Arquivo de fevereiro, 2013

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Foto: Divulgação/TV Globo

Copa do Mundo da França de 1998. Noite. Vitória do Brasil. Comemoração nas ruas. Encontro em meio ao mar de gente um amigo. Acreditem. Ele havia acabado de conhecer o neto de Zilka Salaberry, uma de nossas grandes intérpretes que faz parte do imaginário de toda uma geração que a acompanhou por anos como a adorável Dona Benta, personagem de Monteiro Lobato, em “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”. A princípio, duvidei da veracidade da situação. No meu juízo, poderia ser somente uma brincadeira de festa. Foi aí que o neto para provar-me o legítimo parentesco, mostrou-me a sua carteira de identidade. E lá estava bem visível o sobrenome Salaberry. Fiquei alegre em apenas dialogar com alguém tão próximo de uma senhora que um dia todos nós desejamos ter-lhe como avó. Uma avó que sentava-se em sua indefectível cadeira de balanço, e tendo ao redor seus netos, a cozinheira, o boneco feito de espiga de milho, e uma boneca de pano narrava as mais incríveis histórias. Tudo isso com direito às pipocas preparadas pela querida Tia Nastácia, interpretada brilhantemente por Jacyra Sampaio. Porém, o que lhes conto não parou na amostra da carteira de identidade. O neto, bastante gentil e orgulhoso de quem era a sua avó, perguntou-me se queria falar com ela ao telefone. Em segundos, exclamei esfuziante algo como: – Claro!. Ele ligou, e deu-me o aparelho. No turbilhão de vozes dissonantes próprias de um aglomerado de pessoas eufóricas, consegui ouvir o “alô” doce e inesquecível de Dona Benta, quer dizer, Zilka Salaberry. Foi-me amável por aqueles poucos minutos em que pude expressar todas as minhas sinceridade e admiração. Evidente que lhe falei que estava com o seu neto ao meu lado. E aproveitei para dizer-lhe que era uma de nossas maiores atrizes, e não uma artista de um papel só. Tomado por emoção e certa dose de nervosismo, citei outras admiráveis atuações de sua notável e prolífica carreira, como na minissérie “Memórias de Um Gigolô”, e como a cigana de “O Outro”. Com a humildade que só existe nos grandes, disse-me: – Muito obrigada. Ao chegar em casa, a primeira coisa que disse à minha mãe foi: – Eu falei com a Dona Benta!. E Dona Benta foi assunto para toda uma madrugada. A avó do seriado infantil foi sim a personagem que tornou Zilka popular e amada em todo o país, todavia como não se lembrar da Sinhana , a mãe dos “irmãos coragem”, na novela homônima de Janete Clair? E a Donana Medrado, a delegada severa de “O Bem Amado”, de Dias Gomes? Quanto ao início de sua trajetória artística, deu-se ao se casar com o também ator Mario Salaberry. A estreia da irmã da também atriz Lourdes Mayer ocorreu no Teatro Municipal de Niterói. Ingressou em tempos distintos em duas das mais conceituadas companhias de teatro brasileiras. A pertencente a Procópio Ferreira e a outra a Dulcina de Moraes. Na televisão, a primeira emissora na qual trabalhou foi a TV Tupi. Esteve no famoso programa dedicado às crianças “Teatrinho Trol”, e antes disso estreou no folhetim “A Canção de Bernardete”. Passou também pela TV Rio. Na Rede Globo, começou em “A Rainha Louca”. E a partir daí, não parou mais. Foram inúmeras novelas, tais como “A Ponte dos Suspiros”, “Véu de Noiva”, “O Bofe”, “Supermanoela”, “Corrida do Ouro” (Gilberto Braga estreando como autor deste gênero da teledramaturgia), “O Casarão”, “Araponga” (produção em que personificava Dona Marocas, a mãe que mimava o filho adulto a ponto de niná-lo em seu colo; o filho foi defendido por um divertidíssimo Tarcísio Meira). Já nas minisséries, marcou presença em “O Primo Basílio”, Tereza Batista” e “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”. Fez alguns seriados além do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. A Pandora de “Pluft, o Fantasminha”, de Maria Clara Machado, foi memorável. Ainda mais por ter contracenado com Dirce Migliaccio, que era o Pluft. Não dá para se esquecer. No teatro, dramaturgos reconhecidos foram por ela encenados, como William Somerset Maughan (“Adorável Júlia”), Arthur Azevedo (“O Mambembe”), George Feydeau (“Com a Pulga Atrás da Orelha”) e Nelson Rodrigues (“Beijo no Asfalto), dentre outros espetáculos. No cinema, trabalhou com o pioneiro desta arte no Brasil, Humberto Mauro, em “Cidade-Mulher”. Chegou a participar de filmes com a apresentadora Xuxa, tais como “Xuxa e os Duendes” e “Xuxa e os Duendes 2 – No Caminho das Fadas”. Como podem ver, não foi pouca coisa conversar com esta maravilhosa atriz. Claro que fiquei triste porque a seleção brasileira não venceu aquela longínqua Copa, mas em compensação eu levantei a taça da vitória por falar ao telefone com a minha, a nossa Dona Benta.

Fashion Rio Outono Inverno 2012 - Píer Mauá

Painel que ficava na entrada do Píer Mauá, com o slogan que indicava o tema do Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

DSC07819Telão que exibia a reprise dos desfiles do Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

DSC07754Close-up de grafismo que fazia parte de um grande painel decorativo instalado no Píer Mauá, durante o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

Fina-410
Foto: Divulgação/TV Globo

Um casamento acontece. Já em outro lugar, Griselda (Lilia Cabral) está muda. Um esparadrapo a emudece. A algoz já conhecemos: Tereza Cristina (Christiane Torloni). Ferdinand (Carlos Machado), seu cúmplice. Nele há desejo por Tereza, mas também desconfiança. A esta altura, Antenor (Caio Castro), já ciente do sequestro da mãe, avisado por Guaracy (Paulo Rocha), abandona de forma abrupta a cerimônia matrimonial a fim de tomar decisão. Após, comunica a Patrícia (Adriana Birolli). O casal malfeitor da novela, a patroa e o chefe da segurança, das 21h da Rede Globo, “Fina Estampa”, escrita por Aguinaldo Silva, dirige-se para um motel. O Voyeur Motel. Lá, o rapaz deleita-se em banheira de espuma, enquanto a vilã distrai-se com secador de cabelo. Antes disso, ele lhe revela onde está a fita original que a incrimina: justamente dentro de um armário velho no galpão no qual sua antagonista está acorrentada. Quando pensa que terá enfim em seus braços a mulher que deseja, surge o secador para calá-lo de vez. Voltando a Antenor, este lembrara-se que o cativeiro em que ficara poderia ser o mesmo de sua mãe. Vai com a namorada para lá. Está tudo muito escuro. Resolvem por deixar amanhecer. É chegada a hora em que Tereza Cristina pretende dizer as últimas palavras para quem sempre odiou. Descobre que fora enganada pelo comparsa, e fala que “a escória adora trair os de fina estampa”. Há um embate verbal. Griselda não capitula. E a mulher dos vestidos vistosos espalha fogo. Será o fim da heroína? Alertados pelo clarão das labaredas, o par de jovens interrompe o plano nefasto da ricaça. Ela foge com Pereirinha (José Mayer) de barco, em meio a grande temporal. O mar os engole. Um mistério que surge. Já quanto a Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado), fica rico. Herda a casa e metade do patrimônio de sua “rainha”. Crô agora é rei. E Baltazar (Alexandre Nero), depois de tirá-lo do armário, terá que se conformar em ser seu motorista, e levar o moço de gravatas espalhafatosas no banco de trás. No que diz respeito a Esther (Julia Lemmertz), obteve a vitória, ficando com Vitória. E com Paulo (Dan Stulbach). O juiz decretou a impossibilidade jurídica do pedido de Beatriz (Monique Alfradique). E como estará a família da Silva Pereira? Antenor convida a mãe, com a anuência de seus colegas, para ser a paraninfa da turma no dia da formatura. Os anos passam, e no esperado evento Griselda profere discurso emocionado e improvisado. Cenas marcantes da personagem são mostradas. O filho sente orgulho da mãe pela primeira vez, e a abraça. Já em outra cena, a “marida de aluguel” que tanto sucesso fez com o seu macacão passeia pela rua cumprimentando os transeuntes. Um carro para. O vidro abaixa. Tereza Cristina. Com cabelos mais escuros, solta sonora gargalhada. Griselda, atônita, incrédula, ergue a fiel chave de grifo. Ela não terá a paz tão merecida? Não se sabe. Assim como não ficamos sabendo quem é o amante de Crô. Mas uma coisa é certa: a lição que Griselda nos deixa, ou seja, a de que ter fina estampa é ser honesto.

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Foto: tvg.globo.com

Pelo menos por enquanto, a vida de Morena, personagem de Nanda Costa em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, parece ter um momento colorido como os balões cheios de cor que sobrevoam a Capadócia, lendária região da Turquia, graças à generosidade de Mustafá (Antonio Calloni) e Ziah (Domingos Montagner). Por sinal, dois ótimos atores, assim como Nanda. A cena de Morena correndo sob os citados balões e tendo ao fundo as famosas cavernas, celebrando a tão sonhada liberdade que lhe foi usurpada por largo tempo foi linda, corroborando a eficiência do diretor Marcos Schechtman. Grávida, a filha de Lucimar (Dira Paes) permanecerá na Capadócia até que a sua gravidez termine. Conseguiu um emprego no estabelecimento de Cyla (Walderez de Barros). Após, terá o seu destino definido. Nanda Costa é uma atriz guerreira assim como o papel que defende, tendo em vista a persistência com que empreendeu até chegar aonde está. A sua escalação para ser a protagonista da novela das 21h pegou a todos de surpresa, inclusive a própria intérprete. A autora Gloria Perez anunciou a decisão por uma rede social. Nanda confessou que custou a acreditar. E alguns questionaram o fato de uma atriz que nunca havia protagonizado uma novela (vale lembrar que fora protagonista de uma produção de outro gênero teledramatúrgico em que personificou uma de nossas maiores cantoras, Dolores Duran, em “Por Toda a Minha Vida”, numa atuação elogiada) ter recebido tal incumbência. Contudo, Gloria é conhecida por não temer riscos e apostas na escalação do seu elenco. Quem não se lembra de Tereza Seiblitz em “Explode Coração” e Juliana Paes em “Caminho das Índias”? Nanda abraçou o papel com garra. Um papel difícil, polêmico, que envolve traumas da sociedade civil. Sua participação em “Salve Jorge” resume-se quase a todo o tempo a sensações de medo, sofrimento, privações, torturas psicológicas, agressões e sonhos roubados. Não usei a expressão “sonhos roubados” à toa, pois foi com o filme cujo título é o mesmo daquela que foi laureada com importantes prêmios cinematográficos, como os concedidos pelo Festival do Rio, Festival do Cinema Brasileiro de Paris, Brazilian Film Festival of Miami e Festival de Biarritz. A diretora foi Sandra Werneck. Ainda no cinema, destacou-se em “Febre do Rato”, de Cláudio Assis, que também lhe rendeu prêmio no Festival de Paulínia. Mas sua trajetória nos sets não para por aí. Esteve em “Sexo com Amor?”, “Bezerra de Menezes”, “Carmo”, “Um Homem Qualquer” e “Gonzaga – De Pai pra Filho”. No teatro, integrou o musical “O Cravo e a Rosa”, de Xico Abreu. E na TV, lembramo-nos muito bem de suas boas atuações em “Viver a Vida” e “Cordel Encantado”. Há outras obras relevantes das quais fez parte, como “Ó, Paí, Ó”, “Clandestinos – O Sonho Começou” e “Amor em 4 Atos”. Finalizo meu texto aqui, e a esta hora, quem sabe, Morena deve estar degustando um doce figo, pensando no inefável sentimento de liberdade que teve ao correr sob os balões coloridos da Capadócia.

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Foto ampliada da atriz Alinne Moraes tirada por Fernando Torquatto, que ficou em exibição no Fashion Rio Outono Inverno 2012, que foi realizado no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO