Blog do Paulo Ruch

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O diretor Caco Ciocler, que aparece em algumas cenas de seu filme, dentro do ônibus que é usado para a viagem ao Uruguai/Foto: Divulgação

Em comemoração aos 52 anos do Cine Arte UFF, em Niterói, no Rio de Janeiro, que são completados hoje, houve na última quinta-feira a exibição do filme dirigido por Caco Ciocler, “Partida”, seguida de debate com a sua presença. A seguir, a crítica:

O diretor Caco Ciocler aproveita um acontecimento da História recente do Brasil, a ascensão da extrema direita ao poder em outubro de 2018, para realizar um road movie documental que se sustenta nas aspirações político/sociais frustradas de um grupo diverso de pessoas

Dentre os inúmeros gêneros existentes no universo cinematográfico o “road movie” é um dos mais estimados. Qualquer cinéfilo que se preze cita um exemplar de sua preferência à primeira inquirição. O “road movie” documental, a despeito de sua menor frequência nas telas, possui inegável valor. Apostando nesta premissa, o diretor Caco Ciocler realiza uma joia recente do cinema brasileiro com o premiado doc “Partida” (2019), um recorte tocante das aspirações político/sociais frustradas de um grupo de pessoas após a temerária ascensão da extrema direita ao poder no país no cerrar das portas de 2018.

A ideia do filme surge a partir do momento em que Caco Ciocler ouve da atriz e também diretora Georgette Fadel que ela se candidataria à Presidência da República em 2022, o que o leva a pensar em uma viagem de ônibus com destino ao Uruguai reunindo um determinado grupo com o objetivo de se encontrar com o ex-Presidente do país platino Pepe Mujica

Depois de ouvir a atriz e diretora Georgette Fadel se declarar candidata à Presidente da República em 2022, o também produtor Caco (junto com Beto Amaral) decide convocá-la, e mais alguns, a uma viagem de ônibus rumo ao Uruguai com pretensões de encontrar o ex-Presidente Pepe Mujica, sem nenhum aviso prévio. Sem se enquadrar nos cinemas direto e verdade (visto que o grupo técnico aparece em boa parte da projeção como se fosse um “personagem”), a obra flui brilhantemente sob a égide do generoso acaso e das improvisações dos membros da equipe de filmagem, uma trupe quase mambembe. Em meio a altercações políticas entre uma intensa Georgette e seu principal “oponente” Léo (Léo Steinbruch), criamos empatia por esses seres aventureiros, sonhadores, contraditórios e frágeis, porém fortes em suas determinações estrada afora.

Extremamente sensível em seu olhar para a realidade próxima que o cerca, Caco Ciocler faz de “Partida” um filme sobre buscas e sonhos sem medidas, no qual o futuro pode sim ser o presente desejado, ainda que demorado

Caco Ciocler demonstra enorme sensibilidade com o seu olhar para a realidade que o cinge tão proximamente. Acredita na coletividade e no afeto humanos. Crê às cegas no improvável, sendo desperto pela magia do benevolente destino. “Partida” é um filme sobre buscas, jamais despedidas. Um filme de sonhos sem medidas. No ônibus antigo, do passado, todos ainda vislumbram no futuro o presente desejado por ora adiado. “Partida” não é para se dizer “adeus”. No máximo, um “até breve”, mesmo que dure um pouco mais.

Assista ao trailer do filme:

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