Arquivo de setembro, 2019

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Foto: Paulo Ruch

A atriz Lucy Ramos na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
Lucy nasceu em Recife, Pernambuco, mas ainda criança se mudou para São Paulo.
Adolescente, torna-se modelo.
Frequentou cursos de teatro do Senac, além da Oficina de Atores da Rede Globo.
Sua estreia em novelas foi na própria Globo, em “Começar de Novo”, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin.
Na 12ª temporada de “Malhação”, numa participação especial, interpretou Valéria, irmã do personagem de Rocco Pitanga, Rico.
Em seguida, ganha um papel, a dama de companhia Adelaide, no remake de “Sinhá Moça”, de Benedito Ruy Barbosa, em 2006 (20 anos antes, o mesmo Benedito lançava o folhetim de época protagonizado por Lucélia Santos; nesta versão, Débora Falabella ocupou o posto principal).
A intérprete, no mesmo ano, só que na faixa das 19h, emenda em “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi, produção em que defendeu Guguta.
Foi convidada pela equipe do programa “Domingão do Faustão” a testar os seus limites como patinadora na competição “Dança no Gelo”.
Dois anos depois, em 2008, retorna às tramas de época, e novamente em um remake, “Ciranda de Pedra”, de Alcides Nogueira, no qual encarnou a vilã Luciana (a história, baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles, foi exibida pela primeira vez em 1981, tendo sido adaptada por Teixeira Filho).
Lucy participa de outro remake, “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa, como Cleusinha (a sua primeira versão, também escrita pelo autor, foi ao ar em 1982).
Em 2011, a artista esteve no elenco do sucesso das seis horas “Cordel Encantado”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, como uma de suas protagonistas, Maria Cesária.
Esteve no episódio “A Sambista da BR 116”, da série “As Brasileiras”, como Dagmar (esta atração foi inspirada em outra série exibida pelo canal, “As Cariocas”, que teve como fonte o livro homônimo de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta).
Foi vista em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, em 2012, como Sheila, a melhor amiga de Morena, Nanda Costa.
Em “I Love Paraisópolis”, de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, representou a psicóloga Patrícia.
No ano posterior, em 2016, integra uma trama ambientada no momento histórico das confabulações da Inconfidência Mineira, a novela das 23h de Mário Teixeira “Liberdade, Liberdade” (a intérprete deu vida a Malena, uma escrava maldosa que entrava em conflito direto com Branca Farto, Nathalia Dill).
Em “A Força do Querer”, uma novela de enorme repercussão de Gloria Perez veiculada na faixa nobre, Lucy, atuando como a advogada Leila, disputou por um período com Bibi, Juliana Paes, o amor do também advogado Caio, Rodrigo Lombardi.
Pela primeira vez experimenta a dramaturgia de uma emissora fechada, o GNT, na série escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, “Edifício Paraíso”, que contava a história de cinco casais que viviam no mesmo prédio, cujos desentendimentos acabavam sendo compartilhados pelos outros moradores (seu par, neste seriado, foi representado por Ícaro Silva).
Em seu próximo folhetim, que foi ao ar no ano passado, terminando no início deste, “O Tempo Não Para”, uma trama bastante original pensada por Mário Teixeira, defendeu a rigorosa advogada Vanda, mais conhecida, devido a esta característica, como Vandeca Pitbull.
No cinema, esteve em uma produção internacional, um filme do gênero terror, “Turistas”, de John Stockwell, e os nacionais “Um Dia de Ontem”, de Thiago Luciano e Beto Schultz, no qual contracenou com Caco Ciocler, e “Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer”, do mesmo Thiago Luciano, voltando a trabalhar com Caco Ciocler (também pudemos lhe assistir no curta-metragem “Inocente”).
Em novembro de 2018, estreou no longa de ação e suspense de Gustavo Bonafé, “O Doutrinador” (o filme, com Kiko Pissolato, foi transformado em seriado com o nome “O Doutrinador – A Série”, podendo ser acompanhado no momento pelos telespectadores no Canal Space).
Além disso, atualmente, a atriz Lucy Ramos representa uma personagem de destaque, a professora de inglês e futura digital influencer Sílvia, na novela das 21h da Rede Globo “A Dona do Pedaço”, de Walcyr Carrasco, com direção artística de Amora Mautner (Sílvia, entre idas e vindas, num contexto de humor, disputou com a agente de influenciadores digitais Kim, Monica Iozzi, a companhia do indeciso e volúvel Márcio, Anderson Di Rizzi, no entanto, após ter sido “usada” por Chiclete, Sérgio Guizé, para despertar ciúme em Vivi, Paolla Oliveira, assim como o treinador de boxe Abdias, Felipe Titto, também o fora pela digital influencer, ambos, com a mesma sensação de engano, carência e desmerecimento, decidiram “engatar” um romance; dramaticamente, a professora de inglês foi agredida com um tapa no rosto por um aluno, Merlin, Cadu Libonati, em uma escola de classe alta de São Paulo, e nada pôde fazer para não perder o seu emprego; e testemunhou a negligência pessoal de sua irmã Gilda, Heloísa Jorge, quanto à sua saúde, levando-a à derrota fatal, em nome de um casamento sustentado apenas por comiseração e gratidão por parte de seu marido, o advogado Amadeu, Marcos Palmeira).

Agradecimento: TNG

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Foto: Victor Jucá/Divulgação

Consagrado no Festival de Cannes deste ano “Bacurau” se vale de diversos gêneros cinematográficos, como o western e a ficção científica, para nos contar uma história perturbadora, sem deixar de lado seu tom denunciativo nos campos social e político 

O ano de 2019, a despeito de sucessivas tentativas de desmonte cultural, tem sido gratificante para o Brasil, considerando-se o reconhecimento internacional de dois longas-metragens, “Bacurau” (Brasil, França), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ao saírem vencedores, respectivamente, com o Prêmio do Júri, e com a láurea máxima da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Bacurau” (também consagrado em Munique – Melhor Filme do Festival de Munique, e Lima – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Direção do Festival de Lima 2019), que resgata a parceria de Kleber com Sonia Braga (“Aquarius”, 2016), traz ao público uma narrativa tão peculiar quanto perturbadora, açambarcando gêneros diversos, como o western, a ficção científica e o suspense, não se intimidando em ostentar uma violência crua e sanguinária, tampouco em denunciar política e socialmente mazelas enraizadas em nosso país.

O filme, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é centrado em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, que vê a sua normalidade cotidiana, em meio à miséria e à tecnologia, interrompida com a chegada misteriosa de um grupo heterogêneo de pessoas que traz consigo uma série de acontecimentos inexplicáveis 

A trama se passa num futuro próximo em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, um local distópico onde a miséria e a desolação se misturam à tecnologia, havendo um espírito de coletividade entre os seus habitantes. A comunidade entra em estado de alerta a partir do momento em que Bacurau não está mais no mapa, e fatos estranhos decorrem em sequência. “Invasores” estrangeiros, liderados por um lunático racista, Michael (Udo Kier, inexorável), ameaçam, sem razão aparente, a existência do povoado, motivando a reação geral.

Trazendo de volta aos cinemas uma de suas maiores estrelas, Sonia Braga, “Bacurau”, antes de tudo, reafirma a importância do cinema brasileiro, servindo de instrumento de resistência às tentativas históricas de silenciá-lo

Sonia Braga, como a médica Domingas, arrebata-nos com o amálgama de brutalidade e ternura de sua personagem. Outros nomes se destacam no elenco brilhante que prima pela diversidade, como Bárbara Colen, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia e Thomás Aquino. “Bacurau”, com sua estética própria e corajosa, reafirma o alto valor de seus diretores, que ressignificaram o importante cinema brasileiro, respeitando toda a sua história de glórias, lutas e resistência.

Assista ao trailer do filme: