” Uma Galera ‘Sangue Bom’ em ‘Sangue Bom.’ “

Logo Sangue Bom[1] Reprodução/TV Globo

O que logo nos desperta a atenção na nova novela das 19h da Rede Globo, “Sangue Bom”, de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari é justamente a aposta em um time de jovens talentos. Nomes como Marco Pigossi, Sophie Charlotte, Fernanda Vasconcellos, Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Humberto Carrão e Armando Babaioff. Houve também a participação do ator Pablo Morais que se destacou em “Suburbia” (seriado cujo comando coube a Luiz Fernando Carvalho). Com tanta juventude reunida nos é obrigatório classificar o folhetim como sendo algo “solar”. “Solar” no sentido de alegre, vivaz, moderno, antenado com o mundo atual. A edição ritmada de imagens bonitas, urbanas e poéticas (como as cenas em que o paisagista Breno, vivido por Marco Pigossi, e Giane, defendida por Isabelle Drummond, cuidam de miríade de flores). A novela dirigida com habilidade e fôlego por Carlos Araujo (direção de núcleo de Dennis Carvalho) aborda sem vestígios de hesitação temas como vaidade, ego, adoção, fama (e a perda desta), casamento e divórcio, especulação imobiliária e competitividade profissional. A vaidade está representada pelas personagens de Sophie Charlotte (Amora Campana), a “it girl” modelo e apresentadora que nega suas origens de essência humilde, e se enamora por bem intencionado e rico rapaz, Maurício (Jayme Matarazzo), e sua mãe adotiva Bárbara Ellen (Giulia Gam), que personifica o sentimento de desolação e abandono tanto no que tange ao campo afetivo quanto no da profissão. As dores e dissabores da ausência do sucesso para quem já o possuiu deverá ser objeto de apropriado estudo pelos autores. Filhos adotados que aceitam ou rejeitam sua condição. Breno e Giane, por exemplo, tocam a vida com denodo e são provas de que uma educação dada por família não biológica pode resultar em cidadãos dignos. Fabinho (Humberto Carrão) no entanto já demonstra o contrário, exibindo repulsa, desconforto e revolta com o que lhe fora oferecido, e esta postura rebelde ao estilo “bad boy” advém do fato de não ter atingido situação socioeconômica que lhe apraza plenamente. A disputa feroz no mercado publicitário é discutida usando como artífices deste tema o gerente de planejamento Érico (Armando Babaioff) e Natan (Bruno Garcia), dono da agência de publicidade na qual o primeiro trabalha. Érico seria o ético, competente e dotado de boa índole, o que já não se pode dizer o mesmo do personagem de Bruno, que detém para si as ideias de sua esposa Verônica (Letícia Sabatella). Bruno Garcia também servirá como ponte para se debater a metrossexualidade tão em voga. Pablo Morais teve a função de configurar a ascensão meteórica de um aspirante a ator, que se amasia com artista famosa, porém decadente para se tornar com mais facilidade alvo da mídia. Somente no primeiro capítulo nos foi passada a impressão de que a instituição casamento e suas consequências serão deslindadas no decorrer da trama. Renata (Regiane Alves) e Tina (Ingrid Guimarães) estão para se casar. Damáris (Marisa Orth) e Wilson (Marco Ricca) se divorciaram, dando brecha para Marisa usar sua munição de humor. Fernanda Vasconcellos (Malu) simboliza a boa moça, justa, honesta, reta, determinada e “pé no chão”, que não deixou escapar aos olhos do público seu iniciante interesse por Breno. O que provocou claro ciúme em Giane. Um encontro casual entre os amigos de infância Amora e Breno já denota a exploração de conflitos que gerarão significância para a estruturação dramática da produção, com seus aspectos de diferenças social e comportamental. Destrinchou-se a especulação imobiliária, que abarca o objetivo de conquistar a “emergente classe C”. Ignora-se a tradição de uma quadra de escola de samba em nome de complexo de edificações pomposas e atraentes, o que gerou grito popular. Com relação a outras especificidades por nós percebidas, merecem realce o cenário caprichado, os coerentes figurinos, e a eclética trilha sonora, que viaja com escalas no samba, no rap, na dance e no pop rock. A abertura é colorida, floral, recorrente ao psicadelismo e com ares de contos de fada. E contribui festivamente para a beleza do todo a alto-astral música de Lulu Santos, só que em outra versão, “Toda Forma de Amor”. Testemunhamos as presenças ilustres de Malu Mader, Louise Cardoso e Daniel Dantas. Cris Nicolotti nos é sempre bem-vinda. Pontos convidativos não faltam para prender o telespectador à novela. Uma galera jovem e talentosa está no ar literalmente. Uma galera “sangue bom” que de segunda à sábado de modo inadiável nos dará o seu “boa noite”. E como educados que somos, responderemos: – Boa noite, “Sangue Bom!”.


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