” ‘A História de Nós 2’ é a história de nós todos. “

Publicado: 03/05/2012 em Teatro

Foto: Dalton Valério

O espetáculo indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2009 (Melhor Texto) traça divertido, mas sem abrir mão da seriedade com que o tema deve ser abordado, painel do relacionamento entre um homem e uma mulher. A união de ambos, e as boas e más consequências daí surgidas. Questiona-se quase todo o tempo se vale ou não a pena casar-se. E o nascimento de um filho? Melhora ou desgasta a relação do casal? O matrimônio deve ser necessariamente um rito de passagem a ser cumprido por nós? Ou a liberdade (e com ela possível solidão) seria mais vantajosa? Como lidar com as difíceis personalidades de cada um durante o processo de inevitável convivência? Até onde terminam os limites de um, e começam os do outro? Perguntas, perguntas… Estas, e tantas mais, são feitas na boa peça de Lícia Manzo que faz o espectador rir, identificar-se, concordar, talvez discordar de uma ou outra questão, e refletir. Se tudo isto já é causado em quem assiste à encenação, sinal de dever cumprido. A dupla de atores Marcelo Valle e Alexandra Richter está em perfeita sintonia, sabendo aproveitar os momentos que demandam as suas aptidões ora voltadas para a comédia, ora voltadas para o drama. Ernesto Piccolo, diretor prolífico e conhecedor do que agrada ao público, impingiu leveza, toques hábeis e sensibilidade à atração teatral. A cenografia de Clívia Cohen é pautada na funcionalidade: caixas e baús espalhados, e assemelhado que serve de cama ao centro. Há ainda projeção de imagens que exibem instantes da vida deles, o que colabora para o entendimento do que é dito. Todos os objetos têm importância na trama. A iluminação de Maneco Quinderé perfaz trilha eficiente, dando sustentação a etapas do desenvolvimento do enredo. A trilha sonora de Rodrigo Penna aposta na diversidade (de Elvis Presley a George Michael). E o ecletismo quando bem dosado cumpre missão enriquecedora. A direção de movimento coube a Marcia Rubin, e tanto Marcelo quanto Alexandra usam seus corpos com graça e verdade. Os figurinos de Cao Albuquerque seguem a linha da coerência, tendo que se desdobrar para realçar as mudanças de ciclo e comportamento dos personagens, que se mostram em três. Lena (vestido clássico algo “bordeaux”) “transfere-se” para Mammy (já se vê indumentária típica de dona de casa sob o citado vestido), e Maria Helena (profissional capacitada cuja maneira de se apresentar acompanha a atual posição). E o mesmo ocorre com Edu (a princípio, estilo casual), que nos evidencia suas fases “Duca” e “Carlos Eduardo”. Sendo assim, temos em nossos palcos o retrato do que vivemos, do que experimentamos, do que arriscamos. E que ótimo, representado nos talento e competência de dois artistas bastante queridos: Marcelo Valle e Alexandra Richter.

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