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O ator Christian Malheiros é o protagonista do filme “Sócrates”/Foto: Divulgação

Premiadíssimo em importantes festivais, como o Independent Spirit Awards e o Festival do Rio, “Sócrates”, que teve o aval do celebrado diretor e produtor Fernando Meirelles, narra de forma contundente a história de um jovem negro homossexual que só deseja obter as cinzas de sua mãe falecida, enfrentando durante este périplo todos os tipos de preconceito

Há filmes ditos independentes que não podem passar despercebidos aos olhos do público no circuito cinematográfico. Um exemplo é o premiadíssimo longa de estreia de Alexandre Moratto, com a chancela valorosa de Fernando Meirelles como produtor executivo (O2 Play), “Sócrates” (Brasil, 2018). Vitorioso no Independent Spirit Awards 2019 com o prêmio Someone to Watch, no Festival do Rio 2018 com o Prêmio Félix de Melhor Filme de Ficção, no Festival Mix Brasil com as láureas de Melhor Filme, Diretor e Ator (Christian Malheiros, também indicado ao Independent Spirit Awards), além de outros prêmios internacionais e Menção Honrosa na Mostra Internacional de São Paulo,
a obra, uma produção do Instituto Querô e Querô Filmes, montada e corroteirizada por Alexandre e Thainá Mantesso, narra a pungente e dolorida trajetória do jovem Sócrates (Christian Malheiros, excepcional, um ator que se expressa com potência máxima em seu triste olhar), de 15 anos, que após perder a sua mãe, vê-se sozinho numa Baixada Santista periférica com miséria dominante, retrato do Brasil real, em busca inglória por um emprego qualquer para sobreviver. Fugindo do pai opressor e da prostituição e tendo que lidar com a sua homossexualidade (consumada com Maicon, o brutalmente ótimo Tales Ordakji), Sócrates, que deseja lançar as cinzas maternas em um lugar digno, é a prova viva do abismo social brasileiro, onde milhões de jovens foram usurpados de seu futuro.

O filme, que revela as promessas Alexandre Moratto, diretor, e Christian Malheiros, ator, descende das linguagens cinematográficas do Cinema Novo, vistas em filmes dos expoentes Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos

Com pegada de câmera glauberiana, esta peça fílmica neorrealista contemporânea, que se conecta com a linguagem crua cinemanovista de Nelson Pereira dos Santos, além de lançar as promessas Alexandre Moratto e Christian Malheiros, serve como sinal de alerta urgente para o establishment desigual e injusto vigente na nação da “ordem”, do “progresso” e das castas cada vez mais privilegiadas.

Assista ao trailer do filme:

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