É inevitável falar, mas provavelmente seria muito difícil para Cleo Pires (que protagonizará um episódio de “As Brasileiras”, fará a próxima novela de Gloria Perez, “Salve Jorge”, além de integrar o elenco do longa-metragem “O Tempo e o Vento”, de Jayme Monjardim, baseado na obra de Érico Veríssimo), que esteve no folhetim de Walther Negrão, “Araguaia”, como a vilã Estela, escapar da carreira artística, sendo filha de quem é. Começou ainda bem cedo ao fazer uma participação especial em sua própria natureza na boa minissérie de Jorge Furtado e Carlos Gerbase, “Memorial de Maria Moura”, adaptada do romance de Rachel de Queiroz, em que interpretara Maria quando criança, cabendo, como sabem, a Glória Pires, personificá-la quando adulta. Decorrido um tempo, surgiu-lhe a oportunidade de atuar em “Benjamim”, filme baseado no livro homônimo de Chico Buarque, com a direção da talentosa Monique Gardenberg. Cleo decidiu aceitar o convite. De fato, a proposta era irrecusável. E não incorrera em erro, pois o longa-metragem fora responsável pelo seu reconhecimento profissional, simbolizado pelas diversas láureas recebidas. Fora então, a partir daí, convidada para ser Zuca, no “remake” de “Cabocla”, de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, tendo a supervisão do autor da obra original, o pai de ambas Benedito Ruy Barbosa. Seria interessante assistir à filha em um papel que pertencera à própria mãe. Porém, recusou, afinal estava em seus planos não ser uma atriz de televisão. O papel coube assim a Vanessa Giácomo. Mas seria inviável para ela fugir por largo período deste segmento. Deste modo, participou de alguns folhetins que incrementaram o seu currículo. Interpretou a polêmica Lurdinha de “América”, de Gloria Perez, que tinha por predileção homens maduros, no caso, o personagem de Edson Celulari. Após, atuou em especiais. E vieram outros papéis, como a Letícia de “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro; a professora Margarida do “remake” de “Ciranda de Pedra”, de Alcides Nogueira, baseado no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles; Teixeira Filho escreveu a primeira versão); e a inescrupulosa Surya de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Devido a este último compromisso, não pudera integrar o elenco da produção cinematográfica dirigida por Sylvester Stallone, “Os Mercenários”. Chegou a apresentar um programa voltado para o cinema, na TV paga. E ao que parece, Cleo tomou gosto pela profissão. Também, como não tomar, tendo logo ao nascer uma “coach” como Glória Pires ao lado?
Categoria: Cinema
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Se tivermos que fazer uma seleção dos cem melhores filmes do cinema, com certeza, a obra do mestre inglês Alfred Hitchcock, “Janela Indiscreta” (Rear Window” no título original) estaria incluída. Trata-se de um daqueles longas-metragens ao qual não se cansa de assistir. James Stewart, imobilizado pelas circunstâncias, cultiva como seu único prazer bisbilhotar a vida dos vizinhos que moram à sua frente num prédio de apartamentos. Seu personagem tem ao seu lado a belíssima Grace Kelly. E o “voyeurismo” habitual faz aquele testemunhar um crime, e assim se tornar a próxima vítima de quem o cometeu. E daí não posso falar mais, para não revelar o fim para os que desejam vê-lo. O mote usado por Alfred fora tão inovador que servira de inspiração para o diretor Brian de Palma realizar “Dublê de Corpo” (“Double Body”), que contava com Craig Wasson e Melanie Griffith no elenco. Porém, há que se destacar que o clássico de Hitchcock fora baseado num conto de Cornell Woolrich, “It Had To Be Murder”. Confiram-no.
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Dois telefonemas, e uma porta entreaberta. Pronto. Cilada. Autor: Umberto (José Wilker). Vítimas: Raul (Antônio Fagundes) e Wanda (Nátalia do Vale). Casamento desfeito. Umberto conseguiu o que queria. Entretanto, só conseguiu o que queria porque teve como cúmplice a fragilidade de certa mulher (daí a referência livre ao título do filme dos irmãos Coen, “Onde Os Fracos Não Têm Vez”). A certa mulher, Wanda, caminha “de mãos dadas” com a vulnerabilidade. Vulnerabilidade que fez com que se deixasse cair nas iniquidades do cunhado. Este que odeia o irmão por vários motivos. Alega ter sido preterido pelo pai de ambos. Justificativa para seus atos inescrupulosos. Há justificativa para a falta de escrúpulos? Só que a despeito de ter encontrado fraqueza facilitadora, encontrou fortaleza de Raul. Homem que dificilmente se permite abater. Oponente de primeira. Encara os fatos com lucidez. Logra distinguir a diferença clara existente entre a personalidade dos filhos. Já Wanda não é capaz disso. Aliás, a sua frouxidão sobre a qual falei antes contribui para que seja objeto das segundas intenções de Léo (Gabriel Braga Nunes). Por conclusão, no capítulo de ontem, conhecemos um pouco mais de Umberto, um pouco mais de Wanda, e um pouco mais de Raul. Wanda e Raul não estão mais juntos por decisão dele. O que será da fraca Wanda? Ela disse que não vive sem ele. Por um tempo, terá que aprender a viver. Será que a situação atual fará com que fique mais fortalecida, ou somente recrudescerá o que já está estabelecido? Acho bom Wanda buscar forças, pois somente desta forma “terá vez” com Umberto, ou seja, não lhe será mais uma “presa fácil”. Umberto não irá parar por aqui. Umberto estará na busca permanente dos fracos.
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Foto: Jorge Bispo/Revista Marie ClaireDira (cujo último papel na TV fora a Celeste de “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva) é uma atriz de inegável talento, e detentora de beleza essencialmente brasileira. Como sabemos, esteve na novela “Ti-Ti-Ti”, de Maria Adelaide Amaral, como Marta. Porém, durante razoável tempo, Dira era somente associada ao cinema (o que é para poucos em se tratando de Brasil), tendo participado de vários filmes, alguns de suma relevância: “Floresta das Esmeraldas” (seu primeiro longa-metragem), do inglês John Boorman; “Corisco e Dadá”, de Rosemberg Cariry, ao lado de Chico Diaz; “Cronicamente Inviável”, de Sérgio Bianchi; “2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano”, de Breno Silveira; e “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis, dentre outros. E ganhara diversas e merecidas láureas pela rica trajetória cinematográfica. Na televisão, podemos mencionar as atuações em “Força de um Desejo”, de Gilberto Braga, e no “remake” de “Irmãos Coragem”, de Janete Clair (adaptação de Dias Gomes), em que personificara a índia Potira, papel que coube a Lúcia Alves. Além disso, torna-se obrigatório citar o retumbante sucesso que lograra ao ter composto Solineuza, do seriado “A Diarista”. E em “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, atingiu o seguinte feito: conseguiu com que uma personagem passível de reprovação moral (Norminha) ganhasse a simpatia do público. Além disso, há um elemento notável na sua postura como artista e cidadã. Ela fomenta o acesso de populações não privilegiadas à cultura, promovendo festivais nos quais são exibidos longas-metragens. Um gesto magnânimo da intérprete. A isto podemos chamar de “função social” do artista. Então, não só por este motivo, mas pelo seu curso venerando nas Artes, admiremos Dira Paes.
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Foto: Stefano Martini/Revista QUEMRecordo-me de Xuxa, a gaúcha de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, na abertura do divertido seriado “Amizade Colorida”, junto com Luiza Brunet, e que tinha como protagonista Antônio Fagundes na pele do fotógrafo conquistador Edu. A autoria coube a Domingos de Oliveira e outros, e a direção geral ficou a cargo de Daniel Filho. O tema musical era “Lente do Amor”, cantado por Gilberto Gil. Depois, vi Meneghel participando de um quadro no programa humorístico de Jô Soares, “Viva o Gordo”. Fora descoberta pelo respeitado Maurício Sherman para apresentar uma atração infantil na extinta Rede Manchete, “Clube da Criança”. A empatia notória entre ela e as crianças a fizeram ser convidada para ir para a Rede Globo comandar o “Xou da Xuxa”, em 1986. Surgia aí um dos maiores fenômenos da televisão brasileira no que tange à popularidade alcançada. O sucesso era tão impressionante que a apresentadora chegou a ganhar uma edição própria no “Globo Repórter”. A bonita moça loira não se limitou aos torrões nacionais, indo em busca do mercado latino. Seus especiais de Natal eram aguardados. Aliás, ano passado, houve mais um. Todos os números que abrangem a carreira são superlativos. Tanto os referentes aos discos, quanto aos filmes e shows. Os anos se passaram, e Xuxa se mantém estável profissionalmente.
Obs: No final de 2014, os veículos de informação noticiaram que a apresentadora Xuxa Meneguel não teria o seu contrato com a Rede Globo renovado, emissora com a qual mantinha vínculo desde 1986, quando estreou com o “Xou da Xuxa”.
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Foto: Roberto Nemanis/SBT
Vestida de púrpura, a bonita atriz de sorriso radiante concedeu a Marília Gabriela uma boa entrevista. Considero-a uma mulher de personalidade, espontânea e articulada. Tudo o que lhe fora perguntado, respondera coerentemente. Lúcia dissertou sobre a paixão pelo campo e pelos animais. Não se considera uma pessoa “urbana”. Sempre vai à fazenda que possui. Fazenda esta que gostaria que fosse partilhada com universidades a fim de que se pesquisasse a sustentabilidade. Informou-nos que a adoração pelos bichos se originou na mais tenra infância. E para demonstrar, contou-nos uma história divertida envolvendo aqueles de pelúcia. Confessou que gosta de solidão. Mesmo estando acompanhada, precisa de um pouco dela, pois lhe faz bem. Comentara acerca da ativa participação empregada na fundação de um partido político, e das poucas vezes nas quais se engajara para valer em questões correlatas. O que não a afasta das mesmas, dando opinião própria quando o assunto é a conjuntura atual do país. Disse não suportar a “superficialidade” que a tudo assola. E o que na verdade falta em sentido geral é educação. Educação para Lúcia é a base da formação do homem, do indivíduo, que o faz “projetar-se”, ter outra dimensão no que diz respeito ao que o cerca. Continuou afirmando que a ignorância é a culpada por atos impensados. Afirmara ficar incomodada com perguntas óbvias e sem embasamento que lhe são feitas por jornalistas ou quaisquer que intentam exercer o ofício. Confessou-nos que o teatro possui uma grande importância em sua vida, enfim, na vida do ator. Teceu comentários sobre o “besteirol” (movimento teatral surgido nos anos 80 voltado para a comicidade), relatando-nos a importância que detinha por tratar o humor com profundidade. A intérprete no momento se encontra compromissada com a novela “Amor e Revolução”, de Tiago Santiago, no SBT, na qual fará uma guerrilheira. E está feliz com esta nova etapa na carreira. Além disso, pretende seguir adiante com uma peça que escrevera e que deseja levar ao cinema, “Usufruto”, cujo cerne do argumento seria o protesto contra a hipocrisia. Após a entrevista, acho Lúcia Veríssimo uma mulher com ainda mais personalidade, beleza, espontaneidade, articulação no discurso, e com um sorriso radiante.
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Foto: Ernani d’Almeida/Revista MdeMulherTania Khallil, uma atriz e pessoa que admiro. A nora do intérprete de “Deixa isso pra lá”, que também é psicóloga, locutora e bailarina formada, encanta-me pela sua doçura. Quem lhe deu a chance de pela primeira vez fazer uma personagem de relevância em novelas fora o diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya, para integrar o elenco do folhetim de Aguinaldo Silva, “Senhora do Destino”. Tania havia se destacado na prestigiada escola de interpretação de Wolf. Agradou na história de Aguinaldo. Tanto que fora escalada após para atuar na trama de “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro. Mas, possivelmente, o papel que mais a marcara na teledramaturgia tenha sido Duda, de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. A intérprete impingira sensibilidade à mulher que, por força das tradições culturais de outro país, acaba sendo preterida por quem se apaixonara, no caso Raj, papel defendido por Rodrigo Lombardi. Muitos telespectadores torceram por ela no enredo, inclusive eu. Ano retrasado, estivera em uma peça de Mário Viana, “Vamos?”, tendo ao seu lado Dalton Vigh e Raquel Ripani. E para finalizar, Tania esteve há pouco na produção de Aguinaldo Silva, “Fina Estampa”, como Letícia, e está em cartaz, ao lado de Isaiah Washington e Murilo Rosa, em um filme de Gerson Sanginitto, “Área Q”.
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Há tipos de atores: os que são adeptos do “laboratório” para construírem seus personagens a fim de que se aproximem o máximo possível da melhor apresentação dos mesmos, e os dispensam este recurso, apostando apenas na intuição própria. Tanto uns quanto outros podem lograr bons resultados. Na verdade, o que de fato importa são as potencialidades dramáticas do intérprete. Isto se dá no mundo inteiro. Há aqueles que se apoiam no “O Método”, de Lee Strasberg, como assim o fizeram grandes nomes da Arte, como Marlon Brando, James Dean e Paul Newman (foto). Esta “técnica” se baseia essencialmente na procura dos artistas por emoções afetivas vivenciadas, recônditas. Porém, nem todos agem assim, optando por outras vias para a composição de seus papéis.
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A história se inicia com uma forte discussão de casal (Vladimir Brichta e Camila Morgado). Tudo leva a crer que é um casamento falido. E realmente era. No local de trabalho, Ary, papel de Brichta, aconselha-se com um amigo (Bruce Gomlevski). Este o chama para sair para “afogar as mágoas”. E assim o homem desiludido decide fazer. Na rua, figuras de fato urbanas nele se esbarram. Uma delas é interpretada por Osmar Prado. Algo como um “flâneur”, um “bon vivant”, um “de bem com a vida”, possuidor de teorias. Ocorre então que Ary vislumbra uma linda mulher, Vera (Alinne Moraes). Pareceu-nos que surgiria ali uma bonita “love story”. A gargantilha que o rapaz havia comprado para a esposa fora dada para a outra. A outra da rua. Porém, antes disso, o desalentado moço peregrina pela noite paulistana. E encontra tipos a ela comuns. Por vezes, lembrei-me de um filme, só que noutro contexto, de Martin Scorsese, “Depois de Horas”, no qual o personagem de Griffin Dunne perambula madrugada adentro vivendo várias experiências. Ademais, percebi no desenho do “character” de Vladimir algo “godardiano”, por causa dos conflitos internos, existenciais que o perturbavam. Pode ter havido sim uma influência da “Nouvelle Vague”. Notou-se também um olhar cinematográfico de Bruno Barreto, o diretor, na composição das cenas. Houve duas bem bonitas: um guarda-chuva é levado pelo vento; e Vera escapa do esguicho de uma mangueira de água na calçada. Se gostei? Sim, gostei.
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Paulo Gracindo como o prefeito Odorico Paraguaçu em “O Bem Amado”.
Foto: ARQUIVO/TV GloboCom a adaptação do filme de Guel Arraes, “O Bem Amado”, com Marco Nanini, em minissérie na Rede Globo (que por sinal derivou do seriado e novela homônimos de Dias Gomes exibidos na citada emissora), não nos custa nada lembrar um pouco desta antológica obra da teledramaturgia brasileira. Dias Gomes estava inspiradíssimo ao construir personagens ricos em seus perfis, e criar um microcosmo com conotações políticas regado por um humor impecável. Odorico Paraguaçu, interpretado de modo brilhante por Paulo Gracindo, arrebatava-nos se comportando jocosamente, e preterindo de forma deliberada os princípios éticos. O fraseado dele era de uma originalidade sem par. “Vamos deixar de lado os entretantos e vamos direto pros finalmentes” (citação próxima) é só um dos exemplos. E o que dizer quando o prefeito de Sucupira vestia o terno, ajudado por Dirceu Borboleta (personificado por Emiliano Queiroz, que se utilizou de minúcias na caracterização), para falar ao telefone com certa autoridade? E o assanhamento das irmãs Cajazeiras (a princípio, defendidas por Ida Gomes, Dirce Migliaccio e Dorinha Duval; a seguir, Dorinha foi substituída por Kléber Macedo) quando se encontravam com o político? E quando o alcaide tinha segundas intenções com alguma delas, e soltava: – Aceita um licorzinho de jenipapo? E o Nezinho do Jegue (Wilson Aguiar)? Tudo era bom. Aliás, tudo era muito bom.





