em “Baila Comigo”, de Manoel Carlos, o “boom” do “cooper” era mostrado por alguns personagens nas praias do Rio de Janeiro. Em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Marcello Novaes (Daniel) e Edson Fieschi (Carlos) se exercitavam nadando. Em “Rainha da Sucata”, de Silvio de Abreu, Maurício Mattar (Rafael) era instrutor de paraquedismo. Em “Marina”, de Wilson Aguiar Filho, baseado na obra de Carlos Heitor Cony, Edson Celulari (Ivan) era um jóquei, e Monique Curi (Soninha) também apreciava o esporte. Já em “Mulheres Apaixonadas”, de Manoel Carlos, Marcello Antony (Sérgio) frequentava as areias da Praia do Leblon para jogar vôlei de praia. E em “Passione”, de Silvio de Abreu, foi Gerson, um piloto de stock car. Na mesma obra, Cauã Reymond (Danilo), Fernando Roncato (Thiaguinho) e Kayky Brito (Sinval) eram ciclistas “indoor”. Em “Barriga de Aluguel”, de Gloria Perez, havia um time de vôlei de quadra em que Carla Daniel (Ciça) era uma das jogadoras, e o técnico era Paulo César Grande (Dudu). Na novela juvenil “Malhação”, em sua primeira temporada, Luigi Baricelli (Romão) e Cláudio Heinrich (Dado) foram judocas. Até há bem pouco tempo, a atriz Fernanda Vasconcellos interpretou Ana, uma campeã do tênis, no folhetim de Lícia Manzo, “A Vida da Gente”. Afora que muitos personagens ricos já apareceram em cena jogando este esporte de elite. E como não podia faltar, o time do Divino (foto) de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, que torçamos para que até o último capítulo consiga ir para a Primeira Divisão. Como se vê, o importante não é somente atuar, o importante é competir.

Simulação de fogueira no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, no Jockey Club da Gávea, RJ

Foto: Paulo Ruch