Arquivo de abril, 2013

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Cadeiras Tajá desenhadas por um dos mais importantes arquitetos e designers brasileiros, Sergio Rodrigues, que podiam ser vistas no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá, em exposição a ele dedicada.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Reprodução da capa do LP “Barquinho”, da cantora e compositora Maysa, lançado pela Columbia Records em 1961, em exposição no Fashion Rio Outono Inverno 2012, realizado no Píer Mauá.

Curadoria: Charles Gavin

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Foto de Preta Gil tirada por Fernando Torquatto, em painel exposto na área externa do Píer Mauá, enquanto acontecia o Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Reprodução da capa do LP de Wanda Sá, lançado pela RGE em 1964, “Vagamente”, disposta na galeria dedicada à bossa nova no Píer Mauá, no qual houve o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Curadoria: Charles Gavin

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

AdrianaBirolliCena1 Foto/Divulgação

Como diz a letra da música do Cidade Negra, “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite…”, Alice, a personagem de Adriana Birolli na peça “Manual Prático da Mulher Desesperada”, também espera. Só que é uma espera em vão. O espetáculo baseado em três contos da poetisa, escritora e crítica americana Dorothy Parker (“A Telephone Call”, “The Cousin Larry” e “The Waltz”), que foram traduzidos e adaptados pelo diretor Ruiz Bellenda, representa grande parcela das mulheres, com suas vicissitudes, idiossincrasias, angústias, medos, insegurança, carência e problemas com a autoestima. O celular que nos é tão útil acaba sendo para Alice um vilão, pois sobre aquele deposita esperanças de que um homem por quem se interessara e se envolvera lhe ligue. Em meio a hábitos tipicamente femininos, como se depilar, maquiar-se e manter os cabelos presos por “bobs”, imola-se na frustrada expectativa de receber chamada telefônica. A relação indivíduo X celular, que “a priori” cuja abordagem possa parecer insignificante, desnecessária é de imediato absorvida pela plateia. Afinal, quem nunca se deprimiu ou se enraiveceu ao pegar o pequeno aparelho e perceber que não há alguma chamada perdida, ou mesmo tenha ouvido sequer um toque? E quando este acontece o é cometido por pessoa que não desejávamos que fosse a interlocutora? Alice teme a solidão. Alice se ilude com falsos afetos e promessas. Não só ela padece desses sofrimentos. Mulheres e por que não os homens são vítimas de tal dilema contemporâneo. Precisa com quem se desabafar, e recorre ao fiel confidente, o cabeleireiro e manicure Celinho, interpretado por Alex Barg. O relacionamento entre ambos tangencia a ambiguidade, haja vista que convivem a cumplicidade, a parceria, e as agressões e ofensas mútuas. Se pensam que tudo é contextualizado em tons dramáticos, enganam-se. A direção optou com acerto por um desenho de “comédia rasgada”. Surpreendemo-nos ao pela primeira vez testemunhar a verve cômica sem quaisquer pudores de Adriana Birolli (Troféu Gralha Azul de melhor atriz concedido pelo Governo do Estado do Paraná – Centro Cultural Guairá), porquanto estávamos acostumados a ver a intérprete defendendo papéis na TV que estavam inseridos no gênero drama. Adriana se embrenha de tal maneira na composição da protagonista, impingindo-lhe irretorquível intensidade, que embarcamos juntos nas ilações existenciais de Alice. Ademais, exibe expressividades facial e corporal atinentes às reações que correspondem aos seus próprios pensamentos ouvidos em “off”, e em todo o decorrer da encenação. O companheiro de cena Alex Barg, que se desdobra em dois papéis (o já citado Celinho e Everttonn) não fica atrás. Respeita e cumpre com inabalável eficiência a proposta de comédia da produção, tanto na construção de Celinho quanto na elaboração de Everttonn, um rapaz sem traquejo para lidar com o sexo oposto. Algo que nos chama a atenção é o impressionante preparo físico dos atores, que se evidencia sobretudo na passagem em que dançam freneticamente de modo quase acrobático um forró tocado em boate. Sem dúvida, um dos pontos de destaque. A direção de Ruiz Bellenda, como já disse, prioriza o caminho da alta comicidade, com suas respectivas “gags”, resultando em feito bem-sucedido comprovado pelas rápidas resposta e aceitação dos espectadores. Ruiz possui ao seu favor as proposições que Dorothy Parker nos legou, e o carisma irreprochável do elenco. Nos quesitos técnicos, o cenário e adereços de Anselmo Ferreira se caracterizam pelas praticidade, concisão e funcionalidade, com elementos como uma penteadeira, um pufe rosa e aparatos de salão de beleza. Um telão com projeções ao fundo (obra de Maiz Ribas) colabora e contribui para completo entendimento da história. A trilha sonora de Luiz Fernando Kruszielski perpassa por ritmos vários, seja um “foxtrot”, sejam melodias ultra-românticas ao piano, seja o mencionado forró, seja a clássica “Crazy”, entoada por voz feminina. Os figurinos de Dudu Farias são bonitos, charmosos e coerentes. Dudu se utiliza de tubinho preto vazado, “scarpins”, camiseta regata justa com estampas em HQ, sapatos modernos com geometria bicolor, calça acamurçada, robe acetinado “pink”, jeans, sapatênis, blusa xadrez e um belo vestido branco franjado com suaves camadas. A iluminação de Beto Bruel recorre a luzes pontuais, coloridas (em conjunto ou únicas), explosão das mesmas em situação de “club”, e meia-luz onde clama o intimismo. Com esse extenso cabedal de informações, o que nos é oferecida é peça teatral que além de nos provocar risos, faz-nos pensar e refletir acerca da solidão humana. Solidão que nos está sempre próxima. Se é aliada ou inimiga depende do prisma de como a vemos. O que é correto é sabermos permitir e aceitar sua entrada fortuita ou definitiva em nossas vidas, contrária ou favorável às vontades pessoais, já que é real, concreta e condição indissociável do homem. A Alice de Ellen Burstyn do ótimo filme de Martin Scorsese “não mora mais aqui” para conosco trocar experiências, todavia a Alice de Adriana Birolli de “Manual Prático da Mulher Desesperada” está. E tem muito a nos ensinar.

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Grande armação na qual foram colocados esboços, fotos, e nos espaços vazados móveis de Sergio Rodrigues, na exposição sobre os seus trabalho e história de vida, montada no Píer Mauá, onde aconteceu o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO

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Reprodução da capa do LP “Brasilia presenta Tamba con Cuerdas”, exposta no local destinado a homenagear a bossa nova no Píer Mauá, enquanto ocorria o Fashion Rio Outono Inverno 2012.

Curadoria: Charles Gavin

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: OESTUDIO