“Tendo como cenário principal as barbaridades imperantes de uma guerra civil, somos apresentados pelo incensado autor libanês Wajdi Mouawad à realidade perturbadora de sua dramaturgia em “Incêndios”, com Marieta Severo e ótimo elenco, mostrando a pungente dor materna, que desconhece tempo e espaço, sendo-nos compreendida no futuro somente pelas causas do silêncio, da verdade e do amor incondicional.”

Publicado: 26/04/2016 em Teatro

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.
Foto: Leo Aversa

Em “Incêndios”, tudo se inicia com um testamento. Um inesperado testamento que servirá como agente desencadeador da trama admirável e impressionantemente bem estruturada por seu autor, o libanês radicado no Canadá Wajdi Mouawad (a história surgiu de um processo colaborativo de Wajdi com o coletivo teatral que dirige, Au carré de l’hipotenusa), tendo a escrito no não tão longínquo ano de 2003, e que rendeu um longa-metragem homônimo, lançado em 2010, dirigido por Dennis Villeneuve, e que fora indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No espetáculo, o circunspecto e resoluto tabelião Jean Lebel (Marcio Vito), no novo escritório do qual se gaba de sua aprazível vista, lê e explica solenemente para os filhos gêmeos de 22 anos, Jeanne e Simon (Keli Freitas e Felipe de Carolis, respectivamente) o que sua mãe, Nawall Marwan (Marieta Severo), manifestou de modo claro como suas derradeiras vontades. Na peça dirigida por Aderbal Freire-Filho, que estreara no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2013, e desde então tem recebido merecidos e importantes prêmios, com elogios unânimes de público e crítica, Jeanne é uma autocentrada e decidida professora universitária de Matemática (ela realiza complexas comparações entre o núcleo familiar e a Geometria, posicionando o primeiro no cerne de um polígono). Simon é um boxeador amador que extravasa a sua rebeldia e agressividade jovens nos treinos constantes com o seu preparador físico (Flávio Tolezani). Nawal determina aos seus descendentes incrédulos e confusos que saiam em busca de seus pai e irmão desconhecidos no Oriente Médio (em região não especificada na montagem), e lhes entregue dois simples envelopes. Deixou-lhes ainda uma camisa verde de enigmático número 72, um caderno de brochura vermelha, e exigências quanto ao seu enterro (que seja sepultada nua, de bruços, sem epitáfio e pedra sobre ela, permitindo somente as águas dos baldes jogadas em seu corpo inerte). Após cinco anos imersa em silêncio num quarto de hospital ocidental, vinda de terras árabes, amparada por fiel enfermeira (Fabianna de Mello e Souza) que grava suas ausências de sons em fitas cassetes, na volta ao lar, assevera: “Agora que estamos juntos, tudo ficará melhor”. Retornando ao desorientador testamento, Simon vilipendia sua progenitora com vocábulos ofensivos, afogado em infinita revolta, enquanto Jeanne resolve desvendar passo a passo a existência pretérita de quem lhe deu a vida (a enfermeira de sua mãe, hoje funcionária de um teatro, responde às suas urgentes inquirições). Com mochila nas costas, segue firme em peregrinação tortuosa na procura inglória pelos seus consanguíneos, comunicando-se algumas vezes com o seu irmão. A montagem não se submete a uma linearidade arbitrária de tempo e espaço, o que nos permite entender como se deu toda a aterrorizante jornada de Nawal. Moça, quase criança, aldeã, conhece o amor do rapaz de mesma aldeia (Isaac Bernat). O amor é proibido pela mãe da amante (Fabianna de Mello e Souza), e dele surge um filho, previsto pela velha senhora, sua sábia avó (Fabianna de Mello e Souza). Nunca mais se viu o rebento, que teve como pioneiro berço um velho balde. Também não se teve mais notícias de seu amado. A aldeia ficou vazia, e Nawall segue o seu destino incerto, incerta dos horrores que a esperam.  Em seu périplo, em meio a uma terrífica guerra civil, com as barbáries perpetradas por soldados, milicianos e tropas estrangeiras, encontra Sawda (Kelzy Ecard), uma boa mulher que se apraz em cantar com sua linda voz. No entanto, Sawda se adapta e corresponde em atitudes em grau similar às desgraças de um conflito bélico que a arrebatam. Unem-se na paz da aliança e nas temerárias batalhas que as espreitam. Na conjunção de presente e passado, Jeanne segue viagem, e se defronta com pessoas, como um camponês e um zelador de escola (Isaac Bernat), que podem ajudá-la a descobrir o paradeiro de seus familiares, enquanto que Nawall ensina à sua nobre parceira a arte das letras, na escrita e na leitura. A dupla escuta a orquestra dos tiros insanos. Nas loucuras de uma guerra injustificada como as demais guerras, as mulheres comuns empunham coronhas de armas, tornam-se guerrilheiras, o rosto é camuflado nas tintas, e os estampidos de seus disparos já não lhes soam tão assustadores. Mas crianças, idosos e mulheres carbonizados por chamas e incêndios criminosos num ônibus de civis inocentes ainda aterrorizam Nawall. A morte é banal. Sua mente explode em “incêndios”.  A marca da maldade humana se esprai em celas de prisão nos estupros contínuos e abomináveis e nas torturas contínuas e inomináveis. No deserto da destruição da paz, vê-se um aloucado franco-atirador (Flávio Tolezani) com o seu pesado fuzil sobre o ombro, um “sniper” cantando Supertramp, que usa as mãos frias de seus assassinados como microfone de suas frases desconexas ditas num inglês indigente. A verdade começa a aparecer para Jeanne por intermédio de um misterioso homem (Isaac Bernat). Nawall, “a mulher que canta”, que escreveu o epitáfio de sua avó profética, dilacerada pela dor que a acompanhou pelas estradas de sangue, trajada com vestido da cor da escuridão, depõe contra quem lhe fez o mal em um tribunal, num discurso frio e comovente que selará o seu final. A dramaturgia de Wajdi Mouawad, que teve a irrepreensível tradução de Angela Leite Lopes, causa-nos forte e marcante impressão pela forma com que foi brilhantemente estruturada. A peça, que se passa em várias fases da vida de Nawall, sendo que alguns desses tempos distintos que a definem se defrontam com os dias atuais, exigiu de seu autor uma ilimitada capacidade de composição, arranjo e posicionamento das etapas de sua rica história dentro das linhas exigíveis de um contexto teatral, sem que em nenhum momento se perdessem as suas lógica, coerência e fluidez narrativa. “Incêndios”, pode-se dizer, bebe na fonte das tragédias universais clássicas, que têm as mulheres como protagonistas de suas miserabilidades. O próprio Aderbal Freire-Filho, o diretor, afirmou que Nawall se assemelha a uma Medéia, uma Antígona ou Jocasta. Uma obra extremamente contemporânea, que faz um retrato fiel das desgraças da humanidade, como as guerras civis sem fim e sem motivação que nos convençam e o drama clamoroso dos refugiados, e as matanças dos que vivem na inocência. Aderbal, que teve como assistente Fernando Philbert, tomou para si um enorme desafio ao aceitar dirigir esta montagem de avolumada complexidade. O encenador com sua vasta experiência e conhecimentos prático e teórico da milenar arte não se intimidou, e conseguiu selecionar os elementos chaves para tornar a produção em algo cênico que fosse irreversivelmente atraente, instigante, inteligível e emocionante para o seu público. Apostou na ação continuada amparada por um crescente suspense. O diretor logrou prender a nossa atenção com o jeito altamente hábil com que conduziu os seus personagens em cena, sempre procurando atingir uma movimentação, uma dinâmica certeira e adequada dos intérpretes na ribalta, seja em suas marcações, deslocamentos no espaço, entradas e saídas, e ocorrências temporais concomitantes. Há uma linda cena, dentre tantas, em que os atores formam um círculo, e dentre eles estão os baldes, que possuem um alto valor simbólico no enredo. Todo o conjunto da encenação, que vai da atuação de seus atores, passando pela luz em consonância com o cenário, associado aos demais aspectos, torna a direção de Aderbal Freire-Filho exemplar. A Marieta Severo, como Nawal Marwan, coube o valioso, exigente e poderoso exercício artístico de imprimir uma infinita paleta de emoções às diferentes fases de sua vida no entrecho da montagem. Marieta estudou, pesquisou e definiu com apuro interpretativo a sutileza dos gestos, posturas, e consequentemente a voz oportuna, da jovem moça aldeã apaixonada, e depois, decepcionada, tanto com a perda de seu filho quanto com o desaparecimento de seu amado, da mulher aguerrida no seio dos conflitos bélicos, da mãe com sentimentos torturados pelas cruentas contingências, e novamente da mãe redentora e esperançosa de seus atos finais. Marieta, uma das atrizes mais respeitadas do país, evidencia-nos em cada fala, movimento, ação e reação o que a sua prodigiosa vivência como intérprete lhe proporcionou no decorrer de tão preciosa carreira, tornando a construção de sua personagem em outro momento memorável de sua trajetória como missionária das Artes. Felipe de Carolis, um talentoso ator de sua geração (idealizador do projeto, sendo um dos produtores da peça, juntamente com Marieta Severo e Maria Siman, tendo como produtor associado Pablo Sanábio) criou Simon com pujança e explosão dramática, demonstrando os níveis exatos de suas revolta, insatisfação e exasperação com a situação vigente dos acontecimentos narrados. Além disso, em outro episódio da encenação, ostenta sua visível aptidão e entendimento para nos convencer da sensibilidade genuína de seu papel, até então desconhecida, e o seu assombro incontornável ao se deparar com verdades substancialmente desconcertantes e avassaladoras. Keli Freitas, como a sua irmã gêmea Jeanne, agrupa suas cargas emotivas com precisão a fim de que possamos enxergar na moça que se vê de hora a outra com a árida missão de descobrir o paradeiro de seus entes queridos um caráter determinado pela sensatez, pela razão e por sua perseverança inquebrantável na conquista do encargo pesado que lhe foi passado pelas situações adversas (espantoso é o momento em que discursa acerca de teorias matemáticas com segurança e credibilidade). Marcio Vito defende com sobejas compreensão e inteligência artísticas a função do notário Jean Lebel, desenhando o seu papel, que possui elevada relevância no desenvolvimento da trama, com a sobriedade correta e o incisivo poder de convencimento que um homem de seu cargo deve ter, baseado na legalidade acompanhada de seus trâmites burocráticos. Kelzy Ecard compôs com esmero e sensibilidade as linhas da personalidade de Sawda com apreciáveis variações de interpretação, típicas de uma atriz experiente e sabedora de seu ofício, todas elas em perfeita harmonia com os fatos vivificados pela aldeã/camponesa que ecoa pelos cantos do deserto sua canora voz, associada ao desejo íntimo, em meio ao terror presente, de se familiarizar com a magia e o encanto das letras, ensinadas por sua amiga Nawal. Flávio Tolezani exibe em cada um dos papéis que defende uma notável, elogiosa e diferenciada visão acerca dos tipos característicos que personifica. Como o preparador físico de Simon, Flávio oferece-nos uma composição bem definida sustentada na energia determinante e incentivadora dos que se sujeitam a exercer esta profissão como meio de vida (funciona outrossim como uma espécie de confidente para o irmão gêmeo). Já como o ensandecido franco-atirador, Flávio Tolezani exerce um belo trabalho de modelagem artística de seu complexo papel. Ele cria com ostensiva intensidade dramática a figura de um ser patético, repulsivo, frio, desesperado no universo de suas próprias neuroses e perturbações mentais. O intérprete emite as suas falas e cantarola em diminutos intervalos, misturando os idiomas Inglês e Português, numa histeria agonizante. Todavia, em momento diverso, vemos o “sniper” com relativo nível de contrição, mas sem preterir jamais sua reconhecida gelidez. Isaac Bernat, que além de ator, possui uma trajetória bem-sucedida como diretor teatral, empenha-se com glória e obtém dignificante resultado na construção dos variados personagens que vivencia no entrecho cênico. A Isaac foi proposta uma tarefa não fácil de, por intermédio das pessoas significativamente opostas entre si a quem lhes dá vida, perpassar toda a história, servindo como um instrumento individualizado que situa os demais partícipes no contexto dos acontecimentos da obra contada. Seja como o puro, sonhador e romântico jovem que se enamora por Nawall, seja como o camponês típico e o simplório zelador de uma escola que trabalhara em uma prisão ambos esclarecedores das dúvidas de Jeanne, e por fim, como o homem cercado de enigmas que auxilia sobremaneira na elucidação do sedutor mistério, Isaac se revela um intérprete de inegável e indiscutível valor, provando-nos toda a sua inteligência sobre o que faz e realiza em prol de todo o conjunto cênico. Fabianna de Mello e Souza se desdobra com brilhante eficiência e desenvoltura interpretativa nos distintos papéis que lhe são ofertados. Convence-nos como a severa e implacável mãe de Nawall que não admite o seu namoro juvenil tampouco o fruto resultante deste; como a vetusta mulher, exponencialmente sábia, amorosa, misteriosa em suas previdências, avó de Nawall; e como a solícita e generosa enfermeira da progenitora dos gêmeos em seus longos tempos de hospital, depois funcionária de um teatro (quem sabe, uma homenagem de Wajdi Mouawad à sua Arte). A luz de Luiz Paulo Nenen é imensamente bela. Por mais dramáticos e desoladores que sejam os temas abordados pela obra de Mouawad, por mais árido que nos seja acompanhar as dores morais e físicas de Nawall, inclusive no ambiente de uma guerra, Luiz Paulo, com acentuado senso de apuro estético e sensível propósito de “colocar luz sobre o que é escuro”, logrou um incrível resultado cênico/visual ao direcionar sua iluminação, numa parcela considerável, sobre os gigantes painéis formados por um material vazado que nos remete a um metal oxidado/enferrujado pela passagem do tempo (deslumbrante cenografia de Fernando Mello da Costa). Pode-se afirmar que se intentou uma supremacia de tons terrosos em suas luzes (mesmos tons adotados em alguns figurinos). A cor da terra, a cor da terra do deserto. O mesmo deserto da guerra. Seus feixes luminosos são, sem exceção, estratégicos e potentes. Sem trocadilhos, logísticos, não abjurando os planos abertos (jamais exagerados), os focos sobre o intérprete, sem que haja luz à sua volta, e uma calculada gradação de tonalidades luminosas que perpassam todo o espetáculo. O cenário, como dito, e os objetos, ficaram ao encargo de Fernando Mello da Costa. Faz-se necessário que se fale um pouco mais dos painéis vazados com textura metálica (vislumbram-se por detrás deles poéticas e sugestivas silhuetas de arbustos e galhos secos e retorcidos, e a imagem e ação de alguns personagens). Os mesmos, que circundam o perímetro cênico, além de serem incontestavelmente funcionais (constituídos por portas, não percebidas a princípio por nós, até que sejam abertas e fechadas para o entra e sai dos personagens – o vaudeville e seu legado se manifestam até na contemporaneidade), são de modo inegável belos. A grandiloquência destes elementos implica em significações relativas, jamais absolutas. Sua exuberância “metálica, oxidada, enferrujada e dourada” traz em si o fluxo do tempo da narrativa, com o passado se imiscuindo ao presente, ou seja, não representa exatamente uma época específica, indicando, reitero, a irrefreável passagem temporal. O mesmo se pode dizer quanto à questão geográfica do entrecho. A não definição de espaços reconhecíveis no mundo (países, lugares…) justifica a “imparcialidade” do cenário. Fernando se utiliza ainda de objetos precípuos para a configuração temática da encenação, como uma bicicleta antiga, uma estante rústica com utensílios domésticos, uma mesa retangular de escritório com suas cadeiras modernas (e outras de madeira), tamboretes, bancada, guarda-chuva, armas, envelopes, papéis (há uma emblemática cena em que os intérpretes lançam para o ar vários destes, numa metafórica revoada de pássaros – Nawall cita algumas vezes o seu voo de liberdade), e os baldes de metal, signos imponentes e decisivos para os destinos dos participantes da história. Os figurinos de Antônio Medeiros são notavelmente coerentes, em perfeita sintonia com o perfil dos muitos personagens que passeiam por fases históricas diferenciadas e localidades com suas culturas particulares. Antônio se esmerou em precisar cada detalhe dos costumes usados, a fim de que melhor compreendamos o que se desenrola cenicamente. A congruência de seu trabalho é observada nas roupas modernas dos jovens irmãos gêmeos, com moletons e t-shirts despojados, na rusticidade e simplicidade dos trajes aldeões em tons terrosos e crus, no vestido bem cortado negro da Nawall enlutada, na composição caótica da vestimenta de um franco-atirador e seus acessórios (atendendo à sua mente caótica), e na sobriedade cinzenta do terno, colete e gravata do homem dos documentos, além de outras acertadas interveniências. A trilha sonora de Tato Taborda funciona com estimulante potência, provocando-nos incontida estupefação, assumindo a posição de peça chave para o incremento real e valorização legítima de cada sequência de ações da obra. Tato se utiliza dos acordes de um rock pesado, acelerado e pulsante nas cenas de maior tensão. Apropriadamente, ouvimos em árabe canções com notas tão bonitas quanto melancólicas. Há na trilha que acompanha o espetáculo sons incidentais, que nos posicionam num “thriller” bélico, dramático, trágico e familiar. O suspense na saga de Nawall e seus filhos é inato, congênito. Somos surpresos ainda por múltiplos ruídos, que vão dos estampidos ensurdecedores e aterrorizantes dos tiros disparados a esmo ou com intenção, até a poesia e ao idílio inerentes a uma brava chuva que se abate. A direção de movimento de Marcia Rubin empresta vasta sapiência à ação solicitante do texto de Mouawad. Os atores e seus corpos atendem às suas demandas com notada reverência. É visível a marca da conceituada coreógrafa no modo como o material físico de seus intérpretes (o corpo) é explorado. Muitas são as posturas, andanças e movimentações no palco. Dentre tantas, podemos destacar mais de uma passagem em que os gêmeos Simon e Jeanne se abraçam, unem-se, entrelaçam-se numa mistura de afeto e carência, como se ainda estivem “colados” no ventre materno, servindo como prova de que o caráter geminiano dos filhos permaneceu vivo e real, afora o aspecto biológico que os define. “Incêndios” é um espetáculo ao qual não se assiste impunemente. Não ficamos incólumes à ferocidade e contundência brutas de sua narrativa. Ademais, não deixamos de ser alvejados pelas emoções tão díspares e complexas dos seres humanos que nos são colocados à frente. O espetáculo dirigido por Aderbal Freire-Filho é uma flâmula incendiária que tremula ao sabor dos ventos do conhecimento minucioso da alma e do comportamento do homem moderno. Em “Incêndios”, conclui-se que, acima de quaisquer desvarios da humanidade, simbolizados por guerras sem términos, existe um amor, um silêncio e uma verdade que juntos são capazes de derrubar todo e qualquer exército de ignorância e intolerância.

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