Arquivo de agosto, 2016

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Foto: Ellen Soares/Gshow

A primeira imagem à qual assistimos na estreia da nova minissérie da Rede Globo, “Justiça”, de Manuela Dias, com a direção artística de José Luiz Villamarim, foi a do decadente prédio modernista Holiday, com suas linhas geométricas semicirculares, localizado em uma das principais capitais nordestinas, Recife. Há dezenas de janelas, mas somente uma delas chamará a nossa atenção. Ouvem-se seis tiros (outros tantos já foram disparados). Num ângulo de câmera inusitado, a partir do buraco causado pelo projétil, vimos a autora daqueles. Quem faz um treinamento de tiro ao alvo é a sofisticada e charmosa professora da Faculdade de Direito Elisa (Debora Bloch). Após uma tórrida cena de amor entre a professora e seu namorado Heitor (Cassio Gabus Mendes), reitor da instituição acadêmica onde Elisa trabalha, a mulher que durante sete anos aprimorou suas habilidades no tiro pega uma carta, e decide lhe entregar, com a condição de que fosse aberta no dia seguinte. Por pressão de Heitor, logo ficamos sabendo de seu conteúdo. Elisa quer pôr um fim ao seu relacionamento, pois tem em mente a execução de um plano de vingança, estando disposta até mesmo a amargar os anos que lhe restam em uma cadeia. A história, que se passa nos dias atuais, retrocede ao ano de 2009. Deparamo-nos com uma linda e alegre jovem na proa de uma lancha com os seus amigos. Esta moça se chama Isabela (Marina Ruy Barbosa), filha de Elisa. Namora Vicente, rapaz rico, inconsequente e possessivo (Jesuíta Barbosa – o ator pernambucano está em sua terceira parceria com Villamarim, depois de “Amores Roubados” e “O Rebu”, e em sua segunda com Manuela Dias, após “Ligações Perigosas”). No meio da relação dos dois existe um obstáculo, Otto (Pedro Lamin), namorado de adolescência de Isabela, que inflama o ciúme doentio de Vicente, filho de um abastado empresário do ramo de transportes, Euclydes (Luiz Carlos Vasconcelos). Elisa está prestes a iniciar um caso amoroso com um rapaz bem mais novo do que ela, Téo (Pedro Nercessian). Téo é filho de Antenor (Antonio Calloni), sócio de Euclydes na empresa, que acaba lhe dando um grande golpe financeiro, levando o pai de Vicente à bancarrota. Vicente, que havia pedido Isabela em noivado, o que deixou a sua mãe um pouco contrariada, desespera-se com a possibilidade concreta de perder o seu status social, e com isso a sua namorada. Depois de ouvir conselhos de um dono de quiosque, Celso (Wladimir Brichta), resolve ir à casa da noiva, presenteá-la, e lhe dizer que está disposto a assumir o seu compromisso mesmo diante das dificuldades. Isabela, após conversas com sua mãe, indecisa quanto à continuidade de seu namoro com Vicente, não está só em sua casa. Ao seu lado, intimamente, Otto. Vicente chega, e flagra o casal nu embaixo de uma ducha de banheiro trocando ardentes carícias. Saca a arma que costumava portar, e sem hesitação, movido por paixão, dispara à queima-roupa cinco certeiros tiros na mulher que amava. Elisa testemunha o crime, e se junta ao corpo desfalecido e ensanguentado de sua filha. Uma Pietà com sangue e lágrimas. Vicente, enquadrado no artigo 121 do Código Penal, é condenado a 7 anos de reclusão. O plano de vingança de Elisa sobre o qual falamos no começo é justamente assassinar quem tirou a vida de sua filha quanto tinha apenas 18 anos. Para esta mãe não foi feita a justiça. Para ela, 7 anos de reclusão não se equivalem a 18 anos ceifados de uma jovem, e mais tantos outros que estariam por vir. À espera de Vicente na porta da penitenciária onde cumpriu a sua pena, na data de sua soltura, Elisa, pronta para pôr em prática a sua justiça, é obrigada a revê-la. Antes de apertar o gatilho “justiceiro” contra Vicente, uma cena a faz reavaliar seus intentos. Vicente agora possui uma filha pequena que o ama, que fica feliz ao reencontrá-lo, e uma esposa, Regina (Camila Márdila). Desta forma foi apresentado o primeiro episódio da minissérie “Justiça”. A nova produção da Rede Globo nos oferta um formato diferente daqueles aos quais estamos acostumados. A cada dia da semana (segunda, terça, quinta e sexta) será dedicada uma história, sendo que todos os personagens se entrecruzam de alguma maneira. Enquanto acontece um fato, um outro envolvendo um outro participante da obra decorre (neste episódio, Elisa e Téo testemunham o atropelamento da bailarina Beatriz vivida por Marjorie Estiano, estopim para o desenrolar de outro enredo). No que concerne à questão de haver tramas paralelas com personagens que se conectam, já vimos este recurso sendo usado com bastante propriedade pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu nos filmes “Amores Brutos” (2000) e “Babel” (2007). Porém, José Luiz Villamarim, um diretor sempre inventivo e habilidoso na condução das cenas e no cuidado com que trabalha a interpretação de seus atores imprimiu a sua própria marca. Fica-nos evidente ao apreciarmos os seus takes que Villamarim é um apaixonado pelas lentes de sua câmera. Ele gosta de “brincar” com ela, explorar todas as suas possibilidades, não ficando estagnado em uma só proposta cênica. Uma das movimentações de câmera mais destacada é aquela que “persegue” o intérprete em seu percurso, sendo filmado pelas costas. O diretor se caracteriza também pela sua objetividade fílmica. Não percebemos perdas de tempo em cenas desnecessárias. Tudo aquilo que ocorre em uma trama dirigida por José Luiz possui um sentido, uma função, provocando como corolário uma redobrada atenção do telespectador. A boa fotografia de Walter Carvalho se aproxima do naturalismo, buscando alguns tipos diferenciados de filtro. Walter usou em determinados momentos com inegável beleza a luz natural (como o dia de sol no mar), além de ter feito uma bela fotografia quando Elisa e Téo passeiam à noite à beira-mar pela Praia da Boa Viagem. A produção musical de Eduardo Queiroz e a gerência musical de Marcel Klemm se fazem notar pela adoção inspirada de canções e ritmos que remetem ao pop e muitas de suas vertentes, como o rock, o rock eletrônico, o regional e o romântico. A trilha incidental desenha com êxito o clima de tensão que paira por quase toda a narrativa. No entanto, a canção que mais nos emociona e nos toca é a primorosa versão do novaiorquino Rufus Wainwright para o clássico de Leonard Cohen, “Hallelujah” (a cena final que exibe Elisa em seu carro rumo à penitenciária a fim de matar Vicente é desde já antológica por sua potência imagética). O elenco do primeiro episódio se destacou de modo sublime. Houve a preocupação em inserir na vocalidade dos intérpretes um acento nordestino que fosse o mais próximo do genuíno, fugindo deliberadamente do sotaque carregado já visto em bastantes produções do gênero. Debora Bloch, como Elisa, ostentou a plenitude da dor de uma mãe que perde a sua filha de forma bárbara, e após a frieza impressionante de uma mulher que busca vingança em nome da sua justiça. Cassio Gabus Mendes é um intérprete que invariavelmente contribui para a nossa teledramaturgia com a sua atuação irretocável. Marina Ruy Barbosa surpreendeu-nos com a sua cada vez mais evolutiva maturidade artística, ao dar vida à jovem leviana Isabela. Marina fez cenas de absoluta sensualidade com Jesuíta Barbosa. A atriz de melenas ruivas, com sua beleza de face e corporal, ofusca as telas de televisão espalhadas pelo país. Jesuíta Barbosa é um ator que possui o costume de estar presente em produções de alta qualidade, e não raras vezes, para não dizer sempre, honra-as com os seus inesgotáveis talento e carisma. Jesuíta traz em sua persona algo que nos atrai, não se chegando à conclusão do que nos causa esta atração. Pode ser o seu adorável sorriso, a sua voz com modulação diferenciada ou a força que emana de seu corpo físico não forte, entretanto esbelto. Luiz Carlos Vasconcelos, respeitadíssimo artista de teatro, TV e cinema, emprestou a sua elegância interpretativa ao sociável empresário Euclydes. Pedro Nercessian quando apareceu em suas primeiras cenas quase não o reconhecemos. Pedro está com feições mais adultas e bonitas. Estas características, somadas ao poder de sedução e charme solicitados pelo perfil de seu papel foram atendidos com brilho pelo ator. Conhecemos o mineiro Pedro Lamin, que ganhou um personagem de realce neste primeiro episódio ao ser o pivô de toda a tragédia envolvendo Isabela, Vicente e Elisa. Pedro soube aproveitar cada detalhe de suas cenas, mostrando-nos segurança e convicção. Coube a ele uma realista cena de sexo no chuveiro com Marina Ruy Barbosa. “Justiça” é uma minissérie excelente pelo que nos foi apresentado em seu início. Viram-se apuro e inteligência dramatúrgicos, direção em perfeita sintonia com o texto e time de atores reconhecidamente valoroso. Manuela Dias, em sua segunda oportunidade como autora principal de uma obra (a primeira fora, como dito acima, “Ligações Perigosas”), firma-se como uma de nossas mais inventivas, hábeis e notáveis representantes de novos teledramaturgos. Sua capacidade em criar ou adaptar histórias merece todas as loas possíveis. Com esta minissérie, Manuela Dias nos oferece a chance de debatermos aquilo que nos é caro, precioso e inalienável: o sentimento de justiça. Um sentimento que em poucos casos se alia às leis ultrapassadas de um Código Penal imaginado no início da década de 40. Um Código ultrapassado e indulgente. Um Código que o nosso Congresso Nacional não quer tampouco pretende mudar. Um conjunto de leis que em inúmeras ocasiões pune as vítimas e inocenta os criminosos. O nosso Brasil legal, imoral em sua leniência em progredir, atende com gosto à criminalidade, e faz chorar de Norte a Sul famílias inteiras que levam em seus rostos fortes bofetadas de uma senhora a qual conhecemos bem. Seu nome é impunidade. Para ela só queremos algo. Nem que seja apenas na minissérie de Manuela Dias. E seu nome é muito mais bonito: JUSTIÇA.

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Foto: Divulgação do espetáculo

“Ordinary Days – Um Musical Off-Broadway” já nasceu vitorioso. Primeiro porque se trata de uma reafirmação da vocação do teatro nacional para a realização de musicais, e segundo por se tratar da conquista de uma determinada e talentosa equipe, que inclui produtores, atores, diretor e demais profissionais da área técnica que se empenharam para levar a cabo, mesmo sem qualquer patrocínio, a montagem desta peça originada da dramaturgia de um dos mais promissores e incensados compositores norte-americanos da atualidade, Adam Gwon. O espetáculo em questão nos prova de que é possível se fazer um teatro de qualidade e excelência, desde que haja a vontade inequívoca dos envolvidos, e o interesse do público em ver concretizada a encenação sugerida (utilizou-se o conhecido meio de financiamento Catarse, no qual toda e qualquer pessoa contribui para a sua produção, obtendo em troca, por exemplo, a aquisição de ingressos antecipados, e outras vantagens). “Ordinary Days” – Um Musical Off-Broadway” não foge aos padrões convencionais dos musicais americanos que ganharam o mundo, mas há nele um sabor, um aroma, um “sotaque” genuinamente brasileiros que o diferencia obviamente daqueles. O diretor da encenação Reiner Tenente, creio, intentou imiscuir esta bem-vinda brasilidade à história de dois casais novaiorquinos, cada um deles passando por situações representativas das relações humanas, que se deparam com os obstáculos comuns à vida de qualquer indivíduo que resida em uma grande metrópole. Os casais são formados por Jason (Hugo Bonemer – o ator reveza com Mau Alves) e Claire (Fernanda Gabriela – alterna o papel em diferentes sessões com Gabi Porto), e Warren (Victor Maia – divide o personagem com Caio Loki) e Deb (Julia Morganti – em outras apresentações, substituída por Tecca Ferreira). Jason acaba de se mudar para o apartamento de sua namorada Claire, e em meio às arrumações não controláveis de inúmeras caixas de papelão e consequentes descobertas daquilo que nelas está contido, discutem-se o grau de entendimento do par, o seu real sentimento, a sua verificada reciprocidade ou não, os seus reveses, prazeres, a dúvida do amor compartilhado, o arrependimento mútuo ou solitário e outros tantos aspectos que definem uma relação afetiva. Já Warren é um espevitado artista de rua que escreve em recortes de papel colorido mensagens ou frases de cunho positivo, motivacional ou edificante. O rapaz lépido encontra por acaso um livro em cuja capa há um coração desenhado. A brochura pertence à divertida acadêmica formada em Literatura Deb, e na mesma estão as anotações imprescindíveis para a formulação de sua tese. Deb é insegura com relação às suas potencialidades profissionais, e não poucas vezes se vê mudando de opinião ou decisão em outros campos. Tendo pinturas de Monet ou Manet como testemunhas em um museu, conhece o portador de seu estimado livro. Jason, Claire, Warren e Deb são signos eloquentes de uma sociedade contemporânea, individualista, competitiva e excludente, sem que estas características impeçam o fascínio exercido sobre os seus membros. E nenhuma cidade do planeta representaria tão fidedignamente este padrão social do que a cosmopolita e babélica Nova York. Somando ao todo 21 canções (inspiradas e criativas versões em Português das músicas compostas por Adam Gwon feitas por Caio Loki, elenco, Equipe Contribuições de Clara Equi e Tauã Delmiro), o musical que estreou no Teatro Serrador, no Centro do Rio de Janeiro, ganhou de seu encenador, Reiner Tenente, um direcionamento exponencialmente ágil, dinâmico, o qual atende com privilégios e prioridades às forças e potências exuberantes das aptidões vocais e expressividades corporais de seu talentoso grupo de intérpretes. Reiner soube distribuir e alocar com critérios definidos e acertados os números musicais dentro da narrativa teatral. O “entra e sai” dos atores, lógico, reporta-nos ao clássico vaudeville, assemelhando-se aos modelos adotados por algumas obras do gênero. Tal movimentação quase permanente, pois existem pausas e silêncios importantes na peça, exige de seu elenco sobejo preparo físico e percepção aguçada do tempo de cada ator que o compõe. Hugo Bonemer, um jovem e belo ator paranaense com notáveis experiências em sucessos musicais, como “Hair” e “Rock in Rio – O Musical”, apresenta-se como um artista completamente seguro de si, maduro, sabedor pleno de sua linda entoação vocal. Hugo, ao cantar, ostenta o seu conhecimento técnico da farta gama de notas que lhe são exigidas, cumprindo com garbo a sua função de dar vida ao apaixonado Jason. O mesmo se pode dizer de Victor Maia (“The Full Monty – Ou Tudo Ou Nada”), um intérprete pronto, com brilho lapidado e carisma inquestionável. O carioca, que também é bailarino e coreógrafo, flana pelo palco com suas movimentações precisas e pujantes, acompanhadas por sua poderosa e límpida voz, fazendo-nos conhecer com amplitude o perfil do artista sonhador Warren. Julia Morganti (a atriz e produtora lançou um programa virtual chamado “Gaiola das Roucas”) transborda graça, doçura, fino humor e impressionante domínio vocal. Julia, com seus volumosos e bonitos cabelos loiros, seduz e conquista a plateia em diversas ocasiões, arrancando risos e sorrisos espontâneos, com a composição elaborada da sensível e engraçada Deb. Fernanda Gabriela, que estrelou o monólogo “Efeitos de Borboleta”, defende com rica e profunda emotividade a personagem Claire, exibindo todas as camadas passionais desta mulher obrigada a encarar as possibilidades de êxito ou fracasso de seu relacionamento amoroso. Sua postura cênica e docilidade (assim como Julia) nos tocam. Fernanda, com sua irretocável interpretação das canções, completa o notável time de atores/cantores. “Ordinary Days…” inova de certa forma com o revezamento de seus quatro protagonistas. Em outras sessões, como fora dito, os atores principais são Caio Loki, Gabi Porto, Mau Alves e Tecca Ferreira. Na apresentação analisada, estes mesmos atores participaram com funções diferentes no entrecho dramatúrgico, colaborando todos eles inquestionavelmente para a realização bem-sucedida da montagem. A direção musical de Marcelo Farias é distintamente exemplar. Marcelo, como um bom maestro, conduziu com exímia eficiência, habilidade e sensibilidade a vasta combinação de vozes do elenco e sons e acordes do piano tocado por uma quinta protagonista, a virtuose pianista Arianna Pijoan, que também integra o ensemble. Arianna interage com os atores, por meio de suas expressões faciais e gestuais, gerando uma ótima resposta dos espectadores. A iluminação de Rubia Vieira é em alguns momentos feérica (vê-se uma deslumbrante e múltipla utilização de cores; refletores de LED cumprem com prodigalidade esta função) e em outros se aproxima mais do intimismo, com a adoção deliberada de focos e sombras, provocando um excelente resultado estético e visual. A cenografia de Caio Loki e Equipe se vale da modernidade de estruturas metálicas (juntas formam uma espécie de andaime e seus respectivos andares) e a simplicidade (nem por isso menos eficaz e funcional) simbolizada por caixas de papelão, bancos com a mesma textura, além de uma estante com livros para Deb. Atrás do andaime, que assume vital relevância na obra, vislumbra-se um extenso e enternecedor painel sobre o qual estão imagens de arranha-céus de Nova York (os mesmos arranha-céus citados em uma parte do texto: “Não deixe que arranha-céus escondam de vista os seus sonhos.”). O figurino coube a Renan Mattos, que nos ofereceu com a mais absoluta fidelidade e elegância os costumes e trajes urbanos usados na metrópole americana retratada. Há um desfile de jeans, jaqueta, colete, cachecóis, trench coats, vestidos, boots, dentre outras peças, comprovando que Renan não poupou esforços e pesquisas a fim de que houvesse uma reprodução remetente ao imaginado local da ação. “Ordinary Days – Um Musical Off-Broadway” é um espetáculo que cumpre muitas das suas missões primeiras. Reafirma, como disse, a nossa vocação natural e nata (desde o Teatro de Revista) para a realização de musicais de qualidade, não devendo em nada aos congêneres norte-americanos e londrinos. Comprovando-nos de que é possível sim a produção de uma peça sem o auxílio, mesmo que seja de extrema significância, de um patrocínio declarado. Enchendo-nos de orgulho ao conferirmos bem próxima de nós a existência de atores, artistas e cantores que fazem valer a máxima de que são completos em seus ofícios. “Ordinary Days”… nos diz, por intermédio de suas adoráveis canções, de que a vida mesmo sendo comum em seu dia a dia pode ter escondida atrás de seus “arranha-céus” aquela felicidade, aquele sonho pelo qual tanto lutamos, ou que podemos encontrar por um acaso, em meio a uma “tempestade de papéis coloridos picados”, a mensagem certa que esperamos… por toda uma vida.

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O modelo da Ford Models Brasil Augusto Burigo, na 20ª edição da São Paulo Fashion Week, no Parque Cândido Portinari.
Augusto, que reside em São Paulo, fez em fevereiro deste ano um editorial chamado “Safári Urbano”, com fotos de Cecília Duarte, para a revista VIP.
Junto a outros cinco modelos, e tendo como estrela a top Isabeli Fontana, participou de um ensaio fotográfico (com registros de Zee Nunes) da Morena Rosa, em sua campanha para o Inverno 2015, que simulou fiel e caprichadamente o universo western celebrizado pela indústria cinematográfica norte-americana (há também um belo filme de Marcos Mello, da Cavallaria Filmes, mostrando o ensaio).
Coprotagonizou com a modelo Fabi Mayer o lookbook da Ellus Jeans DeLuxe Verão 2016 (Tavinho Costa foi o responsável pelas fotos).
Foi visto no comercial de O Boticário que lançou as suas novas fragrâncias Intense.
Fotografou no Peru para Jacques Ferrand, vestindo peças da Saga Falabella.
Também foi fotografado por Cristiano Madureira.
Trabalhou na Alemanha para o OUTLETCITY METZINGEN.
Fez campanhas para a Pontal Calçados, Beagle (campanha de inverno 2016), Six One (fotos de Hebert Coelho), Tendenza (imagem de Marcelo Ringo) e Aramis Menswear.
Em Milão, desfilou para a Cleofi Finati (by Archetipo).
Na São Paulo Fashion Week Verão 2016, desfilou para a Cavalera, e na edição Inverno 2016, para a Ratier.
Augusto Burigo, além de sua conta pessoal no Instagram, possui uma outra, ao lado de Aline Hasse, a “Entre Polos”, que tem por objetivo mostrar as várias partes do mundo que conheceu, com suas histórias, aventuras e curiosidades sobre os locais visitados.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

Rodrigo-Santanna
Foto: Reprodução

Faltando exatos dois meses para as eleições municipais, dentro de um cenário político chamuscado por fatos recentes, Rodrigo Sant’Anna, que se notabilizou por seus personagens populares em programas de humor na televisão, reedita um outro texto seu levado aos palcos em 2009, “Comício Gargalhada”. “Segundo Turno de Risadas”, com dramaturgia de Rodrigo, Mariana Rebelo e Conrado Helt, com a direção do intérprete, é uma montagem leve e divertida, na qual o seu ator principal aposta com acerto no poder de seu carisma junto ao público, e em seu elevado nível de comunicabilidade, facilitado por sua boa, articulada e natural emissão de voz, e postura discreta e espontânea quando se apresenta como ele mesmo em cena. Trajando uma blusa preta de mangas compridas bem justa (e calças e boots da mesma cor), evidenciando a sua ótima forma física, o artista se desdobra em vários papéis, sendo que cada um deles ostenta uma clara ou subliminar crítica social, ao proferir seu particular discurso. Aproximando-se vez ou outra do gênero “stand-up”, somado aos distintos esquetes ou quadros, Rodrigo se vale de sua ampla capacidade de criação de tipos populares, privilegiando aqueles que provieram da região do subúrbio, para traçar as linhas dramatúrgicas de sua obra. São ao todo nove personagens, começando pelo impagável e ferino transexual Valéria Vasquez (grande sucesso do outrora chamado “Zorra Total”, na Rede Globo), com suas vestimentas multicoloridas e inusitadas (Valéria é, sem dúvida, uma das composições mais inspiradas do ator/comediante). Temos também Jurandir, um homem simples que desfaz da aparência física de sua esposa; Pop, uma moça afetada sempre conectada ao mundo virtual; Adelaide, conhecida como a “mendiga pedinte”, uma senhora engraçada e sem “papas na língua” que, de alguma maneira, denuncia a falta de planejamento familiar no Brasil, e a influência da cultura norte-americana em nosso país, inclusive nas classes menos favorecidas; Zé…, a simbolização do órgão sexual masculino, que nos confessa, sem pudor, todas as angústias por que passa ao assumir as suas funções no contexto de uma relação íntima; Regina Célia, uma idosa irritadiça defensora da liberdade sexual dos pertencentes à terceira idade; Soninha Sapatão, uma homossexual que tenta nos provar sua inexistente feminilidade; Carol Paixão, uma jovem supostamente sensual escravizada pelo culto obsessivo ao corpo perfeito e adepta peculiar do estilo de vida de certos frequentadores de academias de ginástica; e Admilson, um indivíduo notadamente vulgar em seu trato com as mulheres, sendo este perfil superdimensionado pela forma e conteúdo pobres de suas “cantadas”. No que concerne aos elementos técnicos da encenação, o cenário se resume a um “palanque” situado no centro do palco, tendo à sua frente um espaço no qual são inseridas figuras representativas dos personagens em ação por meio das imagens de seus corpos físicos revelados da cintura para baixo (este mesmo “palanque” é utilizado como biombo para troca de roupas). A trilha sonora se condensa em uma repetida (propositadamente) música incidental de caráter infantil e formato monossilábico que demarca a transição dos personagens para Rodrigo, além do hit da cantora Sia, “Chandelier”. Os figurinos atendem com coerência, buscando amiúde o exagero e a extravagância de uma caracterização, às personalidades dos tipos perfilados (deve-se ressaltar o elegante costume todo preto, já dito, de Rodrigo Sant’Anna, nos momentos de comunicação com a plateia). A luz se baseia na predominância de refletores de cor azul (presentes nos intervalos dos quadros), e nos focos sobre o artista solo, vistos em não poucas situações (a iluminação é acompanhada por um suave fog). “Segundo Turno de Risadas” é uma peça que se sedimenta em um humor que bebe nas fontes populares, e não há nenhum demérito nisso, sendo enaltecida pelo protagonismo de um ator reconhecidamente talentoso na esfera da comicidade, possuidor de um brilho pessoal indelével.