Arquivo de julho, 2015


Foto: Paulo Ruch

O encontro dos modelos Jorge Alano e Josué Wiese, ambos agenciados pela Way Model Management (São Paulo), no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Jorge, que é catarinense, já fez um ensaio chamado “London, London”, em Londres, Inglaterra, para o fotógrafo Charl Marais (também foi clicado por Arron Dunworth, Jonathan Quipot, Hudson Rennan, Michael Silver e Andrea Vecchiato).
Desfilou em mais de uma temporada para a Emporio Armani.
Estrelou a campanha de inverno para a marca Von der Volke (fotos de Suzana Pabst).
Fez uma outra campanha para a marca italiana Benetton.
Em novembro de 2014, Jorge participou de um editorial para a revista “Esquire Singapura”, sendo fotografado pelas lentes de Lukasz Wolejko-Wolejszo.
Foi visto nas passarelas da Casa de Criadores, mostrando a coleção da Juss.
No Fashion Rio, em sua edição Verão 2014/2015, esteve nos desfiles da R. Groove e TNG.
Na edição da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2014/2015, Jorge Alano desfilou para Lino Villaventura.
Já Josué Wiese, que da mesma forma que Jorge Alano nasceu em Santa Catarina (em seu caso, no município de Presidente Getúlio), é considerado um dos principais “fresh faces” da atualidade.
Foi descoberto em sua cidade natal, e não demorou muito para a sua carreira na moda deslanchar, com passagens em São Paulo e Milão, Itália.
Fotografaram-no para inúmeras revistas, como “Pulp Magazine”, “Made in Brazil”, “FFWMAG”, “DScene”, “Serafina” e “U+Mag”.
Junto com a modelo da mesma agência, Isabela Zoz, Andre Felippe, e outros profissionais, protagonizou o “fashion film” para a coleção Verão 2016 da marca Danilo Costa.
Josué foi clicado por Hudson Rennan para um ensaio intitulado “The Hunter”, para a “Brainstorming Magazine”, no qual usava peles, couros, inclusive acessórios, e boots.
No Fashion Rio Verão 2014/2015, circulou pelas passarelas de grifes como 2nd Floor, Ausländer, Coca-Cola Jeans, R. Groove e TNG (tornou-se recordista no número de desfiles, ao lado de Éverton Araújo).
Na edição Outono Inverno 2015 e Primavera Verão 2016 da São Paulo Fashion Week, Josué Wiese desfilou para Coca-Cola Jeans, João Pimenta e Osklen, e João Pimenta e TNG, respectivamente.

Agradecimento: R. Groove
TNG


Foto: Paulo Ruch

A atriz e apresentadora Amanda Richter, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Amanda nasceu na cidade de Joinville, em Santa Catarina.
Sua estreia na televisão ocorreu em 2008 no remake de “Ciranda de Pedra”, escrito por Alcides Nogueira, com a personagem Marisa, na Rede Globo, na faixa das 18h (a primeira versão da obra que se baseou no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles foi ao ar em 1981 pela mesma emissora, porém com a teledramaturgia de Teixeira Filho).
A seguir, a intérprete foi escalada para fazer parte do universo teen da novela “Malhação” (seu papel se chamava Veridiana).
No final de 2010, ao lado de Fábio Jr. e Fiuk, integrou o elenco do especial “Tal Filho, Tal Pai”.
Esteve na trama cheia de reviravoltas pensada por Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”.
Em outro canal, o Multishow, descobriu o seu talento para a apresentação, comandando o programa “Viagem Sem Fim”.
Volta a participar de um remake, desta vez o de “Gabriela” (o folhetim original que se inspirou no livro de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”, coube a Walter George Durst, sendo exibido em 1975), apresentado pela TV Globo em 2012, tendo como autor Walcyr Carrasco (na história, Amanda defendeu Iracema Mendonça).
No ano passado, a atriz foi vista na série humorística “Meu Amigo Encosto” (a primeira série de ficção produzida pelo canal VIVA).
No cinema, foi dirigida por Moises Menezes na coprodução Brasil/Polônia “Finding Josef”.
Já nos palcos, contracenou com Matheus Rocha, Rômulo Estrela, Fernanda Pontes e Antônio Rocha Filho em “Apartamento 171”, de Antônio Rocha Filho (direção de Duda Ribeiro).
O mais recente trabalho de Amanda Richter foi, junto com o também ator e apresentador Max Fercondini, viajar a bordo de um monomotor, durante 150 dias, percorrendo um total de 21 mil km, visitando inúmeros municípios brasileiros, e mostrando pesquisas e projetos socioambientais para o quadro do programa da jornalista Sandra Annemberg da Rede Globo, “Como Será?”.

Agradecimento: R. Groove
TNG


Foto: Paulo Ruch

O ator Bernardo Velasco, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Bernardo, que também é um modelo bastante requisitado, nasceu em Niterói, RJ, e se graduou em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Após ter se dedicado mais a moda (com atuação no Brasil e no exterior), o jovem futuro artista decide se aprimorar em cursos voltados para a nova carreira, sendo convocado para aprender as técnicas de interpretação para a TV na Oficina de Atores da Rede Globo, o que lhe abriu as portas para uma popularidade maior .
Seu belo rosto e talento foram descobertos pela produção da 19ª temporada de “Malhação”, na mesma emissora, que o escalou para viver o personagem Nando, um professor de kung fu.
No segundo semestre do ano seguinte, em setembro de 2013, inicia o seu vínculo com a Rede Record, defendendo um papel criado por Carlos Lombardi, Romeu, para a novela “Pecado Mortal”.
O ator brilhou em duas peças teatrais: “A-Traídos”, um espetáculo com argumento e idealização de Rafa Ferrah (Rafa Ferrah Produções), dramaturgia e direção de Pedro Jones, no qual contracenou com Bia Arantes e Daniel Blanco; e “hEla”, reeditando a sua parceria com Daniel Blanco nos palcos, e Pedro Jones, que assinou o texto e a direção da obra.
Bernardo Velasco pode ser visto no momento na terceira fase da produção bíblica de Vivian de Oliveira, “Os Dez Mandamentos”, exibida pela Rede Record (Bernardo interpreta Izael, um homem pacífico com fé e caráter, filho de Arão, Petrônio Gontijo, e Eliseba, Gabriela Durlo; discorda das ações de seus irmãos Nadabe, Marco Antonio Gimenez, e Abiú, Daniel Siwek, porém, obedece à tradicional hierarquia familiar; casado com Inês, Brendha Haddad, ensina as leis de Deus à sua filha Inéas).

Agradecimento: R. Groove
TNG

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Foto: Paulo Ruch

A atriz Laila Zaid, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Laila é carioca.
Graduou-se em Publicidade pela PUC-Rio.
Concomitante aos estudos acadêmicos, dedicou-se ao teatro, tendo estreado nos palcos com a encenação de uma peça clássica de Shakespeare, “Sonhos de Uma Noite de Verão”.
Sua estreia na televisão, em 2004, na décima-primeira temporada da novela teen da Rede Globo “Malhação” agradou tanto, como a garçonete Bel, que a atriz ficou no ar por três anos, emendando, assim, mais duas temporadas.
Após, teve uma experiência na TV fechada, no caso a HBO Brasil, na elogiada série “Mandrake”, baseada nas obras de Rubem Fonseca “A Grande Arte” e “Mandrake – A Bíblia e a Bengala” (participou do episódio “Rosas Negras”).
Volta para uma emissora aberta, a RecordTV, recebendo da autora Gisele Joras uma personagem em sua história, Janaína, na produção “Amor e Intrigas”.
Ainda na RecordTV, mantém a colaboração com Gisele Joras, desta vez no folhetim “Bela, A Feia”, adaptação do original “Yo Soy Betty, La Fea”, de Fernando Gaitán (seu papel, a manicure Magdalena, teve boa repercussão).
Em seu retorno à Rede Globo, aparece em um dos episódios (“A Selvagem de Santarém”) do seriado “As Brasileiras”.
Elizabeth Jhin lhe reserva uma personagem, Priscila, em seu novo projeto para as 18h, a telenovela “Amor Eterno Amor”.
Ganhou popularidade com a divertida Pri de “Além do Horizonte”, uma obra de Carlos Gregório e Marcos Bernstein criada para a faixa das dezenove horas da TV Globo.
Depois de um período envolvida com outros trabalhos, surge a oportunidade de ser um dos principais nomes de “Terminadores”, uma série realizada em parceria da Band com o TNT.
Laila é convidada para uma outra série, desta vez no Canal Brasil, “Insônia”, adaptada do livro “Vampiro”, de Luciano Trigo.
Em seguida, faz rir em um dos episódios do revival do humorístico “Os Trapalhões”.
Já nos cinemas, a intérprete esteve presente em longas-metragens dirigidos por nomes respeitáveis da indústria audiovisual, como “Heleno” (cinebiografia do jogador de futebol Heleno de Freitas), de José Henrique Fonseca; “Tainá – A Origem”, de Rosane Svartman; “E Aí… Comeu?”, de Felipe Joffily; “Somos Tão Jovens”, de Antonio Carlos da Fontoura (sobre a juventude do cantor e compositor Renato Russo; representou sua melhor amiga, Ana Claudia; foi indicada ao Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro Melhor Atriz Coadjuvante); “Tim Maia”, de Mauro Lima; “De Onde Eu Te Vejo”, de Luiz Villaça; e “Os Penetras 2 – Quem Dá Mais?”, de Andrucha Waddington.
Nos palcos, foi vista em algumas montagens, como “O Segredo de Cocachim”, de Denise Crispum (indicada ao Prêmio Zilka Sallaberry Melhor Atriz); “Rebeldes – Sobre a Raiva”, de Edna Mazia; “O Lugar Escuro”, um texto de Heloísa Seixas, com direção de André Paes Leme (no elenco, Camila Amado e Clarice Niskier); “Cachorro Quente”, de Sacha Bali e João Fonseca, um espetáculo baseado na obra do americano Chuck Palahniuk (direção do próprio João); e “O Livro dos Monstros Guardados”, de Rafael Primot, com direção de João Fonseca (a peça se baseou no livro homônimo de Rafael).
Atualmente, Laila Zaid pode ter a sua atuação como a sofisticada, moderna e espirituosa escultora Ludmila de Albuquerque conferida na reta final da novela de Marcos Bernstein, com direção artística de Fred Mayrink, “Orgulho e Paixão”, exibida às 18h na Rede Globo.

Agradecimento: R. Groove
TNG

Obs: Post atualizado em 31/08/2018


Foto: Paulo Ruch

O ator Werles Pajjero, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Werles é baiano (nasceu em Muniz Ferreira, no Recôncavo Baiano).
Sempre sonhou em ser ator, praticando atividades teatrais ainda criança na escola onde estudava em sua cidade natal.
Depois, mudou-se para a capital, Salvador, e lá frequentou cursos de Interpretação.
Em 2009, parte para o Rio de Janeiro, com o intuito de alavancar a sua carreira.
Consegue oportunidades na Rede Globo, fazendo participações no remake de “Gabriela”, escrito por Walcyr Carrasco a partir da obra original homônima de Walter George Durst, que foi ao ar no ano de 1975 (o folhetim se baseou em um dos muitos clássicos de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”), em “Malhação”, e no seriado “Força-Tarefa”.
Mas foi com o mecânico Jucelino de “Amor à Vida”, grande sucesso de Walcyr Carrasco, que Werles se projetou nacionalmente (o sedutor mecânico, que vivia “quebrando galhos” para Tetê Parachoque Paralama, Elizabeth Savalla, começou a se interessar pelo então vilão Félix, Mateus Solano, proporcionando cenas engraçadíssimas na trama das 21h; com seu jeito maroto, voz maliciosa e pausada e olhar esperto, Jucelino ganhou merecido destaque na história, e seus momentos, além de se tornarem mais constantes, passaram a ser indispensáveis para o núcleo cômico da produção teledramatúrgica).
A atuação de Werles Pajjero agradou tanto ao público quanto a Walcyr Carrasco, que o escalou para a atual novela das 23h da Rede Globo, “Verdades Secretas”, mais um incontestável êxito do autor, que tem abordado com coragem um universo da moda pouco conhecido (Werles Pajjero interpreta o elegante, sério e compenetrado motorista Raulino, que trabalha para o empresário Alexandre Ticiano, defendido por Rodrigo Lombardi; Raulino se veste sempre de preto, com ternos impecáveis e bem cortados, complementando o visual com um óculos estilo “aviador”).

Agradecimento: R. Groove
TNG


Foto: Paulo Ruch

A advogada criminalista Angela Munhoz, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Angela é de São Roque, interior do Estado de São Paulo.
Graduou-se em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).
Fora uma das três finalistas da 14ª edição do “Big Brother Brasil”, reality show exibido pela Rede Globo.

Agradecimento: R. Groove
TNG


Foto: Paulo Ruch

A advogada criminalista Angela Munhoz, que foi uma das finalistas do reality show apresentado pela Rede Globo, em sua 14ª edição, “Big Brother Brasil”, compareceu ao Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
Angela, muito bonita e elegante, trajou uma segunda pele marrom, pantalona animal print, e como acessório uma clutch.

Agradecimento: R. Groove
TNG

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Foto: Vitor Dorzal

Numa clara referência ao clássico da ficção científica de Stanley Kubrick, “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de 1968, dois símios (Mateus Solano e Miguel Thiré) se contorcem, grunhem e se movimentam de modo frenético sobre o espaço do palco, sendo que um deles tenta remover infrutiferamente a barreira quase intransponível da incomunicabilidade, um flagelo real que vemos em nossa sociedade contemporânea, o que indica que, a despeito de toda a tecnologia que facilita a comunicação, carregamos dentro de nós mesmos a dificuldade ancestral de nos relacionarmos de fato. De repente, um dos primatas ergue um luminoso celular, como se fosse uma ponte direta com a modernidade, e ao registrar a sua imagem, exclama: “Selfie!”. A partir daí, inicia-se a bem elaborada, divertidíssima e atual peça de Daniela Ocampo (uma realização com a idealização de Carlos Grun, Mateus Solano e Miguel Thiré), ao nos apresentar o especialista em Informática (professor, inclusive) Cláudio Couto (Mateus Solano), que resolve de uma hora para a outra se desligar de todas as redes sociais às quais pertence, apagando de uma só vez suas fotos, dados pessoais, contatos e tudo mais que lhe diga respeito. O seu objetivo era criar um sistema próprio e específico no qual só ele mesmo pudesse ter acesso e controle sobre suas informações. Todavia, um incidente faz com que o seu celular delete o recente sistema criado. Nos estertores do desespero, Cláudio solicita o auxílio de um amigo hacker, um sujeito vagaroso e impassível com sotaque carregado que atende pela alcunha de Paulista (Miguel Thiré), entregando a sua origem. Ao invés de orientar o colega em pânico, assusta-o ainda mais com a seguinte pérola: “Tecnicamente, você não existe”. Antes disso, numa cena bastante representativa do quadro comportamental alucinado presente do qual fazemos parte, Cláudio se desdobra herculeamente ao executar inúmeras atividades ao mesmo tempo, como teclar com dedos lépidos o seu “keyboard”, atender às chamadas insistentes e inoportunas de sua namorada Amanda (Miguel Thiré), com o toque enlouquecedor do hit da cantora Corona “The Rhythm Of The Night”, que o irrita sobremaneira, as aulas de iniciação à Informática oferecidas a S. Inocêncio (Miguel Thiré) por telefone, um senhor com preocupantes dificuldades de entendimento, habituado a fazer tudo o que ouve ao “pé da letra”. É importante que se frise que os ruídos, sons (gerais e digitais) e assovios são feitos com incrível veracidade por Miguel, que acompanha a atuação de Mateus neste momento, impávido, no outro lado da ribalta. Ao procurar a sua namorada, na esperança de reaver um pouco de sua existência, uma nova decepção: a sua vaidosíssima companheira, uma irrecuperável adicta da prática da selfie, que baseia a sua vida em hashtags esdrúxulas e postagens intermitentes de cada passo que dá, insatisfeita com o namoro, já se relaciona com outro, um “@” qualquer, e tudo o que havia de comum entre ambos fora por ela apagado. Amanda simboliza o desvario coletivo em que se encontra o indivíduo na sociedade em sua busca insana por publicidade, exposição, popularidade e “fama”. Na verdade, o que se encontram por detrás dessas pessoas são fortes indicativos de carência, baixa autoestima (o que explica a necessidade urgente de aceitação e aprovação do outro) e um vazio existencial que as leva a uma superficialidade jamais vista. A namorada de Cláudio ao trocá-lo por outro por razões injustificadas sinaliza a banalização das relações afetivas. O rapaz “desconectado do mundo” decide então recorrer à sua mãe (Miguel Thiré), mais uma vítima da onda tecnológica avassaladora (e desagregadora) que tomou de assalto a vida comum cotidiana do homem. Trata-se de uma amalucada mulher que registra os pormenores do preparo de uma inusitada omelete que leva bastantes ovos. Sua vida, como a de muitos outros, depende de likes, comments, shares e outros anglicismos afins. Seu humor e alegria são subservientes à “generosidade” alheia. Não admite a “falha” do filho, repreendendo-o. Ademais, relaciona-se com um pretendente numa rede social famosa de encontros. Relacionamo-nos não mais com o ser humano, mas com os vídeos e fotos desse mesmo ser humano. O seu pensamento não é por nós ouvido, e sim lido. A língua mãe foi traiçoeiramente golpeada nas costas, sendo substituída por abreviações e carinhas representativas de sentimentos. Há o encontro com o seu amigo Cabeça (Miguel Thiré), um jovem dependente químico cuja memória está demasiado comprometida, parecendo não se importar em viver só em seu microcosmo particular, em ser “feliz” e desmemoriado em seu “paraíso artificial”. Na terra das máquinas modernas, que são poderosas justamente por sua infinita memória, não há lugar possível para Cabeça. Diante do fato inquietante de não mais “existir” para os seus pares, Cláudio tem uma suposta brilhante ideia. Transforma-se no revolucionário “The Connect Man”, ou seja, implantou um chip em seu cérebro, servindo como local de armazenamento de incontáveis dados, com a capacidade ilimitada de funções de um supercomputador. Seu extraordinário projeto é levado a um empresário mercenário do ramo (Miguel Thiré), um cidadão soberbo e arrogante, que não se envergonha ao asseverar que não deixará de ganhar milhões com os seus aplicativos. O cidadão corresponde potencialmente ao capitalista arcaico, conservador, obtuso, intolerante, que visa ao lucro máximo, cuja pretensão primeira é conquistar o maior número possível de consumidores com suas engenhocas eletrônicas. “The Connect Man” não lhe interessa, pois não está aberto a ideias e inovações, e sim ao lucro fácil e garantido. Com os seus inacreditáveis poderes de memorização e conectividade, “The Connect Man” se torna uma celebridade instantânea. Passa a tirar selfies com fãs (incluindo um garçom criado por Miguel Thiré), e uma espevitada apresentadora de programa que sofre de “língua presa” (Miguel Thiré) o convida para uma entrevista. A fama lhe trouxe o assédio de mulheres voluptuosas, como a indescritivelmente desinibida Bianca (Miguel Thiré). “The Connect Man” demonstra, num dado instante, o mesmo conflito que nos perturba com os milhares de informações que recebemos diariamente. Não sendo os homens capazes de organizar tantos dados, e se perdendo cada vez mais nos labirínticos e misteriosos caminhos de suas memórias, afastando-se do mundo real, que é o que de fato os move, o processo de sua fragilização e infelicidade pessoal nos parece ser inevitável. O encontro de Cláudio com um ingênuo menino (Miguel Thiré) que gosta de soltar pipas muda todo o contexto da história. O menino “pipeiro” faz com que o rapaz reavalie a sua situação, até onde a mesma lhe oferece vantagens em contraponto às desvantagens. A pipa e o menino resgataram em Cláudio o seu “menino pipeiro” adormecido. Resgataram a simplicidade perdida. Uma simplicidade que nada vale num mundo cheio de modernidades e globalizações. O texto de Daniela Ocampo, num tom essencialmente leve e bastante divertido, alterna-se com precisão entre o dinamismo e a reflexão, escorando-se num gênero pouco explorado na cena teatral, e por isso mesmo arriscado, que é a ficção científica. A dramaturgia de Daniela não se exime de abordar com grau de seriedade substancial um assunto tão presente em nosso dia a dia: a convivência dificultosa do homem com a tecnologia. Um duelo constante do ser com a máquina. A contingência de dominação e dependência entre ambos. Até que ponto as nossas vidas são afetadas por estas interferência e invasão digitais. A autora nos mostra com ampla propriedade o quanto somos “reféns” destes pequenos dispositivos luminosos e ruidosos, e seus incontáveis e desnecessários, em não poucos casos, aplicativos. A nossa felicidade atualmente é ditada por distintas variáveis. A dramaturga nos convence de que seremos mais “técnicos” do que humanos se continuarmos nesta espiral de “progressos”. O futuro já chegou. Não o apocalíptico inerente a algumas profecias. Mas um futuro que muito se afasta do “humano”. Um futuro frio e antissocial. A nossa conexão é com a ilusão e com o irreal. A verdade está “desplugada”. A verdade absoluta dispensa redes “wi-fi”. Não precisamos de aplicativos intermediários para nos comunicarmos um com o outro. Não há mais neste universo o “o olho no olho”. O que nos falta é a conexão com nós mesmos. Estamos todos “offline”, e não sabemos. O diretor Marcos Caruso, um ator, dramaturgo e encenador com ciência sobranceira da prática teatral, acolheu com perfeição a contemporaneidade da proposta cênica de Daniela Ocampo, legitimando o espetáculo de forma a conduzir a dupla de atores para um nível de despojamento e libertação interpretativa impressionantes, aderindo a um humor espontâneo, não padronizado, de alta qualidade textual. Marcos criou um jogo de cena no qual Mateus Solano e Miguel Thiré aproveitam largamente o espaço do palco, interagindo um com o outro em maior ou menor grau. Marcos Caruso direciona a peça a um patamar relevante de discussões e debates do tema posto em pauta. Há em sua direção notada inteligência na imposição de elementos (como a maneira leve, bem-humorada e cativante com que o assunto central é tratado), que caracterizam a produção como uma narrativa cativante, e que seduz o público de imediato. Mateus Solano, cujas raízes artísticas se fundam no teatro (assim como Miguel Thiré), demonstra em cena uma pujante integração à alma de seu personagem, trilhando em iguais níveis de excelência todas as veredas emocionais/interpretativas, tendo em vista que o seu papel principal (pois também incorpora o símio) detém uma complexidade nata, desvelada e evidenciada pelos reveses por que passa no entrecho. Mateus, que desde sempre nos conquistou com seus sobejos talento e carisma, aliados a um sorriso franco, ostenta com preciosidade a distinção de cada sentimento de um indivíduo que se vê em situação limite, seja o contentamento, a angústia, a dúvida e a decepção. O ator outrossim transmite credibilidade quando Cláudio se percebe num momento de descoberta e inventividade, ou quando é acometido por imprevista nostalgia, ou ainda quando reconhece e identifica os valores significantes da existência humana. Uma atuação vívida, sensível, e claro, com a notória comicidade elegante do artista. Miguel Thiré, um intérprete com imensurável valor, sabedor da presença inequívoca de sua vocação artística, desdobra-se em dez diferentes personagens, tipos reconhecíveis em nosso meio social, importantes interlocutores nas provações vividas por Cláudio. Para quem conhece apenas o trabalho de atuação de Miguel na TV, ficará literalmente arrebatado com sua rara aptidão para a composição de characters, dispensando os artifícios fáceis de caracterização. O ator possui a especificidade de brincar e descobrir todas as possibilidades de sua voz, além de explorar magnificamente o seu corpo, não temendo o pudor. Reitero que não testemunhamos arquétipos, e sim visões pessoais de Miguel, com tintas hilariantes, acerca das figuras retratadas. Um ator que se deixa completar por seus recursos próprios, um ótimo texto e um sensacional colega de cena, Mateus Solano. O que se verifica em “Selfie” é uma bem-sucedida adoção do Teatro Físico, no qual o corpo, matéria do ator, recebe atenção especial e reverente. Mateus e Miguel são irretocáveis na expressividade de suas matérias físicas. Os figurinos de Sol Azulay são totalmente objetivos e diretos. A praticidade dos mesmos (os dois atores trajam macacões azuis com bainha um pouco elevada, e calçam tênis) funciona plenamente, servindo como um complemento ideal para a intenção dramatúrgica. A concepção cenográfica de Marcos Caruso, da mesma maneira, procura a objetividade, com toques assumidamente minimalistas, com a proposta viva de se valorizar tanto o texto quanto os intérpretes. Na ribalta, são vistos dois bancos em formato cilíndrico que são utilizados para diferenciadas missões. São trocados de lugar de acordo com a conveniência temporal e de situação. O desenho de luz de Felipe Lourenço é caprichado, bonito e coerente, oferecendo-nos atrativos em sequência. Felipe soube com habilidade e sensibilidade realçar toda e qualquer passagem da encenação. Notamos o uso de uma criteriosa paleta de cores que, dentre outras, açambarca o azul e o alaranjado. O LED é aproveitado oportunamente, destacando com vigor a cena para a qual foi utilizado. No painel da iluminação, inserem-se feixes pontuais (focos), sombreados e luzes transpassadas. Não há um plano integralmente aberto, geral, o que colabora para o ambiente ficcional da trama. A direção musical e trilha sonora original couberam a Lincoln Vargas. Lincoln criou um panorama diversificado, sensato, agradável e empolgante, com direito a “Assim Falou Zaratustra” (um poema sinfônico do compositor alemão Richard Strauss, e que faz parte do soundtrack do filme de Kubrick citado), valsas e ritmos latinos com “pegada” pop (os músicos são Lucas Vasconcelos, Lincoln Vargas e Mateus Solano). A preparação corporal de Arlindo Teixeira é fenomenal, como pode ser observada explicitamente na linguagem corporal dos atores, desde a representação fiel e engraçada dos símios, passando pela velocidade dos dedos dos personagens enquanto digitam e/ou teclam, a transformação com seus movimentos articulados de Cláudio no “The Connect Man”, e todas as gesticulações, entoações vocais e posturas da dezena de personagens interpretados por Miguel Thiré. “Selfie”, de Daniela Ocampo, direção de Marcos Caruso, com Mateus Solano e Miguel Thiré no elenco, é um espetáculo de entretenimento e de reflexão, que objetiva alcançar, e o faz com enorme êxito, uma plena sintonia entre o que é retratado no palco e percebido consuetudinariamente nas ruas: o caos digital e a desvirtuação da personalidade e comportamento do indivíduo defronte a essas transformações do tempo. Adotando um tom crítico e irreverente, a peça cumpre o seu papel de pôr em discussão a desintegração dos relacionamentos pessoais, a ausência de comunicação no coletivo social, e dentre tantos outros tópicos, a triste troca da palavra oral pelo frio toque digital. O espetáculo nos serve como um aviso, um alerta de nosso distanciamento do outro, que está ali bem ao nosso lado. Estamos cientes de que o futuro fora exterminado metaforicamente pela tecnologia. O que assistimos fora uma junção gloriosa de atores inspiradíssimos, um texto certeiro, atualizado com as nossas realidades, eivado do mais puro humor, e uma direção exultante e infinitamente eficaz em seus resultados. “Selfie” é uma ode, um louvor à simplicidade. Aquela presente em cada um de nós. Não há um libelo contra os avanços tecnológicos, mas uma defesa da parcimônia da utilização destes, a fim de que não nos tornemos tão frios quanto máquinas com luz e som. “Selfie” é uma saudação à conectividade com a vida, com o ser humano e com a nossa essência. “Selfie” é uma conexão inesquecível com Mateus Solano e Miguel Thiré.