Arquivo de janeiro, 2016

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Foto: Julio Andrade

Um ato de coragem. Assim podemos definir primeiramente a iniciativa do ator, dramaturgo e diretor Álamo Facó de levar aos palcos, tornando público, um drama pessoal extremamente íntimo, que envolveu a sua mãe, a arquiteta Marpe Facó, diagnosticada com um tumor cerebral em 2010, fato que levou o intérprete a acompanhá-la por 100 contínuos dias em um quarto de hospital até o seu falecimento, numa jornada dolorosa, traumática e emotiva. De acordo com o próprio Álamo, o espetáculo escrito por ele e dirigido em parceria com Cesar Augusto foi baseado num processo chamado “síntese do relevante”, e não se busca com a encenação uma “realidade documental”. Apresentado à princípio em dois festivais no formato de performance no ano passado, “Mamãe” se utiliza de nomes ficcionais para narrar esta história catártica, transcendental e pungente, que ultrapassa os limites do palco de um teatro, atingindo em cheio, sem piedade, nossas emoções guardadas, e as despertando para um nível máximo de expressão. Uma obra que não se resume ao entendimento vezeiro, e que nos transporta para uma reflexão individual, profunda, difícil e complexa acerca de nossa finitude material. No estonteante e hipnótico cenário de Bia Junqueira, com seus néons coloridos estrategicamente posicionados, ao som perturbador de uma respiração agoniada, Álamo Facó irrompe em cena com torso nu, pés descalços, e cabelos longos e soltos, verbalizando incontidamente os desejos momentâneos de Marta (na verdade, sua mãe Marpe). Ela, já incapacitada, presa a uma maca fria de um quarto de hospital asséptico, liberta-se ao exprimir as suas vontades urgentes, como assistir à peça teatral de seu filho Lázaro (que representa Álamo Facó; o artista estava em cartaz à época com “Pterodáctilos”). O ator em seguida se joga ao chão, retorce-se, contorce-se, vira-se, debruça-se num jogo alucinante de expressividade corporal. Na montagem, vemos a luta infatigável e brava de Lázaro para “ressuscitar” sua mãe (o nome Lázaro não foi escolhido por acaso, ao que parece; de acordo com o Evangelho segundo João, foi o amigo ressuscitado por Jesus). Assim que Marta recebeu o aterrador diagnóstico, o seu médico, Dr. Ladeira, como muitos de seus colegas de ofício que juraram salvar vidas, atendendo ao que Hipócrates recomendou, apresentou soluções procedimentais: “Corta, serra, abre, chega às meninges”. O mesmo Dr. Ladeira usou a chave de seu carro para testar a sensibilidade do corpo da paciente. Mesmo em coma, a consciência de Marta se expande, avançando e derrubando fronteiras até então inexpugnáveis. Suas lembranças estão mais vivas do que nunca. Recorda-se da adolescência rebelde e transgressora de seu filho, com orgias, abortos, drogas e arte. O filho que um dia já foi Frida Kahlo na ribalta, e que se machucou num cacto. Lembra-se de seu marido Mauro, do casamento morno, no qual havia deliberadas traições de ambas as partes, sem que nunca houvesse acabado a imensa parceria e companheirismo do casal. Mauro, ao saber do estado de sua ex-mulher, disse-lhe: “Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Sem pudores, a mãe se permite a falar palavrões. Estes são libertadores. Lázaro persiste em sua tentativa sobre-humana de travar uma comunicação com a mãe inerte. Ela lhe dá sustos. Não se move, não abre os olhos, parece não respirar. “Mãe, mãe, mãe, mãe, mãe…”, chama o filho. Ele canta as músicas de que ela tanto gosta. Brinca com sua aparência. Tira foto. Marta parece Sid Vicious ou uma personagem de um filme de Meryl Streep, segundo ele, ou Susan Sarandon, ou pode ter saído de “Taxi Driver”, com seu cabelo de moicano de esparadrapos. O rapaz enfeita o seu quarto já “enfeitado” com aquelas máquinas “mortíferas”. Decora-o com pinturas abstratas e modernas, quadros com fotos (uma “visita” de Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh, uma referência a Louise Bourgeois, o protesto do homem chinês solitário na Praça da Paz Celestial com seus tanques…). Há cores onde não havia. A cor da vida. A cor da cura. A cor que cura o coma. Há uma saída para Marta. Um remédio à base de hortelã. Não, não pode. O Estado não deixa. É proibido salvar vidas. A burocracia tem que atender às suas regras mortais. Não podem ser infringidas. Há outra esperança medicinal: o canabidiol. Imagina, como liberar um medicamento feito a partir de uma droga psicotrópica. Onde está a ética? E onde está a vida de Marta? A pergunta que se deve fazer é: – Que pessoa essa doença tem? E não: – Que doença essa pessoa tem? A mulher que deu a vida à Lázaro queria ser cremada ao som de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. No local onde suas cinzas foram deixadas, surge um casulo. Um dia, dele nasce uma mariposa. Uma mariposa que voa para o céu. Voa para o céu e nunca mais é vista. Antes de sua morte, correntes de pessoas, familiares e amigos do ator se formam, rogando pela sua recuperação. O filho amado batuca numa espécie de atabaque (um tamborete de acrílico) em frente à cama de sua progenitora como se estivesse num ritual religioso, como se a reverenciasse e a adorasse como uma divindade, e pedisse aos céus que lhe desse de volta a vida, a sua Marta de antes. Já no fim próximo da existência de sua mãe, Álamo, agora, tentou, com os seus familiares, levá-la para ver o seu espetáculo. Seu corpo estava “despetalado”. Como isso seria impossível, que ao menos Marpe Facó fosse para fora do hospital pela última vez para pegar um pouco de sol. Não pegou. Enfermeiros de prontidão, no lobby, não deixaram que o sol batesse em seu rosto. Os eficientes enfermeiros cumpriram ordens do eficiente hospital. O hospital que nega o último sol para os seus pacientes. Em muitos momentos, Álamo Facó exercita algo semelhante às reverências típicas das religiões afro-brasileiras. Com esta dramaturgia cortante e poética, com períodos em que se dá vez ao leve humor, Álamo Facó logrou o que desejava com excelência. Dividir com o outro, com os espectadores que seguem a sua arte a sua experiência pessoal. Álamo, tanto como autor, quanto como diretor e ator, expurga todos os fantasmas que de forma ou outra o angustiavam. Exibi-los em um palco, com o seu texto sólido, sensível, emocionado, confessional e implacável foi uma maneira ideal para a regeneração de seus sentimentos outrora tão machucados. O compartilhamento da dor a atenua. E o compartilhamento do amor o recrudesce. A direção de Álamo Facó e Cesar Augusto é vitoriosa, pois atinge o que mais se pretende com a atividade cênica: a emoção da plateia. Cada indivíduo sentado no teatro possui o seu silêncio, contém a sua lágrima, lembra-se de algo similar com um amigo, segura o nó na garganta, sorri nervosamente ou da graça mesmo. Percebe-se um acontecimento empático. Todos nós sentimos um pouco ou muito a dor de Lázaro. Todos nós, de algum jeito, queríamos ajudar aquele filho em sua guerra pessoal. Os diretores não quiseram fazer algo integralmente pesado, sombrio, e para isso usaram elementos como a coloquialidade de algumas passagens e a comunicação do protagonista em uma conversa bastante franca com a sua plateia. A leveza também está nas frases divertidas do rapaz, nos instantes em que dança, e nos momentos em que Álamo fala como Álamo. A atuação de Álamo Facó, seja como Lázaro seja como Marta, arrebata-nos por sua intensidade emotiva, por sua verdade desconcertante, pelas tintas fortes conferidas tanto à dor quanto ao amor emanados de seus personagens. Álamo, como Marta, compõe com majestosa delicadeza a mulher fragilizada, com voz quase murmurante e embargada, refém de seus gestos curtos e palavras quebradas, e de sua postura vulnerável. Suas mãos são eloquentes, dizendo-nos o bastante sobre o seu padecimento. Entretanto, em suas viagens além da consciência, mostra-se alegre, efusiva e empolgada. Já como Lázaro, o intérprete transita com brilho nas diversas vias emocionais que a personalidade do filho lhe impõe. Com sua inquestionável sensibilidade, vivência de palco e talento, Álamo Facó é forte, intenso, frágil, confiante, otimista, crítico, corajoso e doce. A direção de movimento/co-direção de Luciana Brites é fenomenal. Ela consegue explorar uma infinidade de possibilidades corporais do ator. O corpo de Álamo reflete uma plasticidade bela. O seu corpo esbelto é um instrumento de exteriorização dramática que funciona como feliz complementação da composição do ator de ambos os papéis que defende. A direção musical de Rodrigo Marçal nos ambienta com habilidade notável com o universo retratado. Os ruídos incômodos de uma respiração, o poder dos trovões, a personalidade de uma chuva vigorosa que nos atemoriza e nos assusta, além de uma sonoridade não identificável que vem e se afasta inesperadamente. Ao lado de Rodrigo, Álamo contribuiu com acerto e propriedade para que a trilha sonora fosse diversificada e familiar, açambarcando gêneros distintos, ouvindo-se desde um rock clássico como “Summertime”, quanto um standard, como “I’ve Got You Under My Skin”. O cenário de Bia Junqueira, como asseverei logo no começo deste texto, hipnotiza-nos com sua estética estonteante. Bia logrou aquilo que nos pareceria inviável. Transformar em beleza rara o que nos é triste e desolador: um quarto de hospital. O que vemos são 14 luzes fluorescentes logisticamente distribuídas: três superiores frontais, três inferiores frontais, duas centrais no alto, quatro laterais posteriores em par, e duas frontais nas laterais. Somando-se a elas, quatro cadeiras vermelhas de acrílico (três delas juntas formam a maca/cama), um tamborete transparente do mesmo material, cinco persianas de tom claro, abertas e semiabertas num fundo negro, quadros, fotos emolduradas, dois suportes metálicos das luzes, um cacto decorativo, dois aparelhos que soltam intermitentemente um fog (causa-nos a impressão de que seja o oxigênio de que a paciente necessita), diminutas luzes indiretas sobre o palco, dividindo o espaço com serpentinas plásticas em cujo interior há pequeninas lâmpadas (este mesmo recurso é usado embaixo da maca/cama), uma bola no chão com iluminação interna, e um piso coberto com um produto prateado refletor. A luz de Felipe Lourenço é soberba. Felipe intentou com substancial êxito dar vida à peça com luz e cor, literalmente. Há uma exuberante alternância de cores nas lâmpadas fluorescentes/néons (apagam-se e se acendem, em vermelho, azul e branco/neutro). Há um feérico uso das luzes em sua resplandecência, mas não se deixando de lado os focos e sombras, a meia-luz. Um fascinante momento ocorre quando as pequenas luzes das serpentinas alumiam, causando um efeito poético, mágico, festivo e acolhedor. As persianas também são alvo da iluminação, provocando um harmônico resultado visual. O figurino coerente e despojado de Ticiana Passos se esmera em valorizar as formas físicas do corpo do ator, trajando-o com uma calça justa preta, facilitando sobremaneira os seus largos movimentos. O personagem também usa uma jaqueta esportiva, mantendo-a aberta com o peito e o abdômen à mostra. A preparação musical de Álamo Facó ficou a cargo de Lan Lahn, que soube sabiamente extrair de sua voz uma suavidade e uma espontaneidade aprazíveis de se escutar. O intérprete possui uma voz terna e charmosa, afagando as melodias que canta. Este trabalho é complementado pela ótima colaboração da preparadora vocal Sonia Dumont, que de modo inteligente fez com que brotassem do artista as suas qualidades intrínsecas, e as utilizasse com distinção, adequação e convencimento no desenho dos perfis de Lázaro e Marta. “Mamãe”, que tem a direção de produção de Carlos Grun, é um espetáculo essencialmente libertário e honroso, que confronta o gigantismo da dor com a redenção do amor maior. Que aposta fundo na honestidade das emoções e intenções de um artista que possui a urgência de contar a sua história. Uma obra provocativa e denunciatória. Denuncia-se a frieza e a indiferença do homem com o seu semelhante. Revela o quão grande pode ser o sentimento de um filho. Prova que o laço materno é eterno. Na vida e além dela. Álamo Facó em certa passagem de sua peça, diz algo próximo: “No teatro, tudo pode”. Sendo assim, em “Mamãe”, Marpe Facó tem um outro final. Junto ao seu filho Álamo, recebe o seu último raio de sol na plácida face.

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Foto: Roberto Naar

Em um ano que começa com a polêmica da republicação da obra de Adolf Hitler, “Mein Kampf” (“Minha Luta”), após a mesma ter caído em domínio público, já provocando vozes dissonantes de lado a lado, o espetáculo de Marcia Zanelatto, “Por Amor ao Mundo, Um Encontro com Hannah Arendt”, que encerra a trilogia de peças sobre mulheres marcantes do século XX (as outras foram “Deixa Clarear”, peça musical sobre Clara Nunes, e “Desalinho”, em que há a representação da poeta portuguesa Florbela Espanca, todas dirigidas por Isaac Bernat), encontra um espaço oportuno e conveniente no cenário teatral brasileiro. Nesta ótima montagem que coincide com os 40 anos da morte da escritora, Marcia esmiúça sem didatismos e com visível sensibilidade, apoiada em cuidadosa e rica pesquisa histórica, a vida da pensadora alemã de origem judaica que estremeceu os conceitos preestabelecidos pelos formadores de opinião acerca das barbáries cometidas pelo Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial, ao criar o termo “a banalidade do mal”, a partir de seu testemunho e estudo do depoimento e julgamento de um oficial nazista, Adolf Eichmann, encontrado anos depois do fim do conflito em Buenos Aires, na Argentina. Sua dedicação a este tema levou Hannah a escrever o livro “Eichmann em Jerusalém – Um Relato sobre a Banalidade do Mal”, surgido em seguida a uma série de artigos publicados na revista americana “New Yorker”. A narrativa de Marcia Zanelatto se inicia com a figura de um narrador interpretado por Michel Robim, após poético momento de expressividade corporal, traçando um paralelo, em conversa direta com a plateia, entre os acontecimentos bárbaros atuais, como as imigrações de refugiados no Mar Mediterrâneo, e os fatos bélicos que aterrorizaram o mundo na primeira metade do século passado. A dramaturga buscou com inegável sucesso nos transmitir a plenitude das profundas ideias de Arendt (Kelzy Ecard), perpassando as principais etapas de sua existência, desde a infância, quando ouvia os conselhos de sua mãe (Carolina Ferman) para que não se deixasse subjugar pelo antissemitismo, até a vida jovem e adulta, com o romance secreto com o seu professor, o filósofo alemão Martin Heidegger, e o posterior casamento com o cientista político Heinrich Blücher, com quem ficou até o final (ambos personificados por Michel Robim). A escritora Mary McCarthy (Carolina Ferman), sua amiga e confidente, serve como ponte crucial para que os seus pensamentos à frente do tempo, e à margem do senso comum, encontrem uma fiel e arguta interlocutora. Entremeando diálogos de cunho político, literário e filosófico, apartes em relação ao cotidiano doméstico das duas mulheres suavizam a aridez dos assuntos discutidos. Soa interessante e complementar a citação de visões particulares de pensadores como Nietzsche e Karl Jaspers, além dos comentários sobre nomes que nos são caros, como o escritor inglês D. W. Lawrence, a poetisa americana Elizabeth Bishop e a arquiteta, paisagista e urbanista brasileira Lota de Macedo Soares. A autora nos esclarece com inteligência textual e coesão dramatúrgica o norte precípuo do ideário de Hannah Arendt: o convencimento de que pessoas normais são capazes de cometer atrocidades. O mal seria banal, e o bem, profundo. Substituiu-se o “Não Matarás” pelo “Matarás”. Para a sociedade, é confortável se sugestionar de que somente “monstros” sejam capazes de perpetrar crueldades. Torna-se dolorosa a aceitação de que o crime possa ser executado por alguém comum, normal. No caso de Hannah, Adolf Eichmann, o oficial nazista, foi o símbolo representativo da “banalidade do mal”, pois apenas e tão somente obedecia às ordens de seus superiores. Eichmann, a despeito do extermínio de milhões de judeus, defendia a sua condição de cumpridor de seus deveres. O que Hannah Arendt, também autora de “As Origens do Totalitarismo”, quer nos provar é que se consentirmos que só a monstruosidade do ser humano é capaz de fazê-lo cometer o inenarrável em termos de delito, estaríamos abrindo um perigoso caminho para a prática de tantos outros atos terríficos. Sendo atacada implacavelmente por não poucos e acusada até mesmo de antissemita, Hanna Arendt, defendendo o diálogo e o pensamento, pelejou por toda a sua vivência para que fossem validadas as suas concepções sobre a relação entre a normalidade do indivíduo e sua capacidade de praticar o mal. No fundo, a pensadora se agarrava a uma ideia de redenção da humanidade. Ao se defrontar com uma jovem contestadora e idealista, Mirna (Carolina Ferman), a filósofa encontrou uma oponente à altura para a defesa de seus audazes conceitos. Toda a dramaturgia de Marcia Zanelatto foi compreendida com ampla exatidão e considerável grau de sensibilidade artística pela direção de Isaac Bernat, que soube equilibrar o vasto, poderoso e delicado material que tinha em mãos, e transformá-lo em uma envolvente, cativante, elucidativa e bonita encenação teatral, com a nítida preocupação de tornar o espetáculo, a despeito do assunto espinhoso de que trata, em algo cenicamente aprazível. Isaac se esmerou na condução da interpretação de seus atores, em suas deslocações certeiras pelo palco, no revezamento calculado do silêncio e do som, na cumplicidade da luz e suas cores como fonte atenuante do ambiente e na força da música vocalizada. O elenco formado por Kelzy Ecard, Carolina Ferman e Michel Robim se encontra na mais absoluta sintonia com o universo que lhe foi proposto, sendo que, cada um, ao seu modo distinto, impinge aos seus personagens o nível de densidade dramática diferenciada exigida. Kelzy Ecard, usando óculos de grau, e vestindo uma saia plissada grafite e uma blusa com botões, constrói uma legítima, empática e sedutora Hannah Arendt. Kelzy possui inegável domínio de cena, excelente voz, sendo observadora acurada das dimensões de seus gestos cautelosamente mensurados, qualificadores da credibilidade da imponente pensadora alemã. A atriz consegue pincelar o seu papel não apenas com o drama que está implícito em sua história de vida, mas com uma bem dosada aplicação de fino humor, o que lhe confere maior despojamento e a aproxima das “pessoas comuns”. A Hannah Arendt de Kelzy Ecard detém uma perceptível leveza de espírito, em meio a tanta aspereza factual em seu entorno, e isso ocorre graças à compreensão anímica de sua parte relacionada à figura feminina em destaque. Carolina Ferman interpreta várias personagens, sabendo com inteligência cênica diferenciá-las, utilizando-se acertadamente de uma visão própria bastante particular e criteriosa dos perfis demasiado opostos dos tipos que personifica. Como a mãe de Hanna, Carolina, que articula as palavras com respeito às mesmas, mostra a lucidez e o juízo moldados face às adversidades que o antissemitismo já criava. Ao defender a escritora Mary McCarthy, revela-nos alguém possuidor de extrema habilidade na condução de seus pensamentos para acompanhar a velocidade das ideias emitidas pela amiga filósofa. E como Mirna, a jovem que dialoga com a pensadora, numa batalha construtiva de argumentos e contra-argumentos, a atriz imprime uma vivacidade coerente com o comportamento contestador da moça. Michel Robim, como o narrador, exprime clara e explícita comunicação com os espectadores, dando-nos o indispensável entroito para que possamos nos familiarizar com a encenação (antes disso, como dito acima, Michel protagoniza uma belíssima passagem na qual ostenta sua incrível expressão de corpo, com movimentações bastante delicadas e precisas, num balé poético ao som de uma melodia atravessada por emissões do nome “Hannah”). Como Heidegger, o ator empresta um ar de superioridade pertinente ao grande filósofo, cobrindo-o com uma camada de implacabilidade retórica (seu colóquio com a aluna Hannah Arendt é feito num contexto de rimas devidamente alinhavadas). Além de um garçom desenhado com tintas de afetação em seu porte, Michel Robin encarna o marido da filósofa com quem conviveu por toda a sua existência, Heinrich Blücher, compondo-o com segurança, e lhe oferecendo um caráter de companheirismo e parceria que tanto cativaram e encantaram Arendt. A cenografia de Doris Rollemberg exibe como maior trunfo um criativo, belo e imenso painel branco com múltiplas circunferências geométricas que se emaranham, dando-nos a impressão de que estamos diante de uma enorme teia, sem que haja uniformidade em suas bordas (há ainda em seu plano alguns círculos com determinada distância entre si, e no canto superior direito uma bola; a primeira impressão que temos é a de que se trata de um espaço sideral com toda a sua vastidão, ocupado por planetas e satélites, e a mencionada bola simboliza uma luminosa lua). Como adereços complementares, um módulo de madeira corrediço que se subdivide, formando dois assentos e uma mesa, além de uma segunda. Em uma delas, testemunhamos Hannah compenetrada se debruçando sobre uma máquina de datilografar, o que nos reporta a um passado nem tão longínquo em medidas históricas, sem a opressão da tecnologia digital (não podemos deixar de citar um idílico instante em que o ator Michel Robim circula pelo palco com uma bicicleta). A iluminação de Aurélio de Simoni é esplendorosa, explorando com agudeza e sensibilidade uma paleta infinda de cores vibrantes, que são projetadas com contínua alternância sobre o painel que representa o universo. A luz de Aurélio torna o azul mais azul, o rosa mais rosa, o lilás mais lilás, e assim por diante. Os atores também são valorizados com focos sobre si mesmos. O que se vê em bastantes momentos é uma ambiência que se aproxima do onírico. Os figurinos de Desirée Bastos fazem uma bem-sucedida e exitosa viagem no tempo, um passeio nostálgico pelos costumes sóbrios trajados por Hannah Arendt, imprimindo à pensadora uma solenidade e parcimônia necessárias (até mesmo os seus sapatos remetem ao período em que se passa a ação). As personagens de Carolina Ferman, da mesma maneira, são contempladas com vestidos condizentes com os seus perfis (Mirna, no caso, veste roupas mais modernas e exuberantes). E no que concerne aos papéis vividos por Michel Robim, Desiree apostou nos tons cinza e branco, respeitando as regras do comedimento visual. A direção musical de Alfredo Del-Penho nos instiga com suas experimentações melódicas, nas quais estão incluídas vocalizações distintas, canções em hebraico e sons variados de instrumentos (há uma inclinação para a sonoridade jazzística). O que Alfredo nos fornece como material musical nos causa uma miríade de sensações, que vão da estranheza (na melhor das acepções) ao enternecimento. A direção de movimentos coube a Marcelle Sampaio, com um trabalho final esmerado, que se deveu a uma sensível observância dos tipos participantes do entrecho. “Por Amor ao Mundo, Um Encontro com Hannah Arendt” é um espetáculo obrigatório. Não só pelo fato de conhecermos uma mulher do século XX que, com suas arrojadas ideias, ajudou com que muitos passassem a enxergar de outra forma o contexto no qual se insere um indivíduo que cometeu uma barbárie, mas pela razão de nos defrontarmos com uma genuína pensadora que defende ferrenhamente uma reflexão sobre o ser humano e sua condição no meio em que vive. Decerto, Hannah Arendt não é uma unanimidade e nunca será. No entanto, há que se admirar a sua bravura e determinação num ambiente histórico adverso e hostil. O espetáculo de Marcia Zanelatto é uma obra essencialmente otimista, apaixonada. Em uma passagem da peça, Mirna diz a Hanna Arendt que sua avó lhe afirmou que “O mundo só se sustenta com o sorriso de uma criança”. No sorriso de uma criança há amor. E por amor ao teatro, Marcia, Isaac, Kelzy, Carolina e Michel nos proporcionaram este inesquecível encontro com… Hannah Arendt.

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Foto: Divulgação do espetáculo

Em 1968, o cineasta, escritor e poeta Pier Paolo Pasolini, tão prestigiado quanto controverso, lança no Festival de Veneza aquela que seria considerada uma de suas mais importantes obras, o filme “Teorema”, com Terence Stamp e Silvana Mangano. Polêmico e marginal, Pasolini, autor de “Decameron” e “Salò ou os 120 dias de Sodoma”, fez uma crítica às instituições italianas da época, por meio de uma história em que uma família burguesa tem a sua rotina e os seus valores alterados pela visita de um estranho. Valendo-se desta referência e dos escritos de outro insigne poeta, Arthur Rimbaud, Francis Mayer decidiu transpor para os palcos, com dramaturgia de sua lavra, este enredo em que se fala abertamente, sem pudores ou ressalvas, sobre como o ser humano em sua essência lida com os seus mais obscuros desejos, e como estes podem vir à tona, sem controle, a partir de uma provocação externa não aguardada. O espetáculo dirigido por Francis se inicia com um rapaz alvo seminu (Vinicius Vommaro), com os braços estendidos para o alto como se acorrentado estivesse. Ele clama pela liberdade legítima, defende o seu ideal de felicidade e ataca o moralismo acaçapante da sociedade e seus membros. Usando a figura de um narrador ou voyeur (Vinicius Vommaro), o encenador nos coloca a par dos acontecimentos que advirão com a chegada misteriosa de um belo moço (Lucas Malvacini) vestido apenas com um bem cortado terno vermelho na casa de uma família aparentemente perfeita nas suas relações, obediente aos ditames e convenções impostos por uma coletividade hipócrita em seus conceitos de idealização de estado de felicidade. Todos os integrantes do núcleo familiar, um a um, serão em maior ou menor grau transformados em sua personalidade formada por bases que lhes deixam acomodados, e em posição conveniente para a vista alheia. O visitante, o Hóspede vivido por Lucas Malvacini, leitor voraz das páginas de um livro de Rimbaud, com voz mansa e envolvente, seduz com a sua razão particular, seu dom de manipulação, sua beleza que derriba os fracos, e retórica dominante frente a qualquer argumentação contrária ao que pensa, desperta ferozmente os desejos outrora escondidos do pai, o empresário bem-sucedido Antero (Regis Farah), da mãe, a infeliz esposa Laura (Flavia Santa Maria), da filha liberal Ornela (Izabella Guedes), do filho primogênito atormentado, Michel (Felipe Salarolli), e da empregada doméstica Elisa (Luciana Albertin). Do começo ao epílogo de “O Hóspede”, o universo sexual do indivíduo, com os seus infinitos enigmas, com suas barreiras intransponíveis para o seu definitivo conhecimento, é explorado. Não importam os gêneros aos quais pertençam os desejos. O que se propõe com esta produção é a abordagem sem rodeios ou subterfúgios da importância de se discutir o sexo, respeitando o seu significado em nossas vidas, dentro de uma estrutura narrativa convincente, lançando como instrumento a simbologia dos relacionamentos interpessoais narrados em tom ficcional, mas em aliança com uma realidade possível. Francis Mayer, como diretor, preocupou-se em nos contar uma história instigante, ardente, sensual e intensa, não permitindo que o ritmo do enredo arrefecesse, e que a nossa atenção e curiosidade pelo que nos é apresentado se mantivessem intactas. Francis não preteriu a ocupação plena do espaço da ribalta pelo seu elenco. Os atores se aproveitam de todo o perímetro do tablado que lhes é fornecido a fim de dinamizar as cenas. Além disso, percebe-se um cuidado especial quanto à palavra dita pelos seus intérpretes, procurando o nível preciso das intenções dos personagens. A nudez masculina, sempre um risco, é representada com elegância e naturalidade. Contextualizada, torna-se elemento constituinte do painel exposto. O elenco está coeso, afinado e totalmente em consonância com a proposta dramatúrgica que lhe foi feita. Lucas Malvacini, como o Hóspede, mostra a sobriedade e a precisão dos gestos que seu papel demanda. Possuindo pujante carisma, beleza inconteste e sedução nata, o que lhe favorece na construção de seu “character”, Lucas atinge com sucesso a profundidade comportamental do visitante imprevisto, alcançando os patamares exigíveis para a elaboração vitoriosa do complexo personagem. Como ressaltado, sua entoação vocal é calibrada no sentido de envolver suas vítimas, exibindo outrossim adequada espontaneidade. Vinicius Vommaro, como o narrador/observador da peça, dá vida a uma voz dissociada da ação, como se fosse uma testemunha privilegiada dos fatos, não os julgando, atento aos episódios, esclarecendo de forma clara e pertinente, inclusive desvelando as entrelinhas, o desenvolvimento do quadro cênico. Vinicius Vommaro, com potente e articulada vocalização, elogiosa expressividade de corpo, impinge valor irrefutável à fundamental missão que exerce. O narrador de Vinicius serve como significativa ponte entre nós e a ação dramática. Regis Farah desenha a princípio as linhas do perfil do chefe de família Antero com doses de severidade e postura inquebrantável, mas em seguida nos oferta um homem angustiado, fragilizado e pusilânime defronte à sua contingência, logrando com habilidade esta difícil transição. Flavia Santa Maria, como a esposa Laura, transmite-nos a plenitude de suas paixões represadas, e depois libertas, demonstrando também com verossimilhança a angústia de uma mulher insatisfeita com o seu matrimônio. Flavia reafirma com êxito os sentimentos conflituosos que assombram a existência de Laura. Diego Rosa interpreta um viril e atlético garoto de programa, possuidor de sedução selvagem, habitante das ruas cariocas, que leva uma das mulheres retratadas na encenação para sua casa em uma ladeira qualquer no silêncio noturno. Diego vivencia seu personagem com a força dramática solicitada. Tal qual um homem imerso em sua congênita selvageria, toma em seus braços com sensualidade agressiva a moça inerte refém das próprias fantasias antes inexploradas. Izabella Guedes compõe Ornela, a filha mais nova do clã, com doçura efusiva, amparada em uma infantilidade proposital com pinceladas de humor. Os seus desejos íntimos pelo hóspede são incontornáveis, e compatíveis com o furor sexual percebido nas garotas de sua idade. Pode-se dizer que se trata de um momento leve do espetáculo, que trilha, como sabemos, pela vereda do drama assumido. Luciana Albertin, como Elisa, a encarregada dos afazeres domésticos da casa, personifica com ajuste e compreensão interpretativa a também jovem mulher subserviente no trabalho, no entanto demasiado aberta para a libertação de suas intenções afetivas com o rapaz visitante. Luciana prova que por trás de seu protocolar uniforme de serviçal há alguém disposto a se consumir em profundas e ardentes realizações pessoais. E Felipe Salarolli atua com genuína vontade para conferir credibilidade ao moço preso num largo emaranhado de conflitos individuais no tocante à sua identificação sexual. O ator oferece a Michel, o seu personagem, uma sutileza nas suas dores internas, e algo próximo à redenção arrebatadora ao se desvencilhar das amarras dos preconceitos por ele criados, em decorrência da sociedade moralista na qual vive. O cenário segue um padrão parcimonioso que auxilia na valorização do ator e seu texto (há um gradil ao fundo com uma porta vazada sobre um elevado de madeira com escadas laterais; no centro do palco, encontra-se um módulo com capacidade de subdivisão que atende às necessidades de uma cama). A iluminação é uma eficiente aliada no embelezamento da obra com o uso cauteloso de sombras, focos pontuais e transversais, com a utilização de cores, como o vermelho e o rosa, atrás da referida porta vazada com o objetivo de demarcar distintas cenas. A trilha sonora se insere com pertinência no contexto dramatúrgico, lançando mão de melodias incidentais insinuantes e vocais femininos poderosos. Os figurinos são variados, complementando com propriedade a montagem (destaca-se, dentre outros costumes, a alfaiataria do bem cortado terno vermelho, já citado, usado por Lucas Malvacini). “O Hóspede” é uma peça teatral que desde já nos provoca o interesse por resgatar, sob a ótica de seu dramaturgo e diretor, Francis Mayer, o legado de dois notáveis e incompreendidos, pela sua suposta marginalidade, literatos, Pasolini e Rimbaud. O mundo subversivo, transgressor e atraente destes poetas que decidiram se rebelar contra a ordem moral de suas épocas justifica a concretização do espetáculo. Conclui-se com esta obra que a aparência das instituições é volátil e quebradiça, e que a existência humana pode ser modificada a qualquer momento com a intervenção de um agente externo, como o Hóspede. Até mesmo nós, espectadores, devemos ser prudentes com visitas inesperadas. Se for o Hóspede de Lucas Malvacini, a decisão de abrir a porta para a sua entrada é exclusivamente sua. Esteja certo de que ele mudará para sempre a sua vida.

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Foto: Inácio Moraes/Gshow

Em 1988, um filme dirigido pelo cineasta britânico Stephen Frears chamou a atenção da crítica mundial, levou espectadores às salas de exibição, ganhou três Oscars, e reafirmou os talentos de Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer: “Ligações Perigosas”. O longa-metragem se baseou na peça de Christopher Hampton, que por sua vez se inspirou na obra clássica de 1782 escrita por Choderlos de Laclos, “Le Liaisons Dangereuses”. Outra versão para a instigante história de amores, conchavos e traições foi assinada por Milos Forman, “Valmont”. No Brasil, Maria Fernanda Cândido levou para os palcos a dramaturgia de Hampton. Este mesmo enredo que fascina leitores e espectadores desde o século XVIII serviu para que Manuela Dias, Maria Helena Nascimento e Walter Daguerre o transformassem em uma linguagem que se adaptasse para a TV. Estreou ontem na Rede Globo a sua primeira grande aposta para o ano na seara ficcional, a minissérie “Ligações Perigosas”, com a consultoria de texto de Duca Rachid, e a direção de Denise Saraceni, Vinícius Coimbra e João Paulo Jabur. Já nas pioneiras cenas, que mostram um acabamento estético arrebatador, deparamo-nos com o comportamento luxuriante da Marquesa Isabel D’Ávila de Alencar, defendida em sua mocidade pela atriz Isabella Santoni (sua estreia no gênero após o sucesso de “Malhação”). Em meio ao funeral de seu marido vetusto, esgueira-se, até chegar aos braços do mancebo Augusto (Guilherme Lobo, de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”). A relação amorosa de Isabel e Augusto atravessa os anos. Adultos, vividos por Patrícia Pillar e Selton Mello (em seu retorno à Rede Globo desde a série “A Mulher Invisível”) tornam-se cúmplices de seus ardis, conluios e maquiavelismos. Isabel aposta com seu parceiro que irá conquistar o abonado comerciante com pretensões políticas Heitor (Leopoldo Pacheco), mas este, para o espanto do casal inescrupuloso, decide pedir em casamento Cecília, Alice Wegmann, a sobrinha da Marquesa, filha de Iolanda, Lavínia Pannunzio, que esteve, assim como sua tia, por longo período em um internato de freiras, comandado por uma madre interpretada por Camilla Amado. Lá, a menina aprende a beijar com a sua colega expedita, Sofia, Hanna Homanazzi. Augusto, um homem sedutor e inteligente, dono de uma “garçonnière”, é sobrinho e herdeiro de Consuelo (Aracy Balabanian), proprietária da “Quinta dos Alísios” (lugar onde reencontrará a devota e solidária Mariana, Marjorie Estiano). Mariana é uma mulher abnegada, com fé, honesta, que lava com humildade os pés dos desvalidos das ruas. Ela será mais uma vítima do charme perigoso do rapaz que não se adequou a nenhuma profissão regular. Cecília da mesma forma não escapará das insinuações maliciosas do ex-amante de Isabel, que enfurecida com o desprezo de Heitor, usará seus esforços para destruir seus planos de matrimônio e de ser pai com uma esposa casta. Com este preâmbulo de “Ligações Perigosas”, percebemos que estamos diante de uma atração engendrada com requinte e cuidado teledramatúrgicos, em que as camadas mais sombrias do indivíduo serão externadas. Veremos até que ponto o homem é capaz de usar o prodígio de sua mente com fins maléficos. Saberemos até que nível a inocência de outrem suporta o domínio da iniquidade alheia. O sexo como instrumento único de prazer e interesse. O sexo dos puros profanado pelos desvios dos mal-intencionados. Com um elenco consistente, sólido, que conta ainda com os atores Mario Borges, Jesuíta Barbosa, Renato Góes, Yanna Lavigne, Danilo Grangheia, Alice Assef, Darwin Del Fabro e Keli Freitas, a trama, dirigida com sobriedade e elegância pelo time de diretores liderado por Vinícius Coimbra (direção de núcleo de Denise Saraceni) ostenta uma impecável produção de arte de Flavia Cristofaro (segundo ela, os cenários foram desenhados a partir de referências cinematográficas e arquitetônicas, como os estilos “art déco”, “art noveau” e “Provence”). Os figurinos de Marília Carneiro se destacaram pela propriedade, pelo luxo e coerência com o perfil dos personagens. Ao som de um envolvente jazz, no clima peculiar dos anos 20, em algum momento o hedonista Augusto diz para a Marquesa “que não sabe o caminho da plateia”: “Para algumas pessoas, a humilhação é uma experiência educativa”. E para nós, telespectadores, a minissérie “Ligações Perigosas” terá a missão de nos “educar” no sentido de conhecermos com mais profundidade os segredos e mistérios da alma humana, e toda a sua ligação ancestral com o… perigo.

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A exposição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, “Sonhando Acordado”, com fotos tiradas por Bob Wolfenson, foi montada, e exibida pela primeira vez, na temporada Verão 2016, em abril de 2015.
As imagens ampliadas ficaram dispostas em totens de madeira estrategicamente distribuídos, protegidas por uma camada de vidro, com iluminação própria.
“Sonhando Acordado” teve a curadoria de Paulo Borges (criador da SPFW), e o apoio da marca MMartan, sendo mostrada em diversas regiões do país (em junho do ano passado, houve o seu lançamento em livro).
Na foto acima, podemos ver em primeiro plano a foto com o estilista Dudu Bertholini, e em segundo plano, as tops Caroline Ribeiro, Mariana Weickert e Talytha Pugliese.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

 

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Esta foto tirada por Bob Wolfenson para a exposição “Sonhando Acordado”, comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, ocorrida em abril de 2015, mostra o próprio criador da semana de moda, Paulo Borges, deitado em uma cama (cedida pela patrocinadora da citada exposição, a marca MMartan).
Paulo Borges, curador de “Sonhando Acordado”, juntou-se a diversas personalidades, entre músicos e profissionais da moda e da gastronomia, que fizeram a história dessas duas décadas da SPFW, para celebrar a efeméride, por meio deste ensaio fotográfico, que se tornou um livro em junho passado, após ter percorrido grande parte do Brasil.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

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A jornalista Lilian Pacce, ao lado do estilista Tufi Duek, foi fotografada por Bob Wolfenson para a exposição “Sonhando Acordado”, uma das atrações da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, comemorativa dos seus 20 anos de história no cenário brasileiro da moda.
Com curadoria de Paulo Borges, criador da SPFW, e o apoio da marca MMartan, a exposição pôde ser vista em muitas regiões do país, sendo transformada em livro em junho de 2015.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG