
Foto: Gustavo Zylberstajn para a Revista Estilo
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Uma pergunta recorrente que se faz ao se assistir às cenas de Érica, a personagem de Flávia Alessandra em “Salve Jorge”, de Gloria Perez: uma mulher bonita, bem-sucedida na profissão (tenente médica veterinária no Regimento no qual trabalha), amiga, sensível, romântica, inteligente pode estar sozinha, sem amor? Resposta difícil à pergunta difícil. Até então, não podemos responder. A sua desdita talvez esteja no fato de continuar apaixonada pelo capitão Théo (Rodrigo Lombardi), o que faz com que, querendo ou não, feche-se para um novo relacionamento afetivo. Porém, quem somos nós para julgarmos Érica? Mandamos em nossos corações? Será que não teríamos as mesmas atitudes dela? Passaríamos por cima de nossos orgulho e autoestima somente para estarmos ao lado de quem amamos? Não estamos aqui para julgarmos ninguém. Somos todos “réus” do amor. Culpados por amar. Se formos correspondidos, a sentença final será a absolvição de não mais sofrer. Entre muitas idas e vindas, encontros e desencontros, términos e recomeços do romance com Théo, como estará o seu sofrido coração? Como deve ser para uma mulher enxergar no homem que ama os pensamentos em outra mulher? Théo também não tem culpa. É mais um “réu”, culpado por amar… Morena (Nanda Costa). Morena que sofre pela ausência do corpo do capitão encostado no seu. Este triângulo amoroso subverte as rígidas linhas da Geometria. Por quê? Porque trata-se da “geometria” humana. E em paralelo, há pessoas que dependem das decisões certas ou erradas dos três “réus” envolvidos: o filho Júnior (Luiz Felipe Mello), Lucimar (Dira Paes), Áurea (Suzana Faini) e as crianças que estão para nascer. Érica, em meio à avalanche de decepções de que fora vítima, até tentou “engatar” uma relação com Celso (Caco Ciocler). Não deu. Celso também é um “réu”, culpado por amar Antonia (Letícia Spiller). Deixou-se levar pela malícia do tenente Élcio (Murilo Rosa) pretendendo quem sabe uma “vingança”. Não deu certo. Agora, está pronta para casar-se com o capitão. Juntarão suas insígnias. Áurea faz campanha involuntária contra as mães dos filhos que enamorados estão. Áurea não representa a maioria das sogras. Há mães que sogras são maravilhosas. Contudo quem não irá perdoar os lindos olhos verdes de Áurea? Théo está imerso em abismo escuro onde estão pensamentos perturbadores chefiados por uma algoz chamada “indecisão”. Como sabe-se como novelas terminam, Théo acabará com Morena. Espera aí? E Érica? Iria-se contra as Leis da Natureza deixá-la só e triste. A felicidade baterá à sua porta, como nos filmes de Frank Capra. O amor está no ar. Não num balão da Capadócia. Bem próximo. A porta está muda. Três toques. Abre-se a porta, e com ela vem embrulhado o amor. Flávia já nos é bastante conhecida pelas novelas que fez. Vencedora de concurso no “Domingão do Faustão”, estreou em obra de Antonio Calmon, “Top Model”. Na faixa nobre da Rede Globo, com indomável talento, escalada foi para “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Para o nosso bem-querer, em seguida rumou para “Meu Bem Querer”, como a vilã Lívia. O ano de 2001 foi-lhe importante pois deram-lhe a protagonista Lívia desembarcando no “Porto dos Milagres”. Um vampiro tentou dar-lhe um beijo em “O Beijo do Vampiro”. O beijo em Lívia, a personagem principal. Três “Lívias” na vida de Flávia. As maldades pulularam da alma de Cristina (personagem que lhe valeu bastante elogios e vultosa repercussão), em “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco. A “pole dance” teve um “upgrade” quando Flávia Alessandra mostrou-nos toda a sua disciplina como atriz ao exibir a habilidade corporal em “Duas Caras”. Nunca havíamos visto na TV “Caras & Bocas” tão cheias de charme como a de Flávia em horário das 19h. Fomos assoprados, não mordidos, com a boa dupla interpretação da artista em “Morde & Assopra”. E um dos sopros fora robótico. Outras produções teledramatúrgicas valorizaram seu currículo, incluindo folhetins, seriados, minissérie e especial. Em “Ti-Ti-Ti” “personificou” Flávia Alessandra. Nas salas escuras dos cinemas, a tela grande iluminou-se com a presença desta intérprete em longas como “No Meio da Rua”, “Selvagem” e o “blockbuster” “De Pernas pro Ar”, dentre outros. Ganhou vários prêmios “Contigo!” em diversas categorias. Ficamos por aqui. Esperando a felicidade bater à porta de Érica. Pensei num jovem advogado que exerce seu ofício no escritório de Stenio (Alexandre Nero). Formariam belo casal. Quem sabe a sua mão não dá os três toques que mencionei nos meandros deste texto?