Arquivo de janeiro, 2013

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Foto/Divulgação

Todas as vezes em que eu passava em frente ao suntuoso prédio envidraçado que se localiza na Rua do Russel, na Glória, Rio de Janeiro, e que serviu de sede para a Rede Manchete, inaugurada em 1983 e extinta em 1999, lembro-me com nostagia e uma certa tristeza de que aquele lugar, durante mais de uma década, foi palco de uma série de programas inesquecíveis e bem feitos que marcaram uma época. Novelas, minisséries, filmes antigos, telejornais com incontestável profissionalismo, cobertura ampla do esporte e do Carnaval, e atrações de outro gênero de igual qualidade. Uma emissora que apostou na competência de atores, jornalistas, autores e apresentadores, e muitos deles atualmente estão num alto patamar de realização. Foi na sua programação que testemunhamos importantes obras da teledramaturgia que retratavam fatos históricos do Brasil, como “Dona Beija”, “A Marquesa de Santos” e “Xica da Silva”. As duas primeiras credenciaram Maitê Proença como uma das atrizes mais comentadas naquele momento (as suas cenas sensuais arrebatavam o público), e a terceira lançou Taís Araújo, intérprete bastante requisitada nos dias de hoje. Walter Avancini, o diretor, fez questão absoluta que aquela jovem em início de carreira fosse a protagonista. Walcyr Carrasco, prestigiado autor da Rede Globo, escreveu a história. Alguns autores migraram para a nova emissora, como Benedito Ruy Barbosa, Wilson Aguiar Filho e Gloria Perez. Benedito foi responsável por um dos maiores sucessos já presenciados na televisão, a novela “Pantanal” (foto). Cristiana Oliveira foi outra atriz que passou a ser admirada e querida no país inteiro, com a sua Juma Marruá. No elenco, havia Cláudio Marzo, Marcos Winter, Marcos Palmeira, Carolina Ferraz (estreando em folhetins), Andrea Richa, Ângelo Antônio (sua estreia), Jussara Freire e Ingra Liberato. O diretor era ninguém menos que Jayme Monjardim, que com suas imagens panorâmicas de belas paisagens tropicais, exibidas ao som das composições de Marcos Viana, conquistou os telespectadores. Jayme atualmente é diretor de núcleo da Rede Globo, assim como Marcos Schechtman, que também dirigiu produções na Rede Manchete. Tizuka Yamazaki, renomada cineasta, comandou “Kananga do Japão”, com Christiane Torloni e Ana Beatriz Nogueira. Quanto a Gloria Perez, ficou encarregada de contar um enredo em “Carmem”, cujo personagem-título coube a Lucélia Santos. Outra novela de grande êxito foi “A História de Ana Raio e Zé Trovão”. Ana era defendida por Ingra Liberato (foto) e Zé por Almir Sater. Tamara Taxman destacou-se como Dolores Estrada. Houve outras atrações teledramatúrgicas, como “Santa Marta Fabril S.A”, “Corpo Santo”, “Tocaia Grande”, “Mandacaru” e “Amazônia”. No que concerne ao Carnaval, a emissora cobria os impagáveis e luxuosos desfiles de fantasias no Hotel Glória, e foi a única emissora a transmitir os dois dias de desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na inauguração do Sambódromo, no ano de 1984. O jornalismo era um dos carros-chefes da TV Manchete. Tinha-se como meta um aprofundamento maior das notícias. Comentaristas do naipe de Carlos Chagas e Villas-Bôas Corrêa emitiam suas precisas opiniões. Passamos a conhecer os âncoras Ronaldo Rosas, Carlos Bianchini e Leila Richers. Eliakim Araújo, Leila Cordeiro, Marcos Hummel e Marcia Peltier também assumiram a bancada do “Jornal da Manchete”, que possuía duas edições. Roberto D’Ávila conduziu com extrema habilidade o programa de entrevistas “Conexão Internacional”, no qual os convidados eram notáveis representantes dos cenários político, cultural etc. Na área dedicada ao cinema, o crítico Wilson Cunha apresentava o “Cinemania”, um deleite para os cinéfilos com todas as informações sobre a Sétima Arte. E como não mencionar “Acredite Se Quiser”, em que o ator americano Jack Palance narrava acontecimentos extraordinários? No campo infantil, afora desenhos clássicos como Manda-Chuva, o experiente diretor Maurício Shermann (diretor do “Zorra Total”) colocou uma até então modelo como apresentadora de uma produção voltada para o público mirim, “Clube da Criança”. Começava ali o fenômeno de apelo popular no qual se transformaria Xuxa. Com a sua ida para a Rede Globo, uma outra moça que iniciara a carreira ainda criança passou a animar o programa. Estamos falando de Angélica, que construiu sólida trajetória como apresentadora/entrevistadora, e mantém seu prestígio intacto. Assim como Xuxa Meneguel, rumou para a emissora carioca. Agora, o prédio suntuoso e envidraçado da Rua do Russel, na Glória, continua lá. Não há mais o logotipo marcante no seu topo. Que fim ele levou? A TV Manchete acabou. Teve o seu tempo. Tempo de glória. Um tempo de glória numa rua do Rio de Janeiro no bairro da Glória.

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O noivo quis dar mais algumas palavras.
Foto: Paulo Ruch

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Um bonito momento da cerimônia.
Foto: Paulo Ruch

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A alegria toma conta do casório.
Foto: Paulo Ruch

Foto: Divulgação/TV Globojessica_pede_socorro Na sinopse original de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, a personagem de Carolina Dieckmann não ficaria tanto tempo no ar. Decorridos alguns capítulos, ela seria eliminada pela quadrilha que a escravizava para fins de prostituição. Só que esta informação vazou. E a autora decidiu provavelmente estender a participação da atriz na novela. O que talvez Gloria Perez não esperasse era que Jéssica fosse cair de tal forma no gosto do público a ponto de haver uma torcida pela sua permanência na história, e que conseguisse escapar com êxito de seus malfeitores. A moça que apenas queria trabalhar numa pizzaria na Espanha foi submetida a todo tipo de agressão, tanto física quanto moral. Logo no começo da trama foi abusada sexualmente. Os tapas no rosto foram muitos. Tentou de todas as maneiras desvencilhar-se do horror no qual se envolvera. As tentativas no entanto eram sempre mal-sucedidas. Porém, Jéssica nunca desistiu. Ao lado de Morena (Nanda Costa) na Turquia obtém uma fiel aliada nos planos de fuga, e surge uma forte cumplicidade entre elas. As estratégias foram várias, dentre elas o fato de terem dopado um cliente no quarto da boate, e saírem pelo buraco onde antes havia um ar-condicionado. Rosângela (Paloma Bernardi) era um grande obstáculo a ser transposto, haja vista que estava sempre disposta a denunciá-las pelo que arquitetavam. Nas ocasiões em que a jovem loira procurava socorro numa delegacia policial em algumas de suas escapadas, o onipresente Russo (Adriano Garib) surgia. Quando foi presa, ele se dispôs a pagar a fiança. Quando seria deportada, o chefe da segurança se identificou como seu tio, dizendo que iria providenciar a regularização de sua estada no país. O que me intrigava (ao que eu me lembre) é que não fora cogitada a ida ao consulado brasileiro quando tiveram oportunidade para isso (claro que seria uma tarefa bem difícil de se executar). Com o retorno ao Brasil, arriscando as suas vidas, abriu-se um leque de possibilidades de se libertarem finalmente da armadilha em que foram colocadas. O fantasma das ameaças de Russo e Wanda (Totia Meirelles) não as intimidaram a procurar a delegada Helô (Giovanna Antonelli), que, intolerante, não acreditou naquilo que lhe contaram. Até o experiente Théo (Rodrigo Lombardi) julgou ser uma lenda o crime relatado por Morena, mas sem mencionar que era a vítima. É evidente que todos nós torcemos para que as situações se resolvam logo, e as personagens sejam vitoriosas em seus intentos. Todavia, trata-se de uma novela, formato da teledramaturgia de longa duração no qual os principais conflitos só são solucionados com a proximidade de seu término. Alguns podem até alegar que há ações que se repetem continuamente, contudo não há outro jeito na maioria dos casos. Se fosse uma microssérie ou um filme… Confesso que gostaria muito que Jéssica continuasse viva, entretanto acredito que Gloria Perez não quis abrir mão da realidade. Fiquei sabendo que Morena será levada de volta para a Turquia desacordada, o que afligirá ainda mais os telespectadores. No tocante à interpretação da atriz que iniciou sua profissão bastante menina na minissérie de Antonio Calmon, “Sex Appeal”, percebi um tom mais revoltoso logo ao descobrir que fora enganada, e após tantas decepções, traumas, fracassos e violência, Jéssica mostrava estar um tanto quanto cansada na luta por sua liberdade. Morena lhe deu o gás de que precisava para se fortalecer de novo. E, afinal, que frutos Jéssica rendeu para Carolina Dieckmann? Jéssica desde já entrou para a galeria de papéis marcantes da intérprete, como a Camila de “Laços de Família”, de Manoel Carlos. Carolina antes de atuar dedicava-se ao ofício de modelo, e depois da estreia em “Sex Appeal”, emendou nas novelas “Fera Ferida” e “Tropicaliente”, como Açucena. No ano seguinte, fez parte do elenco de “Malhação”. Vieram os folhetins “Vira-Lata” (estreando no horário das 19h) e “Por Amor”. Após o estrondoso sucesso como Camila, em “Laços de Família”, integrou “As Filhas da Mãe” e “Mulheres Apaixonadas”, em que fazia par romântico com Erik Marmo. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”. Ganha papel de destaque em “Senhora do Destino” (na verdade, foram duas personagens). O autor João Emanuel Carneiro lhe concede a chance de viver a sua primeira vilã, Leona, em “Cobras & Lagartos”. Assume um visual surfista em “Três Irmãs”. Na produção de Silvio de Abreu, “Passione”, foi Diana. E, em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, personificou uma jovem tida como “periguete” que demonstra ao público um forte instinto maternal. Sob as lentes de uma câmera de cinema, “Onde Andará Dulce Veiga?” e “Sexo com Amor?”. No teatro, o palco teve a sua presença em peças como “Banana Split”, “Peter Pan”, “Quarta Temporada”, “Confissões de Adolescente”, “A Tempestade” e “Cabaré Filosófico”. Em sua trajetória, foi laureada com prêmios como o “Faz Diferença”, do jornal O GLOBO, por sua atuação em “Cobras & Lagartos”. Terminando este texto com “Salve Jorge”, Jéssica se despediu dos telespectadores. A torcida para que a atriz/personagem continuasse na novela foi em vão, mas o trabalho digno da atriz não foi nada em vão.

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Todos se despedem dos convidados.
Foto: Paulo Ruch

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O buquê fora lançado.
Foto: Paulo Ruch