Quarta-feira. Um dia antes da antevéspera de Natal. Já havia visto as chamadas do programa citado acima. Iria de qualquer jeito assistir-lhe, pois Regina Casé é garantia de riso (apesar de considerá-la ótima atriz dramática), e Rodrigo Santoro sempre convence-nos nos trabalhos que faz. Por sinal, impressionante é como o ator sabe escolher aquilo que lhe será compensador na televisão. Acabou “Passione”, e começou o especial. Confesso-lhes: ri, comovi-me, e cheguei a algumas conclusões (sendo que umas só foram ratificadas): Regina tem potencial extraordinário em compor personagem popular verossímel, com doses precisas de humor e sensibilidade. Não são todos que isto logram. Rodrigo Santoro mostrou-nos que longe está do estereótipo de galã que facilmente marcaria a carreira dele se assim o permitisse. Mas ele não quer que haja esta associação. Seria limitado. E Santoro passa ao largo das limitações. Admirável foi a caracterização que lhe fora feita: cabelos “estilosos” com mechas, brinco, óculos voltados para trás, uma bermuda coerente, e cordão. Saíra-se bem. E Katiuscia Canoro? Surpreendeu-me. Estava atrelado ao que costumava exibir no humorístico “Zorra Total”. E a Suelen que interpretou comprovou que é capaz de exibir-nos o algo diferente que muitas vezes nos é despercebido. O texto de Patrícia Andrade, Péricles Barros, Estevão Ciavatta, Regina Casé e Guel Arraes, com a redação final deste é digno de elogiosa menção. Destaco um detalhe, porém que deu charme à produção: a utilização de expressões vezeiras. “É nós” é exemplo. Por fim, congratulo Estevão Ciavatta pela direção, a Pindorama Filmes pela realização, e Isaac Bardavid, como Seu Habib. Isaac atua e dubla. Devemos respeitá-lo, porquanto participara de grandes folhetins (“Escrava Isaura” e “Locomotivas”). E apenas gostaria de dizer-lhes uma coisa mais. Concordo com Francis (Regina Casé): “Papai Noel existe.”
