” E no meio da história havia um robalo…”

Publicado: 03/01/2014 em TV

tereza_pereirinha
Foto: Fina Estampa/TV Globo

O autor de “Fina Estampa”, Aguinaldo Silva, teve uma ótima sacada ao promover um romance tempestuoso entre os personagens de José Mayer, Pereirinha, e Christiane Torloni, Tereza Cristina. Os atores, com larga experiência em novelas, demonstraram de imediato, desde a primeira cena na qual se encontraram, um entrosamento visível. Já haviam trabalhado juntos em alguns folhetins, como “A Gata Comeu”, de Ivani Ribeiro, “Selva de Pedra”, “remake” de Regina Braga e Eloy Araújo feito a partir da obra de Janete Clair, e “Mulheres Apaixonadas”, de Manoel Carlos, além do longa-metragem de Guilherme de Almeida Prado, “Perfume de Gardênia”. O sucesso dos momentos deles é um somatório de fatores: o talento dos intérpretes que conhecem muito bem o veículo em que estão atuando; a linha de texto adotada por Aguinaldo Silva, que aposta no humor das falas; o tipo de envolvimento afetivo escolhido que baseia-se no desejo recíproco incontrolável; a direção; e a junção de dois integrantes da trama da produção das 21h da Rede Globo que passam ao largo dos escrúpulos, mas que são capazes de sentir um pelo outro uma espécie de atração, nem que seja apenas física. Há ainda a questão da troca de pares: Tereza Cristina e Pereirinha, e Griselda (Lilia Cabral) e René (Dalton Vigh), o que só recrudesce a possibilidade de maiores conflitos e disputas no enredo. Lembremos como tudo se iniciou. Tereza vai à antiga casa onde a mãe de Amália (Sophie Charlotte) morava, e nela defronta-se com o pescador (agora não mais, haja vista que irá vender o barco de pesca). Leva um tremendo susto devido à aparência dele. Por causa dos cabelos e barbas longos (José Mayer teve que mantê-los em decorrência do musical “Um Violinista no Telhado”, do qual é o protagonista), a rica mulher compara-o ao Conde de Monte Cristo, referindo-se ao personagem criado por Alexandre Dumas, que passa anos trancado num calabouço vítima de traição. A princípio, sente repulsa. Uma repulsa que não durará bastante tempo. E por falar em tempo, Pereirinha não o perde. Decide dar uma caprichada no visual. Apara as melenas e os pelos da face. E parte para o ataque. Entretanto, precisaria de um pretexto para ir à mansão de Tereza. E este pretexto atende pelo nome de robalo, que a ela fora oferecido como presente. Com o casamento já desgastado, a irmã de Paulo (Dan Stulbach) entrega-se literalmente aos carinhos nada delicados de Pereirinha. Pode-se dizer que são até mesmo um tanto quanto selvagens. Aliás, um aspecto que incrementa as ocasiões dos encontros que estão cada vez mais frequentes é o fato do pai de Enzo (Julio Rocha) não poupar os caríssimos vestidos e “peignoirs” usados pela amante. Uma hora o closet de Tereza Cristina ficará vazio. Enquanto isso, acredito eu, o preço do robalo está subindo no mercado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s