” ‘Amor à Vida’ deu chance à vida. “

Publicado: 21/05/2013 em TV

amor-4 Foto: Divulgação/TV Globo

Vida. Amor. Amor à vida. Walcyr Carrasco, o autor da nova novela das 21h da Rede Globo, “Amor à Vida”, dirigida por Mauro Mendonça Filho (direção de núcleo Wolf Maya), escolheu este título não à toa. O amor e a vida em todas as suas nuanças serão abordados na história que já no primeiro capítulo deu sinais de que não faltarão espaços para que se esmiúce temas que nos são tão caros. Tudo começa em 2001, na cidade sagrada inca Machu Picchu, no Peru, na qual Paloma (Paolla Oliveira) foi com a família, o pai César (Antonio Fagundes), a mãe Pilar (Suzana Vieira), o irmão Félix (Mateus Solano), e a cunhada Edith (Bárbara Paz) comemorar o fato de ter passado para a faculdade de Medicina, ciência que está entranhada em seu clã. Ficou-nos evidente de que mãe não gosta da filha. De que irmão não gosta da irmã. Desamor. Desamor à vida. Félix quer poder. Félix, em composição com toques efeminados propositalmente feita por Mateus para desde logo insinuar ao público a bissexualidade camuflada. César gosta da filha, o que gera ciúme e revolta no rapaz que preferia estar em Nova York, não no país andino. Paloma ama a vida. É sonhadora. Descobriu ser adotada. Desnorteou-se. Encontrou norte em brasileiro aventureiro, Ninho (Juliano Cazarré). Paixão fulminante. O louro com os “dreads”. Filha. A personagem de Paolla não sabe que opção tomar: ter vida comum ou vida incomum. Ninho lhe prometeu o mundo. Ninho não cumpriu. Deu-lhe decepção. A gravidez foi “fashion”. Feto apertado para não ser revelado. O homem de Machu Picchu é preso. Incorreu em crime. Separação. Félix arma sórdido jogo. Dinheiro, corrupção e traição. Tão pouco amor à vida. Ninho é liberto. Gravidez descoberta. O pai é internado. O plano deu errado. Paloma reencontra Ninho. Vão à bar. Há jogo de sinuca. Paloma entrou em sinuca de bico. Assim é se não lhe parece. Desculpe-me Pirandello. O jovem de barba negra escapuliu cheirando à álcool. Bolsa estoura. Filha nasce em banheiro sujo por mãos de estranha, Márcia (Elizabeth Savalla). Sofre hemorragia. O irmão a encontra, e leva a sobrinha que chama de ratinha. Enquanto isso, Bruno (Malvino Salvador) será papai. E Luana (Gabriela Duarte), mamãe. Gestação de risco. Parto de risco. Mamãe Luana morre. Seu filhinho morre. Bruno morre por dentro. Onde está a vida em “Amor à Vida”? No mesmo carro, a imundície do vilão Félix se imiscui com a pureza de criança roubada. Esta nos dá esperança. Bruno deixa escorrer por rosto próprio lágrimas de amor duplo perdido. Seu pranto é ouvido. Rosto contorcido. Bruno contraria a banda The Cure, “boys cry!”. Desenhos na abertura mostram balé de lápis. O lápis de Ryan Woodward. Casal que vira pássaro. O mesmo pássaro que sobrevoou Machu Picchu. As paisagens sagradas foram exploradas com beleza sagrada. Índios, fogo, poncho, vidência. A ambiência de “Amor à Vida”. A bebê em caçamba de lixo é jogada. Já vimos este filme. Basta abrir o jornal. Ódio à vida. E Félix tem ódio à vida. Em rua nua e crua de São Paulo vaga errático um Bruno de choro enfático. Seu choro cala diante de infante choro. O pai sem filho acha filha sem pai. Deus lhe deu segunda chance. Walcyr Carrasco deu chance à vida em “Amor à Vida”.

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