Arquivo de março, 2013

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Foto: Divulgação/TV Globo

Se em “Fina Estampa”, novela anterior de Aguinaldo Silva, Tânia Khallil interpretou Letícia, uma professora de Literatura, recatada, mãe de uma filha, que morava com esta e com a mãe, e era fechada para o amor (o que se resolveu em capítulos posteriores), em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, sua novela atual, Tânia é Ayla, uma aldeã, também recatada, que em grande parte da obra conviveu com a meia-irmã Tamar (Yanna Lavigne) e a madrasta que tem como mãe Sarila (Betty Gofman), e que nunca fora fechada para o amor. Muito pelo contrário. A doce Ayla sempre acalentou sentimento amoroso de caráter platônico pelo mais famoso guia turístico de Istambul e Capadócia, na Turquia, Zyah (Domingos Montagner). Como recitava Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra…”. A pedra no meio do caminho de Ayla é Bianca (Cleo Pires). Sempre se deixando levar pelo assédio das turistas que guiava, motivadas pela fantasia de sedução do homem rústico de país diferente, Zyah nos intervalos entre mostrar uma caverna ou um templo as convidava para lhes mostrar sua acolhedora caverna. Em certa ocasião, a turista da vez nada acidental Bianca (então se esqueçam de William Hurt e Geena Davis em êxito cinematográfico de Lawrence Kasdan), inebriou-se não só pelas maravilhas dos territórios turcos, mas pelas maravilhas de quem a guiava. Ayla, a moça apaixonada de bonitos cabelos ondulados, ora presos, vestida com trajes campesinos, viu que o vento levara o seu único amor para debaixo do tapete que tecia. Incompatibilidades (substantivo no plural que serve de justificativa costumeira para o término de vários romances) levaram à dissolução do relacionamento que se formou após sobrevoo no Atlântico. Com a interrupção do enlace de Ayla com rico comerciante de joias por Zyah, os dois se casam. E tudo ao som da belíssima canção do americano Jason Mraz, “93 Million Miles”. Passam a viver um amor digno de novela. Porém, a calmaria deu lugar à tempestade com a chegada de Bianca, que reviu seus conceitos. Decisão precipitada da eterna turista. Zyah está irredutível, embora confuso. O guia não tem quem o guie. O guia se perdeu no próprio mapa da sua vida. Se Vó Farid (Jandira Martini) não consegue aconselhá-lo… Bianca então começa a se utilizar de artifícios para a reconquista da paixão perdida. Calma, Bianca. Esqueceu-se de Ayla? Ela é dócil, todavia vão mexer com o seu marido… A sua docilidade muda algumas sílabas e vira ferocidade. Defende seu casamento com garras nunca antes vistas. Uma guerra particular sem armistícios. Enquanto isso, o perdido em pensamentos Zyah vive um dilema: manter o matrimônio tradicional com Ayla onde há amor e respeito ou apostar em paixão aventureira em que a permanência não possui certificado de garantia? Há os que torcem por Ayla e os que torcem por Bianca. A decisão é sua. Melhor dizendo, a decisão é da autora. Este é mais um papel de destaque da atriz paulistana Tânia Khallil, que também é bailarina, inclusive clássica (trabalhou em importantes companhias de dança), e psicóloga. É uma intérprete preparadíssima. Estudou a valer em inúmeros cursos: formou-se pela Cármina Escola de Atores, teve aulas com Wolf Maya, Beto Silveira, Magno Azevedo e Márcio Mehiel, além do Teatro Escola-Macunaíma e Oficina de Interpretação para Teatro Oswaldo Boaretto. Especializou-se em locução e apresentação para a TV. Foi modelo. Sua estreia com apelo nacional na televisão se deu pelas mãos do diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya, que a escalou para a produção de Aguinaldo Silva, “Senhora do Destino”, como a temperamental e obsessiva Nalva. A pilantragem a acompanhou em obra de João Emanuel Carneiro, “Cobras & Lagartos”, como Nikki. Deu o ar da graça em “Pé na Jaca” e alguns seriados. Duda, sua personagem em “Caminho das Índias”, fez parte de sexteto amoroso que teve de ser engendrado por modificações na história, e no qual estavam Rodrigo Lombardi, Márcio Garcia, Juliana Paes, Murilo Rosa e Thaila Ayala. No teatro, deixou sua marca em um dos mais bem-sucedidos textos de Naum Alves de Souza, “No Natal a Gente Vem te Buscar”, além de incorporar papéis criados tanto por Nelson Rodrigues quanto por Luis Fernando Verissimo e Larry Shue. Sentiu o doce sabor de ver um musical infantil para o qual colaborou como atriz, “Grandes Pequeninos”, baseado no livro/CD de seu marido Jair Oliveira, sendo indicado para o Grammy Latino. Esteve ainda com o parceiro de novela Dalton Vigh no espetáculo “Vamos?”. Na tela grande, juntou-se a Isaiah Washington e Murilo Rosa em filme “sci-fi”, Área Q”, dirigido por Gerson Sanginitto. Colaborou para alguns curtas (dentre eles, “Inocente” foi selecionado para o Festival Internacional do Cinema Latino, em Los Angeles). Falamos de Tãnia Khallil. A dócil e bela Tânia Khallil. E falamos de Ayla. A dócil e bela Ayla. Chega-se à conclusão de que 93 milhões de milhas de distância não seriam capazes de separar Ayla de Zyah. Mas, uma “distância” de nome Bianca.

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Ampliação da foto do DJ, modelo, produtor e ator Jesus Luz tirada por Fernando Torquatto, que ficou exposta no Fashion Rio Outono Inverno 2012, realizado no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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A ex-modelo Bethy Lagardère em foto ampliada tirada por Fernando Torquatto na exposição montada no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Foto ampliada da apresentadora Xuxa tirada por Fernando Torquatto, que ficou exposta no Píer Mauá, enquanto acontecia o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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O ator e modelo Diego Cristo em foto ampliada tirada por Fernando Torquatto, que ficou em exposição no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Foto/Divulgação

Já havia feito uma peça de caráter experimental no teatro “O Tablado”, sob a direção de Ricardo Kosovski, no início de 1991. A emoção de pisar num palco onde já estiveram atores e atrizes do naipe de Louise Cardoso, Cláudio Corrêa e Castro, Cláudia Abreu, Diogo Vilela, Felipe Camargo, Maria Padilha, Selton Mello, Jacqueline Laurence, a hoje crítica Barbara Heliodora, Malu Mader, Andréa Beltrão, dentre tantos outros, fora-me de fato marcante. Não era raro ver nos ensaios e demais dias aquela dócil senhora, ostentando olhos claros e cabelos curtos em corpo de baixa estatura que irradiava imponência e altivez. Circulava como se em casa estivesse. Ora, mas “O Tablado” era a sua casa. Tão moço, pobre moço, sabia eu que ladeava-me a maior escritora brasileira de textos infantis para as artes cênicas. Ganhadora de láureas, homenagens, e dona de peças a rodar pelo mundo. Mãe de sucessos emblemáticos como “Pluft, o Fantasminha”, “O Cavalinho Azul”, “Maroquinhas Fru-Fru”, “Tribobó City”, “A Menina e o Vento” e o “Rapto das Cebolinhas”. Fora atriz. Teve livros editados. Seus espetáculos causavam identificação imediata com os pequenos. E os grandes também se divertiam. Sua formação cultural deveu-se muito ao pai, o escritor Aníbal Machado. Maria Clara testemunhou as reuniões literárias com notórios escribas por ele organizadas. Quanta erudição para uma criança. Só o que falei-lhes até agora já desperta-nos quanto ao grau de importância desta magna mulher. Nunca se vislumbrou em tempo algum pessoa tão dedicada a criar de forma educativa e prazerosa o hábito de se levar as crianças ao ambiente teatral. Ocorreu que, em meados do meio do ano supracitado, um amigo próximo, ator, chamou-me para substituí-lo em “O Cavalinho Azul”, em montagem no “O Tablado”. Temi por instantes, afinal tinha-se como diretora Maria Clara Machado. Mesmo com insegurança inerente aos bastante jovens, aceitei. O curioso seria o que me aguardava na proposta assentida. No elenco estavam Cadu Fávero (que veio a fazer bela carreira no teatro e no cinema) e como protagonista Luiz Carlos Tourinho (obtivera prestígio em “Sob Nova Direção”, na Rede Globo). Dois personagens a mim cabiam. Um soldadinho devidamente uniformizado, acompanhado de mais dois, que em coro e passos cadenciados exclamava: – Não temos tempo a perder!. Verdade, pequeníssimo papel. Entretanto, carregava simbolismos de enorme significância para quem começava uma carreira. Quando entrei para o “cast” não conhecia ninguém. Justificava-se assim postura receosa e tímida. Porém, ainda não contei-lhes sobre a segunda participação que me coube. Simplesmente junto a outro intérprete, éramos o próprio cavalinho azul. Para melhor compreensão: revezávamos em posições dianteira e traseira para dar vida ao cavalinho confeccionado. Uma experiência demasiado inusitada. Tão inusitada quanto rica. Quando na frente estava, guiava-me por diminuta tela à minha frente. E atrás, o que restava-me era a confiança no bom senso de direção do meu parceiro de cena. Tínhamos que galopar. E em círculos! Ora via-se a plateia, ora não via-se. Foram apenas três finais de semana. Contudo, ficaram marcados para todo o sempre em minha memória afetiva. No último dia de apresentação, um momento do qual não esquece-se: a querida Maria Clara reuniu todos os atores em corrente, e fizemos com mãos apertadas e cheias de fé espécie de prece, seguida por agradecimentos e despedidas. No final, quando os espectadores já haviam ido embora, realizamos versão alternativa da peça, sendo que cada um interpretou papel que fora do outro. Após, em outra encenação no mesmo “O Tablado”, fora-me dada cena de plateia, na qual interagia de modo direto com Maria Clara Machado. Suas receptividade e simpatia estimularam-me quanto ao intento de burilar a minha atuação, que cobrou excessivamente do meu potencial cômico/dramático. Maria Clara sempre detivera extrema e rara generosidade para os que lhe apelavam. Como ator amador que era, aglutinei todos os documentos comprobatórios de trabalhos feitos a fim de que pudesse profissionalizar-me. E com ajuda providencial de meu pai, redigi declaração de que participei de “O Cavalinho Azul”. Necessitava da preciosa assinatura de Maria Clara Machado. Não titubeei. Fui ao “O Tablado”. Subi escadas que levaram-me a pavimento diverso, no qual localizavam-se a sala de figurino e o escritório da fundadora do teatro. Com humildade, expliquei-lhe minha situação. Depois de ouvir um “sim”, acompanhei cada movimento de sua graciosa mão até que pegasse a caneta e assinasse seu ilustre nome na folha de papel. Conto-lhes esta singela história não com o objetivo somente de informar-lhes que tive o privilégio de trabalhar com esta nobre profissional das Artes do nosso Brasil varonil. Fora isso, falar-lhes também acerca do quanto esta senhora, doce, bonita, magnânima, competente na direção, era sobretudo uma companheira daqueles jovens artistas, alguns inseguros, iluminados por coloridos refletores e vestidos com mágicos figurinos. Foi uma relevante “cavalgada” em minha vida. Todavia, não com galopes quaisquer. Galopes do “O Cavalinho Azul” de Maria Clara Machado.

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Ampliação da foto da apresentadora Angélica tirada por Fernando Torquatto, em mostra montada no Píer Mauá, durante o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO