“Premiado no Brasil e no exterior, ‘Tinta Bruta’ é um retrato doloroso e verdadeiro da falta de perspectivas do jovem em nosso país, cercado por largas correntes de preconceito e intolerância de todos os tipos.”

Publicado: 18/01/2019 em Cinema

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Foto: Divulgação do filme

“Tinta Bruta”, um dos mais relevantes filmes independentes gaúchos dos últimos anos, estreia no Cine Arte UFF, com direito à debate com a presença de seus diretores e dos atores principais 

Em 8 de dezembro do ano passado, assisti, no Cine Arte UFF, em Niterói, no Rio de janeiro, a um filme bem interessante, e relevante para os tempos atuais, pertencente à atual cena cinematográfica independente gaúcha, “Tinta Bruta”, dirigido e roteirizado por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. No dia 7, após a exibição de estreia do longa-metragem, houve um debate, no mesmo local, com a participação de Filipe e Marcio, e dos atores Shico Menegat e Bruno Fernandes.

“Tinta Bruta”, corajosamente e sem ser panfletário, toca em temas importantíssimos e atuais, como o bullying e a homofobia, tornando-se um pujante instrumento artístico denunciatório contra a prática de uma série de preconceitos e intolerâncias

A produção, que se passa em um centro da cidade nada glamouroso de Porto Alegre, toca, com notável propriedade, em temas contemporâneos delicados, como voyeurismo virtual, bullying, homoafetividade e homofobia, firmando-se assim como uma obra fílmica denunciatória das práticas da intolerância e do preconceito. Sem ser, o que é um grande mérito, panfletário, “Tinta Bruta” conta a história do solitário Pedro (Shico Menegat), um jovem homossexual que ganha a vida fazendo performances sensuais na internet, cujo maior atrativo é o fato de pintar o próprio corpo com tintas coloridas que, sob uma luz especial, ganham aspectos fluorescentes, como o neón (seu nick é Garoto Neon). Pedro, durante a sua via-crúcis numa terra onde a lei é a não aceitação, envolve-se com o bailarino Leo (Bruno Fernandes), enquanto aguarda a sentença de um processo de agressão da qual é acusado.

Premiado e elogiado no Brasil e mundo afora, “Tinta Bruta” serve como arma legítima contrária ao retrocesso cultural e comportamental que estamos vivendo

O filme levou importantes prêmios: Melhor Filme Teddy Award Berlim 2018, Grande Prêmio do Festival do Rio 2018, Melhor Filme CICAE Art Cinema Award Berlim 2018, dentre outros, além de ter recebido efusivos elogios do “Exberliner”, “Hollywood Reporter” e “Variety”. Com elenco afinado (e premiado), bela fotografia de Glauco Firpo e desenho de som dançante de Tiago Bello e Marcos Lopes, “Tinta Bruta” é essencial como arma legítima contra o retrocesso cultural/comportamental do país.

 

Assista ao trailer: https://www.youtube.com/watch?v=zM9Q36ZKJqY

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