“Consagrado em Cannes, “Bacurau”, dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, através de sua perturbadora história de luta entre potenciais opressores e oprimidos, firma-se como cinema de resistência em um momento delicado do país, cuja arte respeitada em todo o mundo se vê ameaçada. “

Publicado: 02/09/2019 em Cinema

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Foto: Victor Jucá/Divulgação

Consagrado no Festival de Cannes deste ano “Bacurau” se vale de diversos gêneros cinematográficos, como o western e a ficção científica, para nos contar uma história perturbadora, sem deixar de lado seu tom denunciativo nos campos social e político 

O ano de 2019, a despeito de sucessivas tentativas de desmonte cultural, tem sido gratificante para o Brasil, considerando-se o reconhecimento internacional de dois longas-metragens, “Bacurau” (Brasil, França), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ao saírem vencedores, respectivamente, com o Prêmio do Júri, e com a láurea máxima da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Bacurau” (também consagrado em Munique – Melhor Filme do Festival de Munique, e Lima – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Direção do Festival de Lima 2019), que resgata a parceria de Kleber com Sonia Braga (“Aquarius”, 2016), traz ao público uma narrativa tão peculiar quanto perturbadora, açambarcando gêneros diversos, como o western, a ficção científica e o suspense, não se intimidando em ostentar uma violência crua e sanguinária, tampouco em denunciar política e socialmente mazelas enraizadas em nosso país.

O filme, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é centrado em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, que vê a sua normalidade cotidiana, em meio à miséria e à tecnologia, interrompida com a chegada misteriosa de um grupo heterogêneo de pessoas que traz consigo uma série de acontecimentos inexplicáveis 

A trama se passa num futuro próximo em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, um local distópico onde a miséria e a desolação se misturam à tecnologia, havendo um espírito de coletividade entre os seus habitantes. A comunidade entra em estado de alerta a partir do momento em que Bacurau não está mais no mapa, e fatos estranhos decorrem em sequência. “Invasores” estrangeiros, liderados por um lunático racista, Michael (Udo Kier, inexorável), ameaçam, sem razão aparente, a existência do povoado, motivando a reação geral.

Trazendo de volta aos cinemas uma de suas maiores estrelas, Sonia Braga, “Bacurau”, antes de tudo, reafirma a importância do cinema brasileiro, servindo de instrumento de resistência às tentativas históricas de silenciá-lo

Sonia Braga, como a médica Domingas, arrebata-nos com o amálgama de brutalidade e ternura de sua personagem. Outros nomes se destacam no elenco brilhante que prima pela diversidade, como Bárbara Colen, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia e Thomás Aquino. “Bacurau”, com sua estética própria e corajosa, reafirma o alto valor de seus diretores, que ressignificaram o importante cinema brasileiro, respeitando toda a sua história de glórias, lutas e resistência.

Assista ao trailer do filme:

 

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