“Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, ‘Sirāt’, também um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional, é um road movie excruciante, não poupando o espectador de cenas de forte impacto emocional.”

Bruno Núñez Arjona interpreta Esteban, que busca sua irmã desaparecida em uma rave no deserto do Marrocos ao lado do pai Luis (Sergi López)/Divulgação

O filme de Oliver Laxe é algo completamente distinto ao que nos habituamos a assistir

Roads movies ocupam um lugar bastante atrativo dentre os gêneros que o cinema nos oferece.

Já vimos os que abarcam o terror e o suspense, como o clássico de Steven Spielberg, “Encurralado” (“Duel”, 1971); aqueles que misturam a aventura com o drama, como o irresistível “Thelma & Louise” (1991); e os que juntam o drama, a comédia e o musical, como o cult “Priscilla, A Rainha do Deserto” (“The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert”, 1994).

O que se vê no perturbador e atual “Sirāt” (“Sirāt”, Espanha, França, 2025), um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional, dirigido e roteirizado por Oliver Laxe (coescrito com Santiago Fillol) é algo completamente distinto ao que nos habituamos a assistir.

Indigesto, excruciante, o longa produzido, dentre outros, por Pedro Almodóvar, vencedor de 6 prêmios Goya (som, fotografia, montagem…), revela-nos o angustiante périplo de Luis (Sergi López) e seu filho pequeno Esteban (Bruno Núñez Arjona) em busca de sua filha e irmã, respectivamente, desaparecida em uma rave no sul do Marrocos.

Após se unirem a frequentadores da rave (Jade Oukid, Stefania Gadda, Tonin Janvier, Joshua Liam Henderson e Richard Bellamy), que se encaminham a outra realizada em local inóspito, o pai e o filho são terrivelmente surpreendidos pelos mais inclementes reveses.

“Sirāt” nos impressiona em várias frentes, como a embasbacante fotografia e sua fenomenal música

Oliver Laxe se diferencia entre os demais cineastas por ser totalmente implacável com o seu espectador, não o poupando de sustos dolorosos e cenas de impacto emocional sem precedentes.

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, “Sirāt” nos impressiona em várias frentes, como a embasbacante fotografia de Mauro Herce e a fenomenal música de Kangding Ray.

Vale a pena conferir “Sirāt”, uma obra indiscutivelmente bem-feita, mas não reclame após a sessão dos socos que lhe foram dados sem dó no estômago.


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