Arquivo de setembro, 2016

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Foto: Estevam Avellar/Gshow

Saulo (Murilo Benício), um visionário vendedor de rádios, passeia de carro pelas estradas do interior de São Paulo ao lado de seu melhor amigo, Aristides (Bruno Garcia). O ano é 1946, e o rádio toca. Por debaixo das longas linhas de transmissão, ouve-se a doce voz da rádio atriz Verônica Maia (Débora Falabella). Saulo se embevece, e vai ao seu encontro na Rádio Difusora Entre Rios. Ao chegar lá, depara-se com uma recepcionista (Débora Falabella), e após um breve desentendimento, escuta da moça a seguinte frase: – O senhor é muito mal-educado. Ele então reconhece a dona da linda voz que ouvira no carro. Com ideias arrojadas e ambiciosas, Saulo procura convencer Verônica a irem para o Rio de Janeiro tentar a sorte. O primeiro beijo de ambos é embalado por “Fly Me To The Moon”, música cantada por Iza. Dez anos depois, no mágico e fascinante Rio de Janeiro desta época, em um prestigiado night club (vem-nos à lembrança a ambiência de um dos mais elegantes e nostálgicos filmes de Woody Allen, “A Era do Rádio”, de 1987), somos seduzidos por uma bela e voluptuosa dançarina interpretada por Bruna Marquezine, Beatriz. Saulo agora é o proprietário da Rádio Guanabara, e Verônica, então sua esposa, a principal atriz da emissora. Fabrício Boliveira é Péricles, seu colega de elenco na radionovela “Cyrano de Bergerac”. Daniel de Oliveira é o rico, playboy e mulherengo Otaviano, para quem “sexo pago não é traição”. Saulo, decidido e envolvente, tenta convencer o rapaz que não gosta de trabalhar a investir em seu mais novo projeto: a televisão. Saulo é uma clara referência a Assis Chateaubriand, o maior responsável pela introdução e popularização da TV no Brasil com os seus Diários Associados. Saulo e Verônica formam um casal perfeito, pleno em felicidade e realizações, mas lhes falta algo importante: um filho. O casamento começa a dar sinais de desmoronamento quando por cerca de três anos tentativas de se ter um filho são infrutíferas. Na verdade, o problema é a infertilidade de Saulo. Desiludido e frágil, é provocado no night club pela lasciva e cobiçosa Beatriz (Bruna Marquezine impressiona na interpretação da canção “The Man I Love”, eternizada por Billie Holiday), que num jogo de quiromancia, busca adivinhar o motivo de seu abatimento. Beatriz, no entanto, preocupa-se com a sua mãe, Odete (Cassia Kiss), uma ingênua empregada doméstica que pensa que a sua filha está no teatro personificando uma “mocinha francesa”. Por covardia e vaidade masculinas, o mentor da Rádio Guanabara resolve friamente mentir para a sua mulher, dizendo que não a ama mais, e que quer se separar. Verônica, ao interpretar Roxane, de “Cyrano de Bergerac, na encenação radiofônica, face à morte de seu admirador (Cyrano), derrama as lágrimas de sua real dor pessoal, o que foi percebido por Péricles. Usando Beatriz, a atriz, como “isca”, Saulo finalmente logra convencer Otaviano a investir a sua fortuna na fundação de uma estação de TV. Numa emblemática e recorrente cena de separação, em que o casal divide os livros e discos, Murilo e Débora emocionam com “Só Louco”, de Dorival Caymmi, ao fundo. Diante de um incrédulo Aristides, que afirma que a televisão irá acabar com o cinema, o rádio e o teatro, Saulo lhe mostra o seu portentoso estúdio de TV, o qual, para ele, profeticamente, “se tornará a praça onde se discutirá a vida do país.” Chega o dia da inauguração da TV Guanabara. Coristas se movimentam de um lado para o outro. Verônica fará a apresentação da efeméride. Ainda sentida com a separação, Verônica, na última hora, desiste de se apresentar. “5, 4, 3, 2, 1… No ar”. Saulo, citando Dom Quixote, apresenta a primeira transmissão ao vivo da TV brasileira. O primeiro episódio da série “Nada Será Como Antes”, que será exibida todas as terças-feiras, em 12 partes, já ganha o telespectador por abordar, misturando o factual com o ficcional, os primórdios da televisão do Brasil, seus bastidores regados a romances, intrigas e polêmicas, revelando-nos à sua maneira como este veículo até então desacreditado se tornou uma das paixões nacionais, e um dos principais conglomerados do setor audiovisual em nossa nação. Guel Arraes, Jorge Furtado e João Falcão, o segundo com notória experiência no cinema, o terceiro no teatro, e todos indiscutivelmente com insigne legado na televisão, somaram seus ímpares talentos, e por meio de precisos e interessantes diálogos, sempre oportunos e necessários em seu contexto, contando com a primorosa direção artística de José Luiz Villamarim, e com as eficientíssimas direção de Isabella Mesquita e direção geral de Luisa Lima, construíram um primeiro episódio que nos causou uma ótima impressão, com vontade inarredável de se esperar por sua continuação. A ideia de se adotar o formato de série semanal é, de fato, um considerável risco, cabendo aos autores e à direção de se encarregarem de nos oferecer invariavelmente irresistíveis desfechos. A direção da produção se apoderou de um estilo que em muito nos lembra filmes que nos são caros na memória afetiva provenientes da indústria de cinema dos Estados Unidos, e isto não é um demérito, sendo tão somente uma inspiração, uma referência. Imprimiu-se um tom naturalista à interpretação dos atores, uma objetividade dos diálogos, mas também as pausas pertinentes para os momentos de maior emoção e dramaticidade, não se esquecendo, é óbvio, da postura melodramática das performances nas rádios e seus gêneros. Usaram-se todos os tipos de angulações de câmeras, como planos fechados, planos e contraplanos, planos americanos, e muita movimentação, com a leve tremulação das suas imagens, com o acompanhamento dos personagens circulando por diferentes cenários. O elenco, pelo que vimos em seu pioneiro episódio, é um total acerto. O reencontro de Débora Falabella e Murilo Benício, após o sucesso de “Avenida Brasil”, formando pela primeira vez um casal na teledramaturgia, rendeu elogiosos resultados, comprovando a química existente entre eles. Murilo compôs Saulo de forma que crêssemos em seu caráter visionário e empreendedor, alternando passagens em que se evidencia mais sóbrio, em outras mais emocional e sensível, e nas demais resoluto e inabalável em suas deliberações. Já Débora Falabella desenhou com excelência o perfil de Verônica com os traços de uma jovem romântica e por vezes fragilizada tanto na sua condição de artista quanto na de mulher. Pode ser que haja uma reviravolta em sua personagem, o que com toda a certeza será bem desenvolvida pela atriz. Daniel de Oliveira se saiu perfeitamente convincente, como de costume, ao defender o doidivanas Otaviano. Daniel, com sua experiência, reconhece de longe as características natas dos papéis que habitualmente costumam lhe oferecer. Bruna Marquezine ostentou evidente processo de amadurecimento e evolução interpretativa ao viver uma jovem com sensualidade e formosura à flor da pele, além de nos provar que sua disciplina como intérprete se confirmou outrossim nas cenas, como dito, em que cantara. Bruno Garcia, cujo papel esconde uma homossexualidade, impingiu nítida credibilidade ao amigo prático e objetivo de Saulo (suas cenas seguintes com o também homossexual Rodolfo, de Alejandro Claveaux, poderão causar alguma polêmica; o fato de atores galãs, principalmente no cinema americano das décadas de 40 e 50, esconderem sua verdadeira orientação sexual para preservarem as suas carreiras era bastante comum). Cassia Kiss em sua rápida aparição como a mãe de Beatriz já indicou que a sua participação será valorosa. Fabrício Boliveira dignificou o seu papel, cabendo a ele uma oportuna denúncia na indústria da TV, ou seja, a questão de atores negros serem relegados a personagens de menos significância. Péricles é um bem-sucedido ator de radionovelas, e com o advento da televisão se tornará um mero figurante. Aguardemos ainda as atuações de Osmar Prado, Jesuíta Barbosa, Daniel Boaventura (que já apareceu no primeiro episódio fugazmente) e Letícia Colin (cujas cenas com Bruna Marquezine prometem incomodar os mais conservadores). Os figurinos de Cao Albuquerque correspondem com exatidão às décadas de 40 e 50, denotando o seu trabalho minucioso e caprichado. A direção de fotografia de Walter Carvalho buscou um tom, uma intensidade que se estabelecesse entre o atual e o pretérito, ofertando-nos um grau de nostalgia, sem que no entanto nos afastássemos da história narrada. Vimos tonalidades e filtros suaves, brandos, por vezes quase diáfanos, mas em nenhum instante se configurou a contextualização da presença de sua luz com a realidade. A produção de arte de Nena Alvarenga é um primor, respeitando todo e qualquer detalhe que nos reporte àquelas eras. Desde pequenos objetos de mobília, passando pelos automóveis e câmeras pioneiras da televisão. A produção musical de Eduardo Queiroz e a direção musical de Marcel Klemm falam por si só, devido à alta meticulosidade e bom gosto na seleção das canções, nacionais e internacionais, que perpassam a trama, além da trilha incidental. A abertura de Alexandre Romano e Flavio Mac é curta, bonita e potente, começando com a incrível versão de Cássia Eller para “Try a Little Tenderness”, de Otis Redding. Alexandre e Flavio, com demasiadas proficiência e inspiração, recortaram cenas do cotidiano dos principais personagens (algumas marcantes) e as pincelaram com tintas de cor forte imiscuídas ao preto e branco, proporcionando-nos um excelente produto final, com visualidade irretorquivelmente eloquente. “Nada Será Como Antes” é uma série que instiga o telespectador brasileiro (o que não a impede de ser universal) por não só contar a história do pioneirismo de nossa televisão, fato que por ele mesmo já nos desperta interesse, mas, por meio da figura da metalinguagem, transformar com requintes tanto em sua dramaturgia quanto em sua produção os acontecimentos inerentes a este mundo fantástico que a todos encanta em uma espécie de biografia do veículo e pessoas que direta ou indiretamente estiveram ligadas a ele. Tudo em forma de entretenimento, amparado em cuidadosa pesquisa histórica de Julia Schnoor. Parafraseando Saulo Ribeiro na noite de inauguração de sua TV Guanabara: “Está no ar, no seu lar, e no coração de todos vocês, ‘Nada Será Como Antes’! “.

“Eternamente Domingos”

Publicado: 22/09/2016 em TV

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Foto: Inácio Moraes/Gshow

Não fiquemos tão tristes com o rio. Não nos sintamos atraiçoados pelas águas correntes do Velho. Vilipendiado, humilhado, desviado de seu curso pela mão do homem vil. O mesmo homem vil omisso no alerta do perigo. O mesmo homem vil construtor de gigantes de pedra. O Velho e seus mistérios, os seus índios e rituais, não há quem os possa ignorar. O misticismo de aparentes águas plácidas há que se reverenciar. Ajoelhemo-nos diante da sacralidade do Chico. O Chico, o Velho, o Velho Chico homenageado e defendido em novela de TV. A história do Benedito, da Edmara e do Luperi, que esperou largo tempo para nos ser contada. Abençoada. Noite após noite, a partir do mês março das águas, o Brasil atual preocupado começa a olhar educado para a imensidão do rio grande que desenha em muitas linhas a sua rota infinita. A saga familiar dos dos Anjos e dos Sá Ribeiro passa a ser a nossa saga. Um personagem se chama Santo. Santo dos Anjos. O homem artista Renato Góes, o “Santo Forte de ‘Velho Chico’”, vindo lá de seu Recife, foi parar em Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia, e espalhou por essas plagas a sua luz e o seu brilho fulgurantes, dando início à jornada épica das batalhas gloriosas e inglórias dos clãs opostos. O ciclo de ouro de Renato se findou no conto, e o cetro santo foi entregue ao artista homem de circo, criança de picadeiro, com nome de dia da semana no plural e sobrenome que remete às montanhas: Domingos Montagner. Domingos, bufão adorável, que num programa de domingo, com dança pura e ingênua de balé, histriônica como deve ser, mas bela em seu querer, apareceu com graças. O homem de traços fortes e delicados, dessa vez na nação do encantado agreste misturada com a nobreza do cordel, oferece a sua verdade na pele do Capitão. O cidadão das Artes, de quem se ouvia a voz grave, vestiu a faixa de quem comanda o país, retumbando com o seu brado o talento que lhe foi enviado pelo desconhecido. Com seus olhos fixos, pintados com emoção, despertou-nos incondicional paixão. Domingos, viril e firme na postura, agora em trama de Gloria, mora em cavernas, e enlouquece as belas no longínquo torrão sob o céu dos balões. Salve Domingos. Em outra história, escrita com as tintas de Lícia, singrou mares em veleiro branco solitário. Tantas vidas, tantas sete vidas renascidas pelo amor maior do homem Montagner. Viveu um romance policial como um famoso personagem da literatura nacional. Segundo o próprio, “…um cara que observava as mulheres.” Um ator, cujos cabelos revoltos vimos encanecer em oito fugazes anos nas pequenas telas do nosso lar. O mesmo ator que em nenhum momento deixou para trás a sua raiz de brincalhão que fazia rir embaixo de lona. Rosto pintado, nariz de palhaço, honrou o circo, o riso e o respeitável público. La Mínima, La Mínima. Domingos, “O Mistero Buffo”. Montagner colocou o santo lenço de Renato, e no folhetim que está chegando ao fim, prosseguiu com a luta brava do jovem antecessor contra o poder inclemente do coronel opressor. Seu suor escorrido era o nosso suor escorrido. Sua peleja, também. Na vida real, uma família linda e amada. Na família da ficção, uma segunda família linda e amada. Ele era o “mano velho”, o “painho”, o “chefe”. A novela está no ar. Domingos continua lá. Parece que não se foi. E talvez não tenha ido. Sua alma e luz permanecem não só no rio que agora protege, mas no coração de todos nós. Domingos hoje é estrela, lua, sol, água, mata. Domingos são todos em um só elemento. Uno e vital. Reproduzo aqui o que seu parceiro de vida e personagem Renato Góes disse, em desabafo: “Agora eu sou eu e eu sou tu. Agora eu sou eu e tu. Eu vou com você pra sempre! Esse, de mim, nunca vai sair! Te amo!”. Que assim seja, Renato. Domingos é eterno. Amém.

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Foto: Divulgação

Desde “O Som Ao Redor” (2013), longa-metragem anterior do cineasta recifense Kleber Mendonça Filho, premiado nacional e internacionalmente, que tanto o público quanto a crítica especializada tem ficado atenta a este profissional do audiovisual que mostrou com a sua obra uma abordagem da sociedade e seus conflitos do cotidiano sublimemente particular, visivelmente pujante em suas imagens, com um roteiro marcado por notável elaboração. Se em “O Som Ao Redor”, Kleber traçava com bastante impacto a mudança de rotina dos moradores de uma pacata rua de Recife após a chegada de milicianos, em “Aquarius” ocorre também a mudança de rotina de uma pacata jornalista, Clara, vivida por Sonia Braga, que vê a sua tranquilidade ir embora quando uma construtora liderada pelo jovem engenheiro civil Diego (Humberto Carrão) decide comprar todos os apartamentos do antigo prédio onde mora sito em frente à bela Praia da Boa Viagem, para a construção de um novo e sofisticado projeto residencial, o “Aquarius”, nome que, na verdade, já era o do imóvel. Só que a bem-sucedida jornalista e escritora, amante da música em discos de vinil, como os de Maria Bethânia e Roberto Carlos, repele a gananciosa proposta da empreiteira, resistindo ao poder do dinheiro, ao lobby, às sabotagens, às ameaças veladas ou declaradas dos interessados na venda da propriedade e à pressão de sua própria família e dos seus até então vizinhos. Esta sinopse, que à princípio nos parece simples, ao contrário disso não possui nenhuma simplicidade. A sinopse (ótimo e extremamente bem costurado roteiro de Kleber Mendonça Filho) serve como estopim de uma série de altercações interpessoais nas quais se percebe assustadoramente até que ponto vai a ambição humana, e com ela uma intrínseca maldade, uma patente falta de caráter e ausência absoluta de ética, inclusive no que se refere à mocidade, porém exibe com equânime vigor a capacidade de luta de uma bela mulher madura que enfrenta tudo e todos na defesa dos seus direitos legítimos, uma espécie de “Uma Contra Todos” (parafraseando uma recente série de TV). Estes dois filmes de Kleber apresentam uma direção que foge ao padrão estabelecido por bastantes produções cinematográficas nacionais exibidas no circuito, não se enquadrando com exatidão num gênero específico. A sua obra mescla em um só conjunto altas doses de drama, aterrorizante clima de suspense e tensão, retrato e denúncias sociais com um estudo minucioso do comportamento do homem, com direito a alguns instantes de corriqueira comédia. Em suma, Kleber radiografa nossas próprias vidas. Sua câmera não é mirabolante e nem nos oferta ângulos espertos, inovadores tampouco revolucionários. Isto fica para os blockbusters norte-americanos, e para os congêneres brasileiros que tentam emulá-los. Suas lentes buscam o real, o cotidiano, o simples, o cru, os objetos que decoram uma casa, o close sem pretensões estilísticas, os relacionamentos comuns entre as pessoas e as suas consequências, as tomadas necessárias, e não com o propósito de se burlar o establishment estético ao qual nos habituamos a assistir em períodos atuais. Por estas mesmas razões, e por um hiperrealismo que nos assombra, é que provavelmente os longas de Kleber perturbam o espectador e a crítica, lançando um novo caminho para o cinema que se faz no Brasil. “Aquarius”, que foi cercado de polêmica desde que foi exibido como concorrente à Palma de Ouro em sessão de gala no Festival de Cannes (houve um protesto político por parte do elenco e diretor), e se estende até hoje pela reivindicação para que a classificação indicativa da produção baixe de 18 para 16 anos (o que foi conseguido no último dia 1º de setembro). O cineasta realiza com este filme uma eloquente homenagem à época dos anos 80, utilizando-se do recurso do flashback (claro, a fotografia, nesta etapa, evidencia uma textura que remete, pode-se afirmar, às polaroides). Já na atualidade, a meritosa direção de fotografia de Pedro Sotero e Fabricio Tadeu opta por tonalidades naturalistas. Há cenas emblemáticas na criação fílmica de Kleber, como a inicial, quando Clara, muito jovem, interpretada pela atriz Barbara Cohen (uma bonita artista que deve despertar o seu interesse) dentro de um carro “oitentista” com seus amigos numa praia deserta (vale asseverar que a direção de arte de Juliano Dornelles e Thales Junqueira reproduz com precisão detalhes desta icônica fase), ouvem num potente som um dos maiores clássicos da banda britânica Queen, “Another One Bites The Dust”. Em outra passagem, Queen também é escutado em outro de seus standards, “Fat Bottomed Girls”. O diretor também se valeu de sua obra para denunciar o triste preconceito vigente não só por parte dos homens, mas de um modo geral, contra as mulheres que se viram obrigadas a serem submetidas a uma mastectomia (esta cena nos revolta e nos comove). Em apenas uma frase revela o preconceito racial incrustado no Brasil (“sua pele mais morena”). O elenco de “Aquarius” é um dos pontos máximos do filme. Primeiro, porque traz de volta para as grandes telas de cinema aquela que foi e sempre será uma de nossas eternas musas do cinema nacional, Sonia Braga, recolocando-a em seu posto conquistado com performances memoráveis em “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “O Beijo da Mulher-Aranha”. Sonia, que também possui atuações antológicas na televisão, como nas novelas “Gabriela” e “Dancin’Days”, certamente com a Clara de “Aquarius” nos ostentou uma de suas mais consistentes, maduras, intensas e tocantes interpretações. Sonia construiu a sua Clara com impressionante estoicismo. As suas paixões são interiorizadas, exceto em suas expressões sexuais. Clara desvela um humor desconcertante face às adversidades por que passa. A sua bravura diante da soberba e inescrupulosidade dos detentores do poder econômico, representantes da especulação imobiliária, serve-nos de exemplo e referência. A mulher que tem em seu apartamento um pôster de “Barry Lyndon”, de Kubrick, e pilhas de vinis é personificada por Sonia Braga em um dos auges não só de sua beleza física madura, mas também interpretativa. Humberto Carrão, famoso e admirado ator de novelas, pertencente a uma promissora geração de artistas jovens, numa interpretação pontuada por sutilezas, convence-nos brilhantemente como o moço que estudou nas melhores escolas estrangeiras, formando-se em Business, como diz, o que o faz voltar ao Brasil cheio de “sangue nos olhos” para vencer na profissão, nem que para isso tenha que se utilizar dos meios mais escusos e corruptos. O espectador e os personagens ficam confusos ao se depararem com a sua beleza, simpatia e carisma, amparada por voz mansa, com a potência de sua vilania. O próprio diretor Kleber Mendonça Filho definiu o ator desta maneira em entrevista ao jornal O GLOBO: “Humberto tem cara de pessoa boa, menino brasileiro rico, mas que esconde uma falta de caráter formidável”. E continua: “E agora que eu conheço Humberto e lembro de Diego, dá para ver como Carrão é um ótimo ator. Ele e Diego não têm nada em comum”. Maeve Jinkinks, bela atriz brasiliense, com importante galeria de filmes em seu currículo, e que ficou bastante conhecida como a Domingas de “A Regra do Jogo”, na Rede Globo, interpreta a filha de Clara. Maeve é daquelas artistas que disseminam a sua adorável doçura por onde quer que passem, fotografando muito bem nas telas. Mas se engana quem pensa que esta doçura está presente em todas as suas performances. É preciso que vejam a atriz em longas-metragens como “Boi Neon” e “Amor, Plástico e Barulho”. Inclusive, a premiada Maeve está em seu segundo trabalho com Kleber, pois participou de “Um Som Ao Redor”. E o que dizer do premiadíssimo Irandhir Santos? Irandhir é, para mim, sem quaisquer sombras de dúvidas, um dos mais talentosos e versáteis atores surgidos nos últimos tempos no Brasil. Fez uma infinidade de bons e elogiados filmes, e já está construindo uma carreira de sucesso na TV (atualmente, destaca-se como Bento em “Velho Chico”, na TV Globo). Irandhir Santos (também repetindo a parceria com Kleber) vai do homem simples, chucro, ao indivíduo subserviente, até chegar ao charmoso guarda-vidas Roberval de “Aquarius”. O excelente ator cumpre com a nobreza de sempre a missão de dar vida a um dos poucos amigos de Clara que a ajudam. Temos ainda a presença do jovem ator pernambucano Allan Souza Lima, como Paulo, um sedutor garoto de programa que sacia ardentemente os urgentes desejos sexuais de Clara. Destaque na novela “A Regra do Jogo”, Allan mostrou que sabe fazer comédia. No filme em questão, o intérprete tem poucos momentos na tela, mas estes são o bastante para que Allan deixe transbordar toda a sua sensualidade viril de modo absolutamente natural. Outros atores que merecem as nossas merecidas considerações são Carla Ribas, Julia Bernat e Thaia Perez, dentro de um elenco muitíssimo bem escalado. “Aquarius”, que entrou na concorrida lista de filmes candidatos a lutarem por uma vaga na indicação brasileira para a disputa pelo Oscar de Filme Estrangeiro (tendo consideráveis chances de consegui-la, a despeito de novas polêmicas), é um filme que deve obrigatoriamente ser visto por aqueles que amam o cinema, que apreciam a diferença de sua linguagem, que são devotos de uma reflexão após uma obra cinematográfica, que não buscam somente o entretenimento, e que estão abertos a discussões relevantes sobre o ser humano, seu comportamento e relações, que são levantadas em cima de fatos do dia a dia, que consuetudinariamente acontecem bem ao nosso lado. Em determinado momento do longa de Kleber Mendonça Filho, a praga “cupins de demolição” tem a sua representação. A destrutividade ancestral do homem comum também nos é escancarada sem meios-termos. Uma das lições que aprendemos com esta excelente obra em cartaz nos cinemas é a de que se pode combater sem medo os “cupins de demolição”, espalhados por toda a parte, próximos ou distantes, sempre prontos e dedicados em nos aniquilar em sua totalidade. Mas sempre existirá uma Clara em seus caminhos. As “Claras” da vida nos parecem inofensivas, vulneráveis. Apenas nos parecem. Basta que se juntem a um só tempo um edifício antigo de Recife chamado “Aquarius” e uma das musas do nosso cinema nacional cujo nome é Sonia Braga, conduzidos pela batuta de um cineasta de nome Kleber, para que vocês, espectadores, não temam nenhuma praga. Seja ela social, humana ou literal. Esta é a mensagem de “Aquarius”. Nada mais a dizer.

 

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O produtor, multi-instrumentista e arranjador Diogo Strausz e o cantor, ator, compositor e músico Chay Suede, após o show da banda Aymoréco, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro.
Foto: Paulo Ruch

O Brasil sempre foi um berço de movimentos musicais artísticos que, por sua riqueza de sonoridades e criatividade rítmica, obteve, em distintas épocas, a merecida respeitabilidade e admiração de seu povo (alguns desses ao redor do mundo). Assim foi com o samba, cujo nascimento como hoje é conhecido, deu-se no início do século XX no Rio de Janeiro. O samba tornou-se com o tempo um de nossos principais signos de identificação no exterior. No final dos anos 50, surgiria aquele que, até os dias atuais, é considerado o mais importante movimento musical do Brasil: a bossa nova. A bossa nova, representada por Tom Jobim, João Gilberto e Nara Leão, ganhou os palcos internacionais e a reverência de ídolos do cenário externo, como Frank Sinatra. Nos anos 60, artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, dentre outros, lançaram um pop rock melódico e ingênuo que conquistaria fãs por toda a nação, a Jovem Guarda. Na segunda metade dos anos 60, os Festivais da Canção marcaram toda uma geração, e com eles passamos a conhecer Chico Buarque, que veio a se tornar um de nossos principais compositores brasileiros, com muitas de suas letras carregadas de forte teor político. No final da década de 60, sob o regime implacável de uma ditadura militar, a transgressão musical e estética se materializou na Tropicália ou Tropicalismo, que teve a influência de vanguarda das Artes Plásticas, como o Concretismo, além de inspirações estrangeiras, que influenciaram o cinema e o teatro. Daí, vieram nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Gosta, Os Mutantes e Tom Zé. Nos anos 80, o Brasil foi surpreso e sacudido pelo surgimento coletivo de grupos de rock de altíssima qualidade, como Legião Urbana, Barão Vermelho e Titãs, somados a tantos outros, originando assim o movimento que até hoje reverbera na formação de novas bandas e no imaginário das pessoas, o BRock. Desde então, excetuando-se o aparecimento do Mangue Beat, movimento contracultura liderado por Chico Science e sua Nação Zumbi, e conjuntos como O Rappa, não tivemos nenhuma outra manifestação cultural e artística reconhecidamente valorosa em nosso país. Claro que houve correntes musicais que açambarcaram por seus méritos bastantes fãs Brasil afora, como o pagode, a axé music, as duplas sertanejas, bons grupos de rock como o Skank, e atualmente o sertanejo universitário e o rap e o funk. Mas eis que surge em setembro de 2015, com o lançamento de um EP com apenas quatro faixas, intitulado “aymoréco” (um trocadilho com as palavras Aimorés e “amoreco”), uma dupla que se caracterizaria pela sua ousadia deliberada em mesclar os mais diferentes ritmos e influências musicais, e por conseguinte criar as suas próprias identidade visual e sonora, o cantor, ator, compositor e músico Chay Suede, e o multi-instrumentista, produtor e arranjador Diogo Strausz. Chay é de Vila Velha, Espírito Santo. Depois de ter participado do reality “Ídolos”, foi escalado para ser um dos protagonistas da novela “Rebelde”. O sucesso do folhetim fez com que o ator e cantor se juntasse a outros cinco integrantes da produção em um grupo musical homônimo. A banda Rebelde arrebatou o público adolescente, que ia em massa aos vários shows promovidos pelo país. Já o carioca Diogo Strausz, que já foi DJ, produtor de festas e guitarrista do grupo R.Sigma, lançou o EP “Garota Nacional” e o disco “Spectrum Vol. 1”, que contou com as participações de Alice e Danilo Caymmi, Kassin, e de seu pai Leno, da dupla da Jovem Guarda Leno & Lilian. Recentemente, a banda “Aymoréco”, sem muito alarde na mídia, apresentou-se seguidamente em shows pelo Rio de Janeiro: no Boulevard Olímpico, no Teatro Rival e na casa noturna Buraco da Lacraia, todos localizados no Centro do Rio de Janeiro. Assisti a dois desses shows (Teatro Rival e Buraco da Lacraia), e o que posso lhes dizer à princípio é que me tornei um grande admirador do trabalho desta dupla talentosíssima, que veio com a nobre missão de transformar, modificar e balançar os pilares da estagnação criativa de nossa música. Irei analisar em particular o show realizado no conhecido club da Lapa, o Buraco da Lacraia. No pequeno palco do espaço, sito junto à área da plateia, permitindo aos espectadores se colocarem bem próximos dos músicos, o que é muito bom e positivo, vê-se um cenário com viés futurista, em que papéis laminados prateados retorcidos forram significativa parte da ribalta, seja em sua frente ou na região posterior. Parece-nos à primeira vista uma robusta pedreira que vai absorvendo belamente as cores provindas da variada paleta de tons da iluminação. Chay e Diogo adentram o palco, e são recebidos com efusividade pelo público que lota a casa noturna. Tanto Chay Suede quanto Diogo Strausz, acompanhados de mais dois músicos (teclados eletrônicos e percussão), estão vestindo macacões brancos de mangas curtas, com a barra de suas calças levemente levantadas, o que nos faz perceber que estão descalços. A iluminação do show é absolutamente feérica e alegre, com predominância do vermelho, do verde, do rosa e do dourado. O recurso contribui bastante para o embelezamento de todo o conjunto da apresentação. O repertório de canções compostas por Chay possui títulos demasiado criativos e divertidos. Nota-se que as músicas do Aymoréco sofreram múltiplas e bem-vindas influências de demais gêneros, resultando, porém, em algo único, com sobeja personalidade. Avaliemos algumas das canções exibidas nos shows. Antes de mais nada é preciso que se diga que todas, ao seu modo, são inapelavelmente dançantes. A empolgante “Chuva de Like” refere-se, como o nome indica, aos relacionamentos afetivos em meio às redes sociais. Ou melhor, fala-se de uma espécie de amor platônico nestes tempos digitais. Usam-se termos próprios desta era moderna, como Instagram, Skype, “stalkear”, “printar”, “cutucar”, “seguir”, “nude” etc. Há uma pegada de surf music, e lembranças do som dos Titãs. Ao som de onomatopeias e versos como “Agora é assim/ Início do fim/ Quando o Carnaval chegar/ Com seus likes vou dançar…”, “Chuva de Like” (composição também de João Vitor Silva) é excelente. “Cilada” nos mostra novamente a inserção de acordes de surf music muito bem pontuados imiscuídos a uma variedade ampla de sons percussivos (lembra-nos às vezes a sonoridade de um ritual indígena e ruídos das florestas). Chay canta com uma voz com entoação diferenciada e em espanhol (são poucos versos, como “…Que Rico Mi Amor, Que Rico…”. “Cilada” nos oferta uma qualidade e uma exuberância sonora inacreditáveis. “Cilada” é, pode-se dizer, uma experiência musical sensorial e “lisérgica”. A linda, ultrarromântica e até certo ponto melancólica “Vem Que Tem” revela um Chay Suede com uma emissão vocal deliciosamente maviosa e suave. Quem não se comoverá com versos como “Sinto sua falta/E te quero bem/Pode ter certeza vem que tem…”? “Vem Que Tem” poderia ser classificada como pertencente ao estilo “tecnobrega”. Com romantismo, e começo marcado por percussão, a sensual “Água de Amor” também se define como vertente do tecnobrega, exigindo de Chay maiores extensões vocais, cumpridas com irrefutável êxito. Um de seus trechos diz: “Em teus olhos teu calor/Em teu cheiro água de amor/E a gente segue assim/Dez pra você e dez pra mim”. A suingada e psicodélica “Índia Jenifer” conta a história de uma bonita indígena que veio do Belém do Pará, que apesar dos traços de seu povo, não traz consigo a sua genuína identidade, devido às influências externas, estrangeirismos e modernidades. A denunciativa “Índia Jenifer” possui refrãos pujantes, como “Na guerra, na selva, floresta…”. Com riffs elaborados, a música se firma no repertório com sua riqueza melódica. “Hipopótamo” (pedida em bis) é uma música altamente festiva e jovial, sendo uma das que mais se identificam com a latinidade. Jogando com as palavras e suas rimas, com a preponderância de sopros, “Hipopótamo”, misturando os idiomas português e espanhol, é uma ode à felicidade e às cores, realçada em frases como “Pinta de amarelo, tira o azul daí, calça o seu chinelo, venha ser feliz.” Com um fugaz início que lembra a batucada dos terreiros de umbanda, seguido logo pelos acordes do violão de Chay, na bem-humorada e confessional “Rapadura”, que novamente aborda a admiração de um rapaz por uma moça, lança mão de repetições de palavras e vogais, rimas, e até mesmo falsetes. A canção, que contém trechos como “Rapadura é doce mas não é mole não/Cheio de Dalila pra ‘encarecar’ Sansão”, possui um dos melhores acompanhamentos instrumentais de todo o set list. Impossível ficar parado diante do suingue de “Rapadura”. Mais um acerto do Aymoréco. E o que dizer da animada, terna e doce canção “Dona Lucinha”, uma aberta, honesta e emocionante declaração de amor, admiração e carinho à mãe do cantor, poeta e compositor Cazuza? Chay, na verdade, de modo confessional, pessoal, conta-nos uma bonita história de seu encontro com a admirável e forte mulher engajada em importantes causas sociais. A veneração de Chay por ela se deve potencialmente tanto por esta razão quanto por ser a mãe de um de seus prováveis ídolos. “Dona Lucinha” é daquelas músicas que não cansamos de ouvir de tão encantadora que é. “Dona Lucinha” merece a reprodução de sua letra na íntegra: “Dona Lucinha é gente boa/Dona Lucinha é gente fina/Dona Lucinha/Dona Lucinha, mãe de Cazuza/Dona Lucinha vem e me usa/Me alucina/A primeira vez que te vi foi na festa de Paula Lavigne/Fiquei feliz demais/Fiquei correndo atrás/É só você me olhar e um sorriso se abre em meu rosto/Sinto vergonha e tal/Sei que escondo mal/Dona Lucinha sensacional/Dona Lucinha etc e tal/Me alucina/Dona Lucinha gente boa/Dona Lucinha gente fina/Me alucina…”. Confesso que poucas vezes em minha vida testemunhei uma homenagem tão sincera, verdadeira e tocante de um compositor a uma pessoa como a que Chay Suede fez a Lucinha Araújo. Ouvir “Dona Lucinha” com seus acordes instrumentais “alto astral”, “pra cima”, com uma “vibe” ótima, arrepia-nos. “Assassinos” é um single (com versos do poema de Gonçalves Dias, “I – Juca Pirama”) que tange a denúncia, com um viés mais politizado, privilegiando a letra falada em detrimento da cantada (“Nossas avenidas homenageiam assassinos/Até as bonitinhas/Pode crer…”), chegando próximo a um rap. Esta música ostenta um inegável domínio no uso amplo de palavras rimadas, todas dentro de um contexto narrativo forte que remete a guerras, tribos indígenas, peregrinações por terras devastadas de um pai e seu filho. Trata-se de fato da história penosa e guerreira de um índio da tribo Tupi que nos descreve as agruras por que passa em suas andanças por meio das quais tudo testemunha, numa mistura equilibrada dos ciclos de vida e morte. O que se pode concluir com estas duas apresentações da banda Aymoréco é que nada disso seria possível e viável se não houvesse um explícito entendimento e uma autêntica sintonia entre Chay Suede e Diogo Strausz. A impressão que temos é de que são dois amigos de longa data que estão realizando profissionalmente um antigo sonho de cantarem e tocarem juntos aquilo que possuem em comum: o amor que sentem pela música e seus infinitos sons. Tanto Chay quanto Diogo têm ambos uma incrível presença de palco. A cada ritmo eles correspondem com os seus corpos de um modo distinto, particular e carismático. Há uma cúmplice troca de olhares como se um estivesse dizendo ao outro: – Cara, está tudo dando certo! Ou: – Parceiro, agora vem aquela música que nos amarramos em tocar! E mais ainda, vindo de Chay: – Diogo, agora é a hora daquele som em que a galera vai vibrar! A isto chamamos de parceria, a isto chamamos de dupla, a isto chamamos de banda, grupo ou conjunto musical, enfim, quando cada um torce e deseja pelo progresso do outro, quando, no caso os dois, estão realmente juntos em nome do sucesso do Aymoréco. Aymoréco é, não há como negar, uma banda diferente. Uma banda que se inspira e se baseia numa profusão de ritmos e gêneros diversos. Mas a grande e visível diferença que os torna tão fascinantes é a sua personalidade. Tanto no Teatro Rival quanto no club Buraco da Lacraia, onde neste último o show foi em comemoração ao primeiro disco, “Aymoréco” (Universal Music), com produção de Mario Caldato Jr. e Diogo Strauzs, lançado no dia seguinte à apresentação, no dia 26 de agosto. Assistimos a um show com a marca, com o selo do Aymoréco. E isto é muito em termos artísticos. Quando entramos em qualquer show desta dupla, entramos com amor, e durante e após o mesmo já sentimos aquele “amoreco” por Chay e Diogo. Chay Suede, Diogo Strausz e sua banda Aymoréco merecem de nós todos não somente os aplausos merecidos, mas uma “chuva de likes”, com todos os amores que podemos lhes oferecer.