Arquivo de junho, 2013

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Um dos modelos exclusivos de calçados assinados pelo estilista alemão Karl Lagerfeld em parceria com a marca brasileira Melissa, exposto no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Placa que ficava na entrada do Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, RJ, indicando a feira de moda alternativa Babilônia Feira Hype.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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A atriz e editora Julia Almeida no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.
Filha de um dos mais consagrados autores de novelas do país, Manoel Carlos, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, e estreou na TV em “Felicidade”, do próprio pai, em 1991, ainda criança, na Rede Globo.
Graduou-se em Gastronomia pela The New School University, assinando a coluna “Markfood”, que integra a revista virtual “The Mark Mag”, à qual se dedica com o marido, o “stylist” inglês Sebastian Bailey.
Ambos residem em Londres, Inglaterra, e a citada revista a qual editam abrange temas variados como Moda, Gastronomia, Negócios, Mídia, Arte e Música.
Estudou também interpretação e direção em Nova York, Estados Unidos.
Na televisão, participou de inúmeros folhetins, como “História de Amor”, “Por Amor”, “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas”, “Duas Caras”, “Caminho das Índias”, “A Vida da Gente” e as minisséries “Presença de Anita”, “Um Só Coração” e “JK”.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Modelos de calçados de coleção exclusiva assinada pelo estilista alemão Karl Lagerfeld para a marca brasileira Melissa, envoltos por redoma, e que ficaram à vista do público no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Uma das capas do suplemento de moda do jornal O GLOBO Ela disposta na área comum do Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória, que reproduzia editorial sobre o estilo “seapunk”, que se caracteriza pelo fato de seus seguidores adotarem mechas coloridas “tie-dye” nos cabelos, além de trajarem roupas praianas.
O ensaio foi realizado nas Ilhas Turks & Caicos, no Caribe.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Um dos totens em exposição no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória, que exibia uma das capas do suplemento de moda do jornal O GLOBO Ela, cuja matéria abordava a “Via Ápia”, região conhecida como “A Visconde de Pirajá da Rocinha” (comunidade do Rio de Janeiro), que antes da instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) não era possível ser fotografada.
O ensaio em questão fora feito com profissionais da área.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Foto: Divulgação/TV Globo

O voo rasante e lépido de imponente gavião deixa rastros no céu sobre exuberantes paisagens. O bater de asas com interregnos de placidez simbolizam o estado etéreo da liberdade, que norteará a nova novela das 23h da Rede Globo inspirada na obra de Dias Gomes, “Saramandaia”, escrita por Ricardo Linhares e dirigida por Denise Saraceni e Fabrício Mamberti (Direção de Núcleo de Denise Saraceni). O folhetim original foi ao ar na mesma emissora no ano de 1976, e se tornou um marco da teledramaturgia brasileira. Já nos primeiros capítulos percebemos a transposição para os tempos atuais de reinventada contextualização da história sem que haja esbarros no anacronismo, preservando a essência do precípuo objetivo do autor pioneiro. Tópicos centrais servirão de suporte para propagação de diretrizes desencadeadoras da trama, como a política e seus extravios, a ética, a defesa de direitos dos cidadãos (fato que se coaduna com os recentes acontecimentos no País), preconceito, rixas entre tradicionais famílias e amores mal resolvidos. Todavia, elemento importante que se diferenciou na produção em pauta nos idos do século passado, e que permanece no “remake” é a exploração ampla do movimento Surrealismo, fonte do Realismo Mágico ou Fantástico. Dias “bebeu na fonte” de André Breton, Salvador Dalí, Luis Buñuel e Gabriel García Marquez, tendo “experimentado” essa escola em outra de suas realizações, “O Bem-Amado” (1973), a primeira telenovela exibida a cores no Brasil. A inserção do mencionado movimento absorvido pelas linguagens literárias, pictóricas e cinematográficas se personificou no papel de Milton Gonçalves, o pescador Zelão, que mantinha como sonho renitente “voar com as próprias asas”, logrando êxito no desfecho. Na presente “Saramandaia”, deparamo-nos logo de início com miríade de galinhas que se pulverizam sob as ordens de Candinha (Fernanda Montenegro). As formigas ordeiras e impertinentes que habitam as narinas de Zico Rosado (José Mayer), e que decidem ver a luz do sol a partir do enraivecimento do oligarca. O coração de Cazuza (Marcos Palmeira) que insiste em infringir as “leis do organismo” ao levar ao pé da letra o dito popular “o coração saiu pela boca”. Sua morte e posterior ressurreição. A obesidade mórbida e gula desenfreada de Dona Redonda (Vera Holtz) que faz estremecer pisos e pisantes com sua “espaçosa” locomoção (a caracterização de Vera que demanda horas é um dos méritos a se destacar). As previsões de João Gibão (Sergio Guizé; a despeito de trabalhos anteriores uma boa revelação), que não se conforma com a situação de carregar corcunda junto a asas que invariavelmente são aparadas por sua mãe Leocádia (Renata Sorrah). Por sinal, houve poética e desconcertante cena atinente a esta costumeira ação. O “serviço metereológico” que acompanha Seu Encolheu (Matheus Nachtergaele), quando este sente sinais em seus ossos. As quentura e ardência que perpassam o corpo da bela Marcina (a recifense Chandelly Braz, ótima descoberta de “Clandestinos – O Sonho Começou”), que se evidenciaram ao encostar sua pele com a pele do prefeito Lua Viana (Fernando Belo em bela estreia). As manifestações e protestos magistralmente dirigidos em cena de exuberância visual, utilizando-se do recurso “slow motion”, e que de forma sutil tangenciou ambiência teatral/circense com suas profusões de fumaças coloridas dispersas em “guerra idílica” protagonizadas por Pedro, interpretado por Andre Bankoff, um ator que desperta a nossa atenção não somente pela sua inefável beleza mas também por talento e intensidade dramática indiscutíveis, além de possuir canora voz em que se ouve cada palavra dita com intuito calculado, e Zélia (Leandra Leal). Tarcísio Meira com entoação marcante e pausada em aliança com expressividade ímpar representou o “enraizado” Tibério com o brilhantismo de sempre. A chegada de Lilia Cabral (Vitória Vilar) já insinua excelência no porvir dos momentos conflituosos de que fará parte. Gabriel Braga Nunes entendeu com lógica o perfil sombrio, misterioso, lúgubre e sedutor do Professor Aristóbulo, que de quinta para a sexta-feira se transmuta em lobisomem. As imagens panorâmicas aéreas, a direção de arte, os figurinos, a fotografia e maquiagem mostraram valor. A abertura é inebriante com seus desenhos figurativos e surrealistas, e de certa forma com alusão a Botero ao retratar Dona Redonda. A trilha sonora apresentou o clássico “Pavão Misterioso”, de Ednardo, e Ney Matogrosso. Os diálogos foram construídos por Ricardo Linhares com vocábulos eruditos e neologismos que em muito lembram os antológicos discursos de Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo em “O Bem-Amado”). Houve ainda as luxuosas aparições de Ana Beatriz Nogueira, Débora Bloch e Ilva Niño. “Saramandaia” contém ingredientes para receita de sucesso infalível com o propósito de manter os olhos do público bem abertos às 23h, e fazê-lo dormir após o seu término “sonhando” sonhos mágicos e fantásticos, e depois acordar para realidade que também aspira ser mágica sob as bênçãos de Santo Dias.

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Piso semelhante aos emblemáticos calçadões da orla carioca que serviu de remate à decoração do “stand” da Nativa SPA – O Boticário no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Fileiras de refletores que encimavam a área comum aos convidados do Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Foto: Divulgação

Corajosa é o adjetivo no gênero feminino que melhor se adequa à cineasta Sandra Werneck que chamou para si a iniciativa de abordar assunto temerário, delicado e complexo ao qual todo e qualquer indivíduo provido de emoções não logra escapar: o amor. Não somente este, mas infinda gama de envolventes ramificações que lhe são originárias foram objeto de estudo na adaptação do êxito de público e crítica da Retomada do Cinema Brasileiro, “Pequeno Dicionário Amoroso” (o roteiro é de Paulo Halm e José Roberto Torero), dirigido pela própria Sandra para os palcos. E aquelas resultam em inevitáveis consequências no comportamento humano afetivo. A narrativa cênica tem por meta orientar, decifrar, tirar conclusões, elucubrar por meio de seleto conjunto de vocábulos de modo que se mire em alvo analítico do intrincado “jogo do amor”, no qual impreterivelmente os “participantes” ora são ganhadores ora são vencedores. Para que o contexto optado alcance a plateia com limpidez e convencimento literais, utilizam-se as figuras representadas pelos personagens Gabriel (Eri Johnson), um biólogo/entomologista, e Luiza (Juliana Knust), uma fotógrafa, que em primeiro momento se esbarram de maneira casual em lugar cercado de anjos de mármore. E a partir deste primeiro encontro, sucedem-se espécies variadas de questionamentos distribuídos nas fases padrões das relações amorosas. Ainda na trama, coexistem Márcia (Camila Rodrigues), amiga de Luiza, “expert” em estatísticas que faria inveja a qualquer funcionário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o biólogo Barata (Rafael Zulu), confidente e conselheiro do especialista em insetos no tocante aos seus conflitos existenciais. Sendo assim, Sandra Werneck, como autora, atinge precípua intenção: esmiuçar e debater com coerência, sabedoria, bom senso e veracidade a troca de afetos e intimidades entre um homem e uma mulher. Jorge Fernando, o diretor, conhecido por ricos atributos que se perfazem ao impor dinamismo, agilidade e vieses cômicos a quaisquer produções em que impõe sua marca, delineia o espetáculo com contornos vivazes, sedutores, atraentes, irresistíveis e compactos, priorizando como lhe é característico a configuração com elementares nuances de cada “character” inserido na história. Jorge busca a plena exploração do perímetro da ribalta que a ele se mostra, e se sai vitorioso. A peça obtém harmonia plástica. As atuações “dialogam” sem interferências pelo que se entende como pródigas, consistentes, maduras e profusas em propriedades qualitativas. Os intérpretes com acerto foram conduzidos para que transitassem com devida cautela por estreita ponte que separa o naturalismo da linguagem típica teatral. Veem-se drama, comédia e romance mergulhados em contemporaneidade que moldam quadro da obra. Eri Johnson se utiliza de potente manancial de recursos de comunicação dos quais é inequívoco detentor para fazer de Gabriel homem sensível, espirituoso e possuidor de convicções empedernidas. Sua interação com os espectadores é majestática. Juliana Knust “esculpe” com ornamentos milimétricos de docilidade e sutileza, sem abrir mão de desabafos individuais compreensíveis, evoluindo para personificação que conquista simpatia dos que lhe assistem. Camila Rodrigues se divide em duas personagens, o que se torna brado comprovante de sua versatilidade acompanhada de domínios absolutos de corpo e voz, e que se fazem perceber na enxuta constituição das “personas” que a ela lhe couberam. Rafael Zulu se apropria com mérito e elegância de suas pujantes entoações vocais, expressões de corpo e face que elaboram crível e carismático desempenho. A iluminação de Gabriel Lagoas envereda pela diversidade atendendo aos pedidos da eficiência, obedecendo portanto às súplicas do texto. Luzes de cores lilases, isoladas ou em coletividade com outras, direcionamento pela lateral, planos abertos e sombreados líricos culminando em paleta colorida que funciona como vivificação do painel dramatúrgico. Os figurinos arrebanham um sem número de tendências, incluindo roupas e acessórios, fato desencadeador de procedimento generoso estilístico. Moletons, jeans, saias longas e fluidas, blusas soltas e assimétricas, jalecos, tubinho franjado, brilhos, “écharpes”, colete, mocassim, tênis, “espadrille” e sandálias trançadas açambarcam o visual que auxilia amiúde na identificação pessoal de Gabriel, Luiza, Márcia e Barata. O cenário se limita com objetividade à espaço vazio contendo apenas no seu fundo grande anteparo em que se projetam imagens informativas e colaborantes da consolidação do enredo. Utensílios como escada, colchão, cadeiras e pequena mesa são servidores na diligência de se edificar unidade pertinente. A trilha sonora é bela, “viajando” nos sons das canções de Elis Regina, Ana Carolina, Zélia Duncan e Leila Pinheiro. Elis exerce função protagonista em instantes pedintes de suas clássicas músicas. Trilha que suaviza e afaga ouvidos desavisados. Não à toa mencionei no título que a estrela da MPB nos “recomendou” “Pequeno Dicionário Amoroso”. A magnífica Elis Regina transcendentalmente é cúmplice fidedigna do que se vê. Num trecho de cena é mencionada palavra composta bonita em sua natureza: “licença-felicidade”. A chave do sucesso de “Pequeno Dicionário Amoroso” é dar aos diletantes do teatro o direito de tirar licença mesmo que breve para serem felizes.