” A aridez do Brasil em contraste com a maciez da pele cor de canela de ‘Gabriela.’ “

Publicado: 19/06/2012 em TV

juliana-paes-gabriela
Foto: Divulgação/TV Globo

Já no início do primeiro capítulo de “Gabriela”, remake de Walcyr Carrasco da obra de Jorge Amado, deparamo-nos com o apogeu do coronelismo no final do século XIX, representado pela figura intimidadora do Coronel Ramiro Bastos (Antonio Fagundes), que toma terras alheias pelo uso da força. Estamos agora em 1925, Ilhéus. Ramiro ainda é um baluarte do poder dos coronéis na região. O personagem aposta no cultivo do cacau como fonte de riqueza, considerando-o como o “ouro negro”. O tempo não ajuda com a ausência das chuvas, o que vem prejudicando a colheita. O Coronel Ramiro Bastos, que não é afeito à religião, apela ao Padre Cecílio (Frank Menezes), e decide por sugestão de suas beatas que uma procissão seja realizada com o intuito de se pedir que chova. Passamos num outro momento a conhecer na cidade o famoso prostíbulo Bataclã, comandado a mão de ferro por Maria Machadão (Ivete Sangalo). Os poderosos estão sempre presentes. Há muita música e dança no local. Uma das prostitutas mais assediadas é Zarolha (Leona Cavalli), que se enrabichou por Nacib (Humberto Martins), o dono do Bar Vesuvio. O comerciante está à procura de uma boa cozinheira para o seu estabelecimento. Outro frequentador assíduo do bordel é Tonico Bastos (Marcelo Serrado), um inveterado mulherengo. Em cena diversa, deslocamo-nos para uma área bastante castigada pela seca, na qual se vê uma bela mulher, Gabriela (Juliana Paes), banhando-se com o pouco de água que lhe resta, e ao seu tio (Everaldo Pontes). Ambos decidem seguir para Ilhéus. O sol não dá trégua. O tio demonstra fraqueza, e sinais de que não conseguirá chegar ao destino desejado. No meio do caminho, encontram dois forasteiros, Clemente (Daniel Ribeiro) e Negro Fagundes (Jhe Oliveira), que os acompanham na penosa jornada. O tio não suporta. E Gabriela continua sua peregrinação até chegar à cidade, e ficar alojada em um abrigo para retirantes. E é lá que Nacib irá procurar um tanto incrédulo a almejada cozinheira. Vislumbra Gabriela, e por ela se encanta. O que é recíproco, pois após ter lhe feito algumas perguntas, Nacib vai embora, mas ao escutar “moço bonito” vindo daquela brejeira mulher, retorna. O folhetim das 23h da Rede Globo mostrou uma fotografia deslumbrante, com paleta de cores variadas relativas a cada situação. Músicas inesquecíveis da versão anterior foram tocadas, o que nos deu certa nostalgia. A direção de Mauro Mendonça Filho já indicou que será irrepreensível. A abertura com a canção “Modinha para Gabriela” é um primor, com desenhos feitos com coloridas areias. Assim começou “Gabriela”. Começou o contraste da aridez do Brasil com a maciez da sua pele cor de canela. E com direito a um suave aroma de cravo.

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