Blog do Paulo Ruch

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Hebe
Foto: Divulgação/TV Globo

Uma das maiores comunicadoras do país, Hebe Camargo reunia carisma, credibilidade e clareza discursiva, sendo mais do que justificável a realização de uma série sobre a sua trajetória

A televisão só é eficaz se cumprir o seu precípuo papel de se comunicar diretamente com o público. Para que isso seja factível é indispensável que haja profissionais no veículo que reúnam atributos como credibilidade, carisma e clareza no discurso. A apresentadora Hebe Camargo reunia tudo isso e talvez um pouco mais, tornando-se assim uma das maiores comunicadoras do país. Justifica-se deste modo a realização de uma série dedicada a esta fulgurante mulher de Taubaté, interior de São Paulo, que também se sobressaiu como cantora.

Carolina Kotscho não poupou o público de nada que pudesse nublar a verdadeira personalidade de Hebe, contraditória, exuberante ou exagerada, feliz ou triste, e acima de tudo humana e corajosa, mostrando-nos além disso os seus excessos com o álcool e a sua defesa da transexualidade e da homossexualidade

“Hebe”, criada e escrita com extraordinário brilho por Carolina Kotscho (com diálogos excepcionais), reestreou seu primeiro episódio na Rede Globo na quinta-feira passada, trazendo-nos à lembrança recortes cruciais que definem com estrita precisão traços que identificam a personalidade contraditória, humana, exuberante ou exagerada, feliz ou entristecida, e corajosa desta artista que faz parte da história da TV brasileira. Carolina não nos deixou escapar nada em seu introito, que mostra a apresentadora já em tratamento contra um câncer, e 25 anos antes, defendendo a transexualidade de Roberta Close e o travestismo artístico de Patrício Bisso, a homossexualidade, combatendo as sobras da censura de uma democracia nascente (na pele do censor Guimarães, Fernando Eiras, magnífico), insurgindo-se contra a intolerância de seu diretor Walter Clark (Danilo Grangueia, vigoroso). Seus excessos no álcool não ficaram de fora nem sua relação inconstante com o ciumento marido Lélio (Marco Ricca com seu sotaque paulistês carregado está irrepreensível). Assim como o seu amor incondicional pelo filho Marcelo (Caio Horowicz, acertadamente introspectivo). O fiel sobrinho Cláudio coube ao ótimo Danton Mello.

A personificação de Andrea Beltrão da apresentadora Hebe é um marco em sua carreira

Andrea Beltrão, numa devastadora personificação de Hebe, impressiona nos detalhes de sua riquíssima composição (voz, olhar, trejeitos, postura). Um marco em sua carreira. Mauricio Farias, diretor artístico, e Maria Clara Abreu, diretora, exploram lindamente a câmera em suas distintas possibilidades. Com direção de arte de Luciane Nicolino, figurino de Antônio Medeiros e caracterização de Simone Batata irretocáveis, “Hebe” consagra-se como um sublime retrato de uma admirável estrela que tinha “peninha” de morrer.

Categorias: TV

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