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Viktoria Miroshnichenko, a “Grandona” do filme de Kantemir Balagov, impressiona com sua atuação catatônica/Foto: Divulgação

Temas bélicos ou com viés revolucionário sempre foram abordados na prestigiada cinematografia russa, tendo como seu maior representante Serguei Eisenstein, que deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin”

As temáticas bélicas ou revolucionárias sempre estiveram presentes nas obras cinematográficas russas. Serguei Eisenstein, um dos maiores cineastas de todos os tempos, deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin” (1925) e filmes considerados clássicos como “Alexander Nevsky” (1938), este último codirigido por Dmitri Vasilyev. Em dezembro de 2019, foi lançado no Brasil o longa-metragem mais destacado da safra recente do cinema russo, representante oficial do país a tentar uma vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional de 2020, “Uma Mulher Alta” (“Dylga”, Rússia, 2019), do jovem cineasta Kantemir Balagov, premiado na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2019 com a Melhor Direção.

O filme, que é baseado no livro laureado em 2015 com o Nobel de Literatura “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Aleksiévitch, traz duas ótimas atrizes em seu elenco, Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, transmitindo ao público, ao final, somando-se suas qualidades e desacertos, uma importante mensagem antibelicista

Baseado no livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, da vencedora do Nobel de Literatura de 2015 Svetlana Aleksiévitch, o filme, que se passa no pós-guerra, em 1945, numa Leningrado com a sua população arrasada, acompanha a dolorida trajetória de duas mulheres que combateram juntas no front, Yia (Viktoria Miroshnichenko em atuação impressionante e catatônica), uma enfermeira que sofre de síndrome pós-concussão (a “Grandona”), e Masha (a ótima e linda Vasilisa Perelygina), uma ex-soldada. Ambas se unem visceralmente neste cenário de vidas ceifadas, horrores perpetuados, indiferença e cinismo dos poderosos e traumas pessoais múltiplos em busca de um sentido para as suas existências, que poderá vir por meio de um filho, apesar de todos os inexpugnáveis obstáculos. O longa ostenta um acabamento visual irretocável, cuja fotografia de Ksenia Sereda explora os matizes fortes do verde e do vermelho, rivalizando com a tristeza vigente. No entanto, o ritmo pouco ágil com cenas demasiado longas e silenciosas o aproxima de uma certa monotonia. Mesmo assim, “Uma Mulher Alta” conserva seus valores e qualidades, provocando interesse. Sua mensagem antibelicista nos faz pensar que a guerra não tem rosto de mulher, não tem rosto de homem, tampouco rosto de criança. Simplesmente a guerra não deveria ter rostos humanos.

Obs: Crítica escrita em 20/01/2020

Assista ao trailer do filme:

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