Arquivo de novembro, 2012


Foto: Divulgação/TV Globo

Na quinta-feira passada, estreou mais uma produção assinada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. Luiz é reconhecidamente talentoso e se destacou na televisão por impingir uma linguagem inovadora e rica nos detalhes, caracterizada por angulações nada convencionais da câmera, fotografia que causava deslumbre, e a exploração de um Brasil regional, muitas vezes idílico, afora adaptações literárias criadas com enorme capricho. Minisséries como “Os Maias”, “Hoje é Dia de Maria”, “Capitu”, e novelas como “Renascer” e “O Rei do Gado” comprovam sua desenvoltura e inventividade. Arriscou-se em transpor para as telas de cinema o livro de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”. Algo impensável. No momento, o diretor mostra com “Suburbia”, o novo seriado da Rede Globo, uma opção drástica de mudar o seu foco de comunicação com o público (há no entanto elementos que remetem à sua estética anterior). Isto se evidencia na história escrita pelo próprio Luiz Fernando e Paulo Lins. Fomos levados para terras miseráveis de algum longínquo torrão brasileiro. Conhecemos uma família que trabalha com carvão sob condições insalubres, e dela faz parte uma menina devota de Nossa Senhora Conceição Aparecida, e que se afeiçoa por um cavalo branco cercado de mistérios. O nome dela é Conceição (Débora Nascimento), e seu maior sonho é ver o Pão de Açúcar, registrado num recorte de uma publicação qualquer, guardado com carinho e zelo. Certo dia, Conceição decide ir atrás do sonho. Só que ao chegar ao Rio de Janeiro, percebe que a doçura no nome da montanha não se estende à realidade que enfrenta. Acaba sendo detida e conduzida a uma instituição de menores por um crime que não cometeu. Lá, sofre agruras que a impelem a fugir. Vai trabalhar como babá de duas crianças na casa de uma estudante que está terminando sua tese. Este fato ocorreu após um incidente. Conceição cresce, e torna-se uma bonita mulher. Uma bonita mulher que adora dançar. Entra em cena Erika Januza. Ganha uma amiga, Vera (Dani Ornellas). Aproveitando uma viagem da patroa, Conceição vai passar um final de semana onde mora a nova amizade. Os vizinhos de Vera são bastante animados, e têm a dança como diversão principal. Conceição encanta a todos com a graça dos movimentos que faz ao dançar. Passa a se chamar Suburbia. Jéssica (Ana Pérola) aparece e deixa claro que está disposta a rivalizar. Suburbia retorna ao trabalho. O namorado da patroa não tinha por que estar no local. Suburbia sofre uma tentativa de abuso. É o começo de uma trama que promete emoção, romance e disputas. Um dos diferenciais deste seriado é a escalação de não atores, como Erika Januza e tantos outros. O que deu um toque de realismo indispensável à proposta do diretor. Há também intérpretes experientes, como Haroldo Costa, Rosa Marya Colin e Fabrício Boliveira. Da direção, só poderíamos esperar excelência. A fotografia dá boa contribuição. O elenco está conectado ao enredo, e merece nosso reconhecimento. Nas vinhetas dos intervalos, uma ótima música: “Pra Swingar”, do grupo Som Nosso. E quando Fabrício Boliveira, como Cleiton, surgir, e conhecer Suburbia ficaremos o esperando lhe dizer que “Dentro dessa situação eu só posso convidar você ‘pra swingar’ comigo”.