“Não há ‘171’ em ‘Apartamento 171’. Muito pelo contrário. ‘Alugamos’ ou ‘compramos’ ótima peça.”

Publicado: 27/05/2013 em Teatro

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Foto: Ale Vidal/Divulgação

Acredito que em certo dia, o ator e dramaturgo Antonio Rocha Filho levantou-se da cama acobertado por pensamentos aleatórios que o fizeram almejar reuni-los em conjunto cênico, e a si mesmo perguntou: “Como juntar corrupção, estelionato, comédia, esoterismo, relações afetivas, a cultura das celebridades, e as vicissitudes por que passa um ator para se estabelecer no mercado de trabalho numa peça teatral que despertasse o interesse do público? Em esboço de folha de papel ou “dançando” dedos em teclados de computador deu vazão à profusão de ideias, e dali saiu o espetáculo em cartaz “Apartamento 171”. A história tangencia muito apropriadamente a contingência política do país, que está representada na figura de um parlamentar sem escrúpulos nem tampouco ética defendido com crível intensidade e proposital cinismo por Mateus Rocha. O Deputado Galhardo é proprietário de um apartamento (o tal apartamento do título da encenação, e que é objeto de fraude, estelionato, daí a referência ao “171”, que simboliza o artigo 171 do Código Penal brasileiro que tipifica o delito em pauta, e que “caiu na boca do povo” como algo similar a “passar a perna em alguém”). Dois casais são vítimas de golpe. Alugam o mesmo imóvel que não estava para ser alugado por corretor velhaco. Um daqueles é formado por Álvaro (Rômulo Estrela), ambicioso profissional da área financeira detentor de conceitos românticos atinentes em sua maioria às mulheres, como por exemplo não concordar que não haja compromisso formal com a sua parceira Jaciara/Jacyara (Amanda Richter) ou Jaci/Jacy para os íntimos, a ponto de afirmar de modo próximo: “Por que você sempre me faz sentir a mulher da relação?”. Rômulo Estrela desenha seu papel com extrema elegância lhe dando oportunas permissões para que exiba sua capacidade humorística em aliança com a proposta do autor. Já a companheira interpretada por Amanda é uma convicta mulher desprovida de resvalos em sua autoestima por ocupar posição de advogada, definindo-se como a “Doutora”. Amanda Richter compreendeu com sagacidade a configuração acertada do indivíduo do sexo feminino que vive em pleno século XXI, ou seja, que se vangloria do espaço conquistado outrora por homens. A causídica foge aos ditames que por largo tempo dominaram as veleidades de seus pares de gênero no que diz respeito ao assunto “casamento”. O outro casal é constituído por Chico Faria (Antonio Rocha Filho, que também escreveu o texto), um ator desempregado, e que por meio desta infeliz condição e palpável realidade desfia rosário de piadas e observações chistosas que não se afugentam do concreto. A aceitação imediata dos espectadores não se justificaria se Marco não buscasse elementos condensados em alta comicidade, o que gerou atuação bem-sucedida. Adriana (Fernanda Pontes) ou Drica para os mais íntimos é uma estilista desapegada aos bens materiais (até certo ponto) que possui senso de humor afiadíssimo personificada por uma Fernanda bastante à vontade e “apegada” à sua personagem, lançando mão de todos os recursos cômicos de que é capaz. Enfim, Mateus, Amanda, Antonio, Fernanda e Rômulo integram coeso e consistente elenco, esbanjando sinergia e colaborando cada um com a sua cota de excelência para que “Apartamento 171” não seja apenas comédia ligeira e rasgada, mas sim entretenimento pensado e crítico do cotidiano. A direção de Duda Ribeiro opta inteligentemente pelas dinâmica e agilidade, usufruindo todo o perímetro da ribalta com a movimentação contínua dos artistas em cena. O encontro dos envolvidos no mesmo local desencadeia série de situações bem-humoradas, divertidas e conflituosas diante do imbróglio que a eles se apresenta. No tocante aos aspectos técnicos, tudo funciona com adequação ao que é sugerido pelo contexto narrativo. A iluminação de Palito escolhe a luz aberta em quase todo o decorrer do enredo a fim de que se dê ênfase à ação, com oportunas e esporádicas meias-luzes, além de jogo de cores que se alternam no fundo do palco. O cenário é eficaz e corresponde ao andamento dos fatos. O fictício imóvel é munido de sofá magenta adornado com almofadas brancas e peroladas, duas pequenas mesas o ladeando, bar com banquetas cromadas, tapete, painel floral com cortinado transparente na região posterior do tablado e biombo no qual estão dispostas plantas e flores como orquídeas. Os figurinos indicam leveza, jovialidade, garbo e descontração. A trilha sonora é econômica e serve de passagem de uma cena para outra. Ideias que um dia surgiram na mente criativa de Antonio, que resolveu colocá-las em prática, e solidários que são atores, diretor e produção estenderam-lhe as mãos e talentos. Caindo duplamente em clichê, a união fez a força e o final foi feliz. A plateia então “embarcou”. Não se deixaria levar pelo conto do vigário explicitado. Porém, o que se viu é que “pagou à vista” sem remorsos a ótima peça “Apartamento 171”.

comentários
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