Arquivo da categoria ‘Show’

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Foto: Divulgação

Em sua primeira apresentação em Niterói, no Rio de Janeiro, em seu suntuoso Teatro Municipal, a linda paraibana Lucy Alves conquistou irremediavelmente o público da cidade, que lotou o espaço em suas duas únicas sessões. Revelada no Brasil pela sua bem-sucedida participação na segunda temporada do reality musical da Rede Globo, “The Voice Brasil”, em 2013, a também atriz fez sucesso na novela de Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Barbosa Luperi, “Velho Chico”, interpretando Luzia, na mesma emissora (sua atuação lhe rendeu prêmios de Atriz Revelação). Vestindo uma saia platinada fluida e um top dourado, a compositora e multi-instrumentista que está no ar em “Tempo de Amar”, folhetim de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, como Eunice, mostrou no espetacular show dirigido por Davi Moraes (também guitarrista) todo o seu virtuosismo no manuseio de instrumentos que remetem às tradições culturais nordestinas, como o acordeão, a escaleta e a guitarra baiana, além de nos impressionar com a sua intimidade com o violino e o violão. A intérprete, graduada em Música pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba), esteve acompanhada por músicos extremamente talentosos, em evidente sintonia com o seu espírito musical, como o próprio Davi, Cesinha na bateria, Leonardo Reis na percussão e eletrônicos, e Pedro Dantas no baixo. Lucy Alves, que começou a se interessar pelo universo dos sons ainda na infância, integrando orquestras e cameratas, desfilou em seu show um repertório marcado por canções de forte apelo melódico, com letras poéticas e de caráter romântico, como o irresistível e dançante hit “Caçadora”, composto por César Lemos e Bruno Caliman, lançado no início deste ano. Ao anunciar a sua interpretação, a plateia demonstrou entusiasmo, sendo um dos pontos altos da noite. Aliás, não faltaram momentos inesquecíveis durante a apresentação da artista que faz parte do grupo nordestino Clã Brasil. Lucy evocou, com os acordes de seu violino, uma emocionante e bela versão de “Chorando Se Foi”, sucesso celebrado pelo conjunto Kaoma, como introdução, emendando com a romântica e arrepiante “Verdadeiro Amor”. Impossível não se deixar tocar face à beleza desta canção. Como convidada especial, Julia Braga, cantora e percussionista nascida em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. As duas tiveram nítido entrosamento, deixando à mostra a admiração mútua, ao cantarem “Mar e Maria”, uma composição inédita de Lucy e Carlinhos Brown. A cantora, com CDs lançados tanto em sua carreira solo quanto com o Clã Brasil, fez algumas homenagens em sua apresentação em Niterói. Em conversa direta e espontânea com os espectadores de várias faixas etárias, provando que os seus talento e carisma ultrapassam quaisquer espécies de nichos, lembrou de sua passagem pela novela “Velho Chico”, referindo-se inclusive a Domingos Montagner. Em seguida, entoa “Meu Cantar”, escrita em parceria com Luiz Fernando Carvalho, o diretor artístico da produção televisiva na qual se destacou. Houve também uma referência à artista cearense Eliane, a “Rainha do Forró”, com “Amor ou Paixão” (o coautor da música é Natinho da Ginga). Trouxe para nós uma criação de Pretinho da Serrinha e Rogê, “Beija-Flor”. Lucy ofereceu ainda ao público a sua colaboração com Yuri Queiroga em “Xaxado Chiado”, e a inédita “Fora do Eixo”. Com pujante presença cênica e estonteantes ritmo e sensualidade ao dançar ao som de suas músicas, além dos instantes bossanovistas em que cantarolou sentada em um banco dedilhando o seu violão, Lucy Alves, indicada ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras” (“Lucy Alves & Clã Brasil no Forró do Seu Rosil”), possuidora de uma lindíssima voz, não esconde as suas ricas influências musicais, como a tradição regional de nomes como Luiz Gonzaga e Zé Ramalho, passando pelo forró, maxixe, xaxado, coco, pop, jazz, bossa nova, samba carioca, blues, choro e o eletrônico. A excelente banda que a acompanhou teve direito a um momento solo, aproveitado com perfeição. A limpidez sonora de seus instrumentos ressoou com magnificência. A performance de Lucy ostenta, para a nossa felicidade, o seu forte lado de atriz, com gestuais notadamente interpretativos e expressivos. Uma das bem-vindas características de seu show foi a saborosa interatividade com as pessoas, descendo do palco algumas vezes, passeando pela plateia com carinho e calor, pedindo a todos que a acompanhassem nas músicas em coro e com palmas. Não poderiam faltar, claro, em seu setlist, canções de seus mestres. De Luiz Gonzaga, encantou-nos com a emblemática “Que Nem Jiló”, e de Zé Ramalho, embalou-nos com a icônica “Frevo Mulher”. Lucy Alves, que na última edição do Rock in Rio se apresentou ao lado de João Donato, Tiê, Emanuelle Araújo e Mariana Aydar, definiu em entrevistas que o seu show é “dançante e contemplativo”. Com certeza, sua vibrante, intensa, sensível e personalíssima apresentação nos oferta estes dois importantes aspectos, mas sua performance vai muito além. O show de Lucy Alves, valorizado por uma deslumbrante iluminação, com jogos caprichados de desenhos de luz, em que se vê uma paleta de cores vivas distribuídas em escalas distintas de tons, é um precioso recorte musical de nossas múltiplas sonoridades, um rico e potente panorama de nossas raízes, tradições e contemporaneidades melódicas e rítmicas. Lucy Alves, que em dezembro entrará em estúdio com um novo projeto para a gravadora Warner, é uma estrela nata que ultrapassa os limites das suas próprias influências e formações. Por isso se diferencia. Lucy Alves não é mais uma aposta ou uma promessa, e sim uma das melhores cantoras surgidas nos últimos tempos. Sua grandeza e brilho nos palcos não me deixam mentir. Lucy Alves, “a caçadora da beleza da nossa música”.

 

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O produtor, multi-instrumentista e arranjador Diogo Strausz e o cantor, ator, compositor e músico Chay Suede, após o show da banda Aymoréco, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro.
Foto: Paulo Ruch

O Brasil sempre foi um berço de movimentos musicais artísticos que, por sua riqueza de sonoridades e criatividade rítmica, obteve, em distintas épocas, a merecida respeitabilidade e admiração de seu povo (alguns desses ao redor do mundo). Assim foi com o samba, cujo nascimento como hoje é conhecido, deu-se no início do século XX no Rio de Janeiro. O samba tornou-se com o tempo um de nossos principais signos de identificação no exterior. No final dos anos 50, surgiria aquele que, até os dias atuais, é considerado o mais importante movimento musical do Brasil: a bossa nova. A bossa nova, representada por Tom Jobim, João Gilberto e Nara Leão, ganhou os palcos internacionais e a reverência de ídolos do cenário externo, como Frank Sinatra. Nos anos 60, artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, dentre outros, lançaram um pop rock melódico e ingênuo que conquistaria fãs por toda a nação, a Jovem Guarda. Na segunda metade dos anos 60, os Festivais da Canção marcaram toda uma geração, e com eles passamos a conhecer Chico Buarque, que veio a se tornar um de nossos principais compositores brasileiros, com muitas de suas letras carregadas de forte teor político. No final da década de 60, sob o regime implacável de uma ditadura militar, a transgressão musical e estética se materializou na Tropicália ou Tropicalismo, que teve a influência de vanguarda das Artes Plásticas, como o Concretismo, além de inspirações estrangeiras, que influenciaram o cinema e o teatro. Daí, vieram nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Gosta, Os Mutantes e Tom Zé. Nos anos 80, o Brasil foi surpreso e sacudido pelo surgimento coletivo de grupos de rock de altíssima qualidade, como Legião Urbana, Barão Vermelho e Titãs, somados a tantos outros, originando assim o movimento que até hoje reverbera na formação de novas bandas e no imaginário das pessoas, o BRock. Desde então, excetuando-se o aparecimento do Mangue Beat, movimento contracultura liderado por Chico Science e sua Nação Zumbi, e conjuntos como O Rappa, não tivemos nenhuma outra manifestação cultural e artística reconhecidamente valorosa em nosso país. Claro que houve correntes musicais que açambarcaram por seus méritos bastantes fãs Brasil afora, como o pagode, a axé music, as duplas sertanejas, bons grupos de rock como o Skank, e atualmente o sertanejo universitário e o rap e o funk. Mas eis que surge em setembro de 2015, com o lançamento de um EP com apenas quatro faixas, intitulado “aymoréco” (um trocadilho com as palavras Aimorés e “amoreco”), uma dupla que se caracterizaria pela sua ousadia deliberada em mesclar os mais diferentes ritmos e influências musicais, e por conseguinte criar as suas próprias identidade visual e sonora, o cantor, ator, compositor e músico Chay Suede, e o multi-instrumentista, produtor e arranjador Diogo Strausz. Chay é de Vila Velha, Espírito Santo. Depois de ter participado do reality “Ídolos”, foi escalado para ser um dos protagonistas da novela “Rebelde”. O sucesso do folhetim fez com que o ator e cantor se juntasse a outros cinco integrantes da produção em um grupo musical homônimo. A banda Rebelde arrebatou o público adolescente, que ia em massa aos vários shows promovidos pelo país. Já o carioca Diogo Strausz, que já foi DJ, produtor de festas e guitarrista do grupo R.Sigma, lançou o EP “Garota Nacional” e o disco “Spectrum Vol. 1”, que contou com as participações de Alice e Danilo Caymmi, Kassin, e de seu pai Leno, da dupla da Jovem Guarda Leno & Lilian. Recentemente, a banda “Aymoréco”, sem muito alarde na mídia, apresentou-se seguidamente em shows pelo Rio de Janeiro: no Boulevard Olímpico, no Teatro Rival e na casa noturna Buraco da Lacraia, todos localizados no Centro do Rio de Janeiro. Assisti a dois desses shows (Teatro Rival e Buraco da Lacraia), e o que posso lhes dizer à princípio é que me tornei um grande admirador do trabalho desta dupla talentosíssima, que veio com a nobre missão de transformar, modificar e balançar os pilares da estagnação criativa de nossa música. Irei analisar em particular o show realizado no conhecido club da Lapa, o Buraco da Lacraia. No pequeno palco do espaço, sito junto à área da plateia, permitindo aos espectadores se colocarem bem próximos dos músicos, o que é muito bom e positivo, vê-se um cenário com viés futurista, em que papéis laminados prateados retorcidos forram significativa parte da ribalta, seja em sua frente ou na região posterior. Parece-nos à primeira vista uma robusta pedreira que vai absorvendo belamente as cores provindas da variada paleta de tons da iluminação. Chay e Diogo adentram o palco, e são recebidos com efusividade pelo público que lota a casa noturna. Tanto Chay Suede quanto Diogo Strausz, acompanhados de mais dois músicos (teclados eletrônicos e percussão), estão vestindo macacões brancos de mangas curtas, com a barra de suas calças levemente levantadas, o que nos faz perceber que estão descalços. A iluminação do show é absolutamente feérica e alegre, com predominância do vermelho, do verde, do rosa e do dourado. O recurso contribui bastante para o embelezamento de todo o conjunto da apresentação. O repertório de canções compostas por Chay possui títulos demasiado criativos e divertidos. Nota-se que as músicas do Aymoréco sofreram múltiplas e bem-vindas influências de demais gêneros, resultando, porém, em algo único, com sobeja personalidade. Avaliemos algumas das canções exibidas nos shows. Antes de mais nada é preciso que se diga que todas, ao seu modo, são inapelavelmente dançantes. A empolgante “Chuva de Like” refere-se, como o nome indica, aos relacionamentos afetivos em meio às redes sociais. Ou melhor, fala-se de uma espécie de amor platônico nestes tempos digitais. Usam-se termos próprios desta era moderna, como Instagram, Skype, “stalkear”, “printar”, “cutucar”, “seguir”, “nude” etc. Há uma pegada de surf music, e lembranças do som dos Titãs. Ao som de onomatopeias e versos como “Agora é assim/ Início do fim/ Quando o Carnaval chegar/ Com seus likes vou dançar…”, “Chuva de Like” (composição também de João Vitor Silva) é excelente. “Cilada” nos mostra novamente a inserção de acordes de surf music muito bem pontuados imiscuídos a uma variedade ampla de sons percussivos (lembra-nos às vezes a sonoridade de um ritual indígena e ruídos das florestas). Chay canta com uma voz com entoação diferenciada e em espanhol (são poucos versos, como “…Que Rico Mi Amor, Que Rico…”. “Cilada” nos oferta uma qualidade e uma exuberância sonora inacreditáveis. “Cilada” é, pode-se dizer, uma experiência musical sensorial e “lisérgica”. A linda, ultrarromântica e até certo ponto melancólica “Vem Que Tem” revela um Chay Suede com uma emissão vocal deliciosamente maviosa e suave. Quem não se comoverá com versos como “Sinto sua falta/E te quero bem/Pode ter certeza vem que tem…”? “Vem Que Tem” poderia ser classificada como pertencente ao estilo “tecnobrega”. Com romantismo, e começo marcado por percussão, a sensual “Água de Amor” também se define como vertente do tecnobrega, exigindo de Chay maiores extensões vocais, cumpridas com irrefutável êxito. Um de seus trechos diz: “Em teus olhos teu calor/Em teu cheiro água de amor/E a gente segue assim/Dez pra você e dez pra mim”. A suingada e psicodélica “Índia Jenifer” conta a história de uma bonita indígena que veio do Belém do Pará, que apesar dos traços de seu povo, não traz consigo a sua genuína identidade, devido às influências externas, estrangeirismos e modernidades. A denunciativa “Índia Jenifer” possui refrãos pujantes, como “Na guerra, na selva, floresta…”. Com riffs elaborados, a música se firma no repertório com sua riqueza melódica. “Hipopótamo” (pedida em bis) é uma música altamente festiva e jovial, sendo uma das que mais se identificam com a latinidade. Jogando com as palavras e suas rimas, com a preponderância de sopros, “Hipopótamo”, misturando os idiomas português e espanhol, é uma ode à felicidade e às cores, realçada em frases como “Pinta de amarelo, tira o azul daí, calça o seu chinelo, venha ser feliz.” Com um fugaz início que lembra a batucada dos terreiros de umbanda, seguido logo pelos acordes do violão de Chay, na bem-humorada e confessional “Rapadura”, que novamente aborda a admiração de um rapaz por uma moça, lança mão de repetições de palavras e vogais, rimas, e até mesmo falsetes. A canção, que contém trechos como “Rapadura é doce mas não é mole não/Cheio de Dalila pra ‘encarecar’ Sansão”, possui um dos melhores acompanhamentos instrumentais de todo o set list. Impossível ficar parado diante do suingue de “Rapadura”. Mais um acerto do Aymoréco. E o que dizer da animada, terna e doce canção “Dona Lucinha”, uma aberta, honesta e emocionante declaração de amor, admiração e carinho à mãe do cantor, poeta e compositor Cazuza? Chay, na verdade, de modo confessional, pessoal, conta-nos uma bonita história de seu encontro com a admirável e forte mulher engajada em importantes causas sociais. A veneração de Chay por ela se deve potencialmente tanto por esta razão quanto por ser a mãe de um de seus prováveis ídolos. “Dona Lucinha” é daquelas músicas que não cansamos de ouvir de tão encantadora que é. “Dona Lucinha” merece a reprodução de sua letra na íntegra: “Dona Lucinha é gente boa/Dona Lucinha é gente fina/Dona Lucinha/Dona Lucinha, mãe de Cazuza/Dona Lucinha vem e me usa/Me alucina/A primeira vez que te vi foi na festa de Paula Lavigne/Fiquei feliz demais/Fiquei correndo atrás/É só você me olhar e um sorriso se abre em meu rosto/Sinto vergonha e tal/Sei que escondo mal/Dona Lucinha sensacional/Dona Lucinha etc e tal/Me alucina/Dona Lucinha gente boa/Dona Lucinha gente fina/Me alucina…”. Confesso que poucas vezes em minha vida testemunhei uma homenagem tão sincera, verdadeira e tocante de um compositor a uma pessoa como a que Chay Suede fez a Lucinha Araújo. Ouvir “Dona Lucinha” com seus acordes instrumentais “alto astral”, “pra cima”, com uma “vibe” ótima, arrepia-nos. “Assassinos” é um single (com versos do poema de Gonçalves Dias, “I – Juca Pirama”) que tange a denúncia, com um viés mais politizado, privilegiando a letra falada em detrimento da cantada (“Nossas avenidas homenageiam assassinos/Até as bonitinhas/Pode crer…”), chegando próximo a um rap. Esta música ostenta um inegável domínio no uso amplo de palavras rimadas, todas dentro de um contexto narrativo forte que remete a guerras, tribos indígenas, peregrinações por terras devastadas de um pai e seu filho. Trata-se de fato da história penosa e guerreira de um índio da tribo Tupi que nos descreve as agruras por que passa em suas andanças por meio das quais tudo testemunha, numa mistura equilibrada dos ciclos de vida e morte. O que se pode concluir com estas duas apresentações da banda Aymoréco é que nada disso seria possível e viável se não houvesse um explícito entendimento e uma autêntica sintonia entre Chay Suede e Diogo Strausz. A impressão que temos é de que são dois amigos de longa data que estão realizando profissionalmente um antigo sonho de cantarem e tocarem juntos aquilo que possuem em comum: o amor que sentem pela música e seus infinitos sons. Tanto Chay quanto Diogo têm ambos uma incrível presença de palco. A cada ritmo eles correspondem com os seus corpos de um modo distinto, particular e carismático. Há uma cúmplice troca de olhares como se um estivesse dizendo ao outro: – Cara, está tudo dando certo! Ou: – Parceiro, agora vem aquela música que nos amarramos em tocar! E mais ainda, vindo de Chay: – Diogo, agora é a hora daquele som em que a galera vai vibrar! A isto chamamos de parceria, a isto chamamos de dupla, a isto chamamos de banda, grupo ou conjunto musical, enfim, quando cada um torce e deseja pelo progresso do outro, quando, no caso os dois, estão realmente juntos em nome do sucesso do Aymoréco. Aymoréco é, não há como negar, uma banda diferente. Uma banda que se inspira e se baseia numa profusão de ritmos e gêneros diversos. Mas a grande e visível diferença que os torna tão fascinantes é a sua personalidade. Tanto no Teatro Rival quanto no club Buraco da Lacraia, onde neste último o show foi em comemoração ao primeiro disco, “Aymoréco” (Universal Music), com produção de Mario Caldato Jr. e Diogo Strauzs, lançado no dia seguinte à apresentação, no dia 26 de agosto. Assistimos a um show com a marca, com o selo do Aymoréco. E isto é muito em termos artísticos. Quando entramos em qualquer show desta dupla, entramos com amor, e durante e após o mesmo já sentimos aquele “amoreco” por Chay e Diogo. Chay Suede, Diogo Strausz e sua banda Aymoréco merecem de nós todos não somente os aplausos merecidos, mas uma “chuva de likes”, com todos os amores que podemos lhes oferecer.

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À esquerda, o tecladista e DJ Luciano Supervielle, e no canto à direita Gustavo Santaolalla, compositor vencedor do Oscar pela trilha sonora original de dois longas-metragens de sucesso (“O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee, e “Babel”, de Alejandro González Iñárritu) e o violinista Javier Casalla na apresentação do Bajofondo, cuja música de maior repercussão no Brasil foi o tema de abertura da novela de João Emanuel Carneiro da Rede Globo, “A Favorita” (2008), “Pa’ Bailar”.
O grupo participou do evento cultural Niterói Encontro com América do Sul, promovido em 2011.

Foto: Paulo Ruch

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Palco, todo ornamentado com caixotes de madeira, no qual foram realizados os shows de Thais Gulin, Qinho, Tono e Letuce na feira de moda alternativa Babilônia Feira Hype, no Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, RJ.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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Qinho, uma das revelações da MPB, observa o seu público na feira de moda alternativa Babilônia Feira Hype, Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, RJ.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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O cantor, compositor e guitarrista carioca Qinho após o seu show na Babilônia Feira Hype, Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, RJ.
Qinho, na verdade, Marcos Coutinho formou-se em Jornalismo pela PUC-RJ.
De 2004 a 2009, integrou a banda Vulgo Qinho & Os Cara (lançou disco homônimo).
Iniciou carreira solo, apresentando a seguir o CD “Canduras” pela Bolacha Discos.
Uma de suas canções, “Maravilhosa Beijoca”, foi remixada pelo DJ alemão Ian Pooley.
É membro também do conjunto Cia. Velha e do coletivo Irmãos Brutos.
Criou e organizou edições do evento cultural “Dia da Rua”, em que determinada rua do Rio de Janeiro era escolhida para a apresentação simultânea de grupos de música.
Gravou nos Estados Unidos com o rapper O’Neal McKnight para o programa “Noble Exchanges”.
Realizou ensaio fotográfico para a Revista TPM.
Já produziu, montou e tocou ao vivo a trilha sonora de um desfile da Totem no Fashion Rio.
Participou do prestigiado festival Back2Black.
Seu segundo álbum chama-se “O Tempo Soa”.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Babilônia Feira Hype

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Foto: Reprodução/Facebook

Ao assistir tardiamente à interpretação de Igor Cotrim como o travesti Madona no filme de Marcelo Laffitte, “Elvis & Madona”, ao lado de Simone Spoladore como Elvis, apercebi-me de que pouquíssimas vezes testemunhei atuação tão sutil e humanizada de homem que se traveste. Sem qualquer demérito a Cotrim, muito pelo contrário, algo similar às antológicas personificações de Dustin Hoffman em “Tootsie”, de Sydney Pollack, Terence Stamp em “Priscilla, A Rainha do Deserto”, de Stephan Elliot e Robin Williams em “Uma Babá Quase Perfeita”, de Chris Columbus. O paulista Igor, que além de intérprete é dramaturgo e poeta (já lançou o livro “Ali como Lá!”; e junto com Pedro Poeta faz shows frequentes com a banda Beep-Polares, nos quais poesia e rock’n roll se dão as mãos), vivencia no longa de Laffitte Madona, como já foi dito um travesti com sensibilidade única que nutre como maior sonho montar grande espetáculo. Nas eventualidades da existência encontra a “motogirl” Elvis, a lésbica personagem defendida com brilho por Simone (assim como Igor). Na primeira entrega de pizza a Madona (a tal pizza de palmito gigante que serve de inspiração para o título deste texto), visível empatia mútua ocorre. A seguir, a direção segura de Marcelo aliada ao seu inventivo roteiro, o na minha opinião não improvável casal da trama se envolve em problemas e intempéries que não escapam ao cotidiano de um par “normal”. É imperativo que não se omita que o mercado exibidor brasileiro não rendeu o devido crédito à filme premiadíssimo em festivais de cinema mundo afora. No tocante à seleção de profissionais para o “cast” há peculiaridade: Igor Cotrim disputou a chance de ser Madona com travestis reais. O rapaz formado pela EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP) iniciou sua carreira na atração infanto-juvenil “Sandy & Junior”, na Rede Globo, em que fora o “bad boy” Boca no decorrer das quatro temporadas. O papel lhe serviu para que solidificasse seu poder de interpretação perante o cenário nacional. Vieram-lhe oportunidades como incursões em novela de Manoel Carlos, “Mulheres Apaixonadas” e “Chamas da Vida”, da Rede Record, cuja autoria coube a Cristianne Fridman. Curiosamente, “Sandy & Junior” não foi isolada experiência com o público em fase de adolescência. A Rede Bandeirantes o convidou para integrar o elenco de “Floribella”. Já no teatro, bastaram três relevantes peças para que o palco lhe devotasse respeito: “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de José Saramago; “O Casamento”, de Nelson Rodrigues; e “A Cozinha”, de Arnold Wesker. Possui ainda porção filantrópica ao ter criado ONG, a “Voluntários da Pátria”, destinada a inserir poesia nas escolas com o intento de causar benéfica provocação nos alunos a fim de que construam apreço pessoal por rico gênero da Literatura. No momento, Igor empresta seu valor a dadivosa missão: ser repórter da “Revista do Cinema Brasileiro” na TV Brasil, acompanhando Natália Lage (não sendo o primeiro passo neste campo, haja vista que exercera ofício semelhante no Discovery Channel, em que cobrira o Fórum Mundial de Cultura em Barcelona, Espanha). Costumo em pensamento lhe atribuir o carinhoso aposto “o rei dos trocadilhos”, motivado pelo que escreve em sua página oficial no Facebook, seja na forma de poemas seja em frases de lavra própria. Acredito que se a “Revista do Cinema Brasileiro” tomar por decisão abordagem sobre “Elvis & Madona” se fariam necessárias no mínimo três edições, dada a significância da obra. Teríamos que pedir várias pizzas de palmito gigante a Elvis.