Arquivo de março, 2014

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Foto: Rodrigo Molina

Em seu apartamento, Maria Antônia (Milena Toscano) está só. Por quase cinco anos, não esteve. Ao seu lado, estava o seu grande amor Ricardo Bruno (Marco Antonio Gimenez). Tudo parece finito. Não para o imaginário de Maria. O seu subconsciente, guardião fiel das memórias afetivas, emocionais e sensoriais, irrompeu no cotidiano a ponto de não mais se “desligar” do homem que conhecera na sala de espera de um consultório psiquiátrico. E neste mesmo lugar a chamara de “encantadora”. O jogo inicial seria falar um para o outro algo que nunca tinham ouvido. Nasce o amor. O transtorno bipolar que os vitimava de certa forma contribuíra para o despertar deste sentimento mútuo. E é sobre este caso de amor que começa inusitadamente, o seu desfecho e consequências diversas que trata o texto de Regiana Antonini, “Meu Ex Imaginário”, levado aos palcos sob a direção de Michel Bercovitch. Maria Antônia, acometida de dilacerante solidão, sai em frenética busca por um novo companheiro. Numa infrutífera tentativa pessoal de se esquecer de Ricardo, o rapaz, fruto da imaginação, surge em suas visões, ora lhe dando conselhos, ora lhe fazendo críticas ou cobranças num tom de deboche ora lhe dizendo que a ama. Os potenciais novos namorados e respectivas idiossincrasias são defendidos por Zé Auro Travassos. Os tipos são dimensionados ao máximo, com o intuito de se fazer uma observação ácida de posturas que bastante se veem no convívio social. Há o arquiteto (poderia ser um profissional de qualquer área) jactancioso, ególatra, falastrão, inapto a escutar o que o seu interlocutor tem a lhe dizer. O aficionado por exercícios físicos, academias de ginástica, suplementos, vitaminas, cujo intelecto é posto de lado, e glúteos, abdomens e demais grupos musculares são supervalorizados. O que nos ficou patente no relacionamento do casal Maria Antônia e Ricardo Bruno foram as incompatibilidades comuns aos sexos masculino e feminino. Sabidas e notórias. Questiona-se, com razão, o porquê de, em não poucos casos, os homens privilegiarem uma partida de futebol (principalmente um clássico) ou uma luta de MMA em detrimento da companhia de uma mulher. Maria se ressente de que há uma lacuna, um vazio no campo da afetividade. Assume que é romântica. Diz que chora. Homens também choram. Só que às escondidas ou se seu time do coração ganhar. Chorar para os homens e até mesmo para algumas mulheres é sinal de diminuta virilidade, pusilanimidade que não combina com o ser másculo. Homens românticos talvez causem estranheza. Um vício cultural inexpugnável, quem sabe. Por que é mais confortável para as mulheres colocar em lábios a confissão “Eu te amo”? Por que para os homens esta frase soa amedrontadora? Diferenças… Salvo exceções, as primeiras são mais emotivas, sensíveis, reservam ao amor um pedestal sagrado, e em seu íntimo desejam conhecer um idílico “príncipe encantado”. Os segundos são práticos, sedutores à sua maneira, enxergam o sexo sob distinto prisma. No entanto, estes opostos não conseguem viver um sem o outro, ainda que com todas as imperfeições. Na imaginação de Maria, o “fantasma” de Bruno sempre aparece balbuciando “Eu te amo” e “Me liga”. Esta constante presença do “ex” a aflige e a confunde progressivamente. Em meio a isso, a tecnologia dos novos tempos não é preterida, sendo mostrada como se dera a sua interferência nas relações amorosas por intermédio das redes sociais, chats etc, e o quanto de ansiedade essas invenções podem nos causar. “Meu Ex Imaginário” é uma legítima comédia romântica, o que comprova a inegável capacidade da dramaturga Regiana Antonini de transitar com segurança e eficiência por este gênero teatral tão apreciado pelo público. Regiana, com habilidade nata, ampara-se num altíssimo senso de humor para sustentar um tema (a solidão, a sensação de abandono de uma mulher que se vê impossibilitada de reconstruir a sua vida após o término de um romance, visto que a figura do parceiro se impõe onipresente, ubíqua nas horas seguidas do dia) que se exibe familiar e contemporâneo, e questões a ele correlatas não menos importantes. Há espaços na peça tanto para o drama quanto para a comédia. Esta se evidencia contida ou deliberadamente escrachada, “nonsense”, sem pudores de provocar uma saudável gargalhada. A direção de Michel Bercovitch, que conhece bem este segmento cênico, conduz o texto com leveza, agilidade, dinamismo, sem abdicar do romantismo, do lirismo e da poesia. Michel alinhavou um espetáculo enxuto, conciso, “redondo”, completo, com visível orientação certeira no que concerne à interpretação dos atores. Milena Toscano impinge a Maria Antônia um grau de fragilidade, doçura, emoção, sensibilidade e graça, porém podemos vislumbrar outrossim posicionamentos firmes, incisivos e determinantes. Milena deu a Maria força e fraqueza (esta como resultado de desilusão e mágoa), originando bonita e irresistível atuação. Já Marco Antonio criou o seu personagem com pujança, resolução, vigor, malícia, descontração e romantismo (no momento adequado), o que proporcionou a Ricardo Bruno credibilidade incontestável. Tanto Marco quanto Milena passeiam pelo palco com desenvoltura, e entoam suas falas com autêntica naturalidade. A “liga” do casal conquista a plateia. O par é belo, e se tem prazer ao vê-los em cena. Ambos fazem bom uso da voz. Quanto a Zé Auro Travassos, assevero que ao intérprete coube, com o auxílio de sua inacreditável vocação de criar tipos, oferecer à encenação uma comicidade declarada, “desobediente a regras estabelecidas” e transgressora na melhor das acepções. Zé personificou o arquiteto e sua esquisitice comportamental; Bebete, a amiga “over” de Maria Antônia, supersincera e ninfomaníaca; o professor de ginástica bitolado, neurótico, tresloucado, “sem noção”; e o esotérico “pansexual”. Auro abusa, com mérito, de sua destreza de bem utilizar os corpo e voz. O cenário cumpre o seu papel com eficácia, funcionalidade e bom gosto. Percebemos cinco gigantes painéis de tecido branco (em um deles deslumbrantes projeções de imagens são feitas) inteligentemente distribuídos pela ribalta, duas mesas (sobre elas duplas de taças) e quatro cadeiras dobráveis em estilo praiano posicionadas no proscênio nos lados esquerdo e direito, uma cadeira de diretor, tapete, baú/canastra, pequena mala e cabideiro pleno em roupas dependuradas. A iluminação é versátil, o que quero afirmar que não se resume a uma única proposta. A consequência é louvável e colabora para o embelezamento do conjunto. Há a supremacia de um lindo alaranjado que ilumina por detrás dos painéis. Testemunhamos refletores sobre o chão e um central ao fundo, diversificando as opções. O recurso que invariavelmente nos fascina, o teatro de sombras, é usado com elegância. Não faltam sombreados, focos e luz geral, atendendo às solicitações das cenas. Os figurinos se encaixam de maneira coerente nas personalidades dos personagens da trama. Vê-se desfile de vestidos brancos, pretos e vermelhos (sobrepostos, justos e longos), saia rendada, batas orientais bordadas, camisas de time e polo, sapatilhas, escarpins e sapatos sociais, tênis, regata, top, caftã etc. A trilha sonora é em sua maioria incidental, mas podemos nos dar ao luxo de ouvir um Nat King Cole e um Elvis Presley (com ” Always On My Mind”). As músicas são objetivas, não fugindo da precípua missão de desenhar o momento. “Meu Ex Imaginário” se insere numa bem-vinda união de espetáculos que logram êxito e sucesso, executando com humor o difícil encargo de levantar uma discussão sobre assunto que nos interessa, a coexistência do homem e da mulher, e seus desdobramentos na sociedade. Por isso, fácil é explicar o motivo por que graças ao talento de Regiana Antonini, Milena Toscano, Marco Antonio Gimenez e Zé Auro Travassos, “Meu Ex Imaginário” estará sempre “on my mind”.


Um dos símbolos mais bonitos e coerentes com a temática do restaurante Balneário Santa Fortuna, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, era a imagem de Iemanjá, considerada “A Rainha do Mar”, reverenciada por um grande número de devotos no Brasil e homenageada sobremaneira não só no seu dia, 2 de fevereiro, mas no último do ano, no qual são lançadas oferendas ao mar, como barcos com enfeites, perfumes e flores como palmas.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype

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A proposta do restaurante Balneário Santa Fortuna, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá, era retratar fielmente um ambiente que remetesse a uma praia e tudo o que se relacionasse a ela, como o seu nome indica.
Na imagem, vemos não somente a representação de São Jorge (que simboliza a religiosidade dos que vivem nessa região), tendo à sua frente um pequeno copo azul, como um cesto de palha típico de pescadores, potes de vidro com conchas e búzios em seu interior e a miniatura de uma cadeira (próxima às usadas pelos salva-vidas) com uma âncora nela amarrada.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype


Ao fundo do restaurante Balneário Santa Fortuna, montado pela própria organização do Fashion Rio em sua temporada Outono Inverno 2014, realizada no Píer Mauá, havia uma enorme estante na qual se podia observar em seus vários nichos um rádio vintage, garrafas decorativas, livros, vasos e um chapéu panamá pendurado.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype

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Os modelos Amanda Noronha, Ricardo Muller e Manoela Marandino compareceram ao evento “Birthday Casting Party by Sergio Mattos – 7 anos da 40 Graus Models”, no Cais do Oriente, no Centro do Rio de Janeiro (a festa se realizou em 2011).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/

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A atriz Fabiana Karla e eu, após o término do primeiro dia de desfiles do Fashion Rio Outono Inverno 2014.
Fabiana é recifense, e adolescente, iniciou sua trajetória artística.
A estreia na televisão foi num folhetim de Manoel Carlos, escrito para a Rede Globo, no horário nobre, em 2003, “Mulheres Apaixonadas”, como Célia.
Seu talento para o humor sempre foi conhecido, levando-a a participar de “A Grande Família” e demais seriados na mesma emissora.
No ano de 2004, passa a ser do elenco fixo do humorístico, que vai ao ar nas noites de sábado, “Zorra Total” (suas criações são Dilmaquinista, Lucicreide e Dra. Lorca).
O autor Walcyr Carrasco acreditou em seu potencial, e lhe deu importante papel, Olga Bastos, no “remake” de “Gabriela”, novela que foi ao ar a princípio em 1975, cujo teledramaturgo, Walter George Durst, inspirou-se no romance de Jorge Amado, “Gabriela Cravo e Canela”.
Walcyr gostou tanto do seu trabalho, que a convidou para defender uma das personagens que mais caíram nas graças do público, a enfermeira Perséfone, em “Amor à Vida”.
Exibiu seus dotes de dançarina para o quadro do “Domingão do Faustão”, “Dança dos Famosos”.
Mantém profícua relação com o cinema, tendo feito longas como “Trair e Coçar é só Começar”, de Moacyr Góes (baseado na famosa peça teatral homônima de Marcos Caruso); “A Máquina”, de João Falcão; “Xuxa Gêmeas”, de Jorge Fernando; “O Palhaço”, de Selton Mello e “Casa da Mãe Joana 2”, de Hugo Carvana.
No teatro, protagonizou “Gorda – Quanto vale o amor”, um espetáculo com tons cômicos e dramáticos de Neil Labute (o texto fora bem recebido por público e crítica nos Estados Unidos, Europa e América Latina).
Sua voz pode ser ouvida em uma das faixas do CD “Par ou Ímpar”, de Kleiton e Kledir.
Com o grupo Galo Frito, parodiou a cantora Katy Perry em um vídeo.
No mês passado, Fabiana Karla lançou o seu primeiro livro infantil chamado “O Rapto do Galo” ( a “manhã de autógrafos” ocorreu na sede do Galo da Madrugada em Recife, PE; a história gira em torno do sumiço do citado Galo, tradição do Carnaval nordestino).

Agradecimento: Alessa


A modelo Jéssica Mara aguarda o início dos desfiles do Rio Moda Hype, evento do qual participou, em um dos vários balanços rústicos colocados à disposição de todos na imensa área externa do Fashion Rio, no Píer Mauá, durante a temporada Outono Inverno 2014.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype


A área de circulação interna do Fashion Rio, no Píer Mauá, em sua edição Outono Inverno 2014, devidamente pronta para o início do evento em seu último dia, que começou logo cedo com os desfiles do Rio Moda Hype, organizado por Robert Guimarães, que objetiva lançar novas marcas no mercado têxtil.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype


Um enorme guindaste, visto através do alambrado, dentre os muitos que podiam ser observados no Píer Mauá, com a Baía de Guanabara ao fundo, durante a temporada Outono Inverno 2014 do Fashion Rio.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype

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Foto: Divulgação

O que decorreu com o ator nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, Lucas Malvacini, e que iniciou bem-sucedida carreira como modelo na adolescência, na novela “Amor à Vida”, um grande sucesso de Walcyr Carrasco exibido no horário nobre da Rede Globo, findo há não muito tempo, em que vários intérpretes e respectivos personagens obtiveram destaque, foi algo próximo ao ineditismo. Lucas, que já havia “experimentado” um set de televisão no “remake” de “O Astro”, de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro (basearam-se no clássico de Janete Clair), ao lado de Fernanda Rodrigues, foi escalado para um papel potencialmente árido, que atendia pelo tenro epíteto de “Anjinho”. O personagem se incumbiria de cumprir a tarefa de ocupar posto polêmico desencadeador de miríade de conflitos na história. A Lucas Malvacini, então, que se tornou “a priori” conhecido em todo o país ao disputar e vencer o concorridíssimo concurso “Mister Brasil Mundo 2011” (desta forma o rapaz veio a ser o representante oficial do Brasil nos principais concursos de beleza internacionais) coube o desafiador encargo, imprevisível aos olhos sempre exigentes e implacáveis dos público e imprensa, de personificar com credibilidade o amante/namorado de Félix (Mateus Solano), um dos vilões do folhetim cujas graça e maldades indizíveis se “amalgamavam”. Considerável e avolumada parcela de telespectadores poderia de modo imediato rejeitar Anjinho por razões diversas. É notório e sabido que a sociedade civil (ao menos um segmento dela) “navega na latente turbulência de um mar hipócrita sem fim”. Todos falam em alto e bom som: “Eu não sou preconceituoso!”. Hoje em dia é bonito, conveniente não ter preconceito. Porém, não é o que se testemunha nas ruas, noticiários ou mesmo no discurso de alguém que lhe é próximo. Contraditoriamente ao apelido dado pelo filho de César (Antonio Fagundes), Anjinho poderia ser tachado de “pecador”, ao ser homossexual e “destruidor de lares”. E o mais agravante, um lar heterossexual, ainda que artificial. Antonio Fagundes, que ao meu ver, defendeu com brilho e dignidade o ambivalente, austero e respeitável médico que não respeitava a si mesmo tampouco o semelhante, representou, creio, inestimável percentagem da coletividade social com suas atitudes e opiniões homofóbicas (que numa altiva solução do autor se vira obrigado, pelas contingências, a se redimir). No entanto, o seu olhar sobre Anjinho (para surpresa nossa) se confrontava com o conceito de um outro setor que assistia a “Amor à Vida”. Walcyr Carrasco criou Anjinho com elementos tão sutis e delicados que impossível seria não nos afeiçoarmos a ele. O êxito incontestável do personagem se deve, outrossim, à interpretação meticulosa e disciplinada de Malvacini, que impingiu à personalidade daquele doçura, fragilidade, dependência emocional e imponderável ingenuidade acerca da realidade com riscos que o circundava. Lucas Malvacini, eleito o “Homem Mais Bonito do Brasil” em decorrência da vitória, dentre 40 candidatos, como “Mister Ilha de Búzios”, revelou em cada cena da qual participou nuances eficazes a fim de que não houvesse em nenhum momento rejeição ou não aceitação das pessoas, afora, claro, os empedernidos falsos conservadores. O mais impressionante na passagem de Lucas (que invariavelmente colocou em primeiro plano o objetivo de se estabelecer como intérprete, e para isso sempre se dedicara a estudos por intermédio de leituras apropriadas) pela novela em pauta foi que mesmo após a sua ausência prevista na primeira metade da sinopse e na derradeira despedida na fase final da produção, o nome “Anjinho” não “fugiu” do enredo, sendo mencionado vez por outra, seja de jeito carinhoso, debochado ou com ira, nas oratórias dos demais “characters”. Há que se ressaltar ainda a visível e louvável cumplicidade com Mateus Solano em cena. Mateus que em entrevista afirmara proximamente acreditar que a interpretação alheia ajuda na performance com êxito do parceiro profissional. E Lucas asseverara à mídia sobre a generosidade de seu colega de ofício, o que abriu um caminho para o acerto geral. Outra questão que não deve ser preterida fora a solicitação do público noticiada em veículos de comunicação para que o ator retornasse à trama quando da época de seu afastamento. O pedido, intuo, não se dera somente por sua beleza diferenciada, mas pelos carisma, empatia, competência e sustentação coerente do papel. Como novela é uma obra aberta, o teledramaturgo não se fez de rogado, e a volta de Anjinho reacendeu impasses e contendas entre aqueles direta ou indiretamente envolvidos com ele. Apiedamo-nos duas vezes por Anjinho: quando fora preso acusado por furto de joias (declarado inocente depois de apuração precisa dos fatos) e quando Félix terminara o romance que havia entre ambos em definitivo (Anjinho recebera passagem e dinheiro para viver em Barcelona e retomar a profissão de modelo). Com o desfecho, enganou-se quem pensara que Lucas (que no período em que se dedicara à moda teve gloriosas realizações, como a campanha para a Brookstone; o trabalho fez com que morasse em cidades como Milão, Miami e Santiago do Chile) se acomodaria após o sucesso da novela. O ator desbravador buscou se aperfeiçoar, adquirir novas experiências e evoluir como artista. E não haveria melhor espaço para a concretização desses intentos do que o palco de um teatro. Surgiu-lhe excelente oportunidade de ser um dos protagonistas da ótima comédia romântica de Raul Franco, dirigida por Bia Oliveira, junto com Felipe Roque e Camila Hage no elenco, revezando-se com Luca Pougy, “Crônicas do Amor Mal Amado”. Nós, assim, perguntamo-nos: – Como Lucas se sairá nos palcos? Saberá ele enfrentar a difícil arte da interpretação teatral? E o público? Como reagiria a isto? O espetáculo, com bastante proficiência, abrange a imensidão das possibilidades e probabilidades do amor. Como este é encarado sob distintos prismas. A árdua conciliação entre as discordâncias dos gêneros masculino e feminino. O sexo, seu prazer e frustrações. Os mitos e desmistificações. As cobranças descabidas que acabam por diluir um relacionamento. Lucas deu vida a dois personagens: um psicanalista que interage com a plateia, elucubrando e levantando questões, e Ernesto, que se apresenta com dupla proposta de comportamento. A primeira se o homem mantivesse com a mulher uma relação liberal, aberta, permissiva, e a segunda, um companheiro “comum”, sujeito a ciúme, dúvidas e inseguranças. Ao interpretar o psicanalista, Lucas Malvacini (que além de tudo que já relatei estudara Turismo e participara de um clipe da cantora e atriz Preta Gil, “Sou Como Sou”) demonstrou incrível capacidade de concentração, disciplina e interiorização do papel. O psicanalista é um atento observador das cenas, um segundo olhar, o que poderia facilmente provocar no artista um “escape” do personagem (o que não acontece). A interação com os espectadores exige firmeza, resolução e desenvoltura. A sua voz é clara, límpida e articulada. Não vislumbramos em sua atuação hesitações ou titubeações. Como Ernesto, o intérprete tem a chance de expandir ainda mais o seu talento, com gama sequencial de reações, como destempero, fleuma, impulsividade, indignação, carência, vulnerabilidade, fúria, indignação e uma carga de dramaticidade que atinge a sua posição de equilíbrio pertinente. Todavia, passamos a conhecer um Lucas leve, ágil, circulando com intimidade pela ribalta, engraçado, divertido, irônico e cativante. Não só “Amor à Vida” lhe foi uma vivência rica e marcante em sua trajetória. “Crônicas do Amor Mal Amado” serviu com toda a sacralidade que um tablado pode proporcionar para Lucas Malvacini, o ator desbravador, encontrar algo. Esse “algo” era um outro talento que desconhecíamos, e que, por sorte, encontrara. Esse “algo” estava apenas ali mudo, quieto, parado, silencioso e paciente, esperando que o seu dono o achasse e o levasse para casa. Mas não sem antes visitar o teatro.