“Greta Gerwig, diretora de ‘Lady Bird’, retorna às telas com ‘Adoráveis Mulheres’, filme indicado ao Oscar 2020 em seis categorias, revelando-nos a sua visão pessoal de um grande clássico da literatura, ‘Little Women’, de Louisa May Alcott.”

Publicado: 02/03/2020 em Cinema

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Foto: Divulgação

O grande sucesso literário de Louisa May Alcott, “Little Women”, trouxe a diretora de “Lady Bird”, Greta Gerwig, de volta às telas, resultando na indicação do filme a seis categorias do Oscar 2020

A pergunta que se faz ao assistirmos à nova adaptação cinematográfica de “Little Women” (1868), grande sucesso literário da americana Louisa May Alcott , “Adoráveis Mulheres” (“Little Women”, EUA, 2019), da diretora Greta Gerwig (“Lady Bird”), candidata a seis categorias do Oscar 2020 (Melhor Filme; Atriz, Saoirse Ronan; Atriz Coadjuvante, Florence Pugh; Melhor Roteiro Adaptado, Greta Gerwig; Melhor Figurino, Jacqueline Durran – vencedora; e Melhor Trilha Sonora Original, Alexandre Desplat) é o que o torna tão fascinante e atemporal para leitores do mundo inteiro, a despeito de se passar em um período específico da História norte-americana, a Guerra de Secessão (1861-1865). Possivelmente a desmedida força feminina e sua indissociável união e solidariedade (a sororidade de nossos tempos) de uma família, as March, confrontada com as intempéries da guerra (como a ausência de seu patriarca), formada por quatro irmãs, a escritora liberal e feminista Jo (a belíssima Saoirse; merecida indicação), a aspirante à atriz que sonha constituir uma família Meg (Emma Watson), a pianista Beth (Eliza Scanlen), e a exigente pintora Amy (Florence Pugh), lideradas pela generosa mãe Mary (a iluminada Laura Dern; que prazer vê-la em cena).

Greta Gerwig procurou não se arriscar em inovações estéticas e formais, preferindo reproduzir a linguagem convencional de um filme de época focado nas relações familiares, mantendo, a despeito disso, a sua relevância como obra cinematográfica

O roteiro de Greta, orgânico, soube entrelaçar os conflitos particulares e coletivos dessas mulheres com notada propriedade. Sua direção (esnobada pelo Oscar, o que gerou estranheza) não buscou inovações estéticas e formais arriscadas, preferindo os padrões convencionais infalíveis de um filme de época com foco no núcleo familiar, proporcionando-nos cenas lindamente coreografadas. Greta, uma jovem com seus 36 anos, sem dúvida é uma cineasta de inegável competência, sendo um nome forte na indústria do cinema estruturalmente dominada pelos homens. Merecem destaque a direção de arte de Jess Ronchor e os figurinos de Jacqueline Durran. O filme conta com a presença majestática de Meryl Streep, como a ranzinza Tia March, e os galãs da vez Timothée Chalamet e Louis Garrel. O longa talvez peque pelo excesso de diálogos que possam confundir a plateia e a trilha sonora bonita porém intermitente de Alexandre Desplat. No entanto, “Adoráveis Mulheres” mantém sua relevância. Louisa May Alcott está bem representada.

Assista ao trailer do filme:

 

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