Fernanda, filha de Fernanda, grande Fernanda, filha de Fernando, grande Fernando, irmã de Cláudio, grande Cláudio. Fernanda Torres só poderia ser grande. Todos juntos formavam “a casa dos talentos ditosos”. Fernanda é brilhante, prometera aos pais que assim o seria. Várias vezes, disse: – Eu prometo! E cumpriu. Certa vez, perguntaram-lhe: – Você vai mesmo ser atriz? No que respondeu: – Com licença, eu vou à luta. Bela resposta, sem inocência. Jamais se deixou intimidar com a “selva de pedra” na qual vivemos. Fernanda é tão guerreira, que para ela todos os dias são “o primeiro dia”. Temos sorte da moça branca de sorriso maroto não estar em terra estrangeira. E sim, aqui, não em uma “casa de areia”, mas no Brasil. Brasil dos Torres. Brasil da Montenegro. Seu irmão fez filme sobre mulher invisível. Engraçado, a arte em Fernanda é muito visível, está em sua carne, em sua pele, em sua alma. Caetano cantou que “de perto, ninguém é normal…”. E é verdade! Se fôssemos completamente normais, seríamos sem graça.
Categoria: Cinema
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Até hoje tento descobrir dentre tantas galáxias que há no universo, em qual delas, e nesta, em qual estrela estava escrito que a vida traria sucesso a Nathalia. Uma estrela vista de longe pode ser que não exista mais, porém, a estrela Nathalia Dill é vista de perto, e o que se vê é bem vivo, causando deleite aos que a admiram, ou até mesmo fazendo como se sintam em um paraíso. Se é um “paraíso artificial”, não sei dizer. Marcos Prado, diretor de filme recente do qual fizera parte, saberia a isso responder melhor. Contudo, posso lhes garantir que é um paraíso metafórico, idílico, que penetra nas sensações humanas. Dhill estivera em novela jovem. Era vilã. Como pode beleza angelical ligada à vilania? Pode. Que o digam Patrícia Pillar e Mariana Ximenes. Seria o belo vilanesco, por nos deixar fragilizados? Se sim, fragilidade boa essa. Na foto, há mar azul, muitas cores, areia plana, e sorriso bonito que não nos engana. Ela está feliz em estar em dádiva da natureza. E a natureza em ter dádiva a ocupá-la. Em que direção vão seus pensamentos? Para onde o vento sopra.
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Milena Toscano não é “marinheira de primeira viagem”. A atriz, apresentadora e modelo antes de ser Manuela, a protagonista da novela de Walther Negrão, carrega atrás de si um “background” a que devemos relevar. Tivera aulas com Fátima Toledo, famosa por seus métodos personalíssimos na preparação de atores para filmes com mérito, como “Cidade de Deus” e “Cidade Baixa”. Fez cursos livres na Casa das Artes de Laranjeiras, como o de Celina Sodré, diretora teatral respeitada no “métier”. Estreou na Rede Globo em folhetim de Antônio Calmon e Elizabeth Jhin. Foi para outra emissora. Voltou para a anterior, e nesta trabalhou com Gloria Perez. Novamente esteve em produção de Elizabeth. Participou de alguns especiais e seriados. Tivera passagens pela “TV Globinho” e “Malhação”. E após experiências por mim citadas, escolhida foi para atuar em papel importante em “Araguaia”. Toscano tem nas mãos chance única de conquistar espaço definitivo como artista de sua geração. Ela diz ter personalidade forte. Isto ajuda.
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Um diretor de teatro por quem tenho considerável estima certa vez me disse que Ana Beatriz, que fora sua aluna, era uma das mais tímidas da turma. Espantosamente, tempo depois, viria a ganhar o prêmio de melhor atriz por “Vera”, de Sérgio Toledo, em vários importantes festivais internacionais, como o de Berlim, o de Nantes, e o de Locarno. Isto corrobora o que alguns apregoam, ou seja, o fato de que muitos de nossos grandes intérpretes possuem timidez. Entretanto, não consolida-se como máxima absoluta. Porém, inexistente é de modo obrigatório elo entre talento e extroversão. Há pessoas, que por se acharem engraçadas e desembaraçadas, creem mesmo que detêm o citado talento e vocação para a dificílima arte da atuação. Então, que nos fique bem claro: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Ana é atriz a quem devemos pôr em patamar dos altaneiros do ofício. Que o diga Tchecov. Que o diga Gilberto Braga. Que o diga o público. Ela está em cartaz com “Tudo O Que Eu Queria Te Dizer”. Ana, tudo o que eu queria te dizer é que faz parte das artistas primeiras do país.
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“When the moon is in the Seventh House / And Jupiter aligns with Mars / Then peace will guide the planets / And love will steer the stars…” Quem nunca ouviu esta música? Música emblemática de uma época de transformações. “Hair”, um dos melhores e mais bem-sucedidos musicais de todos os tempos. Começou no off-Broadway, após Broadway, e em seguida, o mundo. A indústria cinematográfica não poderia desperdiçar este filão, e o adaptou merecidamente, sob a batuta magistral do tcheco Milos Forman. No elenco havia John Savage, Treat Williams, e Beverly D’Angelo. Grande sucesso. O Brasil ficaria de fora? Nem pensar. O diretor Ademar Guerra encenou o espetáculo, no qual havia polêmica cena de nudez. Vários atores importantes integraram o “cast”: Antonio Fagundes, Armando Bógus, Nuno Leal Maia e Sonia Braga. A atriz, cantora, e apresentadora (“TV Globinho”) Letícia Colin que fizera “Sandy & Junior”, “Malhação”, “Floribella”, Nelson Rodrigues no cinema, e Frank Wedekind no palco terá ótima oportunidade.
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Não dissertarei aqui sobre a ciência de Tales de Mileto. Mas inevitável é que lance mão de equações ficticiamente matemáticas: Vera Zimmerman = Divina Magda, e Divina Magda = Vera Zimmerman. Era apenas a sua segunda novela. Porém, uma segunda novela de Cassiano Gabus Mendes. Provável que fosse tão somente a amiga de Vitória (Lizandra Souto) no enredo de “Meu Bem, Meu Mal”, e que seria de forma constante assediada por Porfírio, interpretado pelo ótimo Guilherme Karan. Acredito que por caber a este talentoso ator a função de mordomo que fugia aos padrões convencionais, que a trama envolvendo Vera tornou-se um dos pontos altos do folhetim. Claro que isto não decorreria se Zimmerman não desse a Karan o muito almejado pelos artistas cênicos: o “feedback”. Como esquecermos da bela de ascendência germânica refestelada em espreguiçadeira à beira da piscina a ouvir o antológico bordão do empregado dos Venturini: ” Divina Magda…”? Todavia, gostaria de realçar que a atriz fez outros trabalhos relevantes: “O Profeta”, e o filme “Tônica Dominante”.
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Arnaldo Jabor há razoável tempo deu ótima entrevista a Jô Soares. Como é de costume, Arnaldo fora inteligente e espirituoso. Contou-nos histórias muito interessantes de forma extremamente natural e espontânea. É mais do que justo o retorno de Jabor à direção de filmes. Aliás, acho este título (“A Suprema Felicidade”) de uma beleza ímpar. A “suprema felicidade” parece-nos utópica, todavia de modo insistente tentamos ir ao seu encontro. Há dois longas-metragens do cineasta que considero notáveis. O primeiro é “Toda Nudez Será Castigada”, de 1973, no qual há atuações marcantes de Darlene Glória e Paulo Porto. E o segundo é “Tudo Bem”, de 1978, tendo no elenco ninguém menos do que Paulo Gracindo e Fernanda Montenegro. É engraçadíssimo, além de ser bem-feita sátira social. Mas, voltando ao bate-papo que tivera com Jô, após nos relacionar os nomes dos atores que fazem parte do “cast” de sua produção, dissera que há uma linda cena com Tammy Di Calafiori. Enfim, que esta obra seja uma suprema felicidade para Arnaldo Jabor.
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Foto: Roberto Filho/Phelippe Lima/AgNewsEm dia de março, não sei se em dia no qual caíam as águas de março, nasce uma menina de nome Julia. Uma menina que nasceu em berço esplêndido. Um berço com o esplendor da arte. Arte representada por dois catedráticos que a puseram no vasto mundo de Drummond: Lilian Lemmertz e Lineu Dias. Não precisaria sair de casa para aprender o ofício de ser atriz. Havia quem a ensinasse os mandamentos da profissão. No entanto, intuo que seus pais só tenham a orientado, pois artista já era. O dom já possuía. Na mente guardo uma participação marcante na carreira dela, em especial no qual contracenava com Roberto Bomfim. Tratava-se de livre adaptação do “Othello” de Shakespeare. A mocinha tendo que “enfrentar” o bardo inglês. Vejam só… E pensam que não se destacara? Qual nada. Arrebatou-nos. Outra memória reporta-me à novela da grande Janete Clair, em que era filha de Cuoco e Dina Sfat, e irmã de Malu Mader e Fernanda Torres. Há pouco, assisti a ela em filme de Aluizio Abranches. Que dizer? Senhora atuação do começo ao fim.
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Vejam que curioso. A trama de “Novela das Oito” passa-se em 1978. Época do estouro de “Dancin’ Days”, em que no elenco havia uma atriz adolescente que viria a tornar-se uma das mais importantes da TV brasileira: Glória Pires, como a rebelde Marisa. No ano seguinte, a esta mesma intérprete coube a protagonista de folhetim das 18h de grande sucesso, cuja autoria é creditada a Benedito Ruy Barbosa, “Cabocla”. Bom tempo depois, Vanessa Giácomo, após ter sido submetida a testes com tantas outras candidatas que visavam ao papel de Zuca, ganhara a oportunidade de ouro: estrelar o “remake” da história de Benedito. Vanessa surpreendeu a todos. Mostrou que tivera sido a escolha certa para ser Zuca. Tão certa foi a escolha que Giácomo está na televisão até o atual momento. Aliás, as adaptações de produções já exibidas fazem parte irrefutavelmente de sua vida artística, haja vista que também atuara em “Sinhá Moça” e “Paraíso”. No cinema, contribuíra de modo louvável em “Jean Charles”, com Selton Mello e Luis Miranda.







