Arquivo de março, 2015

nomades
Foto: Guga Melgar

Se no início eram quatro mulheres unidas pela amizade e pela arte, hoje são apenas três. Três atrizes, reféns da fama, do sucesso, da exposição permanente, da ausência de privacidade e da abrupta e trágica perda de um dos membros do consolidado e inquebrantável quadrilátero amistoso. Face ao inesperado, deparam-se com o vazio de suas existências e a falta de explicações para o que não pode ser explicado. São em segundos, minutos ou qualquer fração do tempo, forçadas a lidar com a dilacerante dor da morte de alguém próximo que se ama, e a mergulhar em um profundo processo de autoconhecimento e descoberta de seu semelhante, no sentido de se reavaliar as próprias idiossincrasias, convicções e percepções da vida humana, respeitando os graus variáveis da emoção de cada um de nós. O espetáculo “Nômades”, com dramaturgia (e direção de Marcio Abreu) e Patrick Pessoa e colaboração de Andreia Beltrão, Malu Galli, Mariana Lima e Newton Moreno se fundamentou nos conceitos do nomadismo, inclusive os preconizados pelo filósofo francês Gilles Deleuze (“Nada se move menos que um nômade”), que foram amplificados, estendidos e reinterpretados para que houvesse uma confrontação das atrizes personagens com a realidade do artista, aquele que se movimenta constantemente, que veste distintas almas, que se dissocia de suas máscaras pessoais para assumir a persona de outros seres estranhos ao seu mundo. Três amigas que se sobressaem por sua pujante personalidade, detentoras de faces tão bonitas quanto verdadeiras, cujos sentimentos se encontram nos estertores de sua potência máxima, preparam com metodismo um dry martini, e tentam um derradeiro diálogo ou suposto “acerto de contas” com aquela que ceifou precocemente sua vivência terrena, “abusando de sua máquina, acendendo o pavio curto até que houvesse uma explosão”. As artistas “nômades” reagem cada uma à sua maneira, com nuances diferentes, ao se defrontar sem escapatórias com o dolorido estado de luto. Em meio a esta situação limite, as personagens, quase amalgamadas em um só corpo material como signo representativo de sua união amigável, personificam vez ou outra as figuras de “entrevistadora” e “entrevistada”, numa apropriada licença dramatúrgica. Coloca-se na berlinda a soma dos superficialismo, obviedade e dispensabilidade do que se chama atualmente de “entrevista”. As atrizes declaram uma vontade inequívoca de se manterem com um razoável patamar de privacidade, e consequente preservação da própria identidade. Questiona-se até que ponto o afastamento e exclusão de suas individualidades com a demolidora intrusão midiática compensam a permanência de suas condições como profissionais artísticas. Ancorada em elementos metalinguísticos, a peça aborda temas indissociáveis de nossas existências, como o direito a uma plena liberdade, a um instante qualquer de solidão e ao silêncio, as dificuldades de comunicabilidade social (até na esfera afetiva), o exercício do trabalho como forma eficaz (no caso, as Artes) de se dizer algo relevante a outrem, o enfrentamento da morte, como asseverara, e o desafio pessoal de simplesmente dar continuidade à vida após uma perda irreparável. A dramaturgia de “Nômades” possui caracteres velozes, dinâmicos e feéricos, sem abjuração dos tons confessional, intimista, reflexivo e poético, o que denota por parte de seus autores uma postura abertamente libertária e independente em sua criação. No contexto do desenvolvimento narrativo são inseridos quadros ou passagens nos quais as três protagonistas da peça assumem com intensidade e credibilidade interpretativa, passeando com cautela e cuidado pelos campos da sátira ou paródia (a intenção, na verdade, de todos os envolvidos no espetáculo, não era a ligeira composição com traços risíveis, devido à caracterização das atrizes, o que seria uma vereda fácil, mas sim um olhar particular e honesto daquele artista, que se distinguiu dos demais por suas qualidades únicas e especiais), a imagem ímpar reproduzida no palco de celebridades do universo musical, com direito à menção a uma cena icônica de um longa-metragem dirigido pelo inglês Adrian Lyne, levado às telas em 1983, em que a atriz Jennifer Beals, que se tornaria uma musa à época, cujo papel era o de uma operária aspirante à bailarina, apresenta uma audição no epílogo do filme a uma banca de jurados a fim de que ganhasse uma bolsa de estudos de uma tradicional escola de dança. “Flashdance”, “Flashdance – Em Ritmo de Embalo” no Brasil, marcou toda uma geração do início dos anos 80, com resquícios até os dias atuais. Ainda no que tange aos aspectos dramatúrgicos, percebe-se em seu cerne camadas de fluidez textual, níveis emocionais espontâneos e uma acertada fragmentação em seu conjunto que, no cômputo geral, conflui para a formatação de um sólido e consistente panorama cênico. O público é atingido, deixando-se irreversivelmente seduzir, pelas reflexões das personagens, em que se vislumbram a filosofia de cada uma delas, imbuída das mais genuínas sensibilidade, intimidade, emoção e verdade. Algumas questões ponderáveis ou não são levantadas durante a peça. Seríamos nós habilitados a definir a liberdade, ou o que nos resta é tão somente uma simplificada descrição? Como podemos conviver com o acúmulo sobre-humano de atividades cotidianas que podem nos conduzir a uma exaustão perene? As atrizes personagens se mostram outrossim angustiadas com a publicização de sua dor interna causada pela perda da amiga perante os olhos curiosos da coletividade anônima. Um espetáculo que a despeito de se propor a falar sobre a morte, aproveita-se deste árido e espinhoso tema para enaltecer a sublimidade da vida. A direção (e concepção) de Marcio Abreu objetiva extrair, e obtém sucesso, de suas intérpretes uma elevada carga emocional capaz de, em isolados momentos, sofrer oscilações em maior ou menor gradação condizentes ao gênero em que são vivificadas. Tanto o drama quanto a comédia coexistem pacífica e equanimemente. O bonito espaço de semiarena do Teatro Poeira com seus balcões é utilizado com real valor (toda a dimensionalidade do palco é explorada com magnificência). Marcio, como um preciso arquiteto teatral, logra desenhar com a tríade de atrizes que tem ao seu dispor movimentações e marcações que indicam a infinidade geométrica das triangulações viáveis. É visível e notório que o encenador tenha compreendido e absorvido a gama de intencionalidades dos dramaturgos reunidos (inclusive a si mesmo). Ademais, apostou com confiança justificável no altaneiro potencial de Andreia Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima de alternarem as suas consciências interpretativas, respeitando as fronteiras da naturalidade, da quase naturalidade e da “composição” propriamente dita. No que concerne às atuações de Andrea Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima, é imprescindível que se ratifique que estivemos diante de um congraçamento pessoal e artístico das três brilhantes intérpretes. Ficou-nos a nítida evidência de que transpuseram as suas vivências individuais para as realidades existenciais de suas personagens. A arrepiante vivacidade que impingiram ao espírito de seus papéis conferiu aos mesmos a veracidade e legitimidade de que necessitavam para que crêssemos em suas lutas e resiliências defronte à lancinante dor que persegue o luto, suas contingências naturais, traumas solidificados e feridas abertas que teimam em não cicatrizar. Andrea Beltrão transita com a vastidão de seus imensuráveis méritos por diversas e instigantes veredas interpretativas que lhe foram impostas. Com vigor e inegável talento constrói as molduras dramáticas com as cores de suas dores, e cômicas (estas sem amarras ou grilhões que poderiam intimidá-la). Para o nosso deleite como espectadores, Andreia personifica singularmente alguns ídolos do cenário pop internacional, como a diva disco Donna Summer (dublando um dos maiores hits da cantora, “I Feel Love”, a atriz não nos poupa de gestos em sintonia, uma leve e irresistível sensualização, além de fortes concentração e desprendimento), a cantora britânica Amy Winehouse (com “Valerie”, transmite-nos o intimismo melancólico perturbador da artista possuidora de rascante e privilegiada voz, cuja obra fora tão fugaz quanto eterna), e o idolatrado vocalista da banda grunge americana Nirvana, surgida em meados da década de 90, Kurt Cobain (Andrea evoca uma espécie de transe catatônico, hipnotizada pelos afiados e poderosos acordes e riffs de sua “destruidora” guitarra, que sustentam a avassaladora “Breed”). Malu Galli desfila reluzentemente sobre a ribalta com admiráveis cognição e entendimento das personagens que defende. Sua luz vívida a acompanha a todo o tempo, associando-se a uma força interior que se exterioriza para o nosso encanto, o que só reafirma a completude de seu brilhantismo conhecido. Da mesma forma que Andrea, pintou com tintas únicas a representação de uma das mais emblemáticas intérpretes da MPB, Maria Bethânia. Usando também o recurso da dublagem (ferramenta coerente com o que se pretende com “Nômades”) para reviver “Um Índio”, assistimos em essência a uma dignificante homenagem a um dos Doces Bárbaros. Malu reproduz com reverência e emoção à flor da pele os movimentos personalíssimos e inconfundíveis da artista baiana nascida em Santo Amaro da Purificação, com seus passos marcantes e inesperados para a frente numa veloz e curta corrida sobre o espaço que ocupa, com a suspensão imponente de seus delgados braços. Outro belo instante tanto para a atriz quanto para a plateia decorre quando entoa o clássico bossanovista composto por Tom Jobim, “Dindi” (neste caso, dispensa-se a dublagem, e Malu Galli nos exibe a sua doce, suave e emocionada interpretação para a memorável canção). Mariana Lima alia com soberba e fulgurante inspiração o seu valor pessoal como atriz às oportunidades de interpretação e leituras variantes para as personagens que lhe são ofertadas pela peça. Com espantosa fluência e enternecedora verdade emotiva que lhe são natas, junta e cola os fragmentos de cada “character”, com o propósito de se configurar um perfil honesto e crível para a nossa aceitação unânime de suas visões da ficção dos papéis (percorre com desenvoltura as vias anímicas de todos eles). Expressa a sensação dolorosa da fase de luto e a resistência a aceitá-lo com a mesma potência dramática. Perpassa pelo viés do humor com iluminada graça. Um dos apogeus do espetáculo, sem dúvida, impõe-se quando Mariana surpreende e fascina a todos com a reprodução fiel, e por isso mesmo empolgante, da cena já mencionada do filme de Adrian Lyne, “Flashdance”. Não há quem não se renda à música interpretada por Irene Cara, “What a Feeling”. Vemos uma Mariana Lima pulsante e dançante, graciosa e elegante, presenteando-nos com a insustentável beleza de um corpo em movimento no ar e no espaço vazios. Antes disso, testemunhamos com um certo riso nervoso e admiração, saindo por uma das portas vermelhas do cenário, um angustiado e rastejante Robert Smith, da banda inglesa de pós-punk The Cure, com sua máscara pesada e sofrida no rosto, cantando a envolvente “Close to Me” (Mariana incorpora com total franqueza os trejeitos contorcidos de um astro “insano” e visceral na sua arte). Ainda nos é reservado um epílogo apoteótico e arrebatador, com as extasiantes performances de Andrea Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima revivendo as inolvidáveis e originais coreografias de um símbolo da música universal do século XX tão incompreendido quanto genial: Michael Jackson. As atrizes emprestam as suas vozes e tons à dificílima “Billie Jean”, e se saem maravilhosamente bem. O cenário e objetos de Fernando Marés estão imersos em uma feliz composição que mistura a crueza e a vivacidade, procurando e atingindo um ponto de equilíbrio em que se debatem o real e o ficcional. Nota-se uma exuberância insinuada na lacuna das dimensões da semiarena, preenchida apenas por um sofá neoclássico de dois lugares aveludado de cor mostarda com pés corrediços (o que permite que o móvel seja deslocado em não poucas situações; o mesmo serve como local de encontro para as amigas conversarem, refletirem, elucubrarem, “serem entrevistadas”, ou somente, sozinhas, assistirem aos acontecimentos paralelos), três cadeiras metálicas de design simplificado, um aparador retangular que somente é usado a certa altura como simulação de um bar (sobre ele há uma extensa variedade de copos e taças, e sua engrenagem também possibilita uma oportuna movimentação). O que indiscutivelmente nos causa maior impacto é o enorme módulo com tonalidade vermelha à esquerda da ribalta onde se distribuem sete portas uma ao lado da outra, e por onde, em múltiplos momentos, as intérpretes entram e saem, ou por detrás delas permanecem (estimulando nossa imaginação), dependendo das circunstâncias textuais (constata-se uma referência contemporânea ao “vaudeville”). Até elementos que parecem pertencer ao teatro em que se apresenta a peça, como parte dos balcões e refletores, são utilizados de forma surpreendente. A iluminação de Nadja Naira é alegre, singular, potente, difusa, poética e visualmente inebriante, em fina sincronia com o panorama narrativo. A sua diversidade é simbolizada por inúmeros refletores (laterais, centrais e frontais), que se alternam em focos ou se unem em um conjunto harmônico. Vislumbram-se luzes tênues em sua intensidade, fortes nos planos abertos, “blackouts” causadores de suspense e expectativa, e o bruxuleio de feixes amarelos (ou próximos a isso), vermelhos e os quase rosas. Nadja também contribuiu com riqueza para as apresentações musicais das atrizes (o globo espelhado e seus reflexos são naturalmente indispensáveis para se desenhar com fidedignidade a unicidade de um show característico, no caso, o de Donna Summer). Os figurinos de Cao Albuquerque e Natalia Duran são elegantes, sóbrios, modernos, sendo alguns contextualizados em adequada extravagância. Ambos se valem de uma variedade significativa de costumes, que se subdividem nas cores preta, branca e grafite. Aposta-se no brilho em determinadas ocasiões. Os ternos, camisas, gravatas, chapéus, calças e sapatos masculinos usados pelas protagonistas confirmam a tendência de Yves Saint Laurent proposta nos anos 70, e que até hoje se mantém como atual, ou seja, mulheres podem trajar peças culturalmente feitas para os homens sem que percam a sua feminilidade. Outras vestimentas e acessórios se juntam à cartela de figurinos adotados, como saias, blusas, vestidos longos, trench coats, collant, blusas, escarpins, boots, tênis e engraçadíssimas perucas. A direção de movimento excepcional ficou a cargo da consagrada bailarina e coreógrafa Marcia Rubim, que se encarrega honoravelmente de explorar as minúcias das potencialidades corporais das atrizes, estejam elas sós ou agrupadas. Temos a sensação de que Andrea, Malu e Mariana estão descobrindo ou redescobrindo o seu corpo, a sua matéria física, abusando positivamente de suas “máquinas” rumo a uma “explosão expressiva”. Quem de nós poderia sequer pensar que as três conhecidas e respeitadas atrizes vivenciariam de um modo tão empático e cativante personalidades que fazem parte de nosso imaginário consciente, como Michael Jackson, Maria Bethânia, Donna Summer, Amy Winehouse, Kurt Cobain, Robert Smith e a atriz Jeniffer Beals? O visagismo de Lu Moraes estimou e valorizou a beleza natural do elenco, permitindo desta forma que nos deparemos com rostos reais, espontâneos, preterindo máscaras desnecessárias. No entanto, em casos específicos, como na caracterização de Robert Smith, houve uma oportuna dose extra de fantasia. A direção musical de Felipe Storino nos remete a uma catártica nostalgia, ao selecionar canções tão díspares em seu gênero quanto inacreditáveis em seu agradável e estimulante apelo melódico. São oito músicas que adquirem por minutos a qualidade da visão personalizada das atrizes personagens do espetáculo. “Nômades”, com Andrea Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima é uma obra intrinsecamente diferenciada por vários fatores. Funda-se na ousadia, no risco, na pessoalidade, na transgressão ao subverter os padrões tradicionais de uma narrativa teatral, na sensibilidade escorada na verdade absoluta, na emoção e na entrega intensa de suas atrizes, que estão no mais purificado estado de graça. A poesia caminha ao lado da “filosofia nossa de cada dia” sem atritos, na mais perfeita concórdia. Ficou provado que o drama e a comédia são “amigos de longa data”. Fomos levados a pensar a respeito do nomadismo aplicado em nossas vidas pouco analisadas sob esta ótica. Andrea Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima são nômades por natureza, artistas que invadiram sem medo os desertos de nossas alma e mente e as desbravaram. Tiraram-nos da cômoda e passiva estagnação comportamental, sacudindo nossas até então inexpugnáveis percepções. Ofereceram-nos um horizonte mais amplo e iluminado. Estas três lindas atrizes escavam, remexem e revolvem a Arte. Libertam-na de seu nicho intocado, e lhe dão um novo e fresco sentido. “Nômades” conseguiu um feito inarredável: somos mais nômades do que nunca. Deslocaremo-nos no interior de nossos próprios desertos inexplorados em direção a uma evolução sem retornos. Numa simples definição, “Nômades” é a Arte que se movimenta.

DeixaClarear1-JoaoLima-2-baixa-1
Foto: João Lima

Na década de 70 e início da de 80, o Brasil se encantava com uma bonita mulher morena que ostentava lindamente seus cabelos volumosos (não negando a sua ancestralidade) presos a tiaras floridas e coloridas, com um gingado envolvente, um sorriso cativante, pés descalços no chão, vestidos brancos que remetiam às baianas de Salvador, e uma voz com inacreditáveis potência, afinação e maviosidade. Seu nome era Clara Francisca Gonçalves Pinheiro ou simplesmente Clara Nunes. Numa época em que significativos representantes da Música Popular Brasileira e suas vertentes são retratados nos palcos e cinema, seria no mínimo injusto que não fosse prestada uma homenagem contextualizada em narrativa teatral a uma de nossas melhores e mais talentosas e originais intérpretes. O espetáculo musical “Deixa Clarear”, pensado poética e idilicamente por Marcia Zanelatto não faz tão somente um desenho biográfico esquemático da trajetória pessoal e profissional da sublime artista. Com extrema sensibilidade, absoluta compreensão da alma de Clara, com a intenção irremovível de perscrutar a sua genuína essência, Marcia construiu com olhos sinceros e emocionados de uma admiradora convicta do valor lapidado de sua personagem real algo como uma epifania musical dramatúrgica. O fio da história não se resume ao caminho supostamente fácil de desfiar os não poucos sucessos da cantora, mas em emoldurar um painel no qual se exponham o limiar da descoberta de um talento, a relação afetuosa com os seus familiares (pai, mãe, irmãos…) e o incentivo destes a soltar a sua “voz de sabiá” na terra das Minas Gerais numa deliciosa ambiência ingênua (as reuniões com os seus parentes lhe serviram como um “palco improvisado”), e o seu seguimento rumo à valorização artística, aquisição de popularidade e estrelato. Conhecemos a Clara de um pequeno Brasil que no futuro desbravaria outros tantos Brasis. A peça assume o deliberado propósito de interagir de modo salutar com os espectadores, seja na comunicação direta por intermédio de pensamentos particulares de Clara Nunes acerca do mundo que a cinge, seja na arrepiante participação do público que acompanha as músicas clássicas de seu cancioneiro, refugiadas na afetividade de nossas memórias coletivas. As palmas da plateia num ritmo compassado também se fazem presentes na sua eloquência, como se fosse uma necessidade indissociável daquela de se integrar, ao menos em parte, da consagração ritualística de uma existência diferenciada de uma artista. O texto, como dito, enleva-nos por sua poesia pura, empatia, palavras coordenadas pela emoção e sonoridade, fraseados cantantes, organizando toda essa gama de elementos num conjunto cênico muito bem alinhavado. Nossas raízes africanas e sua potente e fascinante religiosidade fundada nos orixás são clarificadas na postura devota da protagonista. Umbandista, Clara nos conta histórias ou lendas cujos personagens possuem nomes característicos de sua origem. O espetáculo se mostra imparcial ao abordar o proselitismo religioso de Clara Nunes e o misticismo advindo do mesmo. Com a preciosa contribuição de três excelentes músicos, que se utilizam, em sua maioria, de instrumentos percussivos, assim como os de cordas (violão e cavaquinho), além do chocalho, os grandes sucessos de Clara Nunes que se eternizaram, como “A Deusa dos Orixás”, “O Canto das Três Raças”, “Portela na Avenida”, “Morena de Angola”, “Ê Baiana”, “O Mar Serenou”, “Conto de Areia”, dentre outros, são entoados no contexto da costura narrativa de maneira equilibrada e agradável. Canções mais efusivas e dançantes se alternam com aquelas de melodias suaves e romantizadas. A menção à perda precoce da cantora se dá de forma sutil, reverente e delicada. Não foram preteridas de nosso entendimento as referências culturais regionais arraigadas em nossa rica tradição popular, tais como o maxixe, o congado, o frevo e o jongo. Há o exato instante em que abraçou o samba como o norte de sua carreira, gênero que a tornou célebre em todo o país. A encenação teatral não descarta uma passagem cômica, na qual assume visível despojamento: a apresentação da artista no programa do saudoso comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, com seus impagáveis calouros. A proposta edificante do diretor Isaac Bernat, parece-nos, é a de tocar o público, fazê-lo lembrar do quão relevante Clara Nunes era e é para a nossa cultura, e nos provar, por meio de suas belíssimas canções, que o nosso repertório já tivera tempos mais áureos. Não à toa são composições que, mais de trinta anos após a sua morte (“Deixa Clarear” foi montada justamente como celebração e homenagem à data), penetram suavemente em nossos ouvidos, revolvendo as mais íntimas e recônditas emoções. Isaac intencionou ocupar todo o espaço cênico com a vasta expressividade corporal da intérprete, mantendo sempre os três músicos no fundo direito da ribalta (à exceção da cena em que participam, como atores, do programa do Chacrinha). Confere-se uma constante interação entre Clara Santhana e os músicos, seja por olhares seja pelo direcionamento de suas falas. A peça ostenta uma fluência naturalmente prazerosa. A atuação de Clara Santhana merece uma apurada análise. O que se depreende ao testemunharmos esta atriz e cantora no alto de um palco é o florescer fulgurante de sua ímpar capacidade interpretativa. Não se trata tão somente de um trabalho de composição, mas de uma absorção sensorial, emotiva, transcendente das características e atributos que definiriam Clara Nunes como a conhecemos. Clara Santhana se conecta com a sua natural beleza a também bela Clara Nunes, por meio de uma força acima do real para nos encantar, e até mesmo, no melhor dos sentidos, enfeitiçar o público. Sua voz é tão potente quanto suave, atingindo uma extensa gama de tons. Límpida, afinada, sublime: essa é a voz de Clara Santhana. A direção de movimento de Marcelle Sampaio é digna de louvores e loas, haja vista que impingiu à personificação da popular e adorada cantora uma exuberante imagem, equilibradamente sensualizada em seus molejos, requebros e meneios, numa perfeita manifestação corporal. Foram meticulosamente pensados e calculados cada gesto, movimentação de braços, danças com ritmos com maior ou menor intensidade e posicionamentos estagnados de contemplação e ascetismo. O fato de Clara segurar a barra de sua frondosa saia do vestido que a imortalizou, e sacolejá-la de lado a outro é de um charme irrepreensível. Um dos trechos mais impactantes do musical, devido às suas verossimilhança, fidelidade e pungência, decorre quando a atriz executa movimentos atinentes à incorporação do orixá Iansã (a cantora, segundo os preceitos religiosos afro-brasileiros do credo que seguia, era filha de Ogum e Iansã). A direção musical de Alfredo Del Penho é vigorosa, pulsante e coerente, no sentido de criar cenicamente o amplo universo artístico da intérprete. As músicas lindas e emocionantes, sem exceção, são estrategicamente inseridas no desenho dramatúrgico de “Deixa Clarear”, sem rupturas ou desvios ilógicos. Os músicos, como já afirmara, são virtuoses e sensíveis no manuseio de seus instrumentos. Os figurinos de Desirée Bastos nos deslumbram com o seu regionalismo e especificidades. Evidentemente, procura-se mais supremacia no branco. Todavia, a multiplicidade de cores pode ser vislumbrada nas tiaras floridas na “morena de Angola que mexe o chocalho amarrado na canela”. Acessórios como pulseiras, inclusive uma ornada de búzios, e braceletes são percebidos. Clara, num primeiro instante, é vista trajando um sóbrio e elegante macacão fluido de cor branca com finas alças. O ápice do capricho da criação de Desirée ocorre quando a artista entra em cena com o memorável vestido em que os seus ombros ficam à mostra, com os respectivos babados e camadas num tom degradé que imiscui o amarelo e o laranja. A iluminação de Aurélio de Simoni nos enternece pela sua acurada sensibilidade para descobrir o caminho preciso para se atingir o propósito inicial da obra. Aurélio sabiamente se apropria do branco e do azul em tonalidades tênues que, como sabem, são as cores da escola de samba escolhida pela artista, a Portela. Os focos são conduzidos com soberba brandura, tanto sobre a cantora em si, quanto sobre os músicos. Há refletores duplos anteriores em ambos os lados (com luzes azuladas no começo) e outros dois sobre o chão nos flancos direito e esquerdo do teatro. As cores, em sua variada paleta, são usadas pertinentemente nos trechos que as solicitam. O cenário de Doris Rollemberg é pautado em uma elegante e adorável simplicidade. No piso do tablado, há algo como um tapete. Ao fundo, há dependuradas e enfileiradas cordas brancas (com diferentes tons mais escuros em algumas) que nos dão a impressão de que estamos diante de uma “cortina mística e ancestral”. Pequenos caixotes de madeira clara também são utilizados, servindo outrossim como diminutos palcos para as pioneiras performances da cantora quando petiza. Um dos pontos mais fascinantes da cenografia é um enorme pandeiro sustentado por um fio, colocado à direita do palco (o mesmo em determinada ocasião é abaixado, Clara o pega, e o remexe languidamente, causando um ruído semelhante ao som das águas). Em “Deixa Clarear”, uma produção da Diga Sim! Produções e Sandro Rabello (coordenação de produção de Clara Santhana e produção executiva de Igor Veloso), pergunta-se em certo período de sua encenação “Quantas cores há no branco?”. Permitindo que nossos pensamentos transcendam, creiamos que muitas. Assim como são muitas as cores de Clara Nunes. Assim como são muitas as cores de Clara Santhana. Muitas são as cores de nosso imenso Brasil. “Deixa Clarear” é um espetáculo musical instigante, delicado, que exerce um poder de sedução indescritível em nossos sentidos. Clara Santhana é como a “sereia que samba na beira do mar”. Clara Santhana cheia de cores conta o seu “conto de areia”. “Deixa Clarear” alumia com seu pandeiro irmão da lua a história de uma guerreira. Clara Nunes, uma bonita mulher morena que usou a sua “voz de sabiá” como espada na sua dura batalha pela paz e pelo amor. E assim deixemos Clara Santhana nos clarear com a sua luz e as suas cores. Uma estrela que nasce renascendo outra.

beatriz-ines620
Foto: Gshow

Ao som ensurdecedor de um funk vindo da comunidade, lugar para o qual se tem a vista ao descerrar a cortina de seu modesto apartamento, a destemperada, antiética, ambiciosa e revoltada com suas condições sociais Inês (Adriana Esteves) se confronta com o honesto e passivo marido, o engenheiro da construtora Souza Muniz Homero (Tuca Andrada), na frente da pequena filha Alice (que será defendida por Sophie Charlotte na segunda fase da trama, dez anos depois). O dono da construtora onde Homero exerce o seu ofício é o corrupto e “defensor de hierarquias” Evandro Rangel (Cassio Gabus Mendes), que está na iminência de perder a sua esposa, com quem tem um filho, Guto (papel de Bruno Gissoni no futuro), que se encontra na fase terminal de uma enfermidade. Já Beatriz (Gloria Pires) é uma arquiteta falida, cujo escritório que comandava em Portugal possuía engenheiros que punham materiais de construção ordinários no lugar dos adequados, com a sua anuência. Seu nome está sujo no país luso, onde foi residir casada com um cidadão rico que servia à diplomacia. Também ambiciosa, dissimulada, fria e manipuladora, mas com uma assustadora docilidade quando lhe convém, a filha ninfomaníaca de Estela (Nathalia Timberg), uma senhora distinta que mantém um relacionamento homoafetivo há mais de trinta anos com a advogada de prestígio Teresa (Fernanda Montenegro), retorna ao Brasil do “Vale Tudo”, viúva, e passa a residir em um apartamento deixado por herança. O primeiro sinal de seu apetite sexual desmesurado se vislumbra quando assedia o operário musculoso e suado que faz a obra de seu novo lar (no passado, não deixava “escapar” os surfistas da praia que frequentava tampouco os vendedores de mate). Beatriz precisa, a todo custo, retomar o status social perdido, e o potencial caminho para recuperá-lo seria uma aproximação com Evandro Rangel. Em outra parte da história, que se passa em 2005, conhecemos Regina (Camila Pitanga), uma moça humilde, resoluta, sonhadora e determinada, que trabalha num clube de bacanas para pagar o seu cursinho pré-vestibular. Filha de Cristóvão (Val Perré), o mulherengo motorista de Evandro, preocupa-se com o estado de saúde de sua mãe Dora (Virginia Rosa), que sofre de problemas cardíacos. Antes de pegar um ônibus rumo ao seu curso, conhece o galanteador Luís Fernando (Gabriel Braga Nunes), que se utiliza de todos os meios para conquistá-la, até o infalível convite para tomar um chopinho. A esta altura, Inês se deparou com a foto da amiga de infância Beatriz na capa de uma revista, a “Start”. A elegante Beatriz seria uma viável possibilidade para sua cobiçada ascensão social. Enquanto isso, a enteada de Teresa logra êxito em seus propósitos: inventa ser amiga da cônjuge de Evandro, mostra-se solidária, cativando o empresário e seu descendente. Para facilitar um envolvimento mais íntimo, engendra mais uma mentira, ao afirmar que sua esposa já falecida lhe fez um último pedido: que as suas cinzas fossem jogadas no Rio Sena. Paris é uma cidade perfeita para fisgar homens recém viúvos, carentes e fragilizados. Chega o réveillon. Na praia, Inês, contrariada, brinda a chegada do novo ano com sidra. Beatriz com o melhor champanhe no alto de um hotel de luxo junto com a burguesia francesa, e Regina oferece um barco a Iemanjá, suplicando-lhe que seus “caminhos sejam abertos”. O certo é que os mesmos não serão ao lado do cafajeste Luís Fernando, que é casado com Karen (Maria Clara Gueiros), sendo pai de dois filhos. Luís engravida Regina e lhe sugere um aborto. O casal Beatriz e Evandro volta à pátria que num tempo longínquo será a “pátria educadora”, e decide promover um ostentador e opulento rega-bofe no Morro da Urca, cartão-postal indiferente às mazelas da cidade que ainda insistem em chamar de “maravilhosa”, mesmo com suas violência, balas perdidas e “achadas”. Inês necessita ir a esta festa, e a maneira encontrada para conseguir o desejado convite foi provocar o atropelamento de uma conhecida que fora convidada em plena ciclovia da orla, pagando propina a um entregador de compras para cometê-lo. No evento em que se percebeu a confirmação dos estereótipos brasileiros para o exterior, com direito à samba e passistas, finalmente Inês se encontra com Beatriz, e esta a humilha deliberadamente. Com sede de vingança, a mulher de Homero sente que há uma troca de olhares suspeita entre a sua oponente e o motorista da família. Uma simples câmera fotográfica serve para registrar o flagrante dos dois amantes se acariciando, tendo como fundo a bela e poluída Baía de Guanabara. Inês resolve chantagear Beatriz, exigindo pelo seu silêncio R$400.000,00. Para Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga (colaboradores em “Paraíso Tropical”, de 2007), uma chantagem só não basta. A esposa de Cristóvão precisa de um transplante urgente, e tem que entrar na malograda fila do nosso sucateado sistema de saúde. Um dinheiro “por fora” solucionaria o problema, o que não nos espanta. O motorista chantageia a sua ex amante, ao lhe pedir a quantia necessária para a antecipação da cirurgia, ameaçando revelar ao patrão o affair que mantiveram. Beatriz se vê acuada, e ao surpreender Cristóvão com Inês num bar do Leme, julga que são cúmplices nas extorsões. Sabendo que o homem com quem se envolvera guarda uma arma no porta-luvas do carro, combina com ele um encontro num local discreto para acertarem as contas. Lá chegando, propõe que uma pulseira valiosa que lhe seria dada de presente pelo futuro marido poderia se somar ao montante exigido. Enquanto se beijam, a mão delicada de Beatriz pega a pistola e um tiro certeiro é desferido no chantagista. Beatriz também é uma assassina. A cena termina com o seu vestido vermelho em chamas para não deixar pistas. Um encontro agora é marcado com Inês. Num golpe de mestre, convence a antiga amiga de que deve contar o dinheiro que está no interior de uma maleta. Inês se defronta com a arma do crime. Provocada, acaba a empunhando, deixando as suas impressões digitais, invertendo o jogo de dominação. “Babilônia” (uma alusão não só à comunidade carioca do Leme, mas à cidade da Mesopotâmia, capital do Império Babilônico, em que se misturavam povos, com seus respectivos e diferentes costumes) é uma novela que evidencia o fortalecimento de personagens femininas e suas potencialidades, sejam elas boas ou más. Pelo que se depreendeu de seu primeiro capítulo, será um folhetim ágil, com reviravoltas, suspense, choques sociais e abordagem de variados tabus, como prostituição, rufianismo e homossexualismo. A ambição, como pudemos notar, será o mote do enredo, com todas as sua complexas e diversificadas camadas. E será questionado qual o seu limite. O elenco é poderoso, experiente e estelar, e parece ter se entregado abissalmente aos seus papéis. Gloria Pires, Adriana Esteves, Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Cassio Gabus Mendes, Gabriel Braga Nunes, Maria Clara Gueiros, Tuca Andrada, Val Perré e Rosi Campos. Cristina Galvão outrossim merece a nossa respeitosa consideração. Teremos ainda pela frente Andre Bankoff, Marcos Palmeira, Bruno Gagliasso, Sophie Charlotte, Thiago Fragoso, Marcos Pasquim, Chay Suede (sua “rentrée” após o Comendador jovem de “Império”) e Daisy Lucidi (e tantos outros que prometem brilhar). A direção geral cabe a Dennis Carvalho (diretor de núcleo) e Maria de Médicis. Ambos impingiram um coerente dinamismo aos takes, que foram valorizados pelos ótimos diálogos. Dennis e Maria exploraram closes, planos e contraplanos, tomadas de câmera levemente trepidantes e circulares (com relação aos atores), o que causou uma intimidade maior com o entrecho. A fotografia assumiu tons diferenciados, sempre em busca de um contexto realista. Não há poesia nas texturas, e sim uma aliança com o acontecimento concreto. A nova produção das 21h da Rede Globo deixa transparecer a marca registrada de qualidade de seus autores, e se desafia a esmiuçar a face obscura do ser humano, sem no entanto preterir os valores da honestidade. “Babilônia” lança a viabilidade de que uma amizade pode vir a sofrer mutações com a passagem do tempo, nem sempre edificantes. Evidencia que a vingança e a chantagem são ferramentas de nossa realidade. E nos oferece a conclusão de que “duas amigas de infância podem ir juntas ‘pro’ fundo do poço, de mãozinhas dadas…”. Nós, o público, assistiremos a esse duelo titânico, incólumes, de preferência do alto deste mesmo poço.

205
O ator e produtor Klebber Toledo, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Klebber é paulista da cidade de Bom Jesus dos Perdões.
Ainda adolescente, o futuro intérprete se dedicou a várias atividades, inclusive esportistas (por um determinado tempo, empenhou-se no ofício de modelo).
Neste interregno, resolve fazer um curso de artes cênicas.
A sorte grande decide então bater à sua porta ao entrar na disputada Oficina de Atores da Rede Globo.
No ano seguinte (2006), o artista veste roupas de época e participa do remake de “Sinhá Moça”, de Benedito Ruy Barbosa (adaptação de Edmara e Edilene Barbosa).
Bonito e jovem, não poderia deixar de se enturmar com a galera de “Malhação”, como Mateus Molina.
Os telespectadores se surpreendem com a crível composição do ator de um homossexual efeminado, Sid, em sua primeira colaboração com o autor Walcyr Carrasco, nos capítulos derradeiros de “Caras & Bocas” (Klebber a partir daí começa a ter o seu talento notado com mais atenção).
Walcyr apreciou tanto o seu trabalho como Sid que lhe deu um importante papel em seu próximo folhetim, “Morde & Assopra”, novamente no horário das 19h (Guilherme foi o seu pioneiro vilão; interpretava o filho de Dulce, Cassia Kiss Magro, uma humilde mulher que vendia cocadas nas ruas; com esta oportunidade, consolida ainda mais a sua trajetória na profissão).
Após uma participação em “A Vida da Gente”, de Lícia Manzo, Klebber desta vez dá vida ao playboy Umberto, que aprecia o envolvimento afetivo com mulheres maduras, na trama escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage, “Lado a Lado”, vencedora do 41º Emmy Internacional, na categoria Melhor Novela.
O público de teatro pôde vê-lo nos espetáculos musicais “Isaurinha – Samba, Jazz & Bossa Nova” (com Rosamaria Murtinho; idealizado e produzido por Rick Garcia, neto da cantora Isaurinha Garcia, retratada na peça), e o sucesso mundial “Fama”, dirigido na versão nacional pelo americano Billy Johnstone.
Emprestou sua voz a um dos personagens do longa de Roland Emmerich “2012”.
O ator integra um projeto inovador do site Gshow: a websérie “Ato Falho”, que parodia cenas famosas do cinema, teatro etc, tendo como colegas de cena Paulo Vilhena, Maria Eduarda de Carvalho, Monique Alfradique e Suzana Pires.
Klebber Toledo, no momento, interpreta Leonardo, um aspirante a ator assumidamente homossexual, na novela de Aguinaldo Silva, “Império”, que está na sua penúltima semana (na trama, um irrefutável acerto do teledramaturgo, Léo passou por diferentes etapas: manteve um romance às escondidas com o cerimonialista Cláudio Bolgari, José Mayer, e por ele era sustentado; desiludido com a posição de Cláudio, que rompe o namoro em prol de sua família, e com os reveses para se conquistar um espaço como ator, deprime-se, vai para as ruas e se torna um morador das mesmas; adoece, e acaba sendo socorrido por Amanda, Adriana Birolli, que mesmo que não admita, sente atração pelo moço; briga ferozmente com o até então homofóbico Enrico, Joaquim Lopes; entra como sócio com Amanda e Etevaldo, André Gonçalves, numa sociedade de “food trucks”; personifica o Comendador jovem, Alexandre Nero, no desfile da Unidos de Santa Teresa no Sambódromo, no Rio de Janeiro; tem uma espécie de amizade colorida com Etevaldo, “o homem do surdo”; no final da história, com o divórcio de Cláudio e Beatriz, Suzy Rêgo, as possiblidades de o namoro ser reatado são significativas; “Império”, além de servir para mostrar o notório amadurecimento do ator Klebber Toledo, exibiu para a sociedade brasileira distintas facetas da homoafetividade masculina, como o blogueiro Téo Pereira, Paulo Betti, e outros gêneros, como o travesti bissexual Xana Summer/Adalberto, defendido por Ailton Graça, sem preterir a clarificação dos fortes preconceitos decorrentes desta orientação sexual).
Além disso, o ator retornará aos palcos, junto com Wagner Santisteban, na peça de Regiana Antonini, “Aonde Está Você Agora?”, com a direção de Otávio Müller e a produção de Léo Fuchs, já com apresentações agendadas para Luanda, em Angola, Fortaleza, Campos e Campinas (SP).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG
R. Groove

176
O modelo da Next Models New York e empresário Matheus Strapasson, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Matheus nasceu em Santa Bárbara D’Oeste, no Estado de São Paulo.
Começou a sua carreira com apenas 17 anos (em seguida, já estava desfilando na São Paulo Fashion Week, e viajando para Milão, cidade na qual surgiram os primeiros trabalhos no exterior).
Fundou a marca de roupas Mercy One, inicialmente voltada para t-shirts (em pouco tempo, já havia pontos de venda tanto em Nova York quanto em São Paulo).
Participou de inúmeras campanhas ao lado de sua namorada, a também modelo Aline Weber (o editorial para o importante site Models.com “Women in the Morning”, com fotos de Casey Brooks; o ensaio “True Love”, para a magazine “Follow Issue I”, fotografados por André Schiliró; a campanha “Scotch & Soda’s” new Fall Winter; além de fotos para a grife de jeanswear Damyller, com imagens de Nicole Heineger).
Na edição Primavera Verão 2012/2013 do Fashion Rio, foi visto nas passarelas da Ausländer e R. Groove.
Em outras semanas de moda, mostrou as coleções de Alexandre Herchcovitch, Cavalera e Addict.
Estampou capas de revistas internacionais.
Na temporada Verão 2014/2015, Matheus Strapasson desfilou para a R. Groove e Ausländer (na SPFW, para a Triton).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG
R. Groove