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“Border”, uma premiada produção sueco/dinamarquesa, é um dos filmes mais chocantes da cinematografia fantástica mundial

O filme fantástico sempre teve o seu público cativo. A fantasia, imiscuída com a realidade, exerce um fascínio irresistível ao longo dos anos no cinema mundial. Obras como “O Labirinto do Fauno” (2006) e o vencedor do Oscar de Melhor Filme “A Forma da Água” (2017), de Guilhermo del Toro, beberam nesta inesgotável fonte. O mais atual exemplar deste segmento é o impressionante, corajoso e chocante “Border” (“Gräns”, Suécia/Dinamarca, 2018), do cineasta e roteirista sueco-iraniano Ali Abassi, que se inspirou no conto do sueco John Ajvide Lindqvist. O filme foi o vencedor da mostra “Un Certain Regard” do Festival de Cannes, além de sair vitorioso do Festival de Los Angeles, e ganhar pelos Efeitos Especiais no Festival de Cinema Europeu, sendo também indicado ao Oscar de Maquiagem.

O longa narra a história de uma agente alfandegária portadora de um dom extraordinário, seu faro apuradíssimo, que se depara com mudanças bruscas em sua vida a partir do encontro com um homem que a levará a descobertas sobre a sua origem

Com roteiro coassinado por Abassi, o longa nos conta a história de Tina (Eva Melander numa atuação ferozmente arrebatadora), uma agente alfandegária de um porto sueco com um dom especial para farejar bagagens e passageiros. Esse faro extraordinário advém de um acidente sofrido na infância quando fora atingida por um raio. Tina possui um rosto deformado não necessariamente ligado à fatalidade. Sua vida muda, com descobertas surpreendentes sobre a sua verdadeira origem, a partir do encontro com Vore (Eero Milonoff, absurdamente bestial), um homem aficionado por insetos que guarda similaridades físicas com a fiscal.

A obra de Ali Abassi é antes de tudo um manifesto a favor das diferenças entre os homens e da inclusão social, característica que lhe garante grandes méritos e respeitabilidade

O longa, no tocante à exclusão e discriminação, lembra-nos bastante o clássico de David Lynch “O Homem Elefante” (“The Elephant Man”, 1980) e o excelente “Marcas do Destino” (“Mask”, 1985), de Peter Bogdanovich. “Border” causará repulsa e estranheza em grande parte da plateia, mas sua relevância é inegável sob o ponto de vista inclusivo, ao ostentar sem pudores todo tipo de relação, até as mais íntimas, entre seres que fogem do padrão da normalidade, aproximando-os da selvageria animal. Ali Abassi cria uma poderosa alegoria da aceitação da diferença entre os indivíduos, algo impensável em muitas sociedades contemporâneas, inclusive no Brasil de hoje. 

“Border” foi lançado no Brasil em 11 de abril de 2019.

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Foto: Divulgação

Os conceitos sobre as atuações anteriores do Coringa, cada uma delas com seus inegáveis valores, devem ser reavaliados após a performance perturbadora de Joaquin Phoenix

Desde a década de 60 há gostos para todos os Coringas, um dos vilões mais fascinantes da galeria dos que confrontaram o Homem-Morcego. Há os que preferem a icônica caricatura de Cesar Romero no seriado sessentista (série “Batman, 1966 – 1968). Existem aqueles que se embevecem com o magistral histrionismo de Jack Nicholson na versão de Tim Burton (“Batman”, 1989). Outros ficaram arrebatados com a performance devastadora de Heath Ledger no longa de Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, 2008). E, por último, possivelmente a atuação metamorfoseada de Jared Leto em “Esquadrão Suicida” (2016) tem os seus defensores. No entanto, a partir do lançamento recente de “Coringa” (“Joker”, EUA, Canadá, 2019), do americano Todd Phillips, os conceitos estabelecidos até então sobre a composição do temível clown devem ser reavaliados com a inacreditável e perturbadora visão de Joaquin Phoenix para o personagem, tornando-se um fortíssimo candidato para amealhar o Oscar 2020 na categoria. 

O filme mostra Coringa como um comediante com transtornos mentais em busca do sucesso que à medida que sofre os reveses que o impedem de conquistar o seu sonho entra em um espiral de autodestruição irreversível

“Coringa” se passa em uma caótica Gotham City refém da greve dos lixeiros. Na cidade infestada por ratos vive Arthur Fleck (Phoenix), um angustiado comediante que se sustenta graças a bicos, portador de um transtorno mental que o faz soltar involuntariamente sinistras gargalhadas, independente das situações. Seu sonho é ser um artista cômico famoso, e o passaporte para esta condição seria uma participação no programa de humor de Murray Franklin (Robert de Niro, soberbo), uma clara alusão ao ótimo “O Rei da Comédia” (1982), de Martin Scorsese, com o próprio De Niro. Arthur, que cuida de sua frágil mãe (Frances Conroy, digna), numa jornada insana de sobrevivência pessoal, distancia-se mais ainda da razão ao se defrontar com doloridas verdades familiares. 

Não há qualquer sentido nas críticas sofridas pelo longa de Todd Phillips de que o mesmo justificaria as vilanias perpetradas pelo personagem clownesco

Com magnífica direção de Phillips (“Se Beber, Não Case!”, 2009), coescrito com engenho por ele e Scott Silver, “Coringa”, vencedor do Leão de Ouro em Veneza (e Melhor Trilha Sonora, notável), desmente as críticas de que justificaria as vilanias de seu personagem, confirmando em definitivo o supremo valor desta obra fílmica que não nos provoca nenhuma gargalhada, espontânea ou involuntária, e sim um sério e inevitável assombro.

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Foto: Divulgação

Os filmes que possuem o espaço como um de seus “personagens principais” invariavelmente levam o público ao encantamento, e com o mais novo longa com esta temática, “Ad Astra: Rumo às Estrelas”, não foi diferente 

Filmes que se passam no espaço sempre nos proporcionam um encantamento, tanto pela sua beleza literalmente infinita quanto pelo seu mistério insondável. Desde a obra-prima de Stanley Kubrick, “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968) até o oscarizado “Gravidade”, de Alfonso Cuarón (2013), não tem sido diferente. Este tipo de obra cinematográfica pautado em tantos gêneros, como ficção científica, drama, suspense etc, costuma atrair levas de cinéfilos às salas de projeção. O mais recente deles é o espetacular “Ad Astra: Rumo às Estrelas” (“Ad Astra”, EUA, 2019), do diretor americano James Gray, desde já candidato a um punhado de indicações às categorias técnicas do Oscar 2020, podendo até mesmo haver surpresas nas consideradas principais (filme, diretor, ator e roteiro original). 

Brad Pritt, em uma de suas melhores atuações, magnetiza as plateias como um astronauta que tem como missão ir a Netuno evitar com que descargas elétricas provenientes do planeta, devido a um projeto espacial específico envolvendo o seu pai desaparecido, prejudiquem a Terra

Com a presença magnética de Brad Pitt como o Major Roy McBride em uma performance interiorizada de alto nível, o longa, escrito por Gray e Ethan Gross, coproduzido pelo indômito compatriota Rodrigo Teixeira (RT Features) junto a Brad e James (e outros), possui uma pegada existencialista perfeita ao descrever, num futuro próximo, a pessoal e solitária jornada do astronauta McBride rumo a Netuno (com escalas na Lua e Marte), ao qual seu pai, o respeitado Dr. Clifford McBride (Tommy Lee Jones, notável), fora enviado há cerca de três décadas, e de onde não mais voltou. A missão de Roy é suprimir as sobrecargas elétricas que ameaçam a vida na Terra, possivelmente provocadas por um desvio do projeto de exploração liderado pelo seu pai, com quem tinha contas afetivas a acertar. 

Com fotografia estonteantee as presenças luxuosas de Donald Sutherland e Liv Tyler (além de Tommy Lee Jones), “Ad Astra: Rumo às Estrelas” é indiscutivelmente um dos melhores lançamentos do ano

Com fotografia deslumbrante de tirar o fôlego de Hoyte Van Hoytema, direção com incríveis perícia e habilidade de James Gray e participações de luxo do insigne Donald Sutherland e da eterna musa Liv Tyler, “Ad Astra…” se destaca pela inteligência de seus argumento e roteiro, seu timing equilibrado sem atropelos, e sua realização artística irrepreensível, tornando-se um dos melhores lançamentos do ano indiscutivelmente. 

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Foto: Divulgação

Clint Eastwood, ator presente nos westerns spaguetti italianos, e conhecido pelo policial Harry Callahan, da franquia “Dirty Harry”, passou a ganhar importância como cineasta a partir de “Bird”, sensível relato sobre o músico Charlie Parker 

No longínquo ano de 1988, o até então respeitado ator oriundo dos westerns spaguetti dos anos 60 Clint Eastwood sagrou-se como diretor ao lançar a sensível cinebiografia do músico Charlie Parker, “Bird”. Daí em diante, o mítico intérprete que imortalizou o policial Harry Callahan (“Dirty Harry”) nos cinemas vem dirigindo obras importantes, premiadas e elogiadas (“Os Imperdoáveis”, “Menina de Ouro”) no mercado americano, tornando-se um dos melhores profissionais da direção no país. 

Centrado num simplório produtor de lírios que sempre negligenciou a família, e que com a falência iminente resolve se envolver com o crime organizado, “A Mula” conta com um elenco estelar, que inclui Andy Garcia e Bradley Cooper

O mais recente e elogiadíssimo longa de Clint, no qual vive o protagonista Earl Stone, é o ótimo “A Mula” (“The Mule”, EUA, 2018). Earl é um nonagenário produtor de lírios de Illinois, Estados Unidos, que sempre negligenciou a família em benefício de seu trabalho, custando-lhe profundas mágoas de sua ex-mulher Mary (a extraordinária Dianne Wiest, uma das atrizes-símbolos de Woody Allen) e da filha Iris (a bonita filha do diretor Alison Eastwood). O falido produtor, sem saída aparente, decide se render ao crime organizado, servindo como “mula” (transportador de drogas) de um poderoso cartel mexicano liderado por Laton (o formidável Andy Garcia). Em seu encalço está o agente Bates (Bradley Cooper, em atuação não raro elegante e convincente), obedecendo às ordens de seu chefe (o prestigiado Laurence Fishburne), sendo auxiliado por Trevino (Michael Peña). 

Com críticas ao racismo entranhado na cultura americana, o filme de Clint Eastwood, baseado em um artigo de um tradicional jornal do país, confirma a proeminência do cineasta no seleto grupo dos grandes realizadores cinematográficos 

Com pequenas notas sobre o racismo ianque contra negros e mexicanos, o filme, que se baseou em um artigo do “The New York Times”, corrobora o olhar matemático de Clint Eastwood ao conduzir sua câmera, realizando um memorável road movie com matizes dramáticos e de suspense, transformando o irônico anti-herói Earl num sujeito irresistível a partir da segunda metade da produção.
Impossível não se comover com esta lenda do cinema mundial chamada Clint Eastwood, um pilar vivo e inquebrantável da Sétima Arte. 

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Foto: Victor Jucá/Divulgação

Consagrado no Festival de Cannes deste ano “Bacurau” se vale de diversos gêneros cinematográficos, como o western e a ficção científica, para nos contar uma história perturbadora, sem deixar de lado seu tom denunciativo nos campos social e político 

O ano de 2019, a despeito de sucessivas tentativas de desmonte cultural, tem sido gratificante para o Brasil, considerando-se o reconhecimento internacional de dois longas-metragens, “Bacurau” (Brasil, França), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ao saírem vencedores, respectivamente, com o Prêmio do Júri, e com a láurea máxima da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Bacurau” (também consagrado em Munique – Melhor Filme do Festival de Munique, e Lima – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Direção do Festival de Lima 2019), que resgata a parceria de Kleber com Sonia Braga (“Aquarius”, 2016), traz ao público uma narrativa tão peculiar quanto perturbadora, açambarcando gêneros diversos, como o western, a ficção científica e o suspense, não se intimidando em ostentar uma violência crua e sanguinária, tampouco em denunciar política e socialmente mazelas enraizadas em nosso país.

O filme, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é centrado em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, que vê a sua normalidade cotidiana, em meio à miséria e à tecnologia, interrompida com a chegada misteriosa de um grupo heterogêneo de pessoas que traz consigo uma série de acontecimentos inexplicáveis 

A trama se passa num futuro próximo em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, um local distópico onde a miséria e a desolação se misturam à tecnologia, havendo um espírito de coletividade entre os seus habitantes. A comunidade entra em estado de alerta a partir do momento em que Bacurau não está mais no mapa, e fatos estranhos decorrem em sequência. “Invasores” estrangeiros, liderados por um lunático racista, Michael (Udo Kier, inexorável), ameaçam, sem razão aparente, a existência do povoado, motivando a reação geral.

Trazendo de volta aos cinemas uma de suas maiores estrelas, Sonia Braga, “Bacurau”, antes de tudo, reafirma a importância do cinema brasileiro, servindo de instrumento de resistência às tentativas históricas de silenciá-lo

Sonia Braga, como a médica Domingas, arrebata-nos com o amálgama de brutalidade e ternura de sua personagem. Outros nomes se destacam no elenco brilhante que prima pela diversidade, como Bárbara Colen, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia e Thomás Aquino. “Bacurau”, com sua estética própria e corajosa, reafirma o alto valor de seus diretores, que ressignificaram o importante cinema brasileiro, respeitando toda a sua história de glórias, lutas e resistência.

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Foto: Divulgação

Regina King, como a mãe da protagonista Tish, interpretada por Kiki Laine, consagra-se no Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante, além de ter levado outros importantes prêmios

Em 2017, o cineasta Barry Jenkins sensibilizou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com o seu drama humanista “Moonlight – Sob a Luz do Luar” (“Moonlight”, 2016), abocanhando o Oscar de Melhor Filme, desbancando fortes favoritos como “La La Land”. Neste ano, Barry novamente compareceu à cerimônia, levando consigo um drama romântico policial, não menos humanista, “Se A Rua Beale Falasse” (“If Beale Street Could Talk”, 2018), concorrendo em três importantes categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King), Melhor Trilha Sonora (Nicholas Brittel) e Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins). A despeito da trilha de Nicholas ser brilhante (ela perpassa quase todo o filme, com músicas incidentais bem orquestradas, com direito a canções jazzísticas e blueseiras) e do roteiro impecável de Jenkins, baseado na aclamada obra de James Baldwin (1974), a grande agraciada da noite foi Regina King, como Mrs. Rivers, a mãe da protagonista Tish (Kiki Laine). Entretanto, “Se a Rua…” recebeu os prêmios máximos no Independent Spirit Awards (Melhor Filme, Direção, além de Melhor Atriz Coadjuvante). Regina, numa atuação marcante e interiorizada, ganhou outras láureas, como o Globo de Ouro.

O filme narra a história de um casal de jovens que vê os seus sonhos serem abruptamente interrompidos após uma injusta acusação motivada por racismo

A trama é centrada na história de dois jovens apaixonados do Harlem, NY, Fonny, (Stephan James, um ótimo ator para se ficar de olho) e Tish (a graciosa Kiki Laine), que veem seus projetos serem destruídos por uma conspiração policial racista que leva Fonny para a cadeia acusado de estuprar uma portorriquenha. O diretor manuseia a sua câmera delicadamente, valorizando os rostos dos intérpretes, evitando sempre que possível os cortes na edição dos diálogos. “Se a Rua Beale Falasse” é um filme sobre a iniquidade do racismo em contraste com a inexorabilidade do amor, numa guerra desigual e injusta, onde o conceito de vencedor se perde.

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Foto: Divulgação do filme

Nadine Labaki aborda com pungência questões atuais e urgentes do mundo contemporâneo, tendo merecido levar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que, ao final, foi entregue a “Roma”

Sem dúvida, um dos filmes mais impactantes e pungentes já lançados nos últimos anos foi “Cafarnaum” (“Capharnaün”, “Capernaum”, Líbano, França e Estados Unidos, 2018), da diretora, atriz e roteirista libanesa Nadine Labaki (“Rio, Eu Te Amo”).  Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, ganhou mais 21 prêmios internacionais. Uma das cinco indicações ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, a obra de Labaki merecia ganhar, mas o franco favoritismo e a enorme campanha de publicidade em torno de “Roma”, de Alfonso Cuarón, sobrepuseram-se a importância deste longa-metragem, que aborda questões cruciais da atualidade, como o drama dos refugiados no mundo, o tráfico internacional de crianças, a exploração do trabalho infantil, os maus-tratos a menores, a miserabilidade pandêmica etc.

Uma história comovente, cujo roteiro também foi escrito por Labaki, em que o ator Zain Al Rafeea se destaca como o garoto condenado a cinco anos de cadeia pelo assassinato de seu cunhado, vindo, posteriormente, a processar os seus pais por um motivo nada convencional

A história, cuja uma das roteiristas é a própria Nadine Labaki, gira em torno do menino libanês Zain (o excepcional e cativante Zain Al Rafeea), de apenas 12 anos, condenado a 5 anos de cadeia por ter ferido a faca o assassino de sua irmã, com quem ela fora obrigada a se casar. Utilizando-se de flashbacks, a excelente diretora, que também atua no filme, mostra todo o périplo assustadoramente sofrido do garoto, como a convivência com os pais violentos, sua parceria com uma refugiada etíope, Rahil (Yordanos Shifera, intensa) e seu filho bebê Younas (Boluwatife Treasure Bankole), até o presente, em que Zain processa os seus pais por ter nascido, exigindo que não tenham mais filhos.

“Cafarnaum” é uma obra-prima da safra cinematográfica atual 

Com fotografia exuberante (por vezes crua) de Christopher Aoun, trilha sonora sensível de Khaled Mouzanar, montagem picotada de Konstantin Bok, e direção com pegada pessoal, com câmera na mão, de Labaki, “Cafarnaum” é um filme urgente, necessário, obrigatório, desconfortável e emocionante, podendo ser considerado uma obra-prima da safra cinematográfica atual.

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