“Existe uma pedra bruta no sapato ‘grifado’ de André Gurgel. O problema é que essa pedra é o seu próprio pai.”

Publicado: 01/05/2012 em TV

lzaro_1Foto: Divulgação/TV Globo

Todos nós em algum momento de nossas vidas temos uma “pedra no sapato”. Fazemos de tudo para nos livrarmos dela. A grande questão ocorre quando não conseguimos isto realizar. A “pedra” é crônica, permanente, sem prazo de saída. Isto é o que estamos testemunhando com o personagem de Lázaro Ramos, em “Insensato Coração”, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Se antes, o designer nos assombrava com as suas insensibilidade, frieza, soberba e maneira não exemplar de tratar as mulheres, inclusive Carol (Camila Pitanga), a mãe de seu filho, hoje notamos uma humanização progressiva do rapaz, mesmo que ele tente ao máximo insistir aos que lhe cercam que continua empedernido nos princípios questionáveis. Em determinados momentos do folhetim, André deixou-nos claro o quanto tivera infância sofrida. As lembranças acerca do pai eram incômodas, como o alcoolismo e todas as devastadoras consequências advindas para um núcleo familiar. As coisas pareciam ter se acalmado após o amigo de Beto (Petrônio Gontijo) haver se poupado de enrascada. Mal sabia que enrascada pior viria com o nome de Gregório. A escalação do ator para interpretá-lo não poderia ter sido mais acertada: Milton Gonçalves. Ator que conhecemos muito bem por inúmeros trabalhos marcantes na televisão. Milton surgiu na história impingindo ferocidade impressionante, deboche, cinismo e vulgaridade que tornam Gregório homem desprezível. Já chegou ao apart do filho bêbado, promovendo escândalo. Com Carol, tentou negociar acordo espúrio para que ambos tirassem proveito financeiro daquele. Em discussão ferrenha com André, a este lhe foram bradadas dolorosas palavras. Confessou sem dó que não desejava que ele nascesse, e que ao isto acontecer, foram-lhe tirados dinheiro e a atenção da esposa. André Gurgel rebate afirmando que escondia parcela do que iria gastar na merenda da escola, pois sabia que o restante lhe seria usurpado covardemente em substituição a um copo cheirando a álcool, além das memórias degradantes de assistir à mãe sofrendo violência física. André dá-lhe o dinheiro exigido. Será apenas o primeiro de tantos. Afinal, eu disse que é “pedra no sapato” crônica. Pena ser o seu pai. Todavia, todo este triste e pungente episódio serviu para algo bom: André Gurgel não pretende ser igual ao progenitor. E isto já despertou-lhe sentimento paternal. Gregório sem saber colaborou para o crescimento de quem ajudara a pôr no mundo. Neste caso, somos obrigados a admitir que a “pedra bruta” Gregório por único instante não machucou o pé de André em seu sapato “grifado”.

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