” De Frente com ‘Lado a Lado’ “

Publicado: 12/09/2012 em TV

Foto: Divulgação/TV Globo

Carnaval de 1903. O regime no Brasil já havia mudado há alguns anos. A monarquia ficou para trás, e com ela seus valores, costumes, e títulos de nobreza. Mas há os que não se conformam com o seu fim, e o estabelecimento da República, por meio de uma Proclamação, e as inevitáveis mudanças que a acompanharam. Como a ex-Baronesa de Boa Vista, Constância Assunção (Patrícia Pillar), casada com Dr. Assunção (Werner Schünemann), que aposta todas as suas fichas na recuperação de seu prestígio no casamento da filha Laura (Marjorie Estiano) com Edgar (Thiago Fragoso), advogado que se formou em Portugal, filho do Senador Bonifácio Vieira (Cassio Gabus Mendes), e Margarida (Bia Seidl). Constância é uma mulher manipuladora, arrogante, preconceituosa, conservadora e amoral (como quando não poupou meios para acabar com as aulas particulares que a filha dava como voluntária na biblioteca). A novela “Lado a Lado”, de João Ximenes Braga e Claudia Lage, com direção geral de Dennis Carvalho e Vinícius Coimbra, também explorou as consequências da Abolição da Escravatura, como as dificuldades dos negros de se adaptarem à sua nova realidade, tanto no que diz respeito ao trabalho quanto no que diz respeito ao local que lhes restava para morar, como os cortiços. E mesmo assim, estes eram derrubados pelas autoridades com o intuito de se urbanizar a área. O surgimento do samba foi mostrado no carnaval. Um primeiro par romântico já se formou: o barbeiro Zé Maria (Lázaro Ramos) e Isabel (Camila Pitanga), que trabalha na casa de Madame Besançon (Beatriz Segall). É filha do também barbeiro Afonso (Milton Gonçalves), que é colega de trabalho de Zé. E foi na Barbearia Lisboeta onde de fato Zé Maria e Isabel se conheceram. Tiveram um pequeno atrito, mas logo se entenderam. Antes disso, no cordão do carnaval, ele, mascarado, já havia assediado Isabel, que não lhe deu atenção. Como bom capoeirista que é, enfrentou o líder de um bloco rival, e venceu, causando o espanto da moça. E ainda a defendeu dos quatro rapazes que a importunaram, Albertinho (Rafael Cardoso), Fernando (Caio Blat), Umberto (Klebber Toledo) e Teodoro (Daniel Dalcin). Zé Maria pede a Afonso a permissão para namorar Isabel. Convida-a para ir a um restaurante, e lá chegando ambos sofrem olhares preconceituosos dos frequentadores, inclusive uma atitude discriminatória do maître. Acabam se beijando, deixando a todos estupefatos. Quanto aos aspectos técnicos da nova novela das 18h, há o que se elogiar. O elenco está afinado com a trama de época, os figurinos correspondem fielmente ao momento histórico, as ruas cenográficas foram construídas com esmero, e a fotografia de Walter Carvalho valoriza a textura das imagens. A trilha sonora, com a prevalência do samba, está coerente. A abertura é caprichada, com cenas de ação em “super slow motion” de classes sociais distintas embaladas pelo samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, “Liberdade, Liberdade! Abra as Asas sobre Nós”. A Imperatriz foi campeã do carnaval de 1989. Uma ousadia que deu certo. E por conclusão, no decorrer do folhetim, saberemos como conviverão lado a lado a postura libertária e justa de Laura e a prepotência de Constância. Como conviverão lado a lado as liberdades que estão no papel e as atitudes que as cerceiam na prática. No mundo, nem sempre é possível cada um ir para um lado. Que se aprenda então a viver lado a lado.

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