” Esther quer ter um filho. Paulo, não. Até aí, nenhuma novidade. A questão é como Esther quer ter este filho. “

Publicado: 12/04/2014 em TV

paulo_esther
Foto: Divulgação/TV Globo

Lembro-me que ao analisar alguns personagens de “Fina Estampa” em seu primeiro capítulo, novela das 21h da Rede Globo, de Aguinaldo Silva, lembro-me que me referi ao casal Paulo (Dan Stulbach) e Esther (Julia Lemmertz) como um par bem-sucedido na profissão que parecia feliz, sendo que ele em certa cena mostrou-se completamente fiel à esposa, pois havia resistido ao assédio de uma modelo que participaria de um desfile da Fio Carioca, prestigiada empresa têxtil que ambos possuem. Não foi impressão errada, pois por muitos capítulos davam-se bem. Até que numa viagem dos dois, surge uma médica, Dra. Danielle Fraser (Renata Sorrah), especialista em reprodução artificial. É neste instante que começa o desabamento de um matrimônio até então sólido. Alguns assuntos não resolvidos para eles, e que estavam adormecidos, vêm à tona: a vontade de Esther de ser mãe e a impossibilidade de Paulo de ser pai, devido à sua esterilidade. O caráter estável do casamento fora minando aos poucos à medida que a personagem de Julia Lemmertz manifestou o desejo de se utilizar dos procedimentos médicos alternativos e avançados da Dra. Danielle, o que gerou antipatia imediata de seu cônjuge. De fato, a situação é demasiado complexa. Procuremos não cair de forma fácil em julgamentos morais. Tentemos ver as razões de cada um. Primeiro, Esther. É uma mulher madura, porém jovem, que como várias mulheres quer ter um filho. Só que descarta a adoção. Ela quer sentir as dores e os amores de se gerar alguém no próprio ventre. Já que não pode contar com a contribuição natural do marido, decide por aceitar um embrião fecundado por doadores anônimos. Está certa disso, e tudo leva a crer que não declinará desta ideia, nem que o seu enlace seja comprometido. O sócio e esposo não assentiu. Suas alegações partem do princípio de que terão um “intruso” na convivência. E este problema bastante particular e íntimo deles acaba em ouvidos indesejáveis, como os de Tereza Cristina (Christiane Torloni) e a jornalista Marcela Coutinho (Suzana Pires). As brigas passam a ser contínuas. E Paulo não consegue desvincular trabalho e vida pessoal. Esther continua frequentando a clínica de fertilização de Dra. Danielle, e mostrando-se disposta a levar adiante a decisiva tomada de atitude. E o que antes parecia improvável, decorreu. A traição do irmão de Tereza Cristina. E logo com quem. Com Marcela. Isto gerou desconforto e arrependimento nele. Mas aí já era tarde. Foi uma espécie de vingança e fraqueza, dois elementos que juntos servem para o aproveitamento dos mal-intencionados. Esther descobriu. Mulher sente essas coisas de longe. Agora, uma pergunta que me faço. Não seria o caso da Dra. Danielle esperar um acordo entre o casal, porquanto há uma vontade unilateral de se realizar algo que de brincadeira não tem nada? O que está em jogo é um casamento. Agora, falemos um pouco de Paulo. Convenhamos que não deva ser fácil para um marido acompanhar a gestação de um filho pela sua esposa, sendo que não servira de nenhum modo para isso. A adoção não seria a solução mais pacífica? Já estou num campo de julgamentos. E além de não ter direito a isso, mesmo em se tratando de ficção, sou avesso a qualquer tipo de julgamentos e pré-julgamentos que tangenciem o aspecto moral e, por que não, emocional. A conclusão a que chegamos é que o autor Aguinaldo Silva está abordando um tema dos dias atuais, o qual não podemos ignorar. E este tema carrega em si consequências de inegável magnitude. Haverá discussões, ofensas de lado a lado, crises conjugais e inevitável separação. Contudo, como boa novela, tudo leva a crer que Paulo e Esther terão um final feliz. Digo isto porque em nenhum momento o amor deles pareceu chegar ao fim. Pode estar balançado. Todavia, ao fim não chegou.

comentários
  1. Se não me engano eles até chegam a se separar um tempo. Mas, não acompanhei a novela, posso estar enganada.
    Esse assunto é muito complicado. Ainda mais porque o bebe em questão não era de nenhum dos dois.
    Eu até entendi na epoca o lado de Paulo em não “aceitar” o bebe. Mas não tirei a razão e vontade da Esther.
    Mas como foi tudo uma novela. Acredito que na vida real as coisas seriam mais flexiveis de ambas as partes.
    Beijos, Camila

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  2. pauloruch disse:

    Olá, Camila. Adorei o seu comentário. Muito pertinente. Sim, houve um momento da novela em que o casal se separou. E em seus reencontros, havia invariavelmente conflitos. Tem razão ao dizer que na vida real o marido e a mulher, se há cumplicidade e compreensão mútua no relacionamento, poderiam ser mais flexíveis e tolerantes. Na verdade, o assunto é por demais
    complexo, e dividirá sempre opiniões. Obrigado, querida. Seu posicionamento é bem-vindo. Beijos! Paulo Ruch

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