“A perturbadora interpretação de Joaquin Phoenix, um fortíssimo candidato ao Oscar 2020, em ‘Coringa’, de Todd Phillips, faz com que repensemos todas as anteriores com suas inegáveis qualidades, num filme absolutamente soberbo, deixando o seu público em um estado misto de assombro e comoção.”

Publicado: 04/11/2019 em Cinema

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Foto: Divulgação

Os conceitos sobre as atuações anteriores do Coringa, cada uma delas com seus inegáveis valores, devem ser reavaliados após a performance perturbadora de Joaquin Phoenix

Desde a década de 60 há gostos para todos os Coringas, um dos vilões mais fascinantes da galeria dos que confrontaram o Homem-Morcego. Há os que preferem a icônica caricatura de Cesar Romero no seriado sessentista (série “Batman, 1966 – 1968). Existem aqueles que se embevecem com o magistral histrionismo de Jack Nicholson na versão de Tim Burton (“Batman”, 1989). Outros ficaram arrebatados com a performance devastadora de Heath Ledger no longa de Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, 2008). E, por último, possivelmente a atuação metamorfoseada de Jared Leto em “Esquadrão Suicida” (2016) tem os seus defensores. No entanto, a partir do lançamento recente de “Coringa” (“Joker”, EUA, Canadá, 2019), do americano Todd Phillips, os conceitos estabelecidos até então sobre a composição do temível clown devem ser reavaliados com a inacreditável e perturbadora visão de Joaquin Phoenix para o personagem, tornando-se um fortíssimo candidato para amealhar o Oscar 2020 na categoria. 

O filme mostra Coringa como um comediante com transtornos mentais em busca do sucesso que à medida que sofre os reveses que o impedem de conquistar o seu sonho entra em um espiral de autodestruição irreversível

“Coringa” se passa em uma caótica Gotham City refém da greve dos lixeiros. Na cidade infestada por ratos vive Arthur Fleck (Phoenix), um angustiado comediante que se sustenta graças a bicos, portador de um transtorno mental que o faz soltar involuntariamente sinistras gargalhadas, independente das situações. Seu sonho é ser um artista cômico famoso, e o passaporte para esta condição seria uma participação no programa de humor de Murray Franklin (Robert de Niro, soberbo), uma clara alusão ao ótimo “O Rei da Comédia” (1982), de Martin Scorsese, com o próprio De Niro. Arthur, que cuida de sua frágil mãe (Frances Conroy, digna), numa jornada insana de sobrevivência pessoal, distancia-se mais ainda da razão ao se defrontar com doloridas verdades familiares. 

Não há qualquer sentido nas críticas sofridas pelo longa de Todd Phillips de que o mesmo justificaria as vilanias perpetradas pelo personagem clownesco

Com magnífica direção de Phillips (“Se Beber, Não Case!”, 2009), coescrito com engenho por ele e Scott Silver, “Coringa”, vencedor do Leão de Ouro em Veneza (e Melhor Trilha Sonora, notável), desmente as críticas de que justificaria as vilanias de seu personagem, confirmando em definitivo o supremo valor desta obra fílmica que não nos provoca nenhuma gargalhada, espontânea ou involuntária, e sim um sério e inevitável assombro.

Assista ao trailer do filme:

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