“Iniciando sua primeira fase com um time de jovens talentos, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, em sua estreia no horário nobre com ‘A Lei do Amor’, oferece-nos uma trama bem próxima do conceito natural de uma telenovela, com direito a heróis e moças românticos, grandes e pequenos vilões, injustiças, vinganças, e é claro, muito amor e todas as suas leis.”

Publicado: 05/10/2016 em TV

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Foto: Ramon Vasconcelos/Gshow

Estrear no horário nobre de uma emissora de TV não é nada fácil. Estrear neste mesmo horário com uma telenovela em uma emissora reconhecida nacional e internacionalmente por este gênero se torna uma tarefa ainda mais difícil. Maria Adelaide Amaral é uma escritora, dramaturga e teledramaturga prestigiada por público e crítica, com obras como a antológica minissérie “Os Maias” e o remake de “Anjo Mau”, dentre tantas outras produções de similar valor. Iniciou uma bem-sucedida parceria com o autor Vincent Villari em 2013, na Rede Globo, com “Sangue Bom”, na faixa das 19h. E esta profícua colaboração se repete agora com “A Lei do Amor”, um enorme desafio para ambos, levando-se em consideração o fato de que estão sucedendo um sucesso como “Velho Chico”. A nova novela em questão será dividida em duas fases, tendo a direção artística de Denise Saraceni e a direção geral de Denise e Natália Grimberg. A história começa em 1995 na fictícia cidade São Dimas, uma bucólica e campestre região do interior de São Paulo na qual o principal polo de trabalho é a Tecelagem Leitão, comandada com mãos de ferro pelo empresário Fausto (Tarcísio Meira, uma presença sempre bem-vinda na TV brasileira), também dono de uma fábrica de tintas. Casado com Magnólia ou Mág, uma mulher manipuladora e perigosa vivida por Vera Holtz, ostentando a sua familiar potência interpretativa, o patriarca possui pretensões políticas bastante conservadoras e reacionárias. Pai de Pedro (Chay Suede, um dos jovens atores mais queridos de sua geração, desde “Rebelde” até chegar a ser protagonista de “Império”), um rapaz forte, decidido, justo, cheio de ideias próprias, que “bate de frente” com sua madrasta Mág. O arquiteto foi criado pela babá, hoje copeira, Zuza (a cativante Ana Rosa), a quem considera a sua segunda mãe, pois Stela, sua verdadeira progenitora, falecera cedo. Pedro é meio-irmão do rebelde, aproveitador e maldoso Hércules (João Vitor Silva em acertada escalação após o seu impressionante desempenho como Bruno em “Verdades Secretas”), que por sua vez é casado com a doce porém infeliz Carmem (Bianca Salgueiro). Ela tivera um filho precocemente com ele, e se viu obrigada a se casar para não perder a guarda da criança, temerosa do poder econômico do clã. O folhetim também marca o retorno de Sophia Abrahão ao horário das 21h após “Amor à Vida”, na mesma emissora. Sophia defende a outra meia-irmã de Pedro, Vitória, uma moça alegre, de boa índole e romântica. Vitória se apaixona por Augusto (Hugo Bonemer, excelente ator de teatro, principalmente de musicais, que volta à televisão em um papel de destaque para a alegria de seus fãs). Augusto, filho de um fiscal do trabalho já falecido, crê que o seu pai fora morto por saber que Fausto mantinha um caso extraconjugal com Mág enquanto sua esposa Stela era viva. Deduz-se que Mág agirá com intensidade para interromper o namoro dos dois que mal começara. Maurício Destri está quase irreconhecível com uma barba espessa, e seu personagem se chama Ciro, o amigo misterioso, calado e sisudo de Hércules. Frequentador da mansão dos Leitão, faz as provas escolares de seu colega sem qualquer resistência. Logo em suas primeiras cenas, com bonitas imagens captadas do alto, vimos Isabelle Drummond, como Helô, em seu barco rústico praticando a pesca nas águas da represa de São Dimas para a sobrevivência de seus familiares, um pai alcoólatra, Jorge (Daniel Ribeiro) e uma mãe adoentada, Cândida (Denise Fraga; prazeroso ver esta atriz que se sobressaiu em bastantes trabalhos de comédia, voltar às novelas personificando uma mulher triste e castigada pela vida). De repente, seu barco é ameaçado por rapazes inconsequentes, Hércules e Ciro, que com a velocidade de seus jet skis derrubam a sua embarcação. Por sorte, Helô é salva por Pedro, que estava por perto com o seu veleiro. Começa aí uma grande paixão que transcenderá as fases da novela, mas que, como num bom folhetim, terá que superar muitos obstáculos, inclusive uma armação urdida por Mág para separá-los. Helô e Pedro, que serão interpretados no futuro por Claudia Abreu (curiosamente chamada Helô, e com um corte de cabelo semelhante, na minissérie “Anos Rebeldes”, que lhe deu projeção nacional) e Reynaldo Gianecchini na outra fase, entendem-se cada vez mais, da mesma maneira que Vitória e Augusto, o que desperta o enorme e temível ciúme de Ciro. O clima tenso do primeiro capítulo do entrecho ficou por conta de Jorge que, não conformado de ter sido demitido por faltar sucessivas vezes ao emprego, decide defrontar o casal Leitão, piorando a sua situação. A aproximação de sua desgraça se efetiva quando ganha de presente em uma quermesse uma arma de brinquedo, que o faz tentar assaltar o caixa da tecelagem onde trabalhava, tomando uma funcionária como refém. Jorge é preso em uma cela comum, para o desespero de sua filha. O generoso arquiteto Pedro até tentou ajudá-lo, providenciando um habeas corpus. Helô suplica a Mág o seu perdão, sem sucesso. Ocorre um motim, e Jorge é morto. Enquanto isso, acontece um luxuoso jantar na casa dos donos da empresa para homenagear um político corrupto, César Venturini (Otávio Augusto). O clímax para o próximo capítulo se efetuou quando Helô impulsivamente invadiu a mansão dos Leitão e ameaçou Fausto de ter assassinado o seu pai. E assim começou a nova novela das 21h da Rede Globo, uma produção sempre aguardada pelos telespectadores. A trama pensada por Maria Adelaide e Vincent Villari engloba os elementos básicos que sempre caracterizaram o folhetim clássico, como descrito brevemente no título deste texto. Heróis e mocinhas românticos, grandes e pequenos vilões, a luta do bem contra o mal, dos fortes contra os mais fracos etc. As direções artística e geral de Denise Saraceni e geral de Natália Grimberg optaram por uma linguagem mais convencional, tradicionalista, sem maiores e desnecessários malabarismos estéticos. Houve uma alternância entre as cenas românticas (bonitos e ternos momentos de Chay Suede e Isabelle Drummond em um rio com takes filmados do alto, e Hugo Bonemer e Sophia Abrahão em uma colorida e iluminada quermesse), e os instantes de tensão e apreensão que permearam o desenrolar do enredo, envolvendo as leves altercações entre Pedro e Mág, as provocações de Hércules e o cume, protagonizado pelo ator Daniel Ribeiro e os intérpretes diretamente envolvidos com o seu drama, como Tarcísio Meira, Vera Holtz, Denise Fraga, Chay Suede e Isabelle Drummond. O que percebemos também neste primeiro capítulo foi o ótimo aproveitamento de um time de jovens atores, alguns com inegável experiência, que deram um frescor à novela, independente de seus personagens tenderem para o bem ou para o mal. Foi agradável conferir Chay Suede com Isabelle Drummond, Hugo Bonemer com Sophia Abrahão, Maurício Destri, João Vitor Silva e Bianca Salgueiro. E, claro, juntaram-se a eles nomes de respeito da classe artística, como Tarcísio Meira, Vera Holtz, Denise Fraga e Ana Rosa. Ainda com relação a este início de “A Lei do Amor”, que mostra em sua abertura a voz de Ney Matogrosso cantando “Trenzinho do Caipira” (criação de Alexandre Romano, Christiano Calvet e Roberto Stein), podemos destacar a direção de fotografia de Roberto Amadeo e Jean Benoit Crepon, que valorizaram em muitos momentos a luz natural de belas paisagens, e a produção de arte de Guga Feijó e Flavia Cristófaro, que souberam ser fiéis na reprodução de um cenário coletivo que reportasse à segunda metade da década de 90. Aguardemos a segunda fase, que trará um cast digno de atenção, com Regina Duarte, José Mayer, Claudia Raia, Thiago Lacerda e tantos outros, além de marcar a volta de Renato Góes e Grazi Massafera ao vídeo, após seus retumbantes êxitos como o Santo de “Velho Chico” e a Larissa de “Verdades Secretas”, respectivamente. “A Lei do Amor” tem potencial para despertar o interesse do público das 21h por falar sobre algo que nos é intrínseco, regente de nossas vidas, complexo, fugaz ou longo, prazeroso ou doído: o amor. Resta-nos saber se saberemos respeitar as suas leis ou não. “A Lei do Amor” fará a sua parte.

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