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Maria Bethânia foi a grande estrela do sábado de Carnaval deste ano com a sua primeira live/Foto: Globoplay/Reprodução

13 de fevereiro, uma data que deve ser comemorada por Maria Bethânia, como todas as datas importantes, segundo sua mãe, Dona Canô

Num 13 de fevereiro de 1965 Maria Bethânia se apresentava no emblemático show “Opinião”. Em 13 de fevereiro de 2016 uma de nossas mais grandiosas cantoras desfilava pela Mangueira campeã que a homenageava. Sábado de Carnaval, 13 de fevereiro de 2021, Maria protagoniza a sua primeira live, com exibição aberta no Globoplay. Segundo a intérprete, sua mãe lhe aconselhou que datas importantes devem ser celebradas. A filha de Dona Canô abre o show cantando lindamente à capela a romântica “Explode Coração”, de Gonzaguinha.

A cantora, completando 56 anos de carreira, com a sua voz única e brilhante, presenteou o público com clássicos como “Cálice” e “O Que É, O Que É?, além de inéditas de seu novo álbum “Noturno”, pedindo, no início de seu show, “Vacina, Respeito, Verdade e Misericórdia

Acompanhada de músicos extraordinários (Paulo Dafilin, violão; João Camarero, violão; Jorge Helder, baixo; e Marcelo Costa, percussão), a ilustre artista de Santo Amaro da Purificação, Bahia, com 56 anos de carreira, fez um show arrebatador, forte, emocionante e necessário neste momento em que precisamos tanto de algo que nos acarinhe, como a grande arte de Bethânia. Com roteiro da própria, houve citações literárias de insignes escritores, como Fernando Pessoa e Clarice Lispector, que antecederam as canções, elemento que passou a incorporar em suas apresentações desde o show “Rosa dos Ventos”, em 1971. No setlist estiveram músicas inéditas de seu novo disco “Noturno”, como “Lapa Santa” e “De Onde Eu Vim”. Os clássicos, na voz única e brilhante da irmã de Caetano Veloso, tornam-se mais clássicos, como “Onde Estará o Meu Amor?”, “Reconvexo”, “Olhos nos Olhos”, “Cálice”, “Volta por Cima”, “O Que É, O Que É? e “Evidências”. No palco da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com cenografia minimalista de Fernando Schmidt (havia uma original cadeira estilizada que remetia a um tronco de árvore usada pela cantora), fotografia admirável de Césio Lima e Willian Andrade e design de luz deslumbrante de Ana Luzia de Simone (a designer se utilizou de vasta e encantadora paleta), a Maria descalça e de branco nos comoveu com sua bela versão da dilacerante “2 de Junho”, de Adriana Calcanhotto, sobre a trágica morte do menino Miguel, em 2020. Com direção artística do tarimbado LP Simonetti, produção de Juliana Silleman e Valéria Amaral (uma produção Quitanda Produções) e coprodução de Márcio Debellian (diretor do ótimo documentário “Fevereiros”, 2017), Maria Bethânia nos ofertou um Carnaval diferente, sem os desfiles das escolas de samba e os blocos de rua, no entanto mais bonito e catártico, dando-nos a certeza de que temos uma das maiores artistas da música mundial, que lá no início de seu show disse com voz firme o que mais desejava: “Vacina, Respeito, Verdade e Misericórdia”. Essa é a nossa “Menina dos Olhos de Oyá”.

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