Arquivo de outubro, 2015

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Foto: Divulgação do espetáculo

Percebe-se um diferencial no espetáculo solo “Falando a Veras” logo ao chegarmos ao teatro em uma sessão lotada de um sábado à noite no Rio de Janeiro. Para a nossa surpresa, deparamo-nos com o ator, comediante e apresentador Marcos Veras, elegantemente vestido de preto e calçando tênis brancos, na beira do proscênio, agachado, tirando selfies com paciência e boa vontade com um público numeroso e enfileirado desejando tão somente guardar uma lembrança com o artista. Marcos se levanta, e inicia, já com os espectadores conquistados pelo seu franco sorriso, a sua peça, que na verdade não podemos defini-la apenas como uma “stand-up comedy”, pois cairíamos no gratuito reducionismo. “Falando a Veras” é uma peça teatral com um único ator que se pretende a provocar o riso sim, mas que, no entanto, não se enquadra no formato de um simples monólogo com o seu intérprete contando histórias divertidas para a plateia. Seria da mesma forma uma redução analítica injusta de sua genuína intenção dramatúrgica. O espetáculo ao qual assistimos é uma via narrativa especial da qual um ator extremamente carismático e cativante com seu sobejo talento como Marcos Veras se vale para com suas piadas, ou melhor, observações sagazes e finas acerca das posturas e comportamentos do indivíduo e da sociedade a que pertence, além das instituições estabelecidas naquela, para estreitar um relacionamento sadio com espectadores dispostos a compartilhar, a partir das suas visões particulares, do mesmo riso oriundo em sua maioria do absurdo das situações da vida cotidiana. Marcos Veras, senhor do palco, totalmente à vontade sob a luz com nuance aberta de quatro refletores (há instantes em que se sobressaem luzes nas cores azuis, rosas e lilases na parte posterior do espaço cênico), tendo a poderosa cumplicidade de uma audiência aliada no mesmo objetivo de se entreter, passeia de modo galante por uma gama extensa de temas que direta ou obliquamente nos são familiares. Nada escapa ao humor crítico, inteligente e meticuloso do artista de boa voz. Relações afetivas (casamentos, namoros e suas adversidades), conflitos pessoais do dia a dia com empresas e o próprio coletivo social, a avassaladora e intrusiva publicidade dos tempos atuais, as contingências comuns à fama e ao artista como um todo, o preconceito quanto ao lugar em que se vive, as músicas contemporâneas e suas letras com visível limitação de ideias, os participantes de “realities” musicais e seus exageros na interpretação de canções marcadas pela simplicidade e as idiossincrasias do homem suscetíveis a avaliações por seu caráter próximo ao surreal ou até mesmo bizarro são abordados com pensamentos e ponderações questionadoras de imediato aceitas por nós, num processo de unicidade de entendimento, resultando na efetivação de um dos propósitos do teatro: a comunicação entre artista e público. Ademais, Marcos não se furta de usar as suas vivências como ator popular (rindo de si mesmo) como veículos eficientes para incrementar trechos episódicos da encenação. Num cenário cru e negro, com apenas um microfone e seu suporte, além de uma cadeira que serve para guardar o seu blazer e uma mesa circular sobre a qual se encontra uma caneca, Marcos Veras ostenta sua potente vocação para a composição de tipos, especificamente aquela que concerne às celebridades. O que ocorre de fato não é uma ligeira imitação, mas sim uma reverente homenagem a nomes tão variados da música brasileira. Os cantores Daniel (e seu jeito de entoar suas canções), Ed Motta (e suas experimentações vocais que simulam instrumentos musicais), Martinho da Vila (sua economia gestual e permanente sorriso), Caetano Veloso (e seus expressivos olhares), e um cantor de pagode com postura pouco expansiva são alguns dos escolhidos para a respeitosa referência. Adotando uma comicidade não agressiva, o ator discorre sobre os refrãos de músicas que apresentam ausência de sentido ou repetição acaçapante. Com isso, passamos a conhecer um Marcos Veras cantor. O intérprete que tanto nos faz gargalhar sabe cantar, alcançando notas distintas, mantendo a afinação, tornando críveis as suas performances. Os espectadores se deleitam com estas imitações e/ou composições, pois se faz humor de qualidade, colocando a conhecida “lente de aumento” em cima das características que definem a persona de alguém público. Há ainda o célebre jogador de futebol que não exibe empolgação com os produtos que anuncia em campanhas publicitárias, e se ironiza os anúncios de lojas de departamentos que promovem as suas vendas com efeitos estapafúrdios de vídeo e vozes em alto volume nas chamadas dos mesmos. Os olhos mais atentos vislumbram no artista em cena um cuidado criterioso com o seu trabalho de corpo e novamente digo, de voz. Marcos não desperdiça quaisquer gestos que possam evocar um sentimento ou verdade de sua piada, e sua voz, plena em possibilidades, acompanha este notável ritmo. “Falando a Veras”, cujas dramaturgia e direção lhe cabem (segundo ele, procura-se amiúde a renovação do espetáculo, buscando-se claro a manutenção de sua estrutura original, causadora de tão longevo sucesso, haja vista que está em sua sétima temporada), é uma peça que proporciona uma larga intimidade entre os dois lados que fazem o teatro “acontecer”. Para que este “acontecimento” se concretize, uma tarefa, pode-se dizer, árida, é indispensável que tenhamos confiança no ator que está disponível com sua arte na ribalta, e da mesma maneira que o protagonista da história seja o detentor de uma empatia indissolúvel com aqueles que o prestigiam. Marcos Veras é um intérprete de muitos personagens que caíram na graça do grande público. Sejam aqueles que durante anos foram construídos no programa de humor da Rede Globo, “Zorra Total”, seja em seu primeiro papel em novelas, o chef Norberto de “Babilônia”, de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Agora, sua carreira nos cinemas dá passos largos e com êxitos. Há outros projetos teatrais futuros. Trabalhos à vera. E merecidos. Quem acompanha a carreira deste jovem ator que possui como inspiração Woody Allen, e cresceu admirando mestres do humor como Chaplin, Stan Laurel e Oliver Hardy (O Gordo e o Magro), Chico Anysio, Jô Soares, Agildo Ribeiro e Ronald Golias sabe que o sucesso não veio por acaso. O sucesso veio com o seu talento, óbvio, mas somado a ele, como Woody Allen assevera, somado à insistência (“Noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir”). E Marcos insistiu com o seu talento. “Falando a Veras” é uma obra que deve ser montada sempre que for viável, pois nela se vê um Marcos Veras por inteiro, aberto, livre, pronto para o fascinante imprevisto do risco teatral. Torcemos também para que o ator se aventure em outras formas de dramaturgia, e estamos convictos de sua legítima capacidade para tal feito. Marcos Veras é diferente. Marcos Veras é especial. Por esta razão, neste texto em que “falo à vera”, assumo, é que posso afirmar que, humildemente representando a voz de muitos de nós, “Gostamos de Marcos Veras à vera!”.


O serviço gastronômico da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, promovida no Parque Cândido Portinari em abril deste ano, ficou a cargo dos hoje cada vez mais onipresentes e bem-sucedidos food trucks, que se espalham por todo o país em diferentes feiras, sempre com um forte comparecimento do público ávido em conhecer novos sabores e invenções da culinária, inclusive aquela fundada em lanches rápidos, como sanduíches (hambúrgueres, hot dogs e afins).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG


Na edição Verão 2016 da São Paulo Fashion Week, realizada em abril passado, comemorativa de seus 20 anos, havia este sofisticado lounge que visava a promover o turismo do Estado da Flórida, nos Estados Unidos.
A convidada especial do espaço foi a empresária Carol Celico, atualmente diretora e editora chefe de seu site e CEO e fundadora da Fundação Amor Horizontal, que se propõe a conscientizar a sociedade acerca das necessárias transformações por que deve passar, utilizando-se como recurso viável a prática da solidariedade.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

Vernissage “VEJALÉM”

Publicado: 20/10/2015 em Artes Plásticas

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O artista visual Pedro Vicente Alves Pinto apresentou suas obras da exposição “VEJALÉM”, em um vernissage realizado em junho de 2013, na Riso Galeria de Arte e Bistrô, do ator Jorge de Sá, em Ipanema, no Rio de Janeiro.
Na foto, Pedro Vicente (à direita) está acompanhado de seu tio, o escritor e cartunista Ziraldo, a atriz Letícia Sabatella, e o seu irmão, o ator Fernando Alves Pinto.
Fernando Alves Pinto é paulista.
Desde criança, interessa-se pelo teatro.
Após algumas peças encenadas, Fernando viaja para Nova York, onde teve uma marcantes experiências teatrais: participou de companhias como o La MaMa, o The Adaptors Physical Theatre e o Théâtre de Poche.
Retorna ao Brasil, e faz o seu primeiro longa-metragem: “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas.
Sua carreira no cinema se consolida com o convite para diversos projetos da área, em que se destacam “Anahy de Las Misiones”, de Sérgio Silva; “Menino Maluquinho 2 – A Aventura”, de Fernando Meirelles; “Eu Não Conhecia Tururú”, de Florinda Bolkan; “Tônica Dominante”, de Lina Chamie; “Mater Dei”, de Vinicius Mainardi; “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat; “Araguaya – A Conspiração do Silêncio”, de Ronaldo Duque; “O Veneno da Madrugada”, de Ruy Guerra; “Árido Movie”, de Lírio Ferreira; “Santiago”, um documentário de João Moreira Salles no qual foi o narrador; “A Via Láctea”, de Lina Chamie; “O Signo da Cidade”, de Carlos Alberto Riccelli; “Lula, O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto; “Os Inquilinos (Os Incomodados Que Se Mudem”), de Sergio Bianchi; “Nosso Lar”, de Wagner de Assis; “2 Coelhos”, de Afonso Poyart; “Jogo das Decapitações”, de Sergio Bianchi, e “São Silvestre”, de Lina Chamie (um interessante documentário que testemunha toda a trajetória de um corredor, no caso Fernando, pelas ruas de São Paulo, durante a tradicional Corrida de São Silvestre; uma câmera chegou a ser acoplada ao seu corpo para dar a real dimensão do sacrifício do intérprete).
Além disso, há em seu currículo cinematográfico mais de duas dezenas de curtas-metragens.
Sua trajetória nos palcos, da mesma forma, é extensa, sendo dirigido por encenadores como Ulysses Cruz (“O Despertar da Primavera”, de Frank Wedekind), Bia Lessa (“As Três Irmãs”, de Tchekhov), Luiz Arthur Nunes (“A Mulher Sem Pecado”, a primeira peça de Nelson Rodrigues), José Celso Martinez Corrêa (“Esperando Godot”, de Samuel Beckett), Christiane Jatahy (“Memorial do Convento”, de José Saramago, e “A Falta Que Nos Move”, texto da própria), Yara de Novaes (“A Mulher Que Ri”, de Paulo Santoro), Pedro Brício (“Me Salve, Musical!”; dramaturgia de Pedro Brício), dentre tantos outros.
Neste ano, Fernando Alves Pinto fez uma bem-sucedida temporada com o espetáculo teatral “Trágica.3”, de Heiner Muller, Caio de Andrade e Francisco Carlos, dirigido por Guilherme Leme Garcia, e tendo ao seu lado no palco as atrizes Letícia Sabatella, Denise Del Vecchio e Miwa Yanagizawa, e o ator Marcello H. (apresentaram-se no Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB, no Rio de Janeiro, e na China; Fernando Alves foi o autor da trilha sonora original).
Sua estreia na televisão foi no SBT na novela “O Direito de Nascer”, escrita por Aziz Bajur e Jaimer Camargo (basearam-se na obra original de Félix B. Caignet).
No ano seguinte, em 2002, estreia na Rede Globo, em um folhetim de Euclydes Marinho, “Desejos de Mulher”.
Depois da minissérie “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, defende o célebre Menino Maluquinho na fase adulta em “Um Menino Muito Maluquinho”, na TVE Brasil (a série foi adaptada do famoso livro de seu tio Ziraldo por Anna Muylaert e Cao Hamburguer).
Participou ainda das séries “Avassaladoras – A Série”, “Casos e Acasos”, “Dilemas de Irene”, “Bicicleta & Melancia”, “A Teia”, e as novelas “Floribella 2”, e “Sete Vidas”, como Caio.
Já Ziraldo, além de escritor (cronista, dramaturgo, colunista) e cartunista (chargista, pintor, desenhista, caricaturista), também é humorista e jornalista.
Mineiro de Caratinga, quando criança já demonstrava seus dotes para os traços de um desenho.
A partir da década de 50, passa por três publicações relevantes (“Folha da Manhã”, hoje “Folha de São Paulo”, revista “O Cruzeiro” e “Jornal do Brasil”, locais de trabalho onde cria seus primeiros personagens).
Lançou a primeira revista em quadrinhos, “A Turma do Pererê”, feita exclusivamente por um único autor (também a primeira em cores no Brasil).
No ano de 1960, recebeu dois prêmios no exterior: o “Nobel” Internacional de Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas, Bélgica, e o Prêmio Merghantealler (concedida pela imprensa livre da América Latina).
Foi um dos fundadores e diretor de um dos principais impressos de oposição ao regime militar no Brasil (a decretação do Ato Institucional Nº 5 o levou à prisão).
Seu grande sucesso editorial foi lançado mais de uma década depois, em 1980, “O Menino Maluquinho”, que tivera adaptações tanto para o cinema quanto para a TV (Prêmio Jabuti de Literatura na categoria Infantil).
Suas ilustrações puderam ser vistas em revistas internacionais, na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos.
Outras de suas criações que merecem ser lembradas são: o Prêmio Galo de Ouro para o Festival Internacional da Canção de 1966; “Flicts”; “Uma Professora Muito Maluquinha”; o símbolo (um menino caipira) para o evento beneficente do Arraial da Providência, no Rio de Janeiro, e a caricatura do ator, comediante, apresentador, escritor e diretor Jô Soares para algum de seus shows solos, além de outras.
Em dezembro, a obra mais conhecida de Ziraldo, “Menino Maluquinho”, tornar-se-á ópera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em comemoração aos seus 35 anos, e se chamará “Menino Maluquinho – A Ópera” (direção musical e regência de Roberto Duarte, libreto de Maria Gessy de Sales, direção de cena de Sura Berditchevsky, e cenografia de Daniela Thomas; o elenco contará com cem pessoas, entre atores mirins, orquestra e dois coros, um adulto e outro jovem).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Pedro Vicente Alves Pinto

Vernissage “VEJALÉM”

Publicado: 13/10/2015 em Artes Plásticas

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Em junho de 2013, foi realizada na Riso Galeria de Arte e Bistrô, do ator Jorge de Sá, em Ipanema, no Rio de Janeiro, o vernissage do artista visual Pedro Vicente Alves Pinto.
Compareceram ao evento o seu tio, o cartunista e escritor Ziraldo, seu irmão, o ator Fernando Alves Pinto, e a atriz Letícia Sabatella, dentre outros convidados.
“VEJALÉM” faz parte de um projeto pessoal de Pedro, uma trilogia chamada “3eye Invasion”, iniciada em 2008, e que reúne suas telas, desenhos e esculturas, que têm por inspiração o símbolo visual do “Triolho” (segundo o artista, este símbolo “transmite a ideia de alegria e se comunica diretamente com o inconsciente do ser humano”).
Pedro Vicente também é dramaturgo e roteirista de TV e cinema.
Paulista, teve as suas peças encenadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Londres.
Já expôs, da mesma forma, em Londres e São Paulo, Berlim, Frankfurt e Lisboa.
Recebeu o Prêmio Projeto Nascente USP 1996.
Letícia Sabatella é mineira, e uma das mais prestigiadas atrizes de sua geração, conhecida por sua ferrenha defesa dos Direitos Humanos e Meio Ambiente.
A estreia na televisão ocorreu em um especial da Rede Globo, “Os Homens Querem Paz”.
Em 1991, foi a vez de Letícia estrear em novelas, interpretando Taís em “O Dono do Mundo”, de Gilberto Braga.
Em seguida, ganhou um papel importante, Salete, na minissérie escrita por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, baseada no romance homônimo de Rubem Fonseca, “Agosto”.
Encara o desafio de dar vida a uma personagem com três personalidades (Maria de Lara, Diana e Márcia), no remake de “Irmãos Coragem” (a obra original, um clássico da teledramaturgia, fora criada por Janete Clair; o papel de Letícia fora defendido por Glória Menezes em 1970).
Seu primeiro trabalho com o autor Silvio de Abreu foi no folhetim “Torre de Babel”.
No início dos anos 2000, participa da minissérie épica de Maria Adelaide Amaral (que se inspirou no livro homônimo de Dinah Silveira de Queiroz), “A Muralha”.
Vive o universo de Eça de Queiroz na minissérie “Os Maias”, de Maria Adelaide Amaral.
Depois de “Porto dos Milagres”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, veste roupas típicas do mundo árabe para personificar Latiffa, na telenovela de grande sucesso de Gloria Perez, “O Clone”.
A atriz pôde ser vista ainda em novelas como “Páginas da Vida”, de Manoel Carlos (como uma freira, a Irmã Lavínia); “Desejo Proibido”, de Walther Negrão; “Caminho das Índias”, de Gloria Perez (surpreendeu como a psicopata Yvone); “Guerra dos Sexos”, de Silvio de Abreu, e “Sangue Bom”, de Maria Adelaide Amaral.
Fez parte do elenco de outras produções no formato de minissérie: “Um Só Coração” (feita em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo), “Hoje é Dia de Maria” (atuou como a própria Maria, que na fase anterior foi interpretada pela revelação Carolina Oliveira), “Hoje é Dia de Maria 2” e “JK”.
Esteve em relevantes séries, como “Afinal, O Que Querem As Mulheres?”, “As Brasileiras” (estrelou o episódio “A Apaixonada de Niterói”), “Sessão de Terapia” (no canal GNT) e mais recentemente “Amorteamo” (esta série de Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno adotou a linguagem gótica e bizarra que tornou o cineasta americano Tim Burton reconhecido mundialmente).
No tocante ao cinema, a intérprete foi dirigida pelos seguintes diretores: Fábio Barreto (“Bela Donna”), João Batista de Andrade (“O Tronco”), Miguel Faria Jr. (“O Xangô de Baker Street”), Anna Muylaert (“Durval Discos”), Guilherme Fontes (“Chatô, O Rei do Brasil”), Joffre Rodrigues (“Vestido de Noiva”), Philippe Barcinski (“Não Por Acaso”), Marco Antonio Ferraz e Anderson Corrêa (“Flordelis – Basta Uma Palavra Para Mudar”), Daniel Filho (“Chico Xavier”), Tizuca Yamasaki (“Encantados”), e Adriano Esturilho (“Circular”).
Dirigiu o documentário “Hotxuá”.
Como cantora, realizou um dueto com Elza Soares na canção “A Cigarra”.
Recebeu prêmios por suas atuações em “O Clone” e “Caminho das Índias”.
Letícia, ao lado de Denise Del Vecchio, Miwa Yanagizawa, Fernando Alves Pinto e Marcello H, dirigida por Guilherme Leme Garcia, apresentou-se com a peça “Trágica.3”, de Heiner Muller, Caio de Andrade e Francisco Carlos, no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), no Rio de Janeiro (o espetáculo também foi assistido na China).
Letícia Sabatella fará uma participação especial em “Malhação, Seu Lugar No Mundo”, e será uma das protagonistas da novela que sucederá a “A Regra do Jogo”, na Rede Globo, “Velho Chico”, de Edmara Barbosa e Bruno Barbosa, supervisionada por Benedito Ruy Barbosa.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Pedro Vicente Alves Pinto

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Foto: Guga Melgar

O primeiro forte impacto que temos ao assistir ao espetáculo “Ou Tudo Ou Nada, The Full Monty, O Musical” (baseado na peça que ficou em cartaz na Broadway por dois anos, e que recebeu onze indicações ao Tonny Awards, vencendo a de Melhor Música) é o portentoso cenário idealizado por Edward Monteiro, que simula a parte frontal de uma enorme fábrica antiga com suas estruturas metálicas e tijolos. A história, que na verdade se originou no longa-metragem homônimo de Peter Cattaneo lançado em 1997, ganhador do Oscar de Melhor Trilha Sonora Comédia/Musical, ao contrário da obra fílmica, que se passa em Sheffield, Inglaterra, na versão habilidosa e inspirada de Artur Xexéo, desenrola-se em qualquer lugar do mundo que esteja passando por uma grave crise econômica, com avassalador desemprego de várias famílias outrora estabilizadas, o que coloca a encenação num estado de consonância conjuntural com a situação vigente de nosso país. Com uma direção primorosa de Tadeu Aguiar, que conhece na essência o gênero musical, e dezessete atores em cena (algo realmente impressionante no panorama teatral brasileiro, além da ousadia com acerto da presença de ótimos músicos posicionados em um mezanino), testemunhamos por cerca de duas horas e vinte minutos, com direito a intervalo, uma série de acontecimentos hilários ou não (haja vista que se busca o drama em determinados momentos) envolvendo as intempéries dos seis desempregados que, a partir desta desconfortável condição pessoal, afetando drasticamente suas vidas, procuram formas e meios para sobreviverem com o mínimo de dignidade. A grande sacada de Terrence McNally é justo a maneira esdrúxula que imaginam para garantir a sua subsistência. Os seis homens que não se encaixam nos padrões estéticos dos strippers decidem por uma noite apenas promover um show de strip-tease, “Os Gigantes de Aço”, com “homens comuns”. Há o magro, o desengonçado, o acima do peso, o idoso, o atoleimado, e o chefe falido. Os conflitos se sucedem, como a dificuldade do personagem de Mouhamed Harfouch, Jerry, de pagar a pensão de seu filho (Xande Valois), estremecimentos na relação conjugal entre o patrão agora sem emprego (Carlos Arruza) e sua deslumbrada esposa Vicki (Patrícia França), e a insegurança do ex-trabalhador “acima do peso” (Claudio Mendes) na manutenção de seu casamento com a fogosa mulher (Kacau Gomes). O enredo do espetáculo segue um ritmo ágil em que os espectadores aguardam ansiosamente o apoteótico desfecho, em que os indivíduos insuspeitos terão a sua noite de strippers. O contraponto para esses até então pacatos cidadãos é o profissional da área interpretado por Fábio Bianchini. Respeitando a tradição dos bons musicais, no meio de uma ação algum ou alguns personagens entoam canções pertinentes àquela. Moças com comportamentos frenéticos ou em circunstâncias diversas surgem. Sylvia Massari defende a aposentada pianista que vislumbra a oportunidade de voltar a brilhar com o show que está por vir. A música de David Yasbek é pujante, alternando melodias mais suaves e sensíveis com outras mais animadas, com notas grandiloquentes, em que se ouvem desde graves a falsetes (a excelente direção musical no Brasil foi executada por Miguel Briamonte; a orquestração é de Harold Wheeler, os arranjos vocais e incidentais couberam a Ted Sperling, e os arranjos das músicas de dança ficaram a cargo de Zane Mark). As músicas são tocadas pela orquestra formada por Miguel Briamonte, Daniel Sanches, Tiago Calderano, Marco Moreira, Chiquinho, Leandro Vasques, Josias Franco, Ricardo Hulck e Pedro Silveira. Alan Rezende ficou responsável pela bela coreografia, exigindo dos atores uma gama infinda de movimentos, sejam eles graciosos, compassados, articulados, firmes e sensuais. O elenco, sob a orientação de Tadeu Aguiar, preenche todo o espaço cênico com suas marcações distintas (eles correm, jogam-se contra a parede, sobem em mesas, ou seja, realizam movimentações típicas de um musical com a proposta sugerida, fato que impinge saudável dinâmica ao conjunto). Voltando a falar do cenário de Edward Monteiro, o mesmo, como afirmara, consolida-se na reprodução fiel, adotando tons mais cinzentos e escuros, de uma fábrica com arquitetura não moderna, apoiada numa estrutura metálica grandiosa e em não poucos painéis corrediços, que assumem diversificadas missões (há largas portas, camas e mesas que se utilizam deste mesmo recurso da mobilidade; inclusive, um fascinante carro cenográfico irrompe no transcorrer da peça). Esta cenografia, que corresponde à ideia de uma superprodução, atende com riqueza às solicitações da dramaturgia de Terrence McNally e da direção de Tadeu Aguiar. Os figurinos de Ney Madeira e Dani Vidal são múltiplos, mostrando um entendimento visível do perfil dos personagens e do universo no qual habitam. Ney e Dani apostaram no luxo, no brilho e no vintage de vestidos, no conforto básico das roupas masculinas, sem deixar, é claro, de capricharem nos uniformes azuis com botões dourados, que são o ápice desta categoria. A iluminação de David Bosboom é refinada e elegante, assumindo uma sequencia variada de tons, cores e direcionamentos de feixes luminosos (com sombras, planos abertos e focos), merecendo destaque o show final com um letreiro arrebatador. Os seis desempregados são interpretados por Mouhamed Harfouch, Claudio Mendes, André Dias, Carlos Arruza, Sergio Menezes e Victor Maia. Todos eles, sem exceção, ostentam potencial artístico sobejo para nos transmitir o momento existencial de seus papéis, que vivem, como asseverara acima, uma situação diferenciada, que mescla dramaticidade e humor. São versáteis e potentes em suas atuações, mantendo a vitalidade, assim como todo o cast, do início ao epílogo do espetáculo. Patrícia França, como Vicki, prova-nos com seus extensos valores como artista, de que por trás da superficialidade da mulher que personifica existe alguém sensível e capaz de amar o seu marido, independente das contingências desfavoráveis. Sylvia Massari, uma de nossas mais importantes atrizes de musicais, brilha fazendo a divertida e espontânea pianista do show dos strippers. Foi surpreendente e prazeroso ver atores como Mouhamed Harfouch e Patrícia França soltando as suas vozes em um musical, algo que não estávamos acostumados a ver. Kacau Gomes também se sobressai com a sua força no palco. Fábio Bianchini usa na medida certa a comicidade para dar vida a um stripper (atua outrossim como um policial e dançarino de salão). Os atores Carol Futuro, Samantha Caracante, Larissa Landin, Sara Marques, Gabriel Peregrino e Felipe Niemeyer defendem com veracidade, emoção e vivacidade os seus “characters”. Xande Valois é um intérprete encantador pela sua naturalidade, personalidade e um certo nível de crítica subliminar em suas falas. As vozes do elenco e sua capacidade para atingir as notas e afinação adequadas (tarefa dificílima) são dignas de loas e aplausos. Reitero aqui que tudo se deve, não se pode deixar de mencionar, à versão acertada e consistente de Artur Xexéo (sabemos o quanto é árduo transpor um texto de outra nacionalidade para uma realidade que nos seja identificável). “Ou Tudo Ou Nada, The Full Monty, O Musical” é uma peça que veio com todos os instrumentos necessários para se firmar como um grande sucesso na atual temporada do teatro no Rio de Janeiro. Tratando de um tema árido, o desemprego, com um criterioso humor, a montagem consegue, escorada em uma produção espantosa em suas proporções, conquistar a cumplicidade do público, que não se importa com a sua duração, afinal de contas ninguém quer perder o que seis simpáticos rapazes são capazes de fazer em uma única noite para sobreviver, ou melhor, ninguém quer deixar de testemunhar o “tudo” em seu sentido literal, que esses mesmos simpáticos rapazes têm a nos oferecer. E ninguém, é bom que se diga, arrependeu-se de ter ficado até o fim.