“Aproveitando com brilho e dignidade uma das melhores chances de sua carreira, Emílio Dantas se sobressai em ‘A Força do Querer’, novela das 21h da Rede Globo, como Rubinho, um jovem chefe de família acima de qualquer suspeita com irrefreável vocação para o crime”.

Publicado: 03/06/2017 em TV

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Foto: Gshow

Ele é bonito, jovem, simpático, educado e comunicativo. É casado com uma bela mulher, Bibi (Juliana Paes), que o ama intensamente, e pai de um filho, Dedé (João Bravo), que o admira. Rubens Feitosa, ou Rubinho (Emílio Dantas), como é mais conhecido, é um aplicado estudante de Química, mas não concluiu a faculdade. Fala vários idiomas, o que deixa os seus pares impressionados. Realiza com habilidade uma série de consertos domésticos para os seus vizinhos, conquistando-os irremediavelmente. Conseguiu uma boa casa para morar com sua família, quando até então dormia com a sua esposa no chão frio e insalubre de um espaço que servia de depósito para um bar, na companhia de ratos. Seu filho ficava com a avó Aurora (Elizangela). Empregou-se como maître de um sofisticado restaurante (um pedido de Caio, Rodrigo Lombardi, a Dantas, Edson Celulari, seu proprietário). Tudo parecia estar dando certo para Rubinho. Porém, não lhe era o suficiente. Ele queria mais. Muito mais. Começou a dar telefonemas suspeitos. Passou a não frequentar as aulas de seu curso acadêmico. As desculpas e mentiras contadas como justificativas de suas seguidas ausências no trabalho e em casa recrudesceram. Não satisfeito em pagar o módico aluguel de sua residência, decidiu comprá-la com um vultoso sinal. Sempre com um sorriso aberto e cativante no rosto, o rapaz de forte presença cria expectativas em Bibi com promessas megalômanas, para a desconfiança de sua sogra. Sempre que pode oferece regalos à sua esposa. Comunica aos seus familiares que agora está fazendo corretagem entre os abastados clientes do restaurante, desagradando Caio, o ex-namorado de Bibi que decidiu ajudá-los para “se sentir por cima”, depois de ter sido traído pela moça (com Rubinho) que adora pagodes e uma cerveja gelada, quando estavam prestes a se casar. Vangloria-se de que a vida de todos irá mudar, de que irá “entrar numa grana preta”. Bibi, talvez por amá-lo tanto, não consegue enxergar que algo errado está acontecendo. Suas cismas são com possíveis traições conjugais. Nada que um vistoso vestido novo a faça esquecer de suas efêmeras dúvidas. A ostentação de Rubinho ganha proporções cada vez maiores. Resolve, após um episódio traumático narrado a seguir, viajar com a sua parceira para uma pousada portentosa em Angra, no Rio de Janeiro. Ele acha que o dinheiro é a solução para tudo, e este pensamento alimenta a sua desmedida ambição. Para Bibi, com seu incontido romantismo, o que vale é o amor. O exibicionismo material do marido chama a atenção de sua vizinha Heleninha (Totia Meireles). O menino Yuri (Drico Alves), seu filho, considerado um alienado por ser adepto de “cosplays”, esbanja esperteza, e percebe a conduta duvidosa do rapaz de barbas ruivas bem cuidadas. Yuri o flagra entrando apressado em um carro de cor escura, quando havia dito para a sua mulher que tinha pegado um táxi. Como um bom adolescente dos dias atuais, registrou o fato em fotos. O menino que se inspira em personagens de animes japoneses para se vestir, ainda tem o que revelar. As conversas do maître com estranhos se tornam mais claras para o público. Rubinho é um traficante de drogas, e está se preparando para participar de uma ousada entrega de entorpecentes no Rio de Janeiro, envolvendo uma quadrilha altamente perigosa e organizada. Sua função seria acompanhar o comboio ao lado de um outro traficante, também com boa aparência. Bibi, vítima de sua acentuada ingenuidade, crê que o seu esposo foi fechar um rentável negócio de corretagem. Imprudentemente, o “aprendiz de traficante” faz uma ligação telefônica para ela, sem sequer imaginar que estava sendo interceptada pela polícia comandada pela durona oficial Jeiza (Paolla Oliveira). Em uma cena reconhecidamente bem conduzida pela equipe de diretores de “A Força do Querer”, de Gloria Perez, liderada pelo diretor de núcleo Rogério Gomes, com a direção geral de Pedro Vasconcelos, tendo como uma das locações a Ponte Rio-Niterói, a tropa militar capitaneada pela Major Jeiza já está a postos para desbaratar a organização. A operação policial provoca um imenso engarrafamento de veículos, dentre os quais se encontra o de Rubens com o seu comparsa. Antes disso, há uma observação interessante do maître com propensões para o crime. Ele já pensa em crescer na hierarquia da quadrilha. No momento em que os traficantes são desmascarados, Emílio Dantas exibe impressionante e convincente tensão de seu personagem, comprovando-nos de que compreendeu com inteligência interpretativa o perfil imaginado pela autora. Ali, naquele instante, testemunhamos o patente medo do criminoso amador na iminência de ser pego. Uma troca de tiros entre policiais e bandidos é deflagrada, nada que não nos pareça familiar no Estado do Rio de Janeiro, principalmente com civis inocentes na rota dos disparos. Desesperado, Rubinho sai do carro, e adentra num ônibus lotado de passageiros parado logo atrás. Jeiza vê o exato momento em que Rubinho se comunica com o seu cúmplice, minutos antes. A policial praticante de MMA detém o rapaz, e o leva à delegacia. Lá, estarrece-nos a ímpar capacidade de Rubinho em levar as suas mentiras às últimas consequências. Nesta hora em que mente, demonstra ser um qualificado profissional do crime. Consegue arranjar um álibi, o que acaba convencendo o delegado de plantão de sua inocência. Mas não Jeiza. Realmente, a sua boa estampa, a sua lábia afiada, o fato de possuir um emprego fixo em um lugar prestigiado facilitaram com que a sua versão fosse aceita pela autoridade. Além do mais, Jeiza não tinha provas, mas apenas uma “impressão” de que o rapaz estava envolvido no crime. A oficial não se conforma, e promete a si mesma que irá provar a participação do depoente. Rubinho volta para a sua casa com uma indignada Bibi. Em outra cena bastante interessante da novela das 21h da Rede Globo, que tem se destacado pelos ótimos núcleos, e pela abordagem de assuntos pontuados pela sua relevância, a policial vai com o seu namorado machista, o divertido Zeca (Marco Pigossi) a um restaurante. E, claro, trata-se do local de trabalho do alvo de investigação da filha de Cândida (Gisele Fróes), a desembaraçada moradora de Portugal Pequeno, em Niterói, no Rio de Janeiro. O clima latente de enfrentamento entre Jeiza e Rubinho foi um ponto alto dos recentes capítulos da trama. Enganou-se o telespectador ao pensar que Rubinho interrompesse as suas práticas delituosas, pelo menos após o susto que tomara. Rubens voltou mais voraz do que nunca. Os telefonemas fora de hora retornaram. O jovem aparece na porta de casa com um moderno e caro carro, possivelmente o mesmo conduzido pelo seu comparsa na noite em que Yuri os flagrou. O menino novamente registra com fotos, e as guarda. Bibi, mais uma vez, acredita na prosperidade quase mágica de seu marido. E com ela, as desconfianças dos demais também se acentuam. Nos capítulos de ontem e anteontem, Jeiza se dedica a ouvir com cautela e paciência a mensagem de áudio interceptada por sua equipe. Ela ouve. Ouve. Aquela voz lhe soa conhecida. Num competente trabalho de junção de imagens da direção, a moça se recorda de seu reencontro com o maître, e a sua dúvida se dissipa, dizendo proximamente: “É o maître…”. E após: “Bingo!”. Rubinho está organizando uma badalada festa de aniversário para sua esposa na gafieira frequentada por parte dos personagens, com direito à apresentação de um cantor popular. O capítulo de ontem nos mostrou a decisão de Jeiza de prendê-lo no instante da celebração, fato que, com certeza, garantirá ótimas cenas de conflito na exibição da novela hoje à noite. A partir da prisão de Rubinho, iniciar-se-á a história baseada em fatos reais de Fabiana Escobar, a “Bibi Perigosa”, que se tornou a “Baronesa do Pó”. Atualmente, Fabiana, que foi casada com um traficante de drogas de uma comunidade carioca, exerce a profissão de escritora. Com isso, a novela de Gloria Perez terá novas engrenagens dramatúrgicas que movimentarão substancialmente a ação de seu folhetim, elevando o interesse do público. A razão desse texto também é o de ressaltar o admirável trabalho de interpretação do ator Emílio Dantas. Emílio soube com extrema destreza e apuro construir o seu papel de modo que nos envolvêssemos com a sua trama, despertando-nos sentimentos distintos com relação à sua postura. Emílio, um carioca que veio de uma carreira musical em bandas, e um estrondoso sucesso ao personificar no teatro o cantor e compositor Cazuza em “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, O Musical”, tendo recebido inúmeros prêmios, tornou-se indiscutivelmente uma das inegáveis surpresas de “A Força do Querer”. Apesar de, a princípio, a carreira de ator não ter estado em seus planos, espetáculos sob a direção de Oswaldo Montenegro (“Aldeia dos Ventos” e “Eu Não Moro, Comemoro”), fizeram com que Emílio mudasse, que bom, de opinião. Sua colaboração com Oswaldo Montenegro prosseguiu na área cinematográfica, com o longa “Léo e Bia”. Com Caio Sóh, filmou “Teus Olhos Meus”. Há outros filmes em seu currículo, como “Linda de Morrer”, de Cris D’Amato, “Em Nome da Lei”, de Sergio Rezende, e “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”, de João Daniel Tikhomiroff. Em setembro, estará na próxima produção de Vicente Amorim, o thriller de terror “Motorrad”. Nos palcos, o intérprete ainda participou de um outro musical de imensa repercussão: “Rock in Rio – O Musical”. Na televisão, defendeu personagens em telenovelas da Rede Record (“Sansão e Dalila”, “Máscaras” e “Dona Xepa”), até ser contratado pela Rede Globo para dar vida ao vilão Pedro de Lucca nas duas fases de “Além do Tempo”, novela de Elizabeth Jhin (Emílio foi considerado uma revelação). Mas sua grande chance, sem dúvida, de mostrar o seu talento para milhões de brasileiros tem sido em “A Força do Querer”, uma telenovela do horário nobre da Rede Globo que vem recebendo excelente aceitação do público e crítica. Emílio Dantas soube agarrá-la, e fez de Rubinho um sucesso. Hoje, Emílio Dantas é um ator com o seu mérito e brilho fortalecidos. Justamente, porque houve o seu querer em convencer com dignidade um personagem que não quis vencer. Mas Emílio Dantas, com seu sorriso cativante e olhos que o acompanham, soube fazer de sua oportunidade uma vitória unânime.

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