Arquivo de outubro, 2013

virginia woolf
Foto: João Caldas

“A priori”, demanda-se ressaltar a significante iniciativa de se levar aos palcos um dos maiores legados dramatúrgicos do Teatro Moderno, “Quem tem medo de Virginia Woolf”, do americano Edward Albee. A importância desta obra fez-se tão clamorosa à época de seu lançamento (1962), que em 1966 o cineasta Mike Nichols a transpôs para a linguagem fílmica, com Richard Burton e Elizabeth Taylor. Após três montagens brasileiras, o prestigiado e producente diretor Victor Garcia Peralta, que já nos deu extensas provas da inconteste habilidade de conduzir narrativas cênicas, oferece-nos impiedosa e implacavelmente um espetáculo feroz, denso, inebriante e com alta carga de rica dramaticidade, sem expurgar o corrosivo humor de Albee. Sentimo-nos atônitos defronte à encenação que transcorre em meio acadêmico, cujos quatro personagens, complexos e grandes na configuração dos perfis, envolvem-se, desempenhando posicionamentos ora algozes ora vitimizados, fato este que provoca dinâmica textual e interpretativa patente sob diversos aspectos em situações que implicam em enfrentamentos interpessoais. O enredo é desenvolvido no elevado ambiente universitário, como disse, e seus consequentes intelectos privilegiados. Marta (Zezé Polessa), bela e exuberante mulher, filha do reitor alcunhado de “ratão dos olhos vermelhos”, apoia-se em constantes copos com teores etílicos vários, deixando-se acompanhar pela vaporosa fumaça de cigarro que não lhe deixa os dedos finos, inicia processo em evolução destrutiva da imagem, colocação e personalidade do marido Jorge (Daniel Dantas), professor de História, ao qual refere-se com a marca da maldade escondida ou clarificada nos indivíduos como “do Departamento” e não “O Departamento”. Jorge é homem inteligentíssimo, sagaz, possuidor de potencial calma pronta para transfigurar-se em exacerbado enfurecimento que desaba qualquer sujeito objeto de suas devastadoras reflexões amparadas por ditos espirituosos desconcertantes. Em noite de lua que já se pôs, o casal recebe as visitas do jovem professor de Biologia Nick (Erom Cordeiro) e sua esposa Mel (Ana Kutner). Forma-se o quarteto seguidor da máxima “quem não mistura, não se aventura” (uma alusão às bebidas). Não somos poupados a partir daí de um painel cruento de conflitos e embates nos quais as idiossincrasias dos pares são as armas de defesa de uma guerra muito particular. O biólogo sedutor e ambicioso, “concreto” na massa muscular, casou-se por interesse com a estouvada companheira, que “estufou” ventre por breve período, dada a vômitos reais e não metafóricos como os dos demais, e que refestela-se no ladrilho frio do banheiro. Ofensas, jogos vorazes e por que não “mortais”, desmascaramentos sequenciais, niilismo progressivo e dissecação da alma alheia são perfilados sem pausa num conjunto de diálogos expressivos na contundência em que não há espaço para parcimônia de vilipêndios. Victor Garcia Peralta, com a assistência de direção de João Polessa Dantas, executa com propriedade abastada o encadeamento teatral cabível, impingindo honorífica sinceridade nos propósitos, valorizando igualmente o soberbo texto, o magnífico elenco e a ocupação lógica e funcional da ribalta. A tradução de João Polessa Dantas é ótima, com a manutenção do cerne das ideias originais de Edward Albee. Os intérpretes, ratifico, exigem adjetivo elogioso que bem resuma sua realização artística. Daniel Dantas compõe Jorge com precisos e objetivos traços causadores de deslumbre e inquietação, transmitindo-nos as indignação aparente, submissão inicial, espirituosidade e estoicismo enganoso que se condensa numa ira irrefreável sem chances de contra-ataques. Zezé Polessa se incumbe de atribuir a Marta, com vasto entendimento do peso psicológico da personagem, uma grandiloquência comportamental, sustentada por acidez e tons caústicos de suas falas, irresistível luxúria, capacidade ilimitada e inexorável de subestimar o esposo, a quem chama de “poça”, “laminha”, lembrando-o sempre de seu suposto fracasso. Lembrando-o do livro cujo único leitor foram os seus pensamentos. Marta é ser feminino frágil emocionalmente, histérico, e que se delicia em mordiscar pedras de gelo com fins de prazer e/ou distração em meio às altercações. Erom Cordeiro, um ator que se sobressai em escolher textos de excelente qualidade para encená-los, absorve-nos inapelavelmente com um Nick que no introito aparenta ser o mais “normal” dos quatro, porém aos poucos deixa-nos escapar os defeitos que maculam a índole própria, o que não diferencia “o especialista em cromossomos” do resto da sociedade. Além disso, Erom busca com o seu papel, e obtém êxito, mostrar-nos constrangimento, destreza em adaptar-se ao universo insano no qual se inserira, protegendo-se com oportunidade das injúrias que lhe são lançadas. E a Ana Kutner coube a difícil tarefa de personificar Mel. Ana sabiamente a construiu com as medidas exatas de vulnerabilidade e nescidade em momentos distintos, somados à fraqueza, perplexidade, tristeza e dependência emotiva de seu cônjuge. O cenário e a direção de arte de Gringo Cardia aposta as suas fichas em esplendoroso local munido de estacas (com ramificações que remetem a galhos encimadas por diminutas casas com luzinhas frouxas no seu interior) usadas como símbolos de árvores. Há que se dizer que Gringo criou uma majestática “soberania” da madeira, podendo ser observada também na decoração típica da década de 60, com sofás, cadeiras, bar, vaso, livros, copos coloridos e garrafas idem. Um dos destaques indubitavelmente é o palco giratório (a sua rotação desperta-nos sentimento inefável e o natural ruído tangencia o sinistro). A divisão do ambiente em planos inferior e superior, com utilização válida das escadas, por instantes, lembra-nos a herança deixada por Santa Rosa. Os figurinos de Marcelo Pies sobressaem-se pelas elegância, congruência, sofisticação e bom gosto, fiéis ao que se trajava nos anos retratados. Veem-se a formalidade de um sobretudo, camisas sociais e gravatas, o despojamento de um casaco leve e calça folgada, o luxo de longos e estola e a ingenuidade de um vestido floral. A iluminação do competentíssimo Maneco Quinderé tem por meta cometer o que já nos é notório em seus trabalhos anteriores, ou seja, a provocação em nossas percepções, com inevitável enternecimento ao nos depararmos com fases oscilantes no que concerne à intensidade. Vislumbramos refletores em profusão (alguns com direcionamento oblíquo) que “abrem” a cena, emergindo claridade profunda que nos ambienta com a meada. O visagismo de Fernando Torquatto merece realce tanto nos “makes” suaves delineadores das faces bonitas das atrizes quanto nos penteados (incluem-se os masculinos) pertinentes à etapa histórica. A trilha sonora de Marcelo Alonso Neves é adequadamente enxuta, concisa, abarcando gêneros como o rock e o jazz. “Quem tem medo de Virginia Woolf?” no seu epílogo, depois de merecidas e demoradas ovações, perpetua-se em nosso imaginário como fonte de autoconhecimento e conhecimento do semelhante. Sem aderir a psicologismos superficiais, e apegando-se à pujante e convicta noção acerca das forças e tibiezas individuais, com possíveis chances de sobrevivência para os homens, a peça que nos fora apresentada teve a responsabilidade que se cumpriu de movimentar concepções dos espectadores, e fazer valer de que não se deve ter medos tampouco receios em optar por obra clássica e incrivelmente atemporal. O espetáculo se junta à seleto time de produções vigentes nacionais que de modo absoluto dão vida ao panorama cultural estabelecido.

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O ator Paulo Lessa no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória).
Paulo ficou conhecido em todo o Brasil ao interpretar Mário, um dos arquitetos da equipe do escritório de Jorge, um dos gêmeos defendidos por Mateus Solano em “Viver a Vida”, trama escrita por Manoel Carlos para a Rede Globo no ano de 2009.
A partir daí, o artista foi convidado para uma série de importantes campanhas publicitárias, participações em novelas e performances em desfiles de semanas de moda.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing

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O modelo Michael Vellardo no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória).
Michael é carioca, e com apenas 19 anos estampou a capa da edição especial da revista americana “NY Mag” (New York Magazine), fotografado por Marcos Muti, em São Paulo (a coroa que o modelo segurou na imagem foi concebida pelo estilista Marcelo Ferraz; a produção ficou a cargo de Yakkos Nasser, e o make fora feito por Felipe Ferreira).
Kiu Meireles o fotografou em um ensaio que fora publicado em vários sites, inclusive o FCastBrazil.
Pertenceu à agência Glow Talents.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing

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O modelo da 40° Models e da Oca Models Rafael Lourenço, no Fashion Rio Verão 13/14, Marina da Glória.
Rafael é carioca.
Já fotografou para Jeff Segenreich em um ensaio que foi publicado no site “Fast-food(e)”, com styling de Pamella Perin e beleza de Max Araújo.
Também teve fotos exibidas em outro site, o “wordofmodels”.
Simone Fransisco o fotografou para o blog “brazilmalemodels” (uma realização da sYt Pictures).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing
http://www.40grausmodels.com/
http://ocamodels.com.br/

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Luminárias, travessas, portarretratos e vasos à venda na feira de moda Babilônia Feira Hype, no Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, RJ.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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Foto: Divulgação/TV Globo

Não foram raros os momentos teledramatúrgicos em que a vingança como recurso de identificação e desenvolvimento de uma personagem foi ricamente explorada por um autor de novelas. Exemplos não nos faltam: a Márcia de Malu Mader em “O Dono do Mundo”, a Flora de Patrícia Pillar em “A Favorita” e a Norma de Gloria Pires em “Insensato Coração”. A vingativa da vez é interpretada com primor pela fluminense Vanessa Giácomo, naquela que pode ser considerada como uma de suas melhores atuações. Vanessa, uma atriz “rodriguiana” (sim, fez o monólogo “Valsa N° 6”, de Nelson Rodrigues no teatro) que começou a trabalhar cedo, não preterindo o balé dos seus estudos, “comprou” a espinhosa missão de dar credibilidade a uma jovem de passado obscuro que possui como meta destruir de modo pleno a família Khoury da trama das 21h da Rede Globo, escrita por Walcyr Carrasco, “Amor à Vida”. E o alvo principal é o médico César (Antonio Fagundes). O que se sabe até então é que Aline Noronha é sobrinha de Mariah (Lúcia Veríssimo), suposta mãe de Paloma (Paolla Oliveira), que sofreu grave revés cometido pelo outrora presidente do Hospital San Magno. Giácomo, que coleciona muitos “remakes” na carreira, como “Sinhá Moça”, “Paraíso” e “Gabriela”, tendo estreado na TV já como protagonista na segunda versão de “Cabocla”, como Zuca, disputando o papel com várias candidatas, e que lhe rendeu importantes prêmios, decidiu se utilizar das natas e inquestionáveis beleza e sedução para pôr em prática o plano maquiavélico de sua Aline atual. Com jeito dulcíssimo, a artista que integrou o elenco de outras obras de Walcyr, como “Caras & Bocas” e “Morde & Assopra”, “anestesia” o público com os ardis e artimanhas engendrados. Verdade que a ex-secretária (uma figura onipresente nas produções televisivas brasileiras abordada sob diferentes prismas) não enganou de imediato a todos. Félix (Mateus Solano), Pilar (Susana Vieira) e Lutero (Ary Fontoura) sempre desconfiaram dos decotes mal-intencionados à mostra. Bernarda (Nathalia Timberg) fora conquistada à base de cupcakes. A moça que não “perdoa nem corretores de imóveis” (acredita-se que alicia Bruno, Malvino Salvador, com deliberado intuito de atingir Paloma), é hoje mãe de Júnior, suposto filho de Cesar (provável que em breve seja desmascarada quanto à questão do rebento não ser descendente do marido). Aline, “uma secretária de futuro” incerto que nos ensinou a “como eliminar seu chefe” despertou-nos para a sua desmedida ausência de escrúpulos e desrespeito com os semelhantes, lançando contra estes “petardos” como “bicha” ou algo similar, “velho ou velha” e “acabada”. É notório que também foi aviltada, ao ser chamada de “vadia” e “piranha”. Os objetivos de desforra da meiga e maliciosa mulher que gosta de comprar imóveis e colocá-los no próprio nome a fim de garantir a segurança de seu bebê dará a Vanessa posteriormente bastante possibilidades para demonstrar o talento que lhe é sobejo. A mesma Vanessa que recebeu de Gloria Perez a chance de vivenciar a esposa do seringueiro Chico Mendes na minissérie “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes”, Ilzamar Mendes. A intérprete ademais “embrenhou-se” na temática espírita de Elizabeth Jhin em “Escrito nas Estrelas”, e na seara popular e carnavalesca de Aguinaldo Silva, em “Duas Caras”. Nos cinemas, “peregrinou” por universos inspirados em fatos reais (“Jean Charles”), rurais (“O Menino da Porteira”), fictícios (“Novela das 8”), e neste ano frequentara os “sets” de “Solidões”. Vanessa Giácomo, que acumula a função de ativista dos Direitos Humanos, deixa marca indelével no folhetim de Walcyr Carrasco como a bela e fatal Aline. Temos por lição o convencimento de que é correto quando se diz que “a vingança é um prato que se come frio”. E talvez seja até pior quando o prato em questão é um cupcake, e ainda por cima preparado por Aline Noronha.

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A modelo da Ford Models Lívia Fernandes no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing