” Sexo com Uvas em ‘Amores Roubados’.”

Publicado: 07/01/2014 em TV

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Foto: Felipe Panfili/AgNews

Corpos nus. Suados. Desejo e sexo. Tiros e sangue. Violência. Adultério e conflitos familiares. Dinheiro, poder, prostituição. Com estes explosivos ingredientes, estreou ontem na Rede Globo a tão aguardada minissérie de George Moura, Sérgio Goldenberg, Flávio Araújo e Teresa Frota e supervisão de texto de Maria Adelaide Amaral, dirigida por José Luiz Villamarim, “Amores Roubados”. Ambientada na fictícia cidade de Sertão (as gravações foram feitas em Petrolina, Pernambuco, e Paulo Afonso, na Bahia), a história (baseada num romance escrito por Carneiro Vilela em capítulos por dois anos, “A Emparedada da Rua Nova”, para um jornal recifense no século XIX) conta a trajetória de um belo sommelier, Leandro Dantas (Cauã Reymond), que veio de São Paulo para mostrar o seu amplo conhecimento de vinhos na vinícola Vieira Braga, e praticar o seu perigoso jogo de sedução com as mulheres da região. A empresa, imponente em terreno desértico, porém onde nascem uvas, pertence ao todo-poderoso Jaime (Murilo Benício), a quem todos respeitam e obedecem, casado com Isabel (Patricia Pillar), uma mulher a princípio centrada e contemporizadora, ambos pais de Antônia (Isis Valverde), que estudara no exterior, e retorna à terra natal para auxiliar nos negócios do clã, mesmo que a contragosto. O jovem Leandro, filho de Carolina (Cassia Kis Magro), uma ex-prostituta que passou tempos presa e por aquele fora roubada na mesma metrópole e que decide em meio à sua amargura retomar a vida, crê que tanto os vinhos quanto as mulheres têm que ser “provados”. Ostenta um ideograma japonês tatuado na pele morena que significa “proteção”, mas não se exime de procurar o perigo. Mantém ardente caso com a lasciva Celeste (Dira Paes), esposa do rico exportador de mangas Roberto Cavalcanti (Osmar Prado). Em festa promovida por este, ocorre degustação de vinhos “às cegas”, ou seja, com os convivas de olhos vendados, comandada pelo sommelier. Carícias proibidas se misturam aos goles. Não só Celeste se verá “embriagada” pelos encantos de Leandro. Mãe e filha também serão vítimas. Atração física pela primeira e amor pela segunda. Os poros do rapaz exalam “bouquet” de erotismo. Um quarteto bonito e movido a riscos e adrenalina. O esfacelamento do mesmo é iminente, provocado por ciúme e vingança. Ficamos intrigados com a misteriosa figura do afilhado de Jaime, João (Irandhir Santos), que desde já demonstrou fidelidade ao padrinho, apreço por armas (que nos leva a pensar numa possível premeditação de algo ilícito) e uma paixão estranha por Antônia. Enfim, alguém a ser temido. Outros nomes importantes que vieram das telas de cinema, assim como Irandhir, são Jesuita Barbosa, que interpreta Fortunato, amigo e conselheiro de Leandro, e Cesar Ferrario, como Bigode de Arame. No primeiro capítulo, percebemos de pronto influências cinematográficas na narrativa, que vão do “western” (há sem quaisquer exageros uma lembrança a Sergio Leone), passando pela violência despudorada de um Tarantino e pelo “árido movie” brasileiro, até chegar ao consagrado “road movie”, tão explorado por diferentes e veneráveis cineastas. José Luiz Villamarim conduz a sinopse com a habilidade e a engenhosidade que nos é conhecida desde “Avenida Brasil” e “O Canto da Sereia”. José é hoje, sem discussões, um dos melhores diretores de TV no país. A abertura (concepção de Zé Luís e execução de Alexandre Pit Ribeiro e Flávio Mac) é magnífica, uma clara e óbvia ode aos fotógrafos, com o “congelamento” em P&B de momentos marcantes dos intérpretes na minissérie. A trilha sonora (direção musical do imbatível Mariozinho Rocha) permeia toda a ação, jamais deixando de ser congruente e explicativa da cena. A prosódia dos atores está em consonância com a ambiência do argumento. O elenco, sem exceção, expressou total entrosamento e intimidade com a rica psicologia de seus personagens. A meritória fotografia de Walter Carvalho realça em todos os seus detalhes o panorama desolador do espaço sertanejo, com sua vegetação retorcida, suas estradas de terra e poeira, montanhas barrentas e vastos campos infinitos onde se vê o nada. Pode-se esperar com “Amores Roubados” um entretenimento que não poupará os telespectadores com um enredo envolvente, tentador, excitante e provocativo. Um pacto do sexo com a violência. Um conjunto de emoções cabíveis em um “thriller” regado à nudez, sensualidade e suprema beleza dos “pecadores” para a ira dos “traídos”. Em meio a tudo isso, as uvas, e toda a “sexualidade” que nelas pode estar contida.

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