“Entre tapas, beijos e risos, ‘Tapas & Beijos’ é diversão certa”

Divulgação/TV Globo

Duas mulheres, Sueli e Fátima (Andrea Beltrão e Fernanda Torres, respectivamente), vendedoras de típica loja de vestidos de noivas em Copacabana com seu comércio diversificado, que não conseguem se casar, ou manter o matrimônio. O argumento já é interessante (a redação final é de Cláudio Paiva), e de algum modo, engraçado por si só. O aspecto paradoxal da situação colabora sem dúvida para a construção de diálogos próprios de comédia. A vida sentimental de ambas é atribulada. Atribulada seria eufemismo. Vai de mal a pior, mesmo. Sueli, em tempo não muito distante, casou-se com Jurandir (um cômico Érico Brás). Ele retorna. E lhe telefona a cobrar (!). Fora preso por roubar o enxoval do casamento. Quer o divórcio. Sueli diz “não” retumbante. Já Fátima mantém relacionamento como amante com Armane (Wladimir Brichta, bastante à vontade). O trabalho dele também é de vendedor. Fátima defende-se afirmando que o rapaz pode ser casado fora de Copacabana, mas que neste bairro, ele é dela. Há bastante idas e vindas, provocações, brigas e reconciliações entre o casal. O dono do estabelecimento no qual as personagens das protagonistas laboram é interpretado pelo sempre bom Otávio Muller (Djalma), que é amasiado de Flavinha (Fernanda de Freitas, em convincente atuação), funcionária que se aproveita da privilegiada posição de caráter afetivo que ocupa para usar de autoridade com as colegas de ofício. Entretanto, não deseja que as mesmas sejam demitidas, pois tudo sobrará para ela. Flavinha é meio encostada. Há ainda a figura de S. Chalita (Flávio Migliaccio em presença que para nós é bem-vinda), proprietário de bar, que no início intenciona seduzir Sueli, e após a recusa desta, parte para cima de Fátima. Ela, já no desespero, chega a topar uma possível união. O texto de Cláudio Paiva nos é mostrado como se fosse um “bate-bola” com humor delicioso. Há impressionante “liga” entre as atrizes principais. Uma manda. A outra rebate. Não há descanso (no melhor sentido, é claro) para o telespectador. Tanto Andrea quanto Fernanda já haviam mostrado entrosamento no especial “Programa Piloto”. Se fossem escaladas intérpretes que não se entendessem em cena, a produção perderia largamente o apelo. A trilha sonora dá charme ao seriado, realçando-o com cancioneiro peculiar e adequado à proposta leve e jocosa da atração. A caracterização e figurinos a cargo de Luciene de Moraes e Antônio Medeiros são coerentes, destacando-se os usados por Andrea e Fernanda. E a cenografia de Luciane Nicolino merece menção elogiosa. Face aos que lhe informei, deduzimos que a direção coube a quem entende do riscado: Mauricio Farias (direção-geral). Sendo assim, ninguém pode reclamar que não há o que se fazer nas terças-feiras à noite ( agora com Fábio Assunção, Kiko Mascarenhas em outro papel, e Orã Figueiredo). Essencialmente, rir.


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