Arquivo de dezembro, 2013

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Foto: Divulgação/TV Globo

Uma festa. Um jantar. Duas rivais. Uma festa mais popular. Um jantar requintado, como se diz nas altas rodas, “comme il faut”, com tudo apropriado para a ocasião: mesa com lugares marcados, menu que remete à sofisticação, talheres, copos, pratos, guardanapos impecáveis, lista de convidados seleta… Entretanto, dois eventos concomitantes promovidos por Tereza Cristina (Christiane Torloni) e Griselda (Lilia Cabral) não poderiam transcorrer pacificamente. A primeira ao ver a iluminação caprichada da casa da segunda fica invejosa, e promete a si mesma tomar uma atitude. Griselda está feliz como anfitriã, junto aos seus convivas. Para aumentar o contentamento faltava a chegada de René (Dalton Vigh), o namorado, companheiro. E este ao chegar, provoca a ira da ex-mulher, toda vestida de vermelho. E assim, vestida de vermelho, irrompe na sala da mansão da mãe de Quinzé (Malvino Salvador), e a flagra num momento de romance com o chef. Tereza, com toda a empáfia possível, após bradar alguns desaforos, rasga a alinhada camisa do pai de seus filhos, e o machuca. Vai embora, lembrando à filha Patrícia (Adriana Birolli) para que não demorasse a comparecer ao jantar em sua homenagem e ao recente namorado. René recebe uma camisa emprestada de Antenor (Caio Castro). Ficou um pouco apertada, mas o que valeu foi a intenção. Acho que René nunca pensou em usar emprestada uma camisa de Antenor. Há sempre uma primeira vez. Com relação a Griselda, não conforma-se com o ocorrido, evitando que percebam a sua insatisfação. Telefona para Marilda (Katia Moraes). Inventa uma desculpa para que a empregada doméstica lhe avisasse quando o afamado jantar fosse servido. Enquanto isso, Tereza Cristina recebe os convidados. O irmão Paulo (Dan Stulbach), Juan (Carlos Casagrande), acompanhado de Letícia (Tania Khallil)… Este par, coitado, não escapou das piadas maldosas dela. Aliás, cometeu a deselegância de pôr o casal separado na mesa. Nada que Paulo não pudesse resolver. Os homenageados afinal aparecem. Iniciam-se as apresentações quanto ao jovem Alexandre (Rodrigo Hilbert). Tereza só o reverencia por causa de seu tradicional sobrenome. Os rapapés são interrompidos por Patrícia. Hora do jantar. Cada um senta-se em seu lugar. Por sinal, devemos dar os parabéns à produção de arte da novela das 21h da Rede Globo, escrita por Aguinaldo Silva, que de fato organizou uma mesa suntuosa, fina, “comme il faut”. O que ninguém esperava era que a dona do “Pereirão – tudo para a sua construção” fosse aparecer pronta para dar o troco na antagonista. O circo está armado. Griselda põe o dedo num dos molhos preparados, e reclama, falando que está “azedo”. Prova um pedaço de cordeiro. Reclama de novo. Desta vez, dizendo que está duro e salgado. Todos a esta altura já perderam o apetite, e temem algo pior. Tereza Cristina está desesperada. Griselda dirige-se para a mesa, e pede desculpas a Patrícia por estragar o jantar. Patrícia dá uma piscadinha de assentimento. Era o que faltava para que o serviço fosse completo. Numa puxada só, a toalha da mesa de se encher os olhos voa pelos ares, levando tudo o que havia sobre ela. Todos estão atônitos. Griselda, vingada. Agora, molho, azedo ou não, cordeiro, salgado e duro ou não, só em outro capítulo. O que era para ser “comme il faut” ficou no “era”.

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Foto: Divulgação do espetáculo

Para você o que é o amor? Poetas, compositores, escritores, cineastas, estudiosos e cientistas já tentaram explicá-lo. Porém, o fato é que em definitivo nunca se chegou a uma resposta concreta. Com suas ramificações, oscilações e níveis de intensidade múltiplos, o amor brada por sua permanência entre nós, que pugnamos por incluí-lo em cotidianos próprios, rasteiros e vazios. Assim como estes, o amor também pode ser rasteiro e vazio, se não soubermos vivenciá-lo com generosidade e aceitação do diferente. E o que talvez mais dificulte a sua prática efetiva seja a necessidade da cumplicidade nem sempre correspondida do outro. O “outro”, de quem tanto precisamos, afasta-se invariavelmente da essência que preservamos para nos identificarmos como seres individuais. E aquela fica na espera vã de ser completa. Independente de gêneros e orientações sexuais, o ato de amar, que deveria ser espontâneo, natural, nato, peça indissociável da pessoa humana tornou-se de maneira inequívoca algo complicado, propulsor de conflitos e desencadeador da desalentadora revelação do gigantismo das desigualdades que nos separam. O impasse descrito não é prerrogativa absoluta da contemporaneidade. Desde priscas eras, a voz que exclamava acerca dos obstáculos que subvertiam os princípios amorosos ideais já se fazia ouvir por entre montanhas imaginárias. E se falamos em amor, a óbvia consequência é discorrer sobre o que atrelado a ele está: o sexo. O sexo prazeroso em seu cerne pode ser desgostoso se não acompanhar com coerência o sentimento que o antecede. O dramaturgo Raul Franco com posicionamento audaz arrisca-se a abordar, e obtém êxito, complexo tema, enriquecendo-o com sua visão particular. O famigerado amor que se posiciona na superficialidade dos diálogos ocos que testemunhamos no dia a dia provindos de mentes tão ocas quanto que idolatram sociedade perdida e desqualificada em seus valores. Raul, em “Crônicas do Amor Mal Amado” (uma coprodução da Biarte e Agentejunto, com produção executiva de Yuri Sardenberg) conduz com habilidade, emoção, conhecimento de causa e abertura para o humor a transposição não fácil do que pensa em linhas narrativas que formam amálgama convincente. E a tarefa inglória que, se bem feita, atinge a glória, solicitaria colaboração conjunta e em consonância de acordos de profissionais que bem assimilassem a proposta de bravas pretensões do autor. Uma direção firme, sem amarras, liberta de preconceitos, associada ao que se compreende por ser sensível e com obrigatório olhar técnico na formatação de espetáculo cênico se faria urgente para que se lograsse sucesso esperado. Bia Oliveira, com as assistências de direção de Linda Lumière e Luca Pougy, cumpre com garbo missão digna e nobre de traçar amplo, esclarecedor, informativo e divertido painel que destrincha, discute, debate e por que não ironiza com elegância os “fragmentos de um discurso amoroso”, com a sua licença Barthes. Na encenação o que se vê são acontecimentos, esquetes representativos das situações interpessoais que mais nos afligem e a abordagem sem inútil pudor de questões que assumem importância vital para a perenidade de um relacionamento. Apegando-se ao cômico, utiliza-se da parábola bíblica de Adão e Eva com fins de demonstração de que a relação homem/mulher já sofria influências complicadoras para proveitoso entendimento entre o masculino e o feminino. A efemeridade dos romances, casos, namoros, casamentos ou quaisquer tipos de união não são preteridos, e notamos o quão triste é esta ausência de aliança anímica e doída é a constatação de que somente o toque, a sensação tátil sobre matéria física com objetivos únicos de fugazes êxtases são supervalorizados. Mitos são desmistificados. O machismo continua vigente. O romantismo é “démodé”. De que adiantaram sutiãs queimados em via pública se a não contestada independência das mulheres ocasionou o afastamento dos homens? Por que de modo progressivo nos deparamos com homens procurando afeto em homens e mulheres carinho em outras? O que há de errado para que as “Leis da Natureza” sejam transgredidas? Deduzo que existe busca desesperada com aceleração máxima de mínima afetividade, nem que para isso nos seja forçoso desmoronar preconceitos incrustados em cabeças na infância por “educadores” e “religiosos” hipócritas. Deixemos de lado irrelevâncias como tamanhos de órgão masculino e quantidade ou não existência de orgasmos femininos. Por que procuram tanto este tal “Ponto” com letra de alfabeto? Balelas e mais balelas para teses esdrúxulas de Mestrado. Quem são os cabotinos sexólogos para nos dizer o que é certo ou errado? O que vale é o amor, seja de que forma for. O que vale é se sentir bem ao lado de semelhante em cama macia. Acordar e lhe dar “Bom dia!”. Não se deixem importunar por roncos ou hálitos não perfumados ao amanhecer. Não estamos em sonho. Estamos em vida. Somos falíveis e algumas vezes incríveis. Deixemos os príncipes e princesas encantados para os Irmãos Grimm e Walt Disney. Saiamos do “castelo”, e vamos para o logradouro, pois é lá que está a vida. Já os encontros virtuais ao se tornarem reais fazem com que caiam inexoravelmente máscaras usadas com cálculo e premeditação. O mundo virtual é “belo”, uma fantasia traiçoeira que vicia, que distancia mais que aproxima, e que pode originar antissociabilidade irreversível. Os atores Camila Hage, Felipe Roque e Luca Pougy desprendem-se cenicamente, sem grilhões nem tampouco laços que os reprimam, nas suas interpretações. Estas são verdadeiras, legítimas, honestas, emocionantes e usando vocábulo simples mas rico em significância, bonitas. Ao nos defrontarmos com a juventude contagiante de Camila, Felipe e Luca nos imbuímos de que há esperança na renovação artística, na preservação da vontade autêntica de lindos moços e moça no intuito pétreo de escancarar sua expressão da Arte. A direção de movimento de Igor Pontes oferece dinâmica irrepreensível à montagem, evidenciada nos variados personagens defendidos pelo elenco. A trilha de Bia Oliveira cumpre eficiente e adequado papel na configuração lógica do todo, com preciosa participação da cantora e compositora Bárbara Dias (e sua dulcíssima e afinada voz) que escreveu exclusivamente para o espetáculo lindas canções. O cenário da Biarte e Agentejunto procura e atinge aproximação profícua, prática, congruente e em conformidade com o “script”. Sofá cama com almofadas pretas e vermelhas, duas pequenas mesas (uma preta e outra branca), com formosos abajures a encimá-las, cabideiros, dois imponentes painéis brancos dependurados ao fundo, cadeira sofisticada com estofamento branco e luminária moderna a ladeá-lo sobre tablado constroem panorama cenográfico aconchegante e atraente. A iluminação de Frederico Eça adota notável capricho visual, aproveitando infinitas possibilidades do poder de beleza das cores, como azul e verde, e o fascínio irresistível que o manuseio correto e emotivo da força das luzes em distintos bruxuleios, sombreados, focos e planos abertos possuem. Os figurinos de Bárbara Brigido são com louvor compatíveis com as intenções dramatúrgicas. Usam-se jeans, tênis, casacos, blazer, colete, blusa xadrez, sapatos sociais, boina, écharpe, óculos com armações diversas, sunga e vestido estampados, tubo preto com brilho nas costas, escarpins, t-shirt, short, roupa íntima masculina e robe. Um vasto e criativo apanhado das tendências de vestuário à disposição. “Crônicas do Amor Mal Amado” ocupa honorário espaço na cena teatral carioca o qual não podemos ignorar ao intentar, como já fora dito, esclarecimento sobre sensação inefável que ora pode nos atrair ora pode nos repelir: o amor. O amor, suponho, continuará não resolvido, porquanto é possível que seja um pouco mais entendido. Vinicius no começo é citado com seu “Soneto de Fidelidade”: “Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.”. É função nossa, creio, barrarmos quaisquer brisas de vento mal-intencionadas que queiram apagar esta chama. Coloquemos palmas de mãos ao seu redor, protegendo-a, pois raro é o amor. Por isso nos é tão caro.

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Num dos muitos visores espalhados pela área interna de circulação do Fashion Rio Outono Inverno 13/14 (Píer Mauá) um menino do grupo cultural AfroReggae se destaca.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Produtos da L’Oréal, como cremes, hidratantes e afins, podiam ser observados, protegidos numa espécie de redoma em seu lounge, pelos convidados do Fashion Rio Outono Inverno 13/14 (Píer Mauá).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa

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Bola inflável com o logo da Farm (uma das apoiadoras do evento), que ficava suspensa na entrada da feira de moda Babilônia Feira Hype, no Jockey Club Brasileiro, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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Foto: Divulgação/TV Globo

No agora distante ano de 1987, o cineasta britânico Adrian Lyne (que se sobressaíra na direção de comerciais e nos incontestáveis sucessos de público “Flashdance” e “9 e 1/2 Semanas de Amor”, porém vistos com má vontade pelos exigentes críticos da área fílmica), aventurou-se com êxito no arrepiante thriller “Atração Fatal”, que questionava a prática do adultério e suas funestas consequências. Em resumo, o advogado Dan Gallaguer (Michael Douglas), casado e pai de uma filha pequena, aproveitando-se da viagem de dedicada e bonita mulher, Beth Gallaguer (Anne Archer), envolve-se sexualmente de modo fugaz com a executiva Alex Forrest (Glenn Close). O que não estava nos planos iniciais de Dan era de que Alex fosse se apaixonar por ele próximo à psicopatia. Seu intento, diante da recusa do causídico em prosseguir no romance, é o de destruir, utilizando-se de todos os meios cruéis e aterradores, para pôr fim ao seu matrimônio. O “Fatal” do título faz jus ao desfecho do longa-metragem. O que percebemos em “Amor à Vida”, novela das 21h da Rede Globo, escrita por Walcyr Carrasco, com relação à Dra. Glauce (Leona Cavalli), uma respeitável e competente obstetra e ginecologista do Hospital San Magno, núcleo central da trama, não é algo tão similar à personagem de Glenn Close, tendo sido “pintada com tintas” um tanto mais brandas, mas o tema “atração fatal” está presente. Apaixonara-se tresloucadamente pelo por ora bem-sucedido corretor de imóveis Bruno (Malvino Salvador). Apaixonara-se pelo homem errado (ninguém está livre disso). O pioneiro erro a fez cometer sequência de muitos outros num nível de gravidade assustador. Uma de suas mais condenáveis faltas está para ser revelada em breve na história: a sua efetiva culpa na morte de Luana (Gabriela Duarte) e respectivo nascituro durante o parto que comandara. Luana era mulher de Bruno. O que se deu é que “por amor”, sabendo dos problemas congênitos cardiológicos da parturiente descobertos no pré-natal, a doutora negligenciou ao não convocar o cardiologista de plantão para assistir a cirurgia. Uma crônica de umas mortes anunciadas. Orientamo-nos assim pelo artigo 18 do Código Penal que prescreve: “Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II – culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)”. No entanto, houve o dolo (intenção de matar). O que poderia ter sido evitado, ocorreu: o falecimento de Luana e do bebê. E para recrudescer ainda mais a dramaticidade da situação, o desesperado Bruno encontra a recém-nascida Paulinha (Klara Castanho), filha roubada de Paloma (Paolla Oliveira) pelo irmão Félix (Mateus Solano), e jogada em caçamba de lixo malcheirosa. Num acordo perigoso e ilegal, Bruno, sua mãe, a técnica de Enfermagem Ordália (Eliane Giardini), a enfermeira Perséfone (Fabiana Karla), e lógico, Dra. Glauce, simularam o nascimento de uma menina (um segundo filho de Luana) na casa de saúde. Prontuários e registros foram falsificados. Se o fato caísse em mesa de delegado policial, todos seriam indiciados por formação de quadrilha (Artigo 288 do Código Penal), falsificação de documento particular (Artigo 298 do Código Penal) e falsidade ideológica (Artigo 299 do Código Penal), e não informação ao Juizado da Infância e da Juventude do abandono da criança. Com certeza, o inquérito policial seria encaminhado ao Ministério Público, haveria denúncia, e o Juiz provável a acataria. Entretanto, como se trata de ficção, e nós, telespectadores, somos não poucas vezes levados pela emoção e não pela razão, ficamos do lado do homem sofrido que salvou a vida de uma pobre inocente, deu-lhe educação e carinho, enfim, cumpriu papel de pai. Não desejamos por mais contraditório que possa parecer punição para Bruno, Ordália e Perséfone. Verdade é que as duas últimas mais a obstetra perderiam o direito de exercer seu ofício perante o CRM (Conselho Regional de Medicina), após concluídas investigações disciplinares e administrativas. Bruno não mais teria a guarda de Paulinha. Nós queremos isso? Não. Nada me soa inverossímil, pois o absurdo está em nossas existências, estampado todos os dias nas manchetes de jornal. Além do mais, conhecemos escândalos nos sistemas público e privado de saúde no Brasil. Excetuamos poucas instituições e médicos sérios. Glauce, cuja intérprete já enfrentou Nelson Rodrigues na adolescência com “Valsa N° 6”, influenciada por ter testemunhado damas do teatro como Tônia Carrero, Fernanda Montenegro e Marília Pêra, não hesitou em escamotear prontuários médicos descritivos de praxe. Todavia, a charmosa e sedutora moça com cabelos loiros impecavelmente escovados foi autora de homicídio culposo (a colega Elenice, defendida por Nathália Rodrigues, em luta corporal, acaba sofrendo traumatismo depois de queda em chão frio, branco e asséptico do hospital não tão ético). No tocante à artista Leona Cavalli, não vislumbramos desperdício de seu talento em nenhuma das cenas das quais fez parte, e que merecem citação as melhores: as trocas de farpas com Paloma; o instante máximo no qual aliciou Bruno exibindo nus seios; bravo enfrentamento associado à chantagem defronte ao corpo diretivo do San Magno, no que concerne ao procedimento falho com Luana; o desmascaramento do pai preconceituoso de Félix quanto à legítima paternidade de Jonathan (Thalles Cabral), pois fora ela quem conseguira o prontuário (sempre ele) a pedido do rapaz; e os colóquios maliciosos, provocativos e divertidos entre o vendedor de “hot dogs” e a médica, que culminaram em troca de carícias insuspeitas. O que se sabe até então é que as investigações comandadas por Dr. Lutero (Ary Fontoura), Paloma e a Chefe de Enfermagem Joana (Bel Kutner) levarão Glauce Sá Benites a não suportar tão fortes acusações, e a saída encontrada será dar cabo da própria vida. Será o fim dos prontuários escondidos. É necessário dizer que Leona, quanto à sua profissão, possui notória familiaridade com o cinema, ouvindo vez por outra o som de “Ação!” gritado por cineastas como Cláudio Assis (“Amarelo Manga”, que a lançou nacionalmente); Paulo Betti e Clóvis Bueno (“Cafundó”); Tata Amaral (“Um Céu de Estrelas”, “Através da Janela” e “Antônia”), Hector Babenco (“Carandiru”), Jayme Monjardim (“Olga”), Roberto Moreira (“Contra Todos”), Sérgio Bianchi (“Os Inquilinos – Os Incomodados que Se Mudem” e “Quanto Vale Ou É por Quilo?”) e Tizuca Yamasaki (“Aparecida – O Milagre”). Fez curtas-metragens, também. Leona Cavalli soube com sua voz suave, maviosa e pausada e postura elegante dar contornos especiais e críveis, e por isso mesmo inolvidáveis, à vilã Glauce. Com trajetória tão rica na tela grande, a televisão não poderia preteri-la. Integrou um sem número de folhetins, minisséries e seriados. Dentre as telenovelas, destacamos “Belíssima”, de Silvio de Abreu; “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro; “Começar de Novo”, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin; “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva; “A Vida da Gente”, de Lícia Manzo; “Negócio da China”, de Miguel Falabella e aquela que pode ser considerada como uma de suas melhores performances, a Zarolha do “remake” de Walcyr Carrasco para a obra original de Walter George Durst que se baseou no romance de Jorge Amado, “Gabriela”. Não por coincidência o mesmo autor que lhe deu o ótimo papel da produção recente das 21h. Na seara das minisséries, citemos “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez, e “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”, de Maria Adelaide Amaral. Com a aproximação do fim de “Amor à Vida”, Leona Cavalli, que está em cartaz com a peça “E Aí, Comeu?”, de Marcelo Rubens Paiva, como a Dra. Glauce, sai pela porta principal com o dever cumprido. E desejamos que retorne em breve e com mérito pela mesmíssima porta. A atriz, no enredo de Walcyr Carrasco, preencheu e assinou um “prontuário de excelente desempenho”, e este, Leona, não precisa ser escondido.

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Muitas imagens homenageando o trabalho do Grupo Cultural Afroreggae foram exibidas nos diversos monitores espalhados por diferentes áreas do Fashion Rio Outono Inverno 2014 (Píer Mauá).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Alessa